Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
WEBANGELHO

AUTOCARROS ATEUS E CRISTÃOS



anselmoborges_deus22
Anselmo Borges

Padre e professor de Filosofia


 

 

 


Oslogan "Deus provavelmente não existe. Deixe, pois, de se preocupar e goze a vida", que tinha começado por percorrer Londres, chegou à Espanha, nomeadamente a Barcelona e a Madrid, devendo alcançar outras cidades espanholas.



Como já aqui escrevi, trata-se, antes de mais, de um acto de liberdade de expressão. No quadro do respeito pela lei, todos têm direito a manifestar as suas opiniões e crenças. Este direito é, evidentemente, extensivo aos ateus.

Depois, é interessante que no "cartaz" se leia: "provavelmente". Não se diz que não há Deus, diz--se que "provavelmente" não há. Isto significa que os autores dos cartazes perceberam que não podem demonstrar a não existência de Deus. A afirmação da existência de Deus ou da sua não existência não é objecto de ciência, pois não pode haver verificação empírica. O ateu não pode dizer que "sabe" que não há Deus; ele apenas pode dizer que "crê" que não há Deus. Como o crente também não "sabe" que Deus existe; ele "crê" que Deus existe.

E entende-se todo este movimento ateu, que deve obrigar os crentes a pensar. Não foram frequentemente os crentes que deram uma imagem de Deus que obrigava ao ateísmo? Não se deve ser ateu face a um Deus mesquinho e ridículo - pense-se, por exemplo, no criacionismo americano, segundo o qual os primeiros capítulos do Génesis devem ser tomados à letra --, invejoso da alegria dos humanos e impedindo a sua realização e felicidade?

É precisamente o que se dá a entender na segunda parte do slogan: "Deixe de se preocupar e goze a vida." Deus aparece como impedindo a alegria de viver, de tal modo que a probabilidade da sua não existência seria o pressuposto para finalmente se viver de modo expansivamente humano.

Isso deve levar os crentes a reflectir, pois, embora seja fonte de vida, de salvação e realização plena da existência, de facto, muitas vezes foi pregado um Deus que amesquinha a vida, um Deus incompatível com a ciência, um Deus vingativo - ele até apanharia os ateus no inferno... -, um Deus desgraçadamente invocado para legitimar o que é contra Deus: a violência, o terrorismo, a guerra.

Mas também é preciso perguntar aos autores dos cartazes: que entendem por "deixe de preocupar-se e goze a vida"? Seja como for, crentes e não crentes têm de viver com responsabilidade e empenhar-se na luta por uma vida boa e justa para todos.

O lema do cartaz programado para a Itália pela União de Ateus e Agnósticos Racionalistas seria: "A má notícia é que Deus não existe. A boa é que não é preciso."

Parece que foi impedido pelas autoridades. Lamentavelmente, pois esta publicidade dos autocarros ateus obriga toda a gente a pensar e é bom e urgente pensar no mais importante. O pior é não pensar, não se interrogar. A pergunta por Deus, seja para afirmá-lo seja para negá-lo, é a pergunta maior e é mesmo o fundamento da dignidade humana. O ser humano é digno, porque pode perguntar pelo Infinito.

Mas, afinal, Deus não é preciso? Também o crente reconhece que Deus não pode ser um tapa-buracos, a compensação para a nossa ignorância e impotência, a legitimação ideológica da ordem social e política ou a chave de abóbada de um sistema.

De qualquer modo, Deus tem a ver com o sentido último e a salvação. Foi talvez neste quadro que Nietzsche, sete anos antes de enlouquecer, escreveu a Ida, mulher do amigo F. Overbeck, pedindo-lhe que não abandonasse a ideia de Deus: "Eu abandonei-a, não posso nem quero voltar atrás, desmorono-me continuamente, mas isso não me importa." Como escreveu Wittgenstein, "crer num Deus quer dizer compreender a questão do sentido da vida, ver que os factos do mundo não são, portanto, tudo. Crer em Deus quer dizer que a vida tem um sentido".

Nas ruas de Madrid, compareceram também autocarros cristãos: "Deus existe. Desfruta a vida em Cristo." Claro que há esse direito. Mas seria lamentável uma "guerra" de cartazes. Os crentes devem sobretudo testemunhar Deus pela vida, pela combate a favor da justiça, pelo amor. E é também fundamental uma pastoral da inteligência, no diálogo entre a fé e a razão.|

 


 (In Diário de Notícias, hoje)


NOTA


Mais um momento alto das intervenções de Anselmo. Obrigado! Ainda bem que Anselmo existe.Sinal de que Deus insiste em fazer-nos felizes!


 


antónio colaço


 



publicado por animo às 09:18
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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
S.BENTO DA PORTA ...ABERTA
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Hoje, apenas hoje, dou por mim a olhar para os tantos candeeiros de S.Bento. A serenidade que me transmitem.

antónio colaço


publicado por animo às 15:20
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LISBOAS*
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A minha janela é um triptíco mas.......a janela da minha vizinha é melhor do que a minha???

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NR- LISBOAS - As Lisboas de Lisboa.Registem.ac


publicado por animo às 13:00
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LAUDES.
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Candeeiro dos Corredores de S. Bento, há minutos.



Obrigado pelo dom da rendição. Desajeitadamente, ainda, confesso, mas cada vez mais iluminado, conto Contigo, para que, com a Tua sabedoria, não deixe que ela se converta em resignação. Deixa-me oferecer-Te este primeiro, mas, também e, ainda, desajeitado teste.

antónio colaço


publicado por animo às 12:12
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
TUITAR & FACEBOOKAR..."DESCONCENTRA"!
Acabamos de ler no DN.Já voltamos!Um excerto:

"Comportamento. Neurologista inglesa alerta para consequências do Facebook . O Facebook e o Twitter estão a mudar a forma como pensamos. Ao que parece, literalmente. Uma prestigiada neurologista britânica diz que os efeitos culturais e psicológicos das relações online vão mudar o cérebro das próximas gerações: menos capacidade de concentração, mais egoísmo e dificuldade de simpatizar com os outros e uma identidade mais frágil são algumas das consequências que Susan Greenfield antecipa."

E no Público:

"Deputados de olhos colados nos computadores!"

"Eh!pá, isto desconcentra"! António Filipe, dixit!

Citando José Mário Branco, no FMI, (2ª parte, primeiros minutos!)," desconcentra, filho, desconcentra! "

Para continuar a debater!

antónio colaço

NR-Se quiser ouvir o FMI todo, aqui!


publicado por animo às 09:17
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
TAMBÉM TU?( A TUITAR )
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No Parlamento Global, aqui, ou ....

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...no Público, aqui, tuitar é o que está a dar!

Deputados comentam opiniões de deputados. Jornalistas "denunciam" quem está a tuitar, tuitando eles mesmos. Uns e  outros saltitam do Parlamento Global para o Público. O escriba, ele mesmo, ao fazer esta anotação, perde o seu tempo.

Pergunta-se: afinal, de que debate quinzenal estamos a falar? Do Debate quinzenal do Parlamento Global? Do Debate quinzenal do Publico On-line? Alguém se lembra do que é que Sócrates e os outros já disseram?

Tuitar, aqui por estas bandas, ainda não está a dar!( Mas até fomos lá meter uma colherada, e esta?É no que dá!)

Escrevi um destes dias que não vivo para blogar.Blogo porque vivo.O mesmo poderá aplicar-se a esse mais recente "brinquedo": não vivo pra tuitar, tuito por que vivo.

Quer dizer, as novas tecnologias são um meio ou, antes, um fim? "O quê, ainda não aderiste ao "Twiter"?! Nem parece teu.

Eu, um novo tecnologicamente-antiquado?! Concedo. Mas, por agora, acho que o excesso de atenção que o meio mobiliza pode desmobilizar-nos da atenção outra que ao quotidiano  cada vez menos dedicamos. Sim, corremos o risco de cada vez mais vivermos para tuitar, blogar, netizar ... e não o seu contrário.

Está dito:tuitar, para mim, nestes moldes, por enquanto, é atentar contra a atenção à vida de que cada vez mais preciso. Escolho ficar por aqui. Já disse, não me (a)tentem.

antónio colaço


publicado por animo às 16:19
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ÂNIMOS EXALTADOS
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Nos últimos dias muitas e riquíssimas convocações da palavrinha mágica! No final do ano elegeremos a melhor expressão com a palavrinha ânimo e os seus "derivados"!!! Actualizemos, portanto!

Nunca vi a descrença e o desânimo criarem um único posto de trabalho.

José Sócrates, Debate Quinzenal, Parlamento, hoje.

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Acalmados os ânimos a PSP recolheu ( na Feira do Livro em Braga) as cinco obras polémicas ( Capa de livros com um nú feminino de Couvert).

TSF,porta-voz da PSP

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E agora, o ânimo do senhor Primeio-Ministro sobre os animadores números de emprego.

Carlos Vaz Marques, TSF, Governo Sombra (21 Fev)

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A Igreja acolhe-os de  coração magnânimo.

RTP, Conta-me como foi, (Cena do casamento.22Fev)


publicado por animo às 15:51
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EM DIRECTO DE MAÇÃO
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Momento em que os diversos protagonistas entravam, há minutos, na sala de Audiências do Tribunal de Mação. Serenamente, aguardemos.


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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
CARNAVAL & CINZAS EM MAÇÃO.
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Ponham aqui os vossos adormecidos olhos, senhores, e despertem para a criatividade  dos nossos maçanicos  avós.

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Vá, ide, ide-vos lá aos vossos sótãos desencantar nas empoeiradas malas, roupas antigas e adereços vários para, em seguida, descerdes às ruas da animada vila de Mação.

 Motivos não vos faltam e o Ministério Público, por aqui, em nada perturba a pachorrice dos dias. Quer dizer, adivinham-se excitantes momentos para a próxima quarta-feira, dia 25, ou, como já se ouve, que o advogado José Maria Martins poderá reduzir a cinzas as muitas máscaras da autarquia, em defesa do nosso querido amigo Zé Henrique, mais conhecido pelo Diabo Amarelo, alvo de um processo por parte do executivo de José Saldanha. Grande expectativa, também, para o testemunho de Carlos Alexandre, o mediático "super-Juiz" que, finalmente, deverá ser ouvido nesta Quarta-feira de Cinzas em defesa daquele que muitos consideram o verdadeiro líder da oposição.

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Como já aqui dissemos, o Zé Henrique não se limita a meter a colher nas bem temperadas iguarias do seu restaurante Casa Velha ( Zé, aquele Polvo à Lagareiro do passado domingo estava  d-i-v-i-n-a-l !) A ver vamos. Mas, até lá, ide, ide-vos lá  "advirtire".

antónio colaço


publicado por animo às 13:28
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ORFEÃO DE ABRANTES.80 ANOS A (EN)CANTAR
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A nossa agenda pregou-nos uma partida ( já criámos uma comissão para proceder a um rigoroso inquérito ao sucedido! ) e lá deixámos passar o Concerto dos 80 anos do Orfeão de Abrantes,  que julgávamos teria lugar neste fim de semana! Veja aqui a reportagem completa!

Com a rapidez que as novas tecnologias permitem, pusemo-nos ao caminho e pedimos ao Maestro Rui Picado, que executasse numa pequena partitura, quase 30 anos de direcção do nosso querido Orfeão (o escriba ainda criou para esta prestigiada associação cultural um boletim que dava pelo nome ...SOL MAIOR!). Senhoras e senhores o vosso aplauso para todos aqueles que não se limitam à rotina dos dias e,  cantando, nos afinam os dias!

Rui, ora diz-nos lá o que é isso de estar à frente do Orfeão, quando já só faltam 20 anos para a comemoração do seu centenário e do teu cinquentenário como maestro?!

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Estou no ORFEÃO DE ABRANTES há 32 anos, dos quais 28 como director artístico do Coro Misto.

Poderia explanar-me, inspirado na frase anterior, sobre centenas de momentos inesquecíveis pelos quais passei, em que me emocionei, em que sofri, em que me alegrei e fui intensamente feliz.

No entanto gostaria apenas de deixar registada a felicidade de ter conhecido pessoas maravilhosas, lugares espectaculares, e música, muita música, mas mesmo muita música, se bem que eu ache que a música nunca é demais.

Sinto-me realizado porque em 80 anos de existência do ORFEÃO DE ABRANTES, pude durante 28 desses anos, deixar um pouco de mim, o que apesar de tudo foi muito menos do que recebi no mesmo espaço de tempo.

É muito bom ser Orfeonista!

Rui Picado

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Obrigado, Rui, e os parabéns para todos os teus orfeonistas!

 antónio colaço


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CARNAVALHÃES
 

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Criancinhas desfilam na Estrela. Utilizam o Magalhães na sua escola  mas não sabem o que é isso do Ministério Público. Ainda bem.

antónio colaço


publicado por animo às 11:13
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ÂNIMOS EXALTADOS
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"O Porto está triste. O Porto está sem ânimo!

Elisa Ferreira, SICNotícias

2

Mesmo no desânimo, na dúvida, nas derrotas, tive sempre a certeza que ia ganhar se continuasse o combate.

António Lobo Antunes,Visão

NOTA

Colabora connosco.Dá-nos conta de outras citações.O mail lá em cima, a porta de serviço.Obrigado


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MATINAS
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 Sei que o Tejo corre, lá bem ao fundo da Calçada, para a sua foz, apesar da intensa neblina. Sinto em mim a Tua Voz , "caminha, caminha...". Obrigado

antónio colaço


publicado por animo às 08:45
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
CONTO-TE COMO FOI.
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Finalmente, o "CONTO-TE COMO FOI", pequena mas sentida homenagem à equipa que produziu a série da RTP, está editado, num post mais abaixo! Obrigado pelas tão desempoeiradas quanto informativas viagens que nos têm proporcionado. Afinal, é possível fazer outra televisãoMelhor televisão para telespectadores melhores, quer dizer, melhores cidadãos.

antónio colaço


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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
WEBANGELHO
Lamentavelmente, fruto do que por ali em baixo se pressente, escapou-nos a edição do Webangelho de Frei Bento Domingues. As nossas desculpas.

Além do mais é daqueles textos de "encher o olho", como diz o povo, a que eu acrescentaria, é daqueles textos de deixar a alma aos pulos! De ALEGRIA!. Porque contra todas alergias que persistem em AFASTAR-NOS  da FESTA. De DEUS, do DEUS que sempre que nos lembramos dEle bate as palmas, abraça-nos, empurra-nos para o quotidiano, como quem diz, não percas mais tempo Comigo, vai, vai amar o teu próximo, como a ti mesmo, vai cuidar dos que precisam de apoio para o corpo e para a alma, dos que tardam em descobrir-Me, lá bem no mais íntimo deles, como tu, AGORA, finalmente, sim, vai,vai, não demores mais,  porque estou sempre convosco, como vos disse por Aquele rapaz que vos enviei para vos lembrar essas coisas, onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, eu estarei no meio deles, de vós, sim, mas se Me sabeis entre vós, Vós que já me SABEIS, não é preciso andarem sempre a falar em Mim e sim alargar o número daqueles que, de tão ocupados com o que não interessa, ignorando o que estão a perder, desconhecem-Me, quer dizer, ignoram-Me, não querendo e não podendo desfrutar do que é sentir-se possuído do AMOR que só posso significar para eles!

Obrigado Frei Bento, por nos qwertar, alertar com os seus Iluminados caracteres. Caracteres que mais não fazem do que nos revelar o Divino Carácter de quem nos anuncia. O resto, sim, é preciso muita paciência para vencer tanta resistência, tanta inquinada penitência, oh Deus da Sapiência, Tu sabes.

antónio colaço

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Os padres e os bispos não são a Igreja
15/02/2009    Frei Bento Domingues O.P.


 
Certos párocos e serviços paroquiais procedem como se fossem donos da prática religiosa dos católicos


1. Qualquer padre católico ou bispo subscreve este título. São os meios de comunicação social que tendem a tomar a parte pelo todo. A Igreja Católica não pode falar sempre a uma só voz porque é uma unidade plural. Poder-se-á, no entanto, perguntar, a que propósito vem este título?
Reuniu-se, em Fátima (6-7/02/2009), o X Colóquio Nacional de Paróquias com o tema: "Porquê transmitir a fé - seduzidos por Deus - fascinados pelo Evangelho?" Desta interrogação não transitou muito para a opinião pública. A atenção fixou-se em números: a Igreja Católica tem, em Portugal, 4400 paróquias. Destas, 1100 não têm pároco residente. Segundo as previsões mais coerentes - se não houver mudanças radicais de orientação -, estes números só podem piorar. É evidente que a deslocação dos padres para acudir às paróquias está mais facilitada. Mas o carro, o telemóvel e o correio electrónico não resolvem tudo. A questão de fundo pode ser formulada da seguinte maneira: a hierarquia católica dá grande importância à celebração dominical da Eucaristia e à qual os fiéis têm direito. Não toma, porém, as medidas necessárias para dispor de pessoas habilitadas a presidir à assembleia eucarística com tudo o que esta supõe e implica. Ao não permitir a ordenação de homens casados nem de mulheres - sejam elas solteiras ou casadas -, o futuro é preocupante.


2.Segundo o Direito Canónico, a paróquia é uma certa comunidade de fiéis, constituída estavelmente na Igreja particular, cuja cura pastoral, sob a autoridade do bispo diocesano, está confiada ao pároco, como a seu pastor próprio (Cân. 515 § 1.°). A paróquia, em regra geral, seja territorial e englobe todos os fiéis de um território certo; onde porém for conveniente, constituam-se paróquias pessoais, determinadas por razão do rito, da língua, da nação dos fiéis de algum território, ou até por outra razão (Cân. 518). No magistério de João Paulo II, a comunhão eclesial, embora possua sempre uma dimensão universal, encontra a sua expressão mais imediata e visível na paróquia: esta é a última localização da Igreja; é, em certo sentido, a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas (Christifideles Laici, 26).
Não são as normas do Direito Canónico que podem, só por si, responder à pergunta do citado colóquio. O padre João Castelhano, um dos seus impulsionadores e pároco de S. José, em Coimbra, insiste em não privilegiar o "como" da transmissão da fé, embora destaque as potencialidades do bom uso dos novos meios de comunicação. A presença das paróquias portuguesas na Internet mostra que os responsáveis estão abertos e atentos a novas formas de evangelização. Mas a pergunta fundamental é outra: porquê evangelizar? Que pode isso significar e exigir, hoje?
A sociedade portuguesa mudou e a população já não está organizada em torno do campanário. O que antigamente era uma diocese cabe, agora, em metade de uma paróquia urbana. No entanto, é sempre uma aventura arriscada mexer nos serviços médicos, jurídicos ou religiosos. A eliminação ou criação de paróquias exige uma reestruturação que nem sempre é pacífica. Por outro lado, como sublinhou o pároco de Santa Cruz, importa respeitar a liberdade de os católicos escolherem o local onde cultivam a fé e onde melhor se sentem, seja na sua área de residência, num movimento ou na sua paróquia afectiva. As preocupações com o papel da paróquia levam certos párocos e serviços paroquiais a proceder como se fossem donos da prática religiosa dos católicos.

3.Para sossegar a consciência, destaca-se que a falta crescente de padres pode ser uma boa oportunidade para vencer o clericalismo e promover o papel dos leigos no apostolado e nos serviços paroquiais: muito daquilo que ocupa os padres pode e deve ser realizado por leigos. Que Deus possa escrever direito por linhas tortas é uma sabedoria portuguesa que Bernanos descobriu no Brasil. Não devemos, no entanto, exigir ao Espírito Santo esforços suplementares para aquilo que compete aos seres humanos. Repete-se que há falta de vocações. Não acredito. Se a vocação é dom de Deus, não se esgota facilmente. Deveríamos olhar mais para o tabu que impede caminhos de solução. Por que não reintegrar aqueles padres que tiveram de abandonar o ministério presbiteral e que estão em condições de prestar serviços relevantes para os quais foram preparados? Por que razão não chamar, ao presbiterado, homens casados que manifestam grande capacidade de serviço na Igreja? E as mulheres? Será que, por serem mulheres, Cristo não as quer ver a presidir à Eucaristia? Precisamente Ele que, segundo os Evangelhos, lhes deu com amizade o papel de comunicar, aos apóstolos, o Evangelho da Ressurreição? Se Deus criou o ser humano à Sua imagem, homem e mulher, seria ridículo atribuir a Deus uma mentalidade patriarcal. Criar um deus à imagem do masculino é criar um ídolo. O sujeito masculino não tem mais aptidão para ser chamado à presidência da Eucaristia do que o sujeito feminino.
Ninguém, na Igreja, homem ou mulher, tem direito a ser padre ou bispo. Uma pessoa baptizada pode ser chamada a servir a comunidade através do ministério ordenado

(In Público, 15.Fev.09)


 



publicado por animo às 17:51
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