Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015
VÉSPERAS

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VÉSPERAS
A faina chegou ao fim. A maré baixa levou as águas de volta para o grande mar. As pernas cansadas só querem mesmo o aconchego dos lençóis.
-Vai para casa pescador, vai para casa descansar. Lança as redes , pescador, tantos sonhos para pescares....

Foto.Alcochete.Entardecer, hoje.



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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2015
VÉSPERAS

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Inseparáveis, disse-me.

Já caiu ao mar da Palha duas vezes.Mas insiste.


Foto.Alcochete, há instantes.



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Domingo, 25 de Janeiro de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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 REPRODUZIR-SE COMO COELHOS?
Pe Anselmo Borges, In DN,24.12.2015

 Regressava Francisco de uma viagem à Ásia, onde visitou o Sri Lanka e as Filipinas - aqui, teve, na última missa, mais de seis milhões de participantes, um aglomerado de gente nunca visto numa celebração religiosa -, e deu, como é hábito, uma conferência de imprensa no avião. A afirmação que chamou mais a atenção tem que ver com o título em epígrafe, sendo sobre ela que ficam aí algumas reflexões.

1. "Perdoem a expressão, mas há quem pense que, para sermos bons católicos, devemos ser como coelhos. É evidente que não." Esta foi a declaração de Francisco, no contexto da família e da procriação, fazendo apelo à "paternidade responsável": "Eu penso que o número de três filhos por família, segundo o que dizem os técnicos, é o número importante para manter a população. A palavra-chave para responder é a paternidade responsável, e cada pessoa, no diálogo com o seu pastor, busca como levar a cabo essa paternidade." E, naquele seu jeito pastoral, atirou: "Repreendi uma mulher que se encontrava na sua oitava gravidez e tinha feito sete cesarianas: "Quer deixar órfãos os seus filhos? Não se deve tentar a Deus"."

Lembro-me de um dia, na universidade, face à provocação de um estudante, ter dito: "Os católicos, pelo facto de o serem, não são mais inteligentes do que os outros, mas também não são necessariamente menos inteligentes nem mais ignorantes. Os católicos não são obrigados a reproduzir-se como coelhos." Agora, apesar das graçolas a que a expressão pode dar azo, fico contente por o Papa o ter afirmado.

2. Mas Francisco não avançou muito quanto aos métodos contraceptivos. No contexto, fica mesmo a impressão de que reafirma a posição do papa Paulo VI na famosa encíclica "Humanae Vitae", opondo--se aos métodos ditos artificiais de contracepção. Reafirma, como não podia deixar de ser - já aqui expliquei que, na linguagem eclesiástica, não se diz casamento (de casa), mas matrimónio (de matris, mãe) -, que "a abertura à vida é condição para o sacramento do matrimónio". E acrescenta que Paulo VI estudou o que e como fazer para ajudar muitos casos e problemas no que se refere ao amor na família. Na sua recusa da anticoncepção, via "o neomalthusianismo universal" e a busca de "um controlo dos nascimentos por parte das potências". Francisco, ao constatar a queda assustadora da natalidade na Europa, vem dizer que "Paulo VI era um profeta". De qualquer modo, também sublinha que o mesmo Paulo VI "disse aos confessores que fossem compreensivos e misericordiosos".

Pergunta-se: em que ficamos? Ao apelar para a paternidade e a maternidade responsáveis, Francisco é aí que põe o acento, de tal modo que a questão dos métodos de regulação da natalidade, que devem ser eficazes, parece passar para segundo plano, ficando fundamentalmente entregues à responsabilidade dos casais.

Pessoalmente, penso que se deverá ir mais longe. Concretamente, julgo que a Igreja se não deve meter nestes assuntos. Depois, se se meter, terá de reflectir muito bem sobre o que é natural e artificial. O que é a natureza? E a natureza humana? A natureza não é fixa e imóvel. A natureza humana, embora não seja arbitrária, é histórica. Pela sua própria natureza, o homem é interventivo e transformador da natureza. A realidade toda não é estática, mas processual. Acabamos por viver num natural já artificial, numa natureza transformada: intervimos de muitos modos no nosso próprio corpo, com instrumentos médicos e artefactos. Em terceiro lugar, mesmo os chamados métodos anticonceptivos naturais, aparentemente os únicos aceites pela Igreja oficial, não são propriamente naturais. Não foi o homem que os descobriu e os utiliza, pois eles não actuam de modo cego?

Neste sentido, a Igreja precisa de uma nova atitude face à sexualidade, nomeadamente neste domínio. Era isso que pedia outro grande jesuíta, recen- temente falecido, o cardeal Carlo Martini, que confessou que a encíclica "Humanae Vitae", em 1968, com a proibição da "pílula anticonceptiva", "é co-responsável pelo facto de muitos já não tomarem a sério a Igreja como parceira de diálogo e mestra", estando convencido de que "a direcção da Igreja pode mostrar um caminho melhor do que o da encíclica".

3. Feita a exigência da paternidade e maternidade responsáveis, Francisco foi mais longe, pedindo generosidade: "Paternidade responsável, mas também considerar a generosidade desse papá e dessa mamã que vêem no filho ou na filha um tesouro."

É claro que ninguém pode ser obrigado a ter filhos. Mas o que é facto é que o que está a acontecer concretamente na Europa - aqui, Portugal vai à frente - é um tsunami demográfico, que nos levará ao suicídio colectivo. Ter filhos é o maior sinal de confiança e esperança na vida. Afinal, o que falta hoje é essa confiança e esperança na vida e no futuro.

Padre e professor de Filosofia

COMENTÁRIO

Eis uma outra "boa nova", para além daquela que em todos os sábados o nosso querido amigo Webangelista Anselmo nos anuncia, a sua crónica no DN está de novo disponível na edição online do DN!!!!
Acabou-se, assim, o pequeno drama de entrar nas áreas de serviço ou livrarias e tentar, à socapa.....fotografar a crónica para que nada faltasse aos nossos leitores!!!
Não é que não queira contribuir para a sobrevivência do grupo agora liderado por Proença de Carvalho....mas, pronto, foi um mau hábito que já passou. O pior mesmo era quando me esquecia de colocar o tlm na posição de silêncio e o raio do clic fazia um estrondo enorme, ou mesmo, em situações de má iluminação, lá estava o flash pronto a denunciar-me!!!Uff!
Eis, portanto, o textinho servido a tempo e horas!!!!

E... sem percalços!!!!

 



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WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES.

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COMENTÁRIO
Mais uma daquelas reflexões que nos enchem a desesperançada alma. A tal ponto que quis trazer para aqui o meu querido amigo Frei Bento e assim fazer com que a sua aura inunde todo este lugar e quem por ele passa!!!
Obrigado, Frei Bento.
Foto.Pedro Silva.Exposição LISBOAS ,na Mãe d'Água, Amoreiras, com apresentação de Frei Bento.
antónio colaço

ACREDITE NO QUE QUISER MAS NÃO SEJA IDIOTA

Deveremos considerar como falsa toda a afirmação acerca de Deus que despreze a liberdade humana, a sua responsabilidade e a sua alegria.

Frei Bento Domingues, In Público

1. Deparei com este título num artigo de R. F. Machado, O desencantamento da experiência de Deus em House, dedicado a estudar as relações entre fé e ciência, a partir de uma conhecida série norte-americana. O autor já tinha consagrado uma tese de doutoramento ao mesmo tema[1]. Numa das conversas entre House e uma freira doente – que disfarçava uma complicada história pessoal com a vontade de Deus –, o médico acabou por explodir: acredite no que quiser, mas não seja idiota. Mesmo sob a protecção divina, ao atravessar a rua, se não quiser ser atropelada, olhe bem para os dois lados.

O Papa, ao regressar das Filipinas, tem uma observação ainda mais rústica: pensam alguns que para serem bons católicos desculpem o termo devem ser como coelhos. Contou, a propósito, a pergunta feita a uma mãe de sete filhos, todos nascidos de cesariana: como se atreve a pensar em ter ainda outro? Eu acredito em Deus! Bergoglio lembra-lhe que Ele nos deu meios para sermos responsáveis.        

Sempre me irritou a beata invocação da vontade de Deus, a propósito de tudo e de nada. De forma consciente ou inconsciente é a arma psicológica sempre disponível. Contaram-me que um superior autoritário invocou a vontade de Deus para exigir a obediência de um membro da comunidade, acerca de uma decisão algo arbitrária. Resposta pronta e firme: devo-lhe obediência e cumprirei, mas não julgue que a santíssima e misteriosíssima vontade de Deus passa pela sua realíssima gana!

Fazer chantagem com a vontade de Deus é um pecado contra o Céu.

2. Quando ouço falar de Deus levianamente, lembro-me de uma carta de S. Paulo a Timóteo[2]: “Deus mora numa luz inacessível, que nenhum ser humano viu, nem pode ver.”

Santo Agostinho advertiu: “Por mais altos que sejam os voos do pensamento, Ele está ainda mais além. Se compreendeste, não é Deus. Se pudestes compreender, não foi Deus que compreendeste, mas apenas uma representação de Deus. Se quase pudeste compreender, então foste enganado pela tua reflexão.”

S. Tomás de Aquino sustentava que de Deus tanto mais saberemos quanto mais nos dermos conta de que não sabemos. Da sua experiência mística, no final da vida, brotou a confissão: tudo o que escrevi parece-me palha! No entanto, cantou numa belíssima poesia iluminista: atreve-te quanto puderes! Em suma: ousar e saber os limites da nossa ousadia.

O sentido agudo da transcendência divina não é fruto de uma fuga do mundo ou uma alienação e a chamada teologia negativa não resulta de um cansaço especulativo. São tudo expressões do esforço para não ceder às tentações idolátricas, sejam de que natureza forem.

S. Paulo, no célebre discurso no Areópago de Atenas recorreu à sua experiência judaica para falar da transcendência divina e ao poeta Arato, da Cilícia (séc. III a.C.), para falar da sua inteira imanência: a divindade não está longe de nós; é nela que vivemos, nos movemos e existimos. Somos da sua raça[3].

No cristianismo, confessa-se que Deus se esvazia da omnipotência dominadora para se revelar como puro dom do amor que nos amou primeiro, pura e simplesmente porque é amor de absoluta generosidade, ágape[4].

3. Para não invocar o nome de Deus em vão, ou contra o ser humano, importa ter cuidados com a linguagem teológica. Como princípio geral, deveremos considerar como falsa toda a afirmação acerca de Deus que despreze a liberdade humana, a sua responsabilidade e a sua alegria. Não é o ser humano para a religião, mas a religião para o ser humano. Esta sentença é atribuída ao próprio Cristo, mas esquecida ao longo dos séculos[5].

É pelos frutos que se conhece a árvore. Os frutos da orientação económica mundial não são todos apetecíveis. Se a tão louvada globalização da economia faz com que metade da riqueza do mundo esteja, brevemente, nas mãos de apenas 1% da população mundial, podemos acreditar à vontade nas teorias e práticas económicas que quisermos, mas não sejamos idiotas. Se o comércio internacional das armas faz com que cheguem à República Centro-Africana armas de todos os géneros e proveniências, se as granadas de mão custam menos do que uma Coca-Cola, meio dólar, o resultado será a continuação da guerra.

No momento em que escrevo, ainda não se sabe os resultados da Conferência de Davos, onde mais de 2500 participantes de 140 países, incluindo mais de quarenta chefes de Estado e de governo e um enorme grupo de empresários, terão a oportunidade de analisar a actual crise económica, política e tecnológica, expandir a sua rede de contactos e explorar possíveis contratos e acordos.

Não sei se terão alguns momentos para pensar com lucidez que as suas opções não podem estar colonizadas apenas por 1% da humanidade que goza de metade da riqueza mundial.



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Sábado, 24 de Janeiro de 2015
MAIS CEDO OU MAIS TARDE....

Padre Anselmo Borges refere que a Igreja católica no ocidente é a última grande instituição que continua machista e a discriminar mulheres. Primeira bispa da igreja anglicana inglesa é ordenada segunda-feira.

O teólogo católico português padre Anselmo Borges, defende que a ordenação de mulheres na Igreja católica será inevitável, num comentário sobre a sagração da primeira bispa da igreja anglicana inglesa, Libby Lane, na segunda-feira na catedral de York.

Não sei quando, mas que vamos ver, vamos" a ordenação de mulheres na Igreja católica, disse à Agência Lusa Anselmo Borges, também professor na universidade de Coimbra e ensaísta.

 

"Tem de ser, porque a Igreja católica, aqui no ocidente, é a última grande instituição que continua machista e que discrimina as mulheres. Ora, Jesus não discriminou as mulheres (...) mais tarde ou mais cedo, esta discriminação na Igreja terá de acabar. Acho necessário para não haver discriminação, para seguirmos a vontade de Jesus, que não discriminou", afirmou.

Anselmo Borges lembrou as declarações polémicas do cardeal português José Policarpo, que numa entrevista afirmou não ver razões teológicas para a não-ordenação das mulheres, e do cardeal italiano Carlo Maria Martini, morto em agosto de 2012, em defesa da ordenação das mulheres.

A primeira bispa da Igreja de Inglaterra vai exercer o seu ministério em Stockport, uma cidade desindustrializada, na zona de Manchester (noroeste de Inglaterra).

Esta designação, anunciada em dezembro de 2014, põe fim a séculos de domínio masculino na hierarquia clerical e acontece 20 anos depois das primeiras ordenações de mulheres padres, que representam atualmente, em Inglaterra, perto de um terço do clero.

Libby Lane tem 48 anos, dois filhos e é casada com um padre.

O anglicanismo, a terceira maior comunhão a nível mundial, com 13,4 milhões de membros, nasceu de uma rutura com a Igreja católica no século XVI, depois da recusa do papa Clemente VII de conceder ao rei Henrique VIII a anulação do casamento com Catarina de Aragão.



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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015
FAZER O QUE FALTA

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FAZER O QUE FALTA

PARA FAZER O QUE FALTA
ABRIL, OUTRA VEZ.
DESTA VEZ, BEM PORTUGUÊS....
NAS RUAS, EM VOZ ALTA.
EU,TU, NÓS.
É A NOSSA VEZ.
COM A NOSSA VOZ.
ABRIL OUTRA VEZ.

Sente-se que falta qualquer coisa de empolgante neste Portugal há 40 anos tão empolgado.
Mas não sei dizer o que é.
Sente-se que finalmente vem aí dinheiro mas que não vem para quem VERDADEIRAMENTE FAZ FALTA.
Faz-nos falta o dinheiro, sim, mas há muito mais que nos falta e que nenhum dinheiro compra.
Os partidos, TODOS os partidos estão sem causas, mas também não parece que alguém deles espere o que quer que seja.
(O Sol dá conta do crescente rumor no interior do PS acerca da letargia da promissora nova liderança.)
Até a Igreja parece andar alheada da Franciscana e papal cruzada pela renovação das suas rotineiras práticas.
E, no entanto, sentimos que nos falta tanto, nos falta tudo, e nem o sentirmo-nos fartos disto tudo nos impele a procurar o que falta verdadeiramente...
Esta parece ser a fala de alguém a quem nada falta, e por isso sem razão de queixa e muito menos com autoridade para fazer apelos a qualquer revolta.
E no entanto, volta que não volta, lá vem incontida revolta por pressentir que não saímos da cepa torta.
Agora é que vai ser, já há dinheiro para devolver, deixa-te de melancólicas merdas, o Passos vai voltar a vencer, e, do Restelo, vão calar-se as vozes dos velhos.
Verás como em breve nos reproduziremos como coelhos!
antónio colaço



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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015
O MEU LOBO ANTUNES

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Comovente.



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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015
VÉSPERAS

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Alcochete, entardecer, há instantes. 



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Domingo, 18 de Janeiro de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

SUSTER E PREVENIR A BARBÁRIE
Frei Bento Domingues, in Publico

 

  1. Repetiu-se, muitas vezes, que tanto a religião como a irreligião dos portugueses eram bastante analfabetas. Basta, porém, um acontecimento relevante para que os meios de comunicação social mostrem a nossa abundância em peritos do vasto e complexo mundo das religiões. Uns espantam-se, outros duvidam, mas o nosso génio repentino tem destas coisas. Seria, porém, injusto não reconhecer que o panorama da nossa iliteracia religiosa não se tenha vindo a alterar.

Importa, no entanto, não esquecer de onde vimos, se quisermos compreender a alergia do Papa Francisco ao clericalismo e ao proselitismo, assim como as resistências ao espírito das suas reformas. A espantosa entrevista à jornalista argentina Elisabeta Piqué merecia uma demorada visita que terei de adiar [1]. Mas acima de tudo, se não quisermos confundir o combate aos movimentos terroristas do “Estado islâmico” com o Islão, importa compreender a calda de cultura religiosa de que ele se reclama. Uma viagem ao nosso passado católico pode ajudar-nos a compreender o outro e a ser exigentes no diálogo inter-religioso.

Um prestigioso investigador do Centro de Estudos do Pensamento Português da Universidade Católica, Afonso Rocha, mostrou como no século XIX, mais precisamente, de 1850 a 1910, se processou, em Portugal, uma grande mudança na filosofia da religião. Numa obra notável — coroa de várias outras — apresentou e caracterizou as figuras que mais se destacaram nesse significativo período: Pedro Amorim Viana, José Maria da Cunha Seixas, Teófilo Braga, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, Sampaio (Bruno) e Basílio Teles. Manifestaram-se em ruptura com o catolicismo da Igreja de Roma, de então, enquanto adversária da razão, da consciência e do progresso, mas não eram ateus [2].

  1. Por um lado, era o próprio catolicismo português que demonstrava continuar completamente preso àquilo que representava a tradição católica no seu pior, designadamente no respeitante à desconfiança para com tudo o que fosse afirmação da liberdade de consciência e de religião, da razão e do progresso, intransigentemente dogmático e tradicionalista na sua prática teológica e pastoral, não indo além de um posicionamento de “reacção”, de “apologética” e de “polémica” em relação a tudo que tivesse sabor a “moderno”.

Segundo este autor, o catolicismo português, ao aproximar e identificar as concepções e as posições destes filósofos e pensadores com o racionalismo, o materialismo, a irreligiosidade e o ateísmo estava a ser guiado por um espírito claramente inquisitorial, intolerante e retrógrado. Com o inquestionável apoio do magistério oficial do Papa da altura, o comportamento teológico-pastoral mais corrente era o de suspeitar e condenar tudo o que fosse concepções e posições de sabor moderno, designadamente as que pudessem minar a doutrina e os dogmas do catolicismo.

Por outro lado, o novo pensamento português, identificado com a consciência, a razão e o progresso, propunha uma sociedade baseada na racionalidade positivo-científica, servida por uma religião de liberdade de consciência e de tolerância. Seria uma religião mística e da razão, sem hierarquia e sem normas, tão alheia à revelação positiva e ao carácter institucional, organizado, como às pretensões do dogma de uma “religião verdadeira”, única e universal, presente na “Igreja de Roma”.

  1. Para Afonso Rocha, os pensadores e filósofos que estudou — em comunhão com outros companheiros estrangeiros — longe de poderem ser interpretados e apodados de irreligiosos e ateus, tendo em conta as suas concepções e posições sobre o religioso, deverão ser considerados como profetas e agentes de uma concepção religiosa assente em valores perenes e imprescritíveis.

Quais são esses valores? Uma religião essencialmente mística, de âmbito universal, cujos “dogmas sacratíssimos” não poderão deixar de ser os da liberdade de consciência, da tolerância, da razão e do progresso. Conforme os tempos e lugares, os povos e as culturas poderão traduzi-los em diversas e grandes religiões.

Para mostrar a incapacidade do pensamento católico em compreender o repto do pensamento moderno, a ruptura com o catolicismo de Trento, a liberdade de consciência e de religião, o autor observa que só na década de 60 do séc. XX, com a “Declaração sobre a Liberdade Religiosa”, no Concílio Vaticano II, é que a Igreja conseguiu dar esse salto. Acrescentaria: sem esse salto, estaríamos na situação cultural e religiosa do Islão.

Foi muito importante ver aqueles chefes de Estado de vários continentes unidos contra a barbárie e pela liberdade de todos. Mas, diante das suas responsabilidades históricas e actuais, que estão a fazer para evitar tragédias semelhantes?

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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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(Para leitura ampliada clica na imagem).

COMENTÁRIO

Anselmo diz na Revista do Expresso que "a Igreja não é dona de Deus!".
O que me fez caminhar um pouco mais e perceber que,Deus, mais do que um dono de quem somos servos e escravos obedientes, É UM DOM.

No limite, creio que pouco se importa que o celebremos a toda a hora como Criador e fonte de tudo quanto se mexe, antes, que despertemos para o DOM de sermos felizes UNS COM OS OUTROS.
Isso lhe basta, porque foi só isso que quis.
Descobri-lo, vivenciá-lo, assim, quietinho, LÁ, à nossa espera, como quem diz, "Eu não te disse que vinhas dar Comigo?!Por que perdeste tanto tempo, por que te perdeste em tantas guerras invocando o Meu nome, por que te arrastaste em tantos sacrifícios que nunca pedi, por que ....Vem, sê feliz PARA SEMPRE!"
antónio colaço



publicado por animo às 15:19
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JE SUIS ANSELMO!!!

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MAIS DO QUE DONO, DEUS É UM DOM

Sublimes, tanto as perguntas de Inês Maria Meneses, uma persistente discípula, quanto as respostas do Mestre...Anselmo Borges..
Imperdível.

"Com serenidade e consciência, faz a tempo o que tens de fazer."
Pe Anselmo Borges, in Revista do Expresso.

 

In Revista do Expresso
(Para leitura ampliada clica na imagem)

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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015
MATINAS

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MATINAS
Que a Tua Luz encontre sempre escancaradas as portas do meu, por vezes, emperdernido coração.
Obrigado.



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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015
GAVIÃO, 15 DE JANEIRO DE 1952

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Esta é a imagem que conservo da "minha alegre casinha, tão modesta quanto eu", situada no Largo do Espírito Santo!
(O bom, creio eu!!!).
Falar do MEU GAVIÃO.
Como quem vai a tempo de "agarrar o Tempo", no sábio dizer de Lucíia Moita.
2
Quero acreditar que ainda um dia vou conseguir pôr de pé o projecto de erguer a dita casinha, no que resta de parte do seu antigo chão, numa estrutura combinada de madeira e metal, e aí possa expor alguns trabalhos plásticos dedicados ao meu Gavião natal!
Uma continuação da Exposição que realizei, em Novembro de 1990, nas instalações da Casa do Povo de Gavião, "Vem, Divino Espírito Santo!"
3
Entro nesta casa quase todos os dias.Tudo o que em mim é matricial tem as suas escancaradas portas sempre prontas a receber-me.Desde logo, o seu chão.Sim,ainda me recordo de quando a minha querida e saudosa Avó Remédios varria "o chão", e o que nele havia de lixo, ou seja, as vassouras de urze, de tão gastas, encarregavam-se de, aos poucos, varrerrem não só o lixo como...a própria terra de que era feito o seu chão.
Esta dimensão de viver rente ao chão, muito Perto do Princípio" acompanha-me, afortunadamente, desde esses tempos ancestrais. Nesta tão aguarelada quanto naif imagem - que guardo, aliás,emoldurada, na entrada da casa do Bisavô Luís, em Mação,e que conseguimos, ali, recuperar - ao fundo vê-se uma pequena casinha.Era uma casa destinada, tanto quanto me lembro, a alguns sem-abrigo que pernoitavam em Gavião. Era,aliás, uma casa do sustos, que, não raro, nos era convocada pelos Pais e Avó como remédio final para as nossas infantis traquinices.
(...)
A lareira alentejana da minha casa natal era o centro do meu mundo e onde, gato como os meus gatos me anichava nas noites gélidas nas mantas que lhes serviam de agasalho.E quando me apontavam o dedo para ouvir lá bem no alto das frestas da cahaminé o nítido silvo das velhas locomotivas a vapor, subindo, pachorrentas e enfumaradas, a linha da Beira Baixa, o Tejo ali tão perto....isso é que me deslumbrava, eu que nunca tinha andado de comboio até então!
(...)
Será que este MEU GAVIÃO ainda diz alguma coisa aos meus conterrâneos gavionenses?Deverei falar do MEU GAVIÃO da Leitaria, onde aprendi a ver a televisão que, peka primeira vez descobri no "Clube"?
Deverei falar do fascínio dos acordeons da família Carrilhos? Dos primeiros filmes, ou récitas com cenários muito bem pintados pelo senhor Garcia no Cineteatro?Do fascínio, outro, pelas lojas do senhor João Lucas, dos Cardigos?
Das "comédias das cebolas" no empedrado Largo de Nossa Senhora dos Remédios?!
Dos cinco tostões que minha querida Avó me incitava a pedir, aos domingos, aos meus queridos Tios, para as ervilhanas?!
Do CitroenC15, a famosa arrastadeira, que um dia interrompeu a minha tarde de folia para que uma senhora de lá saísse a dar-me algumas moedas só porque era...loirinho com sobrancelha preta?!
E do meu querido e saudoso companheiro de infância, entre outros, Quim Jorge, que tão cedo nos deixou, filho do senhor Raposo, alguém tem imagens que possam avivar-me a memória que guardo das nossas tantas brincadeiras?
E?
Os meus queridos e saudosos Pais, Zé Jacinto e Maria José, ou Maria dos Remédios. Sem mais palavras, hoje! Obrigado pela Vida que me deram!
antónio colaço

Foto de António Colaço.


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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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O TEMPO DA FALTA DE TEMPO

Pe Anselmo Borges, in DN 10.1.2015

 

Como é que ganhamos cada vez mais tempo e todos se queixam de terem cada vez menos tempo? Recentemente, a revista DerSpiegel dedicou um interessante estudo precisamente a este paradoxo, e é nele que me inspiro.

Claro que nos tempos que correm se poupa imenso tempo. Por exemplo, desde o século XIX, foram tiradas, em média, duas horas ao tempo do sono. Dada a velocidade crescente dos meios de transporte, deslocamo-nos mais rapidamente. Poupa-se tempo na criação de animais. Poupa-se tempo na aprendizagem. Também na comida, que já se compra feita, e nos encontros, que se dão cada vez mais através das novas tecnologias, e, mesmo aí, por abreviaturas na escrita (por exemplo, K (que), PF (por favor). Espantosa a diminuição do tempo de trabalho: o que são as actuais 35 ou 40 horas teoricamente dedicadas ao trabalho por semana comparadas com as 57 a mourejar, há cem anos, e 82, em 1825? Até para a morte já se pensa, para poupar tempo, em serviços de funeral a acompanhar pela internet.

 

No entanto, há sempre imensas coisas que ficam e que estão aí ainda para fazer, e é preciso apressar-se cada vez mais. Mais rápido! Mais depressa! E é levantar à pressa, ver e enviar e-mails ainda antes do pequeno-almoço, acordar os filhos e prepará-los para a escola, pequeno-almoço, mais e-mails, telefonemas enquanto se conduz, no gabinete, imediatamente para a net, ler a imprensa, trabalho, almoço em pé, estar permanentemente acessível pelo telemóvel e, de tarde, a mesma coisa, regressar a casa, televisão e as notícias, deitar, esgotados... E cada vez menos tempo para si e para a família. E as pessoas a queixarem-se: segundo o Instituto Forsa, 59% dos alemães apresentaram, entre os propósitos para 2013, "evitar e baixar o stress"; metade dos entrevistados desejava "mais tempo" para os amigos e a família. De facto, o stress parece ser "a situação constante".

O que é que se passou? Será que o progresso científico facilitou realmente o dia-a-dia? O sociólogo Hartmut Rosa tem as suas dúvidas e, para não citar o imenso tempo de espera nas filas de trânsito, dá o exemplo da comunicação digital: claro que um e-mail é mais rápido do que uma carta tradicional, mas "penso que entretanto você lê e escreve 40, 50 ou 70 e-mails por dia. Por isso, precisa de muito mais tempo para a comunicação do que antes da internet". E é evidente que também se viaja infinitamente mais e há muito mais ofertas e solicitações em tudo. De qualquer modo, "temos uma ditadura da economia que se impôs em todos os domínios da vida", escreve M. Liebmann, e, segundo K. Geissler, "o Homem permite-se cada vez menos pausas. Assim, a privação de pausas é uma forma de tortura." Outro motivo para a pressa e a aceleração encontrar-se-ia, segundo Rosa, na secularização da sociedade ocidental. Uma vez que cada vez menos se acredita na vida para lá da morte, já não faz sentido fazer melhor na outra vida, a vida eterna; então, o homem moderno pensa que tem de fazer tudo o que quer em 70, 80, 90 anos, tornando-se a aceleração o "substituto da eternidade".

Antes, talvez as coisas fossem mais agradáveis. Hoje, é preciso andar sempre mais depressa, de tal modo que já não se consegue ter algum sossego. Veja-se estas duas experiências. Cientistas da Universidade da Virgínia levaram pessoas de todas as idades para um espaço agradável e pediram que ficassem durante cinco a 15 minutos sentadas e entretidas com os seus pensamentos; a maioria reagiu com sinais visíveis de mal-estar. Noutra investigação, havia a possibilidade de durante os 15 minutos de tranquilidade darem a si mesmas um pequeno choque eléctrico. Resultado: dois terços dos homens e um quarto das mulheres preferiram dar a si mesmos pelo menos uma vez um choque a ficar simplesmente sentados e quietos. Um homem deu a si próprio 190 choques.

Neste contexto, cai-se no perigo, como preveniu o famoso bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, da "agitação paralisante e da paralisia agitante". E quando é que se pensa e se vai ao essencial em todos os domínios? Perdido o ócio, só resta a sua negação, isto é, o negócio. Quantos se recordam de que a palavra escola vem do grego scholê, que significa precisamente ócio? Não o ócio da preguiça, mas o ócio da liberdade, para pensar, que, por sua vez, vem de pensar e, pesar razões para as boas e grandes decisões, também na política. "A política precisa de mais momentos de desaceleração e de reflexão para debruçar-se sobre decisões fundamentais", disse Andreas Vosskuhle, presidente do Tribunal Constitucional da Alemanha. E o antigo vice-chanceler Franz Müntefering: "Quando um Parlamento já não tiver tempo para discutir, consultar, reflectir e então decidir, vencerão os sistemas autocráticos, que não respeitam ninguém."

Mais uma vez, o sociólogo e filósofo Hartmut Rosa: "A questão não é que velocidade atingimos, mas em que medida ela é boa para uma vida boa." Afinal, quando vivemos de verdade?

 

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Apoio:blog pela-positiva.Obrigado.

COMENTÁRIO

 ARRANJA UM POUCO DE TEMPO PARA LERES E CONTEMPLARES!!!!
Imperdível.
Obrigado, Pe Anselmo, por dedicar o seu tempo a pensar na nossa falta de tempo e, assim, o tempo que porventura perdeu, significou ganho de causa (e de tempo!) para todos nós!!!
Acho que o Jesus Cristo de hoje (!!!) nos diria, "Bem-aventurados aqueles que arranjam tempo para si porque descobririam que o tempo que encontram para os outros para si mesmos o encontrariam e consigo próprios SE ENCONTRARIAM!".

antónio colaço

 

 



publicado por animo às 19:39
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WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

DESADAPTAR A IGREJA

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  1. Este Papa anda a desadaptar a Igreja. Pode parecer estranho, mas já deu muitos sinais de que é isso mesmo que pretende. Importa saber em que sentido. Parece-me algo diferente da “revolução” temida pelos conservadores e desejada pelos progressistas. É algo de mais radical.

Quando se falava de adaptação da Igreja ao mundo moderno pensava-se sobretudo na sua descolagem do “antigo regime”, do seu imaginário e privilégios. Daí o repetido toque a finados do chamado “constantinismo” e da cristandade medieval, às vezes, de forma anacrónica. Saber adaptar-se aos novos regimes políticos era uma questão de sobrevivência, procurando salvar o que era possível proteger, em contextos turbulentos. Mas o mundo moderno da criatividade cultural, do pensamento crítico, das descobertas científicas, dos novos movimentos sociais e políticos era coisa bem diferente e implicava discernimentos mais subtis.

Importa salientar que, mesmo no interior do mundo católico, nunca faltaram pessoas, movimentos e grupos que, no meio de grandes obstáculos e condenações vergonhosas, prepararam a grande viragem do Vaticano II. Sem ele e o reconhecimento oficial da liberdade religiosa, os católicos estariam hoje sem espaço para viver, de forma responsável, a crescente complexidade cultural.

A “desorientação” atribuída ao Concílio (1962-65) revelou apenas a falta de liberdade com que se tinha vivido, em diversas épocas e âmbitos, no interior da Igreja Católica. Para “sentir com a Igreja” era recomendada uma estranha e irracional atitude: se vires que uma coisa é preta, mas a hierarquia disser que é branca, conforma-te com a voz da hierarquia!

Lembro esse universo apenas para avivar a memória, mas sem insistir. Quem desejar conhecer o que foram as relações da hierarquia da Igreja com o mundo moderno dispõe hoje de testemunhos e investigações históricas alérgicas às habituais e cómodas explicações piedosas.

  1. Por outro lado, em nome do combate à “teologia da libertação” e com o enfraquecimento dos movimentos operários católicos desenvolveu-se um catolicismo ora aburguesado, ora mistificador, servido por movimentos bem adaptados a essa mentalidade, sem qualquer estratégia operativa de combate à pobreza degradada em miséria, esquecendo que “não é de esmola que as pessoas precisam, mas de dignidade” como agora repete M. Bergoglio.

Com o aumento dos chamados católicos não praticantes, a sedução exercida, em vários países, sobre as camadas populares pelas igrejas e seitas pentecostais e uma moral familiar sufocada pelo irrealismo, com os meios de comunicação social cheios de narrativas de eclesiásticos pedófilos e de escândalos financeiros do Banco do Vaticano, tornara-se evidente que as lideranças de João Paulo II e de Bento XVI, por acção e omissão, desbarataram o crédito do Vaticano II, mesmo quando o invocavam. O papa Ratzinger teve o bom senso eclesial de se demitir.

  1. Surge M. Bergoglio, com nítida vontade de não se adaptar ao império idolátrico do dinheiro, aos seus interesses e ambientes – dentro e fora da Igreja –, nem às seduções do fausto e do carreirismo eclesiásticos, dentro e fora do Vaticano. Escolhe, por isso, o nome e o paradigma de um clássico desadaptado ao mundo dos negócios, preocupado apenas em seguir Cristo pobre no meio dos pobres, sem ressentimento, respirando uma incansável poética da realidade de Deus e da natureza. Chama-se Francisco de Assis.

Os gestos, as atitudes e o programa deste Papa (Alegria do Evangelho) revelaram-se completamente dissonantes com os costumes inveterados da Cúria vaticana, das cúrias diocesanas, das burocracias paroquiais e com os tiques do catolicismo convencional. Esse não era o mundo de Cristo, manso e humilde de coração para com todos os aflitos e oprimidos, mas implacável perante os responsáveis pelas periferias sociais, culturais e religiosas do seu tempo. Bergoglio vê o mundo económico, social, político e religioso com o olhar do Evangelho e quer que a Igreja não se adapte a uma religião e a uma economia que matam.

Entretanto, as várias tentativas para desacreditar a denúncia da idolatria imperial do Dinheiro, invocando a sua incompetência na matéria, têm agora de engolir obras como as de Thomas Piketty [1] e de Chrystia Freeland [2], que põem a nu os mecanismos que produzem o fosso crescente entre ricos, super-ricos e o imenso mundo dos pobres, cujas consequências serão cada vez mais dramáticas, caso não se mude de rumo.

 



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