Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
ABRANTES . MAÇÃO.DOIS MONSTRINHOS FILHOS DAS MESMAS MÃES. PERDÃO, MÃOS.

 

Abrantes, confluência das Ruas Monteiro de Lima e Luís Camões.

Há já algum tempo que por ali não passava.

Rejubilei quando vi erguerem-se as paredes que punham fim a um dos mais antigos e horrorosos cancros urbanísticos, bem no Centro Histórico da Cidade.

Pasmei com o produto quase final.

Não há palavras!

 

Percebe-se, agora, porque podem chover  sobre Abrantes mil pedregulhos!

 

 

 

Mação, Largo do Cineteatro.Mais palavras para quê?!

 

Abrantes e Mação, dois monstrinhos filhos da mesma mãe, perdão, das mesmas mãos, umas mãos que ignoram a traça, a raça dos que nos antecederam.

Por que não escolhem os novos espaços das periferias para aí esboçarem  a nova arquitectura a que têm direito e que  ninguém contesta?!

Mas aqui, no sagrado e  sangrado coração das vilas e cidades que restam, não, por favor!

antónio colaço



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WEBANGELHO DE FREI BENTO DOMINGUES

frei Bento Domingues

In Público 7 de Fevereiro 2010

 

Com Eckhart, Suso e Tauler pela primeira vez teólogos profissionais falavam na língua dos leigos
 
Uma inesgotável escola de espiritualidade
 
1. As Edições Paulinas abriram uma colecção designada “Sabedoria Cristã”, permitindo ao cristianismo respirar a dois pulmões, como
desejava João Paulo II: o da Igreja do Oriente e o da Igreja do Ocidente. Já saíram várias obras essenciais. A quarta é constituída pelos Tratados e Sermões de mestre Eckhart (1260-1328), com prefácio do prof. Paulo Borges e introdução de fr. José Luís de Almeida Monteiro, O.P. Com outro volume de Introduçãoa Mestre Eckhart, de Michael Demkovich, procura-se recuperar, ainda que tardiamente, a voz deste grande místico ignorado em Portugal.
O grande especialista do pensamento medieval, Alainde Libera (1) – que vou seguir neste texto – sustenta que a filosofia alemã, nos séculos XIII e XIV, estava inteiramente concentrada na Ordem dos Pregadores. Alberto
Magno (falecido em 1280) era alemão por nascimento e carreira. As suas ideias, porém, eram parisienses. Os filósofos alemães eram discípulos de Alberto Magno, formados por ele, em Colónia, no Studium Dominicano ou dependentes das suas teses. O mais famoso dos discípulos foi mestre Eckhart, filósofo, teólogo, místico e dotado de grande capacidade prática. Foi prior, provincial, vigário geral, professor na Sorbonne de Paris e em Colónia. É considerado o maior místico da Idade Média. A sua influência atravessou os séculos e as culturas, uma ponte entre o Ocidente e o Oriente. M. Heidegger
aludia ao “velho mestre, de quem aprendemos a ler e a viver”. Continua a marcar a sua presença nas investigações feministas, sufistas
e budistas, nos seguidores da New Age e, com redobrado fascínio, entre escritores cristãos e várias tendências.
2.Este místico é também aclamado como “pai da especulação alemã”. Foi condenado a 27de Março de 1329 por um dos Papas de Avinhão, João XXII. Apesar de todas as censuras e reprovações, ler hoje mestre Eckhart é continuar a beber numa fonte de água viva. É também uma
escola, pois Eckhart teve discípulos imediatos de grande envergadura: Henrique Suso e João Tauler. Com ele, legaram ao cristianismo uma das suas mais altas e exigentes expressões, uma teologia contemplativa e prática, cujas
palavras - chave são a “deificação” e o “desprendimento”,marcas da mística renana. Durante uns 60 anos, no século XIV, no vale do Reno,
na região de Colónia e de Estrasburgo, viveu, pregou, escreveu e meditou uma extraordinária geração de homens chamados “místicos renanos”. Pertenciam os três– Eckhart, Suso e Tauler – à Ordem Dominicana. Eram intelectuais: Eckhart era o terceiro alemão com o título de “mestre em Teologia”, pela Universidade de Paris, a maior distinção intelectual que se podia imaginar naquela época. Os outros eram seus alunos e discípulos. Entre 1300
e 1360, esses três irmãos mendicantes transformaram o modo de pensar e de viver o cristianismo, inventando um tipo de intelectual que o mundo medieval não tinha conhecido até então: o de “mestre de leitura” que fosse
também, e em primeiro lugar, “mestre de vida”.
3.Na Idade Média, sempre houve espirituais e sábios. Na época das universidades – a partir dos anos 1200 – existiam intelectuais, profissionais
do pensamento, numa palavra, “clérigos”.Com Eckhart, Suso e Tauler surge outra realidade.
Pela primeira vez, teólogos profissionais pregavam, ensinavam e orientavam, falando na língua dos leigos, perante auditórios de não profissionais que ignoravam tanto a filosofia como a teologia sistemática. Popularizaram,
ou, melhor dito, desprofissionalizaram a sabedoria cristã. Dirigiam-se ao mundo dos “simples”.
Este novo destinatário do saber e da fé em busca de inteligência não era fruto de uma iniciativa pessoal, fazia parte da sua missão de irmãos pregadores. Tratava-se, sobretudo numa época de intensa vida religiosa, de conduzir um
imenso mundo de mulheres, monjas ou beguinas, pelos caminhos da verdadeira doutrina. De facto, a espiritualidade feminina era, na altura, tão florescente que inquietava o magistério. A singularidade dos três pregadores consistiu em ter cumprido a sua função, colocando-se na escola do
seu auditório, aprendendo com o seu contacto e aceitando
e vivendo todas as suas consequências. Era duro e sofredor o mundo em que viveram: o papado estava em guerra ideológica com o império; a peste
começava a assolar a Alemanha; queimavam-se os livros e, por vezes, os seus autores. Era uma época de censura e de condenações. No entanto, era também uma época de discussões e de pôr em causa velhos saberes. Tempo
de G. Occam e do nominalismo, do florescimento da lógica e da nova física. Tempo também de espirituais, da contestação no seio da Igreja, da reivindicação de uma forma de vida evangélica inspirada na pobreza dos primeiros cristãos, de Cristo e dos apóstolos.
A posteridade tão diversificada, por vezes contraditória, desta escola – no campo da filosofia, da teologia, da espiritualidade e da mística – já começou a ser estudada por Alain de Libera, com muitas outras colaborações (2).
Quais serão, porém, as razões da atracção que continua a exercer em novos estilos de espiritualidade e de teologia, no Oriente e no Ocidente?
(1) Alain de Libera, A Filosofia Medieval, Loyola, São Paulo,
1998, p. 397. (2) Alain de Libera, Eckhart, Suso, Tauler, ou
la Divinisation de l’homme, Bayard, Paris, 1996; Id., Mestre
Eckhart et la Mystique rhénane, Cerf, Paris, 1999.
 
Frei Bento Domingues

 


música: ísticos

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MATINAS



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Sábado, 6 de Fevereiro de 2010
WEBANGELHO DE ANSELMO BORGES

 

PE ANSELMO BORGES

 

CARTA DEMOLIDORA AO PAPA

In DN 6Fev 2010

 

O autor da carta, Henri Boulad, 78 anos, é um jesuíta egípcio de rito melquita. Não é um jesuíta qualquer: há treze anos que é reitor do colégio dos jesuítas no Cairo, depois de ter sido superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional, professor de Teologia no Cairo. Conhece bem a hierarquia católica do Egipto e da Europa. Visitou quarenta países nos vários continentes, dando conferências, e publicou trinta livros em quinze línguas. A sua carta, inspirada na "liberdade dos filhos de Deus" e a partir de "um coração que sangra ao ver o abismo no qual a nossa Igreja está a precipitar-se", funda-se, pois, num "conhecimento real da Igreja universal e da sua situação actual".
A carta tem três partes: a presente situação, a reacção da Igreja, propostas.
Há constatações que não podem ser ignoradas. 1. Assiste-se à queda constante da prática religiosa. Quem frequenta as igrejas na Europa e no Canadá são pessoas da terceira idade, de tal modo que, por este andar, será necessário fechar igrejas e transformá-las em museus, mesquitas ou bibliotecas. 2. Os seminários e os noviciados também continuam a esvaziar-se. 3. São muitos os sacerdotes que abandonam, e os que ficam - a sua média etária ultrapassa frequentemente a da reforma - têm a seu cargo várias paróquias. "Muitos deles, tanto na Europa como no Terceiro Mundo, vivem em concubinato à vista dos fiéis, que normalmente os aceitam, e do seu bispo, que não aceita, mas vai fechando os olhos por causa da escassez de clero." 4. A linguagem da Igreja é "obsoleta, anacrónica, aborrecida, repetitiva, moralizante, completamente inadaptada ao nosso tempo". 5. Impõe-se uma "nova evangelização", inventando uma linguagem nova. "Temos de constatar que a nossa fé é muito cerebral, abstracta, dogmática, e se dirige muito pouco ao coração e ao corpo." 6. Não é, pois, de estranhar que muitos cristãos se voltem para as religiões da Ásia, as seitas, a New Age, o ocultismo. A fé cristã aparece-lhes hoje como "um enigma, restos de um passado acabado". 7. No plano moral, "as declarações do Magistério, repetidas à saciedade, sobre o casamento, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, o casamento dos padres, os divorciados que voltam a casar, etc., já não dizem nada a ninguém e apenas provocam indiferença".  8. A Igreja católica, que foi a grande educadora da Europa, "parece esquecer que esta Europa chegou à maturidade" e "não quer ser tratada como menor de idade". 9. Paradoxalmente, são as nações mais católicas do passado que agora  caem no ateísmo, no agnosticismo, na indiferença. Quanto mais dominado e protegido pela Igreja foi um povo no passado, "mais forte é a reacção contra ela". 10. O diálogo com as outras Igrejas e religiões está hoje em "preocupante retrocesso".
A reacção da Igreja é a de minimizar a gravidade da situação, apelar à confiança no Senhor, apoiar-se na ala mais conservadora ou nos países do Terceiro Mundo. Esquece-se que "a modernidade é irreversível" e que também "as novas Igrejas do Terceiro Mundo atravessarão, mais cedo ou mais tarde, as mesmas crises que a velha cristandade europeia conheceu".
Que fazer? "A Igreja tem hoje uma necessidade imperiosa e urgente de uma tríplice reforma." 1. Uma reforma teológica e catequética, para repensar a fé e "reformulá-la de modo coerente para os nossos contemporâneos". 2. Uma reforma pastoral, "para repensar de cabo a rabo as estruturas herdadas do passado". 3. Uma reforma espiritual, para revitalizar a mística e repensar os sacramentos. "A Igreja de hoje é demasiado formal, demasiado formalista", como se o importante fosse "uma estabilidade puramente exterior, uma honestidade superficial, certa fachada".
Que sugere então o padre H. Boulad? "A convocatória de um sínodo geral a nível da Igreja universal, no qual participassem todos os cristãos - católicos e outros - para examinar com toda a franqueza e clareza estes e outros pontos. Esse sínodo, que duraria três anos, terminaria com uma assembleia geral que sintetizasse os resultados desta investigação e tirasse daí as conclusões."
______________________________________________________
 

 

NOTA DA REDACÇÃO

 

Se alguém tivesse dúvidas acerca do estatuto editorial da ânimo, aqui está, luminoso, pela mão de Anselmo Borges, o nosso Estatuto Editorial!
 
Para aqueles que julgam que este lugar tresandaria a beatice, velas e sacristia, incompatível, portanto, com o seu mais que legítimo estatuto de agnósticos, ateus, ou, porventura, convictos indiferentes, aqui está, para que não restem quaisquer dúvidas, a parte mais substanciosa dos princípios porque nos regemos.
E aqui, seja-me permitido, como responsável, desde a primeira hora por este lugar de encontro, reafirmar que a última coisa que me passaria pela cabeça, eu mesmo, ainda meio aturdido, quase a soerguer-me, empoeirado, sangrado, na berma da minha estrada de Damasco, era que investisse, agora, de internet em riste contra os meus irmãos convocando-os para que se demitissem de todas as suas dúvidas e dos seus mil e um receios.
Fica, assim, claro, que a ânimo, mais do que um fim em si mesmo, outra coisa mais não é do que a grande mesa na qual todos têm lugar e onde, sem qualquer privilegiado estatuto, social ou intelectual, todos estão obrigados, sim, a tudo partilhar. Alegrias, tristezas, angústias, incertezas, mas também, e cada vez mais, a ALEGRIA das conquistadas CERTEZAS!
Como esta que hoje, aqui e agora, pela mão de Anselmo partilhamos: também nós nos incomodamos ao olhar para a Igreja em que nos tornámos. É por isso que nos metemos a caminho de Emaús.
Venham achegas!
antónio colaço


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WEBANGELHO DE ANSELMO BORGES

 

PE ANSELMO BORGES

 

A HUMANIDADE SOB AMEAÇA

 

In Dn 30 Jan 2010

 

Não há dúvida de que estamos a viver uma transformação prodigiosa do mundo, uma revolução talvez só parecida com a do "tempo-eixo", como lhe chamou Karl Jaspers.
Há quatro revoluções em marcha. Uma revolução económica, com a mundialização, que significa a concretização da ideia de McLuhan de que formamos uma "pequena aldeia" e a chegada ao palco da História de grandes países emergentes. Outra é a revolução cibernética, que, como disse Jean-Claude Guillebaud, faz nascer um quase-planeta, um "sexto continente". A revolução genética transforma a nossa relação com a vida, a procriação e pode fazer bifurcar a Humanidade: a actual continuaria ao lado de outra a criar. Também está aí a urgência da revolução ecológica, que, se a Humanidade quiser ter futuro, obriga a uma nova relação com a natureza. Sem esquecer o perigo atómico e do terroris- mo global.
Perante todas estas revoluções e face aos problemas que agora são globais, como a droga ou o trabalho, impõe-se, em primeiro lugar, pensar numa governança mundial. Depois, não sei de que modo o futuro será, como diz J.-Cl. Guillebaud, uma "modernidade mestiça", mas, para evitar o "choque das civilizações", impõe-se o diálogo intercultural e inter-religioso. Há anos que o famoso teólogo Hans Küng se não cansa de repetir que, sem paz entre as religiões, não haverá paz entre as nações, e essa paz supõe o conhecimento e o diálogo entre as religiões.
Coube também a Hans Küng o desafio para preparar o projecto do que em 1993 se tornou a "Declaração para uma ética mundial", aprovada pelo Parlamento das Religiões Mundiais, em Chicago. A Declaração é um documento humanista, que proclama programaticamente: "Frente a toda a inumanidade, as nossas convicções religiosas e éticas exigem que cada ser humano deve ser tratado humanamente. Isto significa que cada ser humano - sem distinção de idade, sexo, raça, cor da pele, capacidades físicas ou espirituais, língua ou religião, consideração política, origem nacional ou social - possui uma dignidade inalienável e inviolável. Todos - tanto o indivíduo como o Estado - têm de respeitar esta dignidade e garantir a sua defesa efectiva". Os direitos e os deveres humanos é aqui que assentam.
Este princípio fundamental de humanidade determina-se mais proximamente pela regra de ouro - o princípio da reciprocidade --, que constitui o segundo princípio de uma ética comum à Humanidade: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti" ou, formulado positivamente: "Faz aos outros o que queres que te façam a ti."
Mas onde se fundamentam a dignidade e os direitos humanos? Questão gigantesca, que tem a ver com a problemática do pré-jurídico e do pré-político, debatida há anos, num diálogo célebre entre o então cardeal J. Ratzinger e o filósofo J. Habermas, e a que se referiu também, pouco antes de morrer, L. Kolakovski: "Sem tradições religiosas, que razão haveria para respeitar os direitos humanos? Vendo as coisas cientificamente, o que é a dignidade humana? Superstição? Do ponto de vista empírico, os homens são desiguais. Como justificar a igualdade? Os direitos humanos são uma ideia a-científica."
Numa universidade portuguesa, o professor de Ética confronta há anos os estudantes com um experimento mental: "Suponhamos que um país vai invadir outro - nessa hipótese, vai haver, evidentemente, muitos mortos. Mas o país invasor suspende a invasão, se o Governo do país a ser invadido estiver na disposição de matar um inocente." Há quatro anos, todos os estudantes se revoltaram contra a perspectiva da morte do inocente. Há dois anos, já dois estudantes se pronunciaram a favor. No ano lectivo em curso, em 16 estudantes, só uma jovem se opôs ao assassinato do inocente. Os outros foram argumentando que, aceitando a invasão, muitos morreriam, eventualmente também o inocente. Portanto...

A conclusão é que o próprio Homem se tornou objecto de cálculo, coisa negociável. Assim, já não pode haver dúvidas: no meio das gigantescas crises mundiais, o núcleo mesmo da crise no nosso tempo é a crise de valores, a crise moral

 



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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
MATINAS



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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
ENQUANTO NÃO SABEMOS AS ÚLTIMAS DO MANEL....

...um pouco de música.

A poderosa força - o poderoso ânimo - transmitida pelas palavras do Manel só merece algo que nos transporta para patamares superiores.

Quem ou o quê melhor do que a música de órgão e a soberba interpretação de John Philip Sousa:

 

 



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ÂNIMO,MANEL!

No preciso momento (7.30 desta terça enregeladamente soalheira) em que o meu amigo Manel  Francisco Carrilho dá entrada na sala de operações do hospital Santa Maria, acabamos de receber estas palavras deixadas por ele através dos seus filhos Ana e Gui.Obrigado para eles!

 

É um privilégio, sabendo o estado de saúde do Manel, perceber até onde somos capazes de ir em circunstâncias nada agradáveis.Quero ser digno da tua coragem, Manel!

Obrigado, Manel.

Estamos todos a torcer por ti!

antónio colaço

PS

Não tenho foto para ilustrar as tuas palavras.Havemos de tirar o retrato mal fiques bem!

_____________________________________________________________________

 

 

 

Ânimo
 
 
Desafiou-me o amigo Colaço, para dissertar algo sobre a palavra “Ânimo”.
Talvez, para saber a minha força ou o meu estado de alma, numa altura destas.
Podia começar pela pergunta - Quanto pesa uma alma?
Poderia responder, que a alma pesa tanto como a consciência.
Mas haveria logo um menino, que diria que com as “novas tecnologias”, já é possível pesar a consciência.
Poderia dizer, que pesa tanto como o mundo.
Mas logo viria o tal menino, dizendo que todo o volume das diversas massas, já foram calculadas e fácil seria calcular o peso do mundo.
Para não me chatear mais, (o tal menino), dir-lhe-ia, que o peso da alma, é igual ao peso do universo.
 Por se desconhecer o princípio e fim do universo, com os seus milhões de galácticas, impossível calcular em área ou volume o peso do universo.
Claro que isto daria pano para mangas, mas eu não vou por aí…
Tudo tem um princípio e fim.
Por paradoxo, não conhecemos o nosso princípio e o nosso fim.
Eu, pelo menos, começo apenas a ter recordações, dos meus 4 anos, porque tinha que ir para a mestra, a “educadora de infância”, nessa altura.
O fim…
Bom, o fim, vamo-nos apercebendo dele, mas sem nunca admitirmos bem, o avanço da idade.
Quando era novo, nunca me imaginei com a idade que tenho agora. Pedirem-me, para me imaginar, como seria eu, com esta idade, seria como se me pedissem para imaginar o mundo depois da morte.
Mas agora, passados tantos anos e vivendo neste mundo inimaginável, confere-me o direito, de já ter uma ideia, e este sentimento estranho, onde até posso imaginar o mundo depois da morte.
Tendo essa prorrogativa, não sei se me posso considerar um homem feliz.
Se estivesse a falar de alguma coisa, de que já tivesse alguma experiência antes, poderia compreender melhor a situação e explicá-la melhor, mas como é a 1ª vez, não é fácil.
À medida que os anos foram passando, porém, fui compreendendo até que ponto as provações e sofrimentos, são importantes.
Talvez por isso, encare e aceite melhor agora, as provações e sofrimentos que esta minha doença me provoca.
É isso também, que confere aos homens o facto de serem diferentes uns dos outros, e sentirem as coisas também de maneira diferente.
É devido à minha capacidade para ver certos aspectos de uma paisagem, que escapam aos olhos dos outros, a forma de sentir diferente, que me faz escolher palavras que diferem das utilizadas pelos outros, e me faz poeta.
As feridas emocionais e agora físicas, são como que o preço a pagar ao mundo, para se obter a independência como ser humano.
Em determinados momentos da vida, procurei a solidão, até de uma forma empenhada.
A solidão dava-me uma sensação de protecção por um lado, mas é uma espada de dois gumes.
É corrosiva, e pode corroer inconscientemente a alma e desintegrá-la, sem que a pessoa se aperceba disso.
Ah solidão, solidão
Mãe de tanta amargura
És filha da saudade
E irmã da desventura
 
Em relação ao meu ânimo, ou estado de espírito, é bom muito bom até, para quem está num hospital há quase 3 meses.
Fala-se bastante das doenças do coração, dos acidentes vasculares cerebrais, do estômago, fígado, intestinos, mas pouco ou quase nada sobre o aparelho urinário.
É uma doença silenciosa, pois não dói, até que de repente somos surpreendidos.
Recebi a notícia naturalmente, como se inconscientemente já estivesse à espera.
Não sei porquê, tenho umas características físicas que estão relacionadas com a maneira como funciona a minha mente, mas… será a mente de uma pessoa, a influenciada pelo seu corpo, ou será o contrário, e, nesse caso, as características corporais, mostram-se sobre o efeito da mente? Ou será ainda, que o corpo e espírito se interagem, influenciando-se mutuamente?
Mas deixemos isso para os entendidos.
Como poderão verificar, o meu estado de espírito, anda a saltitar para aqui e para ali, e, ainda não consegui fixar o pensamento na palavra ânimo.
Andava neste saltitar de ideias, quando chegou o amigo Colaço, trazendo-me o seu ânimo.
Isto no dia 29, sexta-feira, tinha eu acabado de almoçar
A ementa?
1 consumé de espargos
1 faisão real com trufas
A sobremesa?
Foi a conversa com o amigo Colaço, onde falamos de nós e de vós e de tudo e nada.
… da Animus, dos projectos dele e lá se foi, deixando-me o seu ânimo.
Obrigado Colaço.
 
Não sei se lhe consegui aliviar o peso da alma, mas ele aliviou o peso da minha, com a qual fiquei a falar.
 
Onde vais alma penada
Me perguntou a noite agreste
Sempre só e tresmalhada
Que mal ao mundo fizeste?
 
Conversa comigo, malvada
Não tenhas medo, responde
Mas minha alma fica calada
E da noite até se esconde
 
Mas, com ela eu insisto…
E minha alma descontrolada
Mais triste que a noite triste
Quer falar mas não diz nada!
 
A alma!...
Um dicionário qualquer me diz que ânimo é: … alma, espírito, alento, vida, vigor, firmeza e coragem.
É isso que eu tenho, para enfrentar a vida.
Não pensem que estou acamado, ou coisa assim.
Ando naturalmente e bem, não tenho dores, só espero a operação.
Amanhã, dia 2, lá irei então para a sala de corte e costura, e, vai tudo correr bem.
Seja o que Deus quiser.
Depois, num novo episódio, vos descreverei então o que é o ânimo.
Por enquanto vão lendo o blog “animus60” que eu vou remeter-me ao silêncio.
Obrigado a todos que me têm incutido força e coragem.
Deixo-vos com
Silêncios
 
Há no mundo… silêncios
Que nada nos dizem
Porque…
De tão distantes, tais silêncios
Não nos chegam.
Mas… às vezes basta
Uma pequena lembrança
Para que…
Das nossas gargantas
Saia o grito
Que muito longe chegará.
 
Há no mundo… silêncios
Que são gritos de revolta
Calados
Porque surdos
São aqueles que não escutam
Os gritos no silêncio da noite
Porque…
A noite é o silêncio
 
Há no mundo… silêncios
Que mesmo longe se ouvem
…mas em surdina.
Tais silêncios são palavras
Que se calam
Na boca do coração.
Palavras que se misturam
No sangue
Porque…
Feito de sangue é o silêncio
 
Há no mundo… silêncios
Que são gritos censurados
De vidas que morrem
Sufocadas
Mas grilhetas dos silêncios
Porque…
Só a morte é o silêncio
 
Caríssimos amigos:
No meu silêncio vos deixo com um abraço e este soneto.
 
Já nascia no escuro a tristeza
A primeira poesia, o verso puro
Que trazia o meu peito sem defesa
Da perda, que me tornava duro
 
Era a dor um muro de singeleza
No desânimo, eu era inseguro
Ao compor um poema que surpresa
Vi que melhor seria o meu futuro
 
A palavra amor depois de escrita
Me trouxe ânimo e a esperança
Por isso a respeito por ser bonita
 
Assim escrevendo, é doce paixão
Fica a alma mais pura e bendita
Ainda mais forte fica o coração
 
 
 
 
Da Enfermeira Chefe… Susana
 
Quando no peito o coração se aperta
E a nossa alma parece deserta
Como tomada por causa doentia,
Quando estranha saudade nos invade
E um sentido de perda e de ansiedade
Nos confrange cá dentro e angustia;
 
Quando imagens, momentos, evocamos
E até os cheiros no ar que respiramos
Parecem tão presentes e reais,
Que imensa frustração de nós se apossa
Face à certeza que então nos acossa;
De não os revivermos nunca mais
 
Porque a bela palavra “nostalgia”
Com que enfeitamos prosas e poesia,
Que viaja connosco a outras eras
Ou que nos traz saudade verdadeira,
É trucidante, bárbara, açoeiteira
Pois não se ressuscitam as quimeras
 
 
Até um dia, se Deus quiser
 
 
…continua…
 
Manuel Carrilho


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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
ANTÓNIO PEDRO FERREIRA UMA COLHEITA DE ELEIÇÃO NA ...RUA DA VINHA 43A

 

 

Estás no Jardim de S.Pedro de Alcântara, deixas que o sol deste enregelado Fevereiro te aqueça mais um pouco e depois, ala que se faz tarde a caminho da Rua do Cara, ali mesmo em frente, cortas para a Rua da Atalaia e em 5 minutos estás a atravessar a Rua da Rosa para desceres até à Rua da Vinha.

 

 

 

 

É lá que até ao final desta semana, o meu amigo António Pedro Ferreira expõe "SEGUNDA ESCOLHA".

 

Com base no desencanto que o António captou no rosto deste emigrante - foto 6ª, à esquerda de quem entra - deixei-lhe algumas palavras sugerindo-lhe que não pode fugir à tarefa de convocar outros rostos do Portugal desanimado de hoje, numa espécie de TERCEIRA ESCOLHA, assim como quem acredita que, à terceira, vai ser de vez!

Quer dizer, pegando na última frase que esse outro amigo Luiz Carvalho deixou escrita no catálogo, dizendo que os tempos em que o Tópê andou por França, nos anos 80, eram "tempos simples, austeros, mas de uma esperança infinita que nos foi traída", tentemos, dizia eu, ir ainda a tempo de que essa esperança conheça novo alento. Novo, como dizer...ânimo!

 

Parabéns ao grupo dos amigos do meu amigo Alexandre Almeida que mantêm este espaço onde se adivinham, na Rua da Vinha, boas colheitas culturais!

antónio colaço

 

 

 

NR

Caríssimo Tópê, toma lá uma variação em lá maior aqui do meu laboratório de trazer por casa!!!

 



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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
PORTO.EMERENCIANO EXPÕE NA GALERIA OLGA SANTOS

EMERENCIANO

 

 

 

 

 

GALERIA OLGA SANTOS

PC REPÚBLICA.168 1º Ft

PORTO


Já agora aproveito e envio informação sobre a minha mais recente exposição, mais uma que realizo e sobre a qual haverá, como sempre silêncios, justificados com certeza. Vou-me habituando. A exposição já foi inaugurada, um encontro com poucos amigos do Porto e a família do Fernando Pernes, mulher e filhos. Não é uma homenagem mas uma lembrança. Junto aqui uma imagem do convite, um retrato que fiz do Fernando Pernes, e um pequeno texto que escrevi.
A exposição é no Porto, Galeria Olga Santos, que fica na Praça da República 168, 1º Frente. A praça da República é onde está o Quartel General aqui na cidade do Porto. A partir da Praça da Liberdade é preciso andar na direcção da Câmara, passar pela Igreja da Trindade, seguir na direcção da Rua Gonçalo Cristóvão, e aqui virar à esquerda até à Praça da República. O Quartel General fica ao fundo e a Galeria fica do lado direito.

 

 

 
« TODA A ARTE É CRÍTICA DE ARTE, TAMBÉM ! »
lembrando Fernando Pernes

O meu vizinho não é toda a gente nem qualquer um, e eu não evito toda a gente e qualquer um onde me exponho, artista-plástico, e a escrita existe porque é preciso dizer o dizível, considerar este aspecto fundamental da ligação entre um lado e outro de mim, entre o dentro e fora, ela trabalha sobre o que pode mudar o conhecimento do labirinto que me traz às vezes silencioso. Sem saber se digo de mais ou de menos, e eu habito, no meu oficio do ser, pessoa de pensamento, encaminhando-o para dentro da pintura, aceitando o processo reflectido da arte sobre a realidade pessoal e social. Vizinho da compreensão daqueles que pertencem também ao pensamento e têm o acato do meu interesse e não me encerro, olho em redor, vejo a desatenção dos que ficam fora da idealização, que pertencem também à história pessoal, e a minha curiosidade manifesta-se por vezes sem surpresa. Prossigo com o meu trabalho, ou com a vida, e desse universo das pessoas próximas refiro os professores, os artistas, os críticos, os poetas, os ensaístas e os filósofos. Dos professores destaco nesta circunstância o professor Jorge Pinheiro, era eu seu aluno na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (1972 – 1973), porque me apresentou ao crítico Fernando Pernes na perspectiva de pertencer a uma galeria que seria dirigida por ele. A galeria não abriu, tinha lugar na Rua de Campo Alegre, projecto do arquitecto Sisa Vieira. Estive com o Fernando Pernes em sua casa (1973) para que visse a pintura que então eu realizava, e retenho uma sua observação precisa do que era bem esclarecedor de um caminho, um sentido primitivo do que pude e venho a realizar. O 25 de Abril de 1974 surge, acontecimento de grande relevância, que justifica o envolvimento das pessoas em reuniões na Escola Superior de Belas-Artes e Cooperativa Árvore. O domínio da reflexão e a acção politica partidária não obstou algumas decisões consequentes das artes plásticas, por ventura as mais decisivas pelo acção e alcance que tiveram na criação do Centro de Arte Contemporânea dirigido pelo Fernando Pernes no Museu de Soares dos Reis, o aparecimento da Galeria do Jornal de Notícias dirigida pela Ana Maria Ramos de Almeida, e a Galeria Módulo com direcção de Mário Teixeira da Silva. Expus individualmente na Galeria Módulo (1979) e na Galeria do Jornal de Notícias (1979 e 1985). O Fernando Pernes visitou-me nessas exposições e recordo as conversas que tivemos, e os textos que amavelmente escreveu para algumas que realizei, uma das quais na galeria Roma e Pavia, entretanto criada e dirigida pelo Fernando Marques de Oliveira.
 
O primitivismo do meu trabalho arrasta o sentido primeiro, convoca a atenção imaginativa do simbólico, leva-me a inventar símbolos que aproximo, e a exposição realizada na Galeria do Jornal de Notícias (1985) permitia já antever consequências de transformação, era uma exposição que no dizer de Fernando Pernes explicava já a minha pintura. Esta ideia de uma exposição ser também explicação do todo vaticina um propósito sublinhado ainda por Fernando Pernes no catálogo da exposição que realizei na galeria Roma e Pavia (1981), quando ele diz que «toda a arte é crítica de arte, também!». Há uma consequência, portanto, na obra repensada na sua intenção representativa, consequência da transformação proposicional das diferenças que acentuam a repetição subtil de algo de uma arte que se entrega ao discurso.
Assim justifico as palavras pertença da obra devedora das ideias, ideias que são processos mentais partilhados, que devo também àqueles que escreveram e/ou falaram sobre o meu trabalho. A obra manifesta-se espaço privilegiado de uma escuta, a escuta que distingue o que a serve e não, o que a história lembrará porque foi uma contribuição positiva, mesmo se crítica no sentido preciso do termo, e o que poderá entender-se por disparate. E disparates não foram seguramente o que me disse e escreveu o professor Fernando Pernes, recordando-o neste momento em que se encontra doente, e dedicando-lhe esta exposição.
 
Emerenciano, 2009-12-31

 

 



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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
CANTAR AS JANEIRAS.OBRIGADO, GRUPO "OS MAÇAENSES" POR TORNAR MAIS QUENTES AS ENREGELADAS NOITES DE JANEIRO

 

 

 Desafiando as enregeladas noites dos últimos dias, ei-los, pelas desertas ruas de Mação,aquecendo com as suas vozes as nossas tão distantes e adolescentes vozes de outros janeiros.

 

"Juntaram-se os três reis máááágos lá prás bandas do Orienteeeeee...."

 

Cardigos, aqui tão próximo mas a cada compassado verso  tão distante...

Onde havia o "venha-nos dar do fumeiro a chouriça, a morcela...." desembrulha-se hoje, com alguma sorte, uma envergonhada notita de cinco euros...

 

Que frenesi pelas incensadas noites em redor das crepitantes brasas salpicadas pelo sangue das morcelas, chouriços mouros, cacholeiras e outras tantas bebedeiras bem longe das inexistentes noites telenoveleiras com que embrulhamos os dias.... 

 

Obrigado, heróicos arautos das tradições  que ainda restam, mesmo que um rasto de saudade nos confronte os rostos com as envergonhadas lágrimas da avançada idade....

 

Obrigado, "Os Maçaenses".

antónio colaço




MAÇÃO:CAI CORREIO, LEVEMENTE, NA MINHA CAIXA.SERÁ AUTÁRQUICO,SERÁ PUBLICITÁRIO?PUBLICITÁRIO, NÃO,PORQUE NÃO É BONITO ASSIM!!!

 

É o que dá estar dois  fins-de-semana sem visitar a "santa terrinha".

Abres a caixa do correio e, oh!espanto, outra vez!!!

- Nããããããããããããããããõ, senhor presidente!Nãããããão senhor empresário!!!Nãooooooooooo sr.... Saldanha Rocha!!!A minha caixa de correio não pode servir para nela despejar, ou melhor, vomitar os seus falhados projectos empresariais! O senhor tem de afirmar-se é no terreno e, pelo que vejo, há-de vir o dia em que veja gente nalgumas das suas WCês, perdão, lojas!!!

Pode confundir a ingenuidade das pessoas de Mação e a grande parte dos "jornalistas e afins" ( curiosa designação que faz juntar à mesa jornalistas regionais, chefes de gabinete de autarcas e...afins!!!) que temem questioná-lo sobre a mais elementar falta de ética de que continua a dar provas - Senhor Secretário de Estado do Poder Local, será que é desta que Vª Exª, qual Viriato dos bons costumes democráticos, vem pôr um pouco de ordem na nossa tão enxovalhada democracia maçanica?! - como agora se vê, no recato da minha querida caixa do correio, para não falar de todas as caixas do correio.

 

De facto, quando cheguei a Mação, um sofrido rumor subia da minha caixa " socorro, salva-me desta continuada falta de ar! Cá está outra vez o Boletim da Câmara e os habituais anúncios das empresas de Saldanha!!!"

 

Na minha caixa de correio, não, senhor Presidente da Câmara!

Tenha vergonha e não me venha com o estafado argumento com que embrulha todas as polémicas questões, de que "é alheio ao que fazem os....carteiros ou quem por eles!!!

 

antónio colaço



publicado por animo às 18:13
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WEBANGELHO DE ANSELMO BORGES

Pe Anselmo Borges

 

In DN 24 JAN 2010

 

POTESTAS E AUTORICTAS

 

As sociedades humanas não podem subsistir sem o exercício do poder

 

Mesmo não entrando em tecnicismos, esta distinção que os romanos faziam entre potestas e auctoritas pode ser fundamental, concretamente para os tempos que atravessamos.
Claro: há muitas formas de poder, desde os órgãos de soberania ao poder da moda, e Max Weber, por exemplo, distinguiu vários tipos de poder: legal, carismático, tradicional. Mas, aqui, poderíamos dizer, ainda que simplificando muito, que a potestas - vem de potis, com o significado de senhor de, que exerce o poder sobre - tem a ver com o poder no sentido institucional. Assim, os magistrados têm poder, os presidentes de câmara têm poder, os deputados, os bispos, os ministros, os presidentes de junta de freguesia, os polícias, os pais, os padres, os generais, os professores... têm poder. As sociedades humanas não podem subsistir sem o exercício do poder. Há sempre o poder enquanto domínio para que os grupos possam viver organizadamente e sem violência.
Auctoritas - vem do verbo augere, que significa fazer crescer, aumentar, donde vem também auctor, com o sentido de aquele que faz crescer, aquele que produz e, consequentemente, autor (de uma obra artística ou literária) - significa cumprimento, realização, aquilo que tem autoridade ou constitui prova, o que serve de modelo, e pode ter sentido jurídico, mas, no nosso contexto, tem a ver com excelência pessoal e força intelectual e moral de atracção, de congregação e orientação.
Há, neste quadro, um passo muito significativo do Evangelho segundo São Mateus. Jesus disse- -lhes: "Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro seja vosso servo. Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir." Jesus não põe em causa concretamente o poder político, mas quer que os discípulos não adoptem o seu modelo de exercício. Note-se, aliás, que ainda hoje, mesmo no contexto político, os governantes são designados pelo termo "ministro", sendo seu chefe o "primeiro-ministro", que vem do latim minister, que significa servo, aquele que serve.
Neste contexto, percebe-se que potestas e auctoritas deveriam caminhar juntas e entrecruzadas. Quando isso não acontece, surgem inevitavelmente problemas. Vejamos exemplos.
Os pais, pelo facto de o serem, têm o poder paternal. Mas o que acontece, quando não há força moral, capacidade pessoal de inteligência, de afecto, de competência emocional para exercê-lo no sentido da tal auctoritas, no sentido de fazer crescer e aumentar os filhos em humanidade digna?
Qual é o critério de escolha dos bispos? E se a sua potestas - ou a dos padres - não é acompanhada de competência humana e cristã, de inteligência lúcida e corajosa na defesa dos direitos humanos, da força adulta do amor que serve?
E quando aos políticos em geral e às chamadas "autoridades civis e militares " - tradicionalmente, os jornais referiam a presença das "autoridades religiosas, civis e militares" - lhes falta competência intelectual, técnica, moral? Quando à função de deputados ou "ministros" só restasse o nome?
Quando os estudantes descobrem que um professor é incompetente, é melhor pôr-se a salvo.
Julgo que praticamente ninguém porá em dúvida que Jesus é a figura mais influente da História. No entanto, é impressionante verificar que ele não tinha qualquer poder institucional. Não era sacerdote, por exemplo, nem pertencia a nenhuma estrutura de poder oficial, civil, política ou militar. No entanto, seguiam-no multidões, e o Evangelho diz a razão: "Ensinava com autoridade." Cá está aquela autoridade, que, como diz o étimo, faz crescer e aumentar. Os homens e as mulheres que entraram em contacto com ele sentiram-se aumentados em humanidade, em liberdade e dignidade. Ficaram fascinados pela sua relação íntima com Deus e com a força libertadora do encontro. A sua identidade tinha-se transformado e agora eram outros, numa existência digna e com futuro.


publicado por animo às 18:07
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010
EM ÉVORA, SÊ ROMANO! PERDÃO, ALENTEJANO!!!

 

 

Já o deixamos escrito: as comemorações dos 30 anos da ânimo têm seu termo no próximo dia 8 de Maio, sábado, no Hotel D.Fernando, em Évora.

Aqui e acolá as ideias começam a brotar das mais recônditas esquinas do tempo e hoje, particularmente, ficou fixado o tema da exposição de artes plásticas em torno da qual tudo vai girar:

 

-EM ÉVORA, SÊ ROMANO! PERDÃO, ALENTEJANO!

 

O vídeo que apresentamos - imagens não editadas - sugere que na forja estão propostas de intervenção criativa tendo o Templo Romano como ponto de partida.

Não propriamente uma reflexão sobre como chegaram aqui os romanos e sim como e para quando uma invasão outra do outro Alentejo que queremos.

Um Alentejo de corpo inteiro que, de uma vez por todas, seja tido, no novo Portugal de que tanto precisamos, como imprescindível parceiro!

 

 

 

 

antónio colaço



publicado por animo às 19:36
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MARIA DA PURIFICAÇÃO E AS PREVISÕES PARA MAÇÃO 2010

Crónica publicada no mensário Voz da Minha Terra (Janeiro)

 

 

  

PREVISÕES 2010
 
Sou a mais recente vidente com consultório instalado em Mação. Chamo-me Maria da Purificação, os meus bisavós eram desta região e decidi-me a deixar Lisboa, definitivamente, porque acredito, cada vez mais, nas potencialidades do interior como alavanca para a recuperação do nosso país. Não venho vender gato por lebre mas estou decidida a ajudar Mação e a sua gente a desmistificar o muito gato por lebre que por aqui tem continuadamente sido vendido. Tenho estado muitíssimo informada acerca de tudo quanto por aqui palpita em todos os sectores da vida de Mação, seja a nível político, social, religioso e, até, por que não dizê-lo, desportivo.
As minhas previsões para 2010 baseiam-se, assim, em realidades palpáveis e a minha actividade , para além de financiar e assegurar a minha própria sobrevivência, quero que seja um contributo que vise aumentar a auto-estima, a auto-afirmação ( estão a ver, sempre a palavrinha mágica Mação em acção….) e a auto-aprovação de todos os que virão recorrer aos meus qualificados serviços. Já se vê, por aqui, que não posso dar azo a qualquer demagogia associada  a esta mui nobre actividade de prever o que nos espera.
As previsões que tenho para Mação, em geral – é certo que no caso concreto de cada um dos maçanicos, em particular, elas alinharão por uma espécie de interdependência positiva – são muito animadoras porque estão  enraizadas nas desconhecidas capacidades dos seus moradores. Chegou a hora de pôr fim a 35 anos de continuada anestesia geral .Chegou a hora de romper a teia bem urdida pela  aranha autárquica laranja que há mais de 35 anos enleia, enreda e adormece a generosidade dos maçanicos.
 As minhas previsões serão, apenas e só, mais um contributo a juntar ao empenhamento de alguns poucos que tudo têm feito para conseguirem libertar-se dessa teia, em regra mal sucedidos ou por incapacidade própria ou  por desavenças fomentadas e alimentadas pelo mesmo poder autárquico, fomento esse entendido como parte integrante e nuclear da estratégia de adormecimento e anestesia.
O meu objectivo, e mais clara não posso ser, é o do exercício de uma moderna actividade que convoca o melhor das energias que adivinho dentro de cada um,  da esquerda à direita, na perfeita conjugação de uma carta astrológica todos os dias sujeita a fundamentadas actualizações.
Deixo estes princípios gerais para avançar, então, com o primeiro núcleo de previsões para 2010 em Mação, Abrantes e arredores:
 
NOVO PRESIDENTE DA CÂMARA- Mais cedo do que o previsto, o vereador Vasco tomará conta dos destinos da autarquia.Assim se perpetuará o poder laranja.Pode haver novidades da IGAL que torne menos pacífica tal mudança.
 
NOVO PRESIDENTE DA BANCADA SOCIALISTA NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL.Prevejo que os socialistas finalmente vão descobrir as potencialidades de Valter Marques e lhe colocarão nas mãos o poder de preparar o PS e a sua pessoa como candidato credível a ser o novo presidente da Câmara nas próximas eleições. Nuno Neto ficará então mais livre para continuar a brindar-nos com as suas sempre apreciadas actas e Valter, solto, para lutar pelos desejados actos.
 
 
NOVO ARRANJO DO LARGO DO CINETEATRO-A autarquia vai, finalmente, abrir os olhos e perceber que, face ao crescente ruído, sobretudo dos muitos visitantes do Museu Rupestre ,não será mais possível continuar a aceitar tamanha contradição neste atentado ao património construído permitindo a vergonha da fachada da construção que ali se exibe.
 
ABRANTES DEIXA CAIR PEDREGULHO. Um saltinho, que o espaço acabou, a Abrantes.Prevejo, finalmente, que a nova presidente dará ouvidos ao ensurdecedor ruído da opinião pública que não quer ver edificado o chamado Pedregulho do arquitecto Carrilho.
 _____________________________________________
PS.1- Qualquer semelhança entre o descrito e a realidade…
PS.2 – Um abraço solidário para toda a família do Dr. Manuel Tavares, de Cardigos, que nos deixou um destes dias. Manuel, espero que já tenhas dado um grande abraço ao nosso querido Zé Mário, teu e nosso irmão. Apreciei o teu esforço para democratizares a vida política na Assembleia de Mação. Espero que os teus companheiros, finalmente, te façam justiça.

antónio colaço



publicado por animo às 17:45
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