Sexta-feira, 31 de Julho de 2015
PARABÉNS, MENINHA

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PARABÉNS, MENINHA

Podia demorar-me um pouco mais para enaltecer o espírito associativo que mantém activos os nossos compatriotas que desde os mais recônditos lugarejos, como a Queixoperra, passando pelos vizinhos da Filarmónica da vila do Sardoal ou, mesmo, os incansáveis membros do grupo Os Maçaenses, e que nos proporcionaram uma animada tarde de Marchas Populares na recente edição da Feira Mostra que a autarquia continua a levar por diante. Podia demorar-me um pouco, também, mesmo que tenha sido, resignadamente, que aguentei a demora em arranjar um lugarzinho nas concorridíssimas tasquinhas que a referida Feira Mostra nos disponibilizou e, sem demérito para todas as outras, permitir-me destacar a do Centro de Dia da Aboboreira onde o incansável Zé Fernando, acolitado por uma multidão de aboborenses voluntários, deu o seu melhor – aquelas migas ainda me bailam no estomacal terreiro de todas as gastronómicas danças…

Poderia demorar-me, igualmente, numa reflexão que urge sobre este modelo de “feiras mostras”, eu que, afortunadamente, comecei a dar os primeiros passos na organização destes certames por terras de Abrantes mas com baptismo de fogo na “mãe de todas as feiras”, Vila do Conde, de seu nome, no final da década de setenta…. E, por que não dizê-lo, também me poderia demorar quer na exposição do acervo serigráfico do jovem coleccionador de arte, de seu nome Tozé Cardoso ou no lançamento do livro sobre a vida e obra do José D’Alexandre que recentemente nos deixou, ambas iniciativas culturais de monta que, em boa hora, ocorreram em paralelo à Feira Mostra.

Mas não, hoje, só por hoje – eu sei que ela, de todo, odeia “mostrar-se” – hoje, quero demorar-me naquela que tem passado a sua vida toda a ocupar-se das nossas tantas “demoras”, seja de marido ( quanta paciência…), filhos e, mais recentemente, os nossos queridos três netos, para não falar de outros familiares e amigos. Essa mulher sempre atenta aos outros, chama-se Maria Filomena Tavares Simões, Meninha, para os que a amamos, e que, por estes dias de Julho, celebra o seu 60º aniversário!

Com o engenho e a arte do meu amigo Joaquim Diogo, conseguimos materializar esta ideia que me ocorreu: pegar na primeira imagem de que há memória da Meninha e colocá-la ao colo da própria Meninha, colo, no qual, incansável, depois dos dois filhos, adormecem, agora, o Francisco, o Vicente e o Lourenço, seus netos. Finalmente, Meninha, hoje, só por hoje, cuida, também de si! Obrigado, Meninha, por continuares a demorar-te connosco.

Parabéns!

 

Texto publicado no mensário VOZ DA MINHA TERRA, Mação.

 

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Sábado, 25 de Julho de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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A RELIGIÃO NÃO É PARA MULHERES

IN Publico 18 Julho

 

 

 

 

1. Em 1946, depois de cuidada preparação, começava, em Palma de Maiorca, o conhecido movimento Cursilhos de Cristandade. Eduardo Bonnin Aguiló foi sempre reconhecido como o seu carismático fundador. Vi-o e ouvi-o apresentar-se apenas como “aprendiz de cristão”.

Em Portugal, realizou-se o primeiro cursilho, em Fátima, de 19.11 a 02.12, de 1960. Frequentei o terceiro realizado no Porto. Ainda conservo o meu Guia de Peregrino

No princípio, este movimento destinava-se a proporcionar aos homens a descoberta, em três dias, de uma nova paisagem católica e operar uma viragem radical de comportamento pessoal, para alterar ambientes onde os participantes fossem considerados “vértebras da sociedade”.

Cada cursilho obedecia a uma selecção dos participantes, apenas de varões, apoiado em ficha secreta. Era moderadamente interclassista. O cenário do acolhimento, o cancioneiro espanholado, de colores, os gestos, os rolhos doutrinais, recheados de anedotas certeiras, destinavam-se a desconstruir o imaginário de uma religião beata e para beatas e fazer a passagem exaltante para o essencial de um catolicismo másculo, marcado pela euforia do sacrifício e do testemunho, sem preocupações de transformação social imediata. O grande e repetido enunciado de marca, com eficácia do melhor marketing, era este: a religião católica não é para mulheres.

Se os conteúdos dos cursilhos, os rolhos, eram tradicionalistas, a sua inscrição num ritmo de emoções muito fortes criava um ambiente que não deixava lugar para dúvidas ou questionamentos. Estavam espantosamente bem concebidos do ponto de vista técnico e psicológico, com tudo previsto até ao último pormenor e uma rede informativa que não deixava ao acaso nenhuma reacção dos participantes.

Tratava-se de um acontecimento da graça do Espírito Santo do qual a organização e os intervenientes eram puros instrumentos, pincéis do divino artista, mas que Ele não dispensava nem era possível alterar.

Quando, no Domingo, pelas duas da manhã, muitos daqueles inebriados chegavam a casa, acordavam a família e punham-na a rezar de joelhos e a cantar, em espanhol, de colores! As mulheres que, anos a fio, com tanto esforço, tentaram levar os maridos à Missa, sem qualquer resultado, passavam a não entender donde vinha tanto fervor.

O pós-cursilho tentava reeditar o fervor emocional e delirante da noite da sua conclusão, a “mega-ultreia”.

Dizia-se que os cursilhos de senhoras nasceram para que pudessem entender a nova religião dos maridos.

Segundo me dizem, realizaram-se, entretanto, ajustamentos de acordo com as redescobertas eclesiológicas do Vaticano II.

Apesar de tudo, os cursilhos foram uma pedrada eficaz no charco do conformismo anti-religioso.

2. Sabemos que foi às mulheres, suas discípulas, que Jesus ressuscitado confiou a reevangelização dos Apóstolos. Cristo respondeu assim ao seguimento e à fidelidade inquebrantável de um grupo de mulheres que, ao contrário dos discípulos, nunca lhe pediu nada em troca.

Numa obra, de grande e rigorosa erudição[1], A. Cunha de Oliveira desmascara O Código Da Vinci, de Dan Brown, retomando todo o dossier do absolutamente inverosímil casamento de Jesus com Maria Madalena e aborda, de forma minuciosa, o discipulado das mulheres, assim como os seus ministérios ordenados até ao séc. IV.

Jesus de Nazaré, celibatário, “apreciava a amizade, a companhia, o apoio, o serviço e até as provas de apreço e de gratidão que as mulheres lhe prestavam”. Quando, no Concílio de Niceia, se considerou a hipótese de impor o celibato aos diáconos, padres e bispos, foi Pafnúcio, o famoso bispo celibatário do Alto Egipto, quem dissuadiu os colegas de tomar tal decisão!

3. A bibliografia sobre a relação entre a Igreja Católica e o Estado Novo não pára de aumentar[2]. A longa agonia da Acção Católica, a chegada de movimentos católicos, de índole internacional e a sua marca na configuração do catolicismo português, a partir dos anos 60, apresenta-se, pelo contrário, ainda pouco estudada. Parece-me urgente, no entanto, dar a conhecer às novas gerações o papel desenvolvido por um conjunto de mulheres, na segunda metade do séc. XX e no séc. XXI de um caminho, muito novo, em Portugal.

Estou a referir-me à reabilitação exemplar de um catolicismo feminista, sem complexos nem obsessões anti-masculinas



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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe Anselmo Borges

In DN 17 e 24 Julho

FRANCISCO UMA IGREJA OUTRA

1-Na recente visita do Papa Francisco à América Latina, foi marcante, para dizer ao que vem este pontificado, o discurso no encerramento do II Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Continuou a reclamar "os três t": terra, tecto, trabalho. "Disse e repito: são um direito sagrado." E que estava a falar não apenas de problemas da América Latina, mas de toda a humanidade: "Está-se a castigar a Terra, os povos, as pessoas, de um modo quase selvagem." É preciso "dizer não a uma economia de exclusão e iniquidade", assegurando que "o problema é um sistema que continua a negar a milhares de milhões de irmãos os mais elementares direitos económicos, sociais e culturais" e que este sistema "atenta contra o projecto de Jesus", já que o destino universal dos bens não é um adorno da doutrina social da Igreja, mas uma realidade anterior à propriedade privada. Arremeteu contra o "novo colonialismo que se esconde por trás do poder económico do ídolo dinheiro", lembrando que "a concentração monopólica dos meios de comunicação social, que pretende impor comportamentos alienantes de consumo e certa uniformidade cultural, é outra das formas que o novo colonialismo adopta. É o colonialismo ideológico". Sublinhou que o Papa e a Igreja não têm "uma receita para solucionar os graves problemas deste mundo", mas apresentou três tarefas urgentes: colocar a economia ao serviço dos povos, uni-los nos caminhos da justiça e da paz, salvar a mãe Terra. E terminou, pedindo: "Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum ancião sem uma velhice veneranda."

De regresso a Roma, já no avião, sublinhou que, quando diz que "esta economia mata", apenas prega o Evangelho e a doutrina social da Igreja. Sim, ouviu dizer que há críticas, nomeadamente nos Estados Unidos, a visitar em Setembro. Grupos conservadores dizem que é "o homem mais perigoso do planeta". E ele: "Devo começar a estudar estas críticas."

 

2-No Encontro, grupos de católicos, encabeçados pelo grupo Igreja - Povo de Deus - em Movimento (IPDM), entregaram uma carta com uma série de questões para uma Igreja diferente. Inspiro-me nesse conjunto de propostas.

Constatam o "indiferentismo do clero" e perguntam: há na Igreja uma real assunção do espírito de Francisco? Há empenho em fazer do Evangelho da Alegria "um referencial das práticas pastorais" ou predomina o silêncio, o desinteresse, a instalação no sossego mortal da comodidade?

É preciso garantir a participação dos padres e de leigos na nomeação dos bispos. Aliás, o problema, de modo mais genérico, é o da democracia na Igreja. Não vem de Jesus e do cristianismo a ideia de liberdade, de igualdade, de fraternidade? Como é que a Igreja pode pregar e exigir aos outros o que não pratica dentro dela: a doutrina dos direitos humanos? Urge pensar no que o Bensberger Kreis, um prestigiado grupo de leigos católicos alemães, disse já em 1970: "O ponto nevrálgico da crise do desenvolvimento da Igreja Católica no momento actual consiste em que no âmbito eclesiástico não estão em vigor os princípios da democracia moderna." O que é de todos tem de ser participado e decidido por todos.

Os seminários. "Constatamos expressivo número de seminaristas enamorados da sua carreira eclesiástica, como se percebe nas suas falas, nas suas vestes clericais ultrapassadas, no seu alinhamento com presbíteros carreiristas e amantes do dinheiro e no seu empenhamento medíocre nos estudos filosóficos e teológicos." Sugerem, pois, uma mudança radical nos seminários, a substituir pela experiência de "casas de formação" ligadas a paróquias, sob a responsabilidade de párocos sérios. E lamentam o "número significativo de seminaristas que querem, como seu horizonte eclesiástico, ser bispos". Na actual situação da formação dos futuros padres, não há o perigo de desenraizamento da vida real, de instalação cómoda, de alienação, numa existência fácil e idealizada?

Pede-se compreensão para a integração plena na vida da Igreja, incluindo a comunhão sacramental, dos recasados e dos homossexuais.

Impõe-se repensar a lei do celibato obrigatório. Aqui, pergunto eu: pode a Igreja impor como lei o que Jesus entregou à liberdade? O celibato enquanto lei não será contra a natureza humana? Já se pensou suficientemente na miséria humana, afectiva e moral, a que esta lei pode levar? Não poderá Francisco permitir a ordenação de homens casados "provados" e reintegrar padres que tiveram de abandonar o exercício do sacerdócio para se casar?

Os leigos têm de ver reconhecidos os seus direitos na Igreja. Aqui, também sou eu que digo: ao nível institucional, a Igreja tem pela frente duas tarefas urgentes: a da democracia e a do reconhecimento da igualdade das mulheres

 

FRANCISCO E O CRUCIFIXO COMUNISTA

 

1. Francisco voltou ao seu continente. Numa maratona de oito dias, percorreu três países - Equador, Bolívia, Paraguai -, que escolheu, entre os mais pobres, ficando bem clara a agenda religiosa, social e política deste pontificado: a Igreja esteve, concretamente na América Latina, ao lado dos vencedores e opressores, mas agora fica do lado dos pobres e desprotegidos. E aí está o pedido humilde de perdão "não só pelas ofensas da própria Igreja, mas também pelos crimes contra os povos indígenas durante a chamada conquista da América".

Não é possível sintetizar a sinfonia de falas e gestos. Denunciou a corrupção como "a gangrena dos povos". Exaltou "a cultura do encontro". A diversidade não é "apenas boa, é necessária. A uniformidade anula-nos, torna-nos autómatos". "Somos convidados a assumir o conflito: o diálogo nem sempre é um ballet perfeito". Tudo tem de centrar-se no "reconhecimento da dignidade do outro", e "não há pessoas de primeira, de segunda, de terceira e de quarta. Têm a mesma dignidade". E, como sempre, riu e beijou e visitou prisões e um hospital de crianças com cancro e bairros da miséria e da desgraça. E teve celebrações multitudinárias, inseridas nos usos e costumes locais. Deu um louvor estrondoso às mulheres paraguaias: "Foram elas que souberam levar adiante o seu país em momentos dramáticos da História", disse, lembrando a Guerra da Tríplice Aliança entre 1864 e 1870, que dizimou a população. Aos jovens disse: "Façam barulho, mas organizem-no bem". Aos presos: reclusão não pode significar "exclusão". Aos bispos e padres: sejam pastores e não "capatazes". Aos empresários, políticos, economistas pediu para "não cederem ao modelo económico idólatra que precisa de sacrificar vidas humanas no altar do dinheiro e da rentabilidade". A um dado momento, esgotado, sussurrou a alguém: "Já não posso mais."

2. Para surpresa de muitos, incluindo o Papa, o presidente Evo Morales ofereceu-lhe um crucifixo com a foice e o martelo. Num primeiro momento, notou-se que Francisco ficou perplexo. Depois, já no avião, de regresso ao Vaticano, confessou que o tinha trazido com ele, pois não se sentira ofendido. Afinal, era inspirado numa escultura do padre jesuíta L. Espinal, teólogo da libertação, assassinado em 1980 por causa das suas lutas sociais. Escultor e poeta, Espinal era um entusiasta da análise marxista da realidade e também da teologia usando o marxismo, continuou Francisco, que sublinhou que, agora, para entender essa leitura e também o que considera esta "arte de protesto", como classificou o crucifixo, é preciso situar-se no tempo e fazer uma "hermenêutica geral": ler os textos nos contextos.

Penso que o gesto de Morales foi deselegante, pois sabia que iria, desnecessariamente, provocar imensas reacções negativas. De qualquer modo, o importante é perceber que, contra todos os seus críticos, Francisco não é comunista. Para entendê-lo, basta esta sua declaração: "As ideologias terminaram sempre em ditaduras. Pensam pelo povo, não deixam o povo pensar". E há muito que vem repetindo que não é contra os ricos: é contra a exploração.

É marxista? Aqui, exigir-se-ia uma longa explanação e distinguir bem, por exemplo, entre marxista, marxólogo e marxiano. Não é marxólogo, pois não o vejo como especialista em Marx. Também não é marxista. Mas é, com certeza, como todos os que andam atentos à cultura, marxiano, isto é, sabe que há contributos de Marx que fazem parte do background cultural comum e que não podemos pura e simplesmente ignorar na leitura da realidade. Os conceitos não são necessariamente virgens e puros, pois cada um lê a realidade a partir do seu lugar social: por exemplo, o conceito de justiça não será exactamente o mesmo para um financeiro bem sucedido e um operário em vias de ser despedido.

3. Habituados a ler a história pelo lado dos vencedores, esquecemos o seu reverso: a história dos vencidos, que também são gente, com igual dignidade, embora espezinhada. Francisco vai lê-la precisamente a partir desse outro lado: o das vítimas. E lá está o seu discurso, histórico, no encerramento do II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, um dos mais surpreendentes da sua autoria. A sua crítica incide sobre um sistema global que "impôs a lógica dos lucros a qualquer preço, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza". O mundo está submerso numa "terceira guerra mundial em quotas". Mas este sistema "já não se aguenta, os camponeses não aguentam, os trabalhadores não aguentam, os povos não aguentam". E a Terra "também não aguenta". Daí, a convocação de todos para uma "mudança de estruturas" e para a conversão. É preciso passar da globalização da exclusão e da indiferença para a globalização da partilha e da esperança. E é preciso saber que "o futuro da humanidade não está apenas nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos Povos".

 



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Sexta-feira, 17 de Julho de 2015
VICENTE UM ANO DE GENTE COM A GENTE

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Quero desejar ao meu querido neto Vicente, que hoje completa o seu primeiro ano de vida, muitos parabéns.
Que possa crescer com todo o carinho e amor dos seus Pais, João Colaço e Marília Coutinho.
Parabéns, igualmente, aos meus compadres Deolinda Coutinho Coutinho e António Antoliva Oliveira.
antónio colaço

e Maria Filomena.

 

 

 



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Quinta-feira, 16 de Julho de 2015
IN MEMORIAM MANEL DIAS

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Manel, bem sabes com que redobrada alegria cumpria o ritual de te visitar no teu pequeno santuário sempre que tinha a oportunidade de passar por Abrantes.
Devias saber que, por causa dos netos, nos último tempos estas passagens tornaram-se quase inexistentes.

Deu-se o caso, num destes dias desta semana, que, finalmente, lá pude rumar ao teu encontro.

Para espanto meu, o teu filho Carlos disse-me que não estavas.

- Mas.....está doente ou quê?!, perguntei, como que a evitar a adivinhada resposta!

E foi aí, somente aí que passados mais de sete meses que nos deixaste, soube da tua ousadia em teres partido sem sequer  me avisares.

Ia dizer que não te perdoo mas não posso.

Tu eras dos poucos em Abrantes a quem eu permitia que me disseses tudo, mesmo quando discordámos - e discordámos algumas vezes - porque tu, para mim, eras um dos melhores homens bons de Abrantes, senão o melhor de todos nós.

Manel, a quem é que vou recorrer agora para desabafar as minhas mágoas, revelar os meus sonhos, agora que me preparo para partir na Zundapp a caminho da zona norte do concelho de Abrantes para notificar, notificar, inúteis transgressões, indevidos pagamentos, numa palavra, uma mala cheia de comesinhas inutilidades.
- "Pareces um vendedor de sabonetes", disseste um dia, " quando é que esses gajos lá na Câmara investem em ti como deve ser!!!!

Manel, saber-te a acreditar em mim foi, sem dúvida, o maior dos privilégios.

Ainda recentemente indiquei o teu nome para uma reportagem que um grande media queria fazer sobre os primeiros deputados da Constituinte!!!
Como foi possível, Manel, que não me tivesse chegado nenhum eco da tua passagem?!

Ou será que a falta de memória, esse insinuante ébola que parece tomar conta, nas nossas terrinhas, daqueles que tomaram as rédeas do poder ( como tu sempre fugiste dessas honrarias!!!) fez com que os nossos media, a nossa autarquia de ti se tenham esquecido?!
Não quero acreditar que a sugestão de colocar a bandeira do vetusto edifício municipal a meia-haste, ideia do meu amigo monárquico Joaquim, não tenha sido acolhida!!!!! 

Manel, tu que sempre acompanhaste desde as primeiras horas de Abril de 1979 esta revistinha, ficas a saber que o teu nome para sempre ficará desfraldado não a meia haste mas de corpo inteiro das varandas com que contemplamos a cidade que sempre amaste e na qual, pela tua mão, também fui feliz!!!

Manel, no teu quiosque, compramos raspadinhas, euromilhões e sorte grande mas.....para aqueles que te conheceram, Manel, tu eras - e serás SEMPRE - a NOSSA GRANDE SORTE , o nosso JACKPOT DA AMIZADE!!!

Manel Dias, sempre no meu coração!
Obrigado por teres sido meu Amigo!
antónio colaço



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A COLIGAÇÃO E OS GOLOS DE TRIVELA SEGUNDO PEDRO SALGUEIRO.....MAS NÃO SÓ!!!!

Os meus amigos do Expresso, sempre generosos a dar conta das últimas da ânimo,dedicaram-nos as palavras que se seguem na sua sempre tão badalada "Gente" da edição desta semana.
Como não referiram "o sítio" onde encontrar tão actual quanto apaixonante diálogo, aqui fica, a rematar a peça, a sua versão integral!
Obrigado.

antónio colaço

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Quarta-feira, 15 de Julho de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Frei Bento Domingues
In Publico

12.07.2014

PARA VENCER O CLERICALISMO

 

 

1. A vida é feita de conflitos e consensos. As instituições precisam de mediações e instâncias que saibam estimular e regular a participação viva de todos os seus membros. Esta é também uma questão fulcral das Igrejas.

O último número da revista da faculdade de teologia, Didaskalia [1], é dedicado, precisamente, à Sinodalidade na Igreja. Não é importante apenas pela circunstância de continuar em debate o Sínodo dos bispos sob a família e de vários sínodos diocesanos. Merece especial destaque pela qualidade dos estudos reunidos, de várias nacionalidades, sobre um tema que percorre, desde o começo até aos nossos dias, os momentos mais marcantes da História da Igreja local e universal e que está longe de ter encontrado modalidades perfeitas, para não dizer minimamente aceitáveis.

Curiosamente, Medard Kehl, SJ, abre o seu texto dando a palavra a um céptico, o famoso Gregório Nanzianzo (329 – 389), bispo e teólogo de Constantinopla. Céptico, porque andava enjoado com a pouca produtividade de tantas assembleias de bispos locais ou universais em que participara. Ele próprio confessou: na verdade, eu evito todo e qualquer Sínodo, porque ainda não assisti a um final feliz em nenhuma dessas reuniões, nem vi que qualquer delas tivesse encontrado solução para os males. Pelo contrário, amplia-os. As disputas e as rivalidades são constantes e mais do que é possível descrever com palavras.

Este juízo arrasador sobre sínodos ou concílios tornou-se um lugar-comum para os adversários destas instituições: “muito palavreado, muita rixa, nenhumas soluções de monta para os problemas pendentes e, em vez disso, o seu agravamento”.

Por outro lado, este extremismo, azedo e mordaz, gerou outro muito recente e de sinal contrário: o clericalismo. O ministério eclesiástico e a hierarquia passaram a chamar a si a decisão de configurar o futuro da Igreja. Eles é que sabem, eles é que mandam. Não acreditam no diálogo, isto é, no equilíbrio a conseguir entre várias tendências e pontos de vista em conflito.

2. O Vaticano II (1962-65) apelou para a importância da colegialidade episcopal, embora em fórmulas de compromisso entre reformistas e conservadores. Não conseguiu destronar o clericalismo. Certa posteridade  até o revigorou. 50 anos depois, o Papa Francisco, com poucos meses de pontificado, surpreendeu muita gente ao convocar uma terceira Assembleia Geral Extraordinária sobre “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Celebrou-se em Outubro de 2014 e serviu de preparação para a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, prevista para Outubro de 2015, com o lema: “Jesus Cristo revela o mistério e a vocação da família”.

Veremos o que daí vai sair, dado que a sensibilidade familiar dos bispos católicos e celibatários é configurada de forma bastante indirecta e a representação familiar propriamente dita é insignificante. Graças ao Papa Bergoglio, o processo foi reatado, está em andamento, mas por um caminho cheio de obstáculos.

Não se deve esquecer que foram bispos com o papa que assinaram os documentos conciliares, afirmando que a Igreja não é constituída apenas pela hierarquia. Esta está ao serviço de todos os cristãos e só com eles forma a Igreja de Jesus Cristo. Quem se atrevesse a dizer: os cristãos não contavam para a orientação da Igreja e devem continuar a ser ignorados, seria considerado uma anedota, mas ter, na prática, esse comportamento é apenas ser conservador. Teremos de renunciar à declaração fundamental e conciliar, nós, cristãos, somos a Igreja? Teremos de renunciar a ter voz na Igreja, para que ela tenha voz no mundo?

3. Por estas razões, importa rever toda a história da vida conciliar e sinodal, como pedia o grande historiador Guiseppe Alberigo, citado no estudo de I. Pereira Lamelas. De outro modo não saímos do mundo clerical em que “os demais membros da Igreja têm um papel meramente facultativo”.

Vale a pena observar a atmosfera descrita pelo bispo de Alexandria, Dionísio (séc. III), de uma reunião conciliar, para responder a alguns cristãos acusados de seguirem a heresia milenarista. O debate decorreu durante três dias, do nascer ao pôr-do-sol: 

Pude, então, admirar o equilíbrio, o amor à verdade, a facilidade de acompanhar o raciocínio, a inteligência dos irmãos quando, por ordem e com moderação, íamos expondo as perguntas, as objecções e os pontos de convergência. Por um lado, tínhamos recusado agarrar-nos obstinada e zelosamente a decisões já tomadas, mesmo quando pareciam justas; por outro lado, não evitávamos as objecções, mas, na medida do possível, dispúnhamo-nos a abordar os temas propostos de forma cabal. Não nos envergonhávamos, tão pouco, de mudar de ideias e concordar se a argumentação o exigia; antes pelo contrário, de plena consciência e sem hipocrisia e com o coração aberto a Deus, aceitamos o que era exposto pelos argumentos e os ensinamentos das Sagradas Escrituras.

 

 



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Sábado, 11 de Julho de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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"DEUS MORREU", E AGORA?

por ANSELMO BORGES
In DN
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1. Volto muitas vezes a esse sublime e abissal texto, pavoroso, um dos grandes da grande literatura alemã, que Jean Paul, pseudónimo de Johann Paul Friedrich Richter, escreveu em 1796: "Rede des toten Christus vom Weltgebäude herab, dass kein Gott sei" ("Discurso do Cristo morto, a partir do cume do mundo, sobre a não existência de Deus").

Nele, o célebre escritor descreve um sonho. Pela meia-noite e em pleno cemitério, numa visão apavorante, o olhar estende-se até aos confins da noite cósmica esvaziada, os túmulos estão abertos, e, num universo que se abala, as sombras voláteis dos mortos estremecem, aguardando, aparentemente, a ressurreição. É então que, a partir do alto, surge Cristo, uma figura eminentemente nobre e arrasada por uma dor sem nome. E, com um terrível pressentimento, "os mortos todos gritam-lhe: "Cristo, não há Deus?" Ele respondeu: "Não, não há Deus." Então, a sombra de cada morto estremeceu, e umas a seguir às outras desconjuntaram-se. E Cristo continuou, anunciando o que aconteceu no instante da sua própria morte: "Atravessei os mundos, subi até aos sóis, voei com as galáxias através dos desertos do céu; e não há Deus. Desci até onde o ser estende as suas sombras, e olhei para o abismo, gritando: "Pai, onde estás?" Mas apenas ouvi a tormenta eterna, que ninguém governa." Quando, no espaço incomensurável, procurou o olhar divino, não o encontrou; apenas o cosmos infindo o fixou petrificado com uma órbita ocular vazia e sem fundo, "e a eternidade jazia sobre o caos e roía-o e ruminava-se". O coração rebentou de dor, quando as crianças sepultadas no cemitério se lançaram para Cristo, perguntando: "Jesus, não temos Pai?" E ele, debulhado em lágrimas, respondeu: "Somos todos órfãos, eu e vós, não temos Pai." "Nada imóvel, petrificado e mudo! Necessidade fria e eterna! Acaso louco e absurdo! Como estamos todos tão sós na tumba ilimitada do universo! Eu estou apenas junto de mim. Ó Pai, ó Pai! Onde está o teu peito infinito, para descansar nele? Ah! Se cada eu é o seu próprio criador e pai, porque é que não há-de poder ser também o seu próprio exterminador?"

Para Jean Paul, a morte de Deus não era ainda um destino espiritual inevitável. Apenas a tentação de uma possibilidade ameaçadora. E ele queria estar prevenido: que, quando a tentação o visitasse, soubesse de antemão o abismo sem fim, pavoroso, a que a morte de Deus conduz. Quando acordou do pesadelo ateu, a sua alma "chorava de alegria, por poder de novo adorar a Deus - e a alegria e o choro e a fé nele era a oração".

 

2. Um século depois (1882), o louco de Nietzsche proclamou a morte de Deus: "Quem o matou fomos todos nós, vós mesmos e eu!" "Nunca existiu acto mais grandioso." Ao mesmo tempo, Nietzsche tem consciência aguda do que se segue: "Para onde vamos nós, agora? Não estaremos a precipitar-nos para todo o sempre? E a precipitar-nos para trás, para os lados, para a frente, para todos os lados? Será que ainda existe um em cima de um em baixo? Não andaremos errantes através de um nada infinito? Não estará a ser noite para todo o sempre, e cada vez mais noite?"

 

3. O filósofo Gilles Lipovetsky escreveu, em A Era do Vazio: "Deus morreu, as grandes finalidades extinguem-se, mas toda a gente se está a lixar para isso. O vazio do sentido, a derrocada dos ideais não levaram, como se poderia esperar, a mais angústia, a mais absurdo, a mais pessimismo." Mas Leszek Kolakowski, o filósofo agnóstico, disse que o nosso "é um mundo privado de todo o sentido, de qualquer orientação, sinal de direcção, estrutura", de tal modo que, desde a proclamação da morte de Deus por Nietzsche, "praticamente nunca mais vimos ateus serenos": "A ausência de Deus tornou-se a ferida sempre aberta do espírito europeu, por maior que tenha sido o esforço para esquecê-lo, recorrendo a toda a espécie de narcótico." De qualquer forma, agora, no seu livro A Sociedade da Decepção, Lipovetsky, reconhecendo "a reafirmação do religioso", vem dizer que, "privados de sistemas de sentido englobante, numerosos indivíduos encontram uma tábua de salvação no reinvestimento de antigas e novas espiritualidades capaz de oferecer a unidade, um sentido, referências, uma integração comunitária: é o que o homem necessita para combater a angústia do caos, a incerteza e o vazio".

 

4. Há quem acuse a fé de mera ilusão. Mas eu creio que ela é sobretudo um combate, como reza esta espécie de testamento de um judeu que morreu em 1943 no gueto de Varsóvia: "Creio no Deus de Israel, embora ele tenha feito todo o possível para que não acredite... Deus ocultou o seu rosto ao mundo. As folhas em que escrevo estas linhas vou encerrá-las nesta garrafa vazia e escondê-la aqui entre os tijolos da parede, debaixo da janela. Se alguém as encontrar um dia e as ler, talvez entenda o sentimento de um judeu - um entre milhões - que morreu como abandonado de Deus, esse Deus no qual acredita tão firmemente."



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Quinta-feira, 9 de Julho de 2015
.....E AO TERCEIRO DIA AS HORTÊNSIAS RESSUSCITARAM

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E ao terceiro dia de muita canseira, só pediram água para resistirem um pouco mais.
Tantos ais depois, ei-las, ressuscitando de uma morte quase anunciada.
Obrigado, Vale, pela água que guardas no mais íntimo das tuas entranhas.

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Terça-feira, 7 de Julho de 2015
MARCHAS EM MAÇÃO OU SANTOS POPULARES TODOS OS DIAS, JÁ!!!!!

O prometido é devido.
"Ligação em directo" à vila de Mação!!!
Mas que grande animação.

(Desfile de marchas populares de Mação, Queixoperra e Sardoal).

 

 



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Domingo, 5 de Julho de 2015
FEIRA MOSTRA EM MAÇÃO MIGAS ATÉ MAIS NÃO

Mais de hora e meia para que pudesse desfrutar das "Migas" confeccionadas pelo pessoal do Centro de Dia da Aboboreira sob a eficaz liderança do histórico Zé Trinta, ou melhor, do meu amigo Zé Fernando Martins, por acaso, o senhor presidente da Junta de Freguesia de Mação, Penhascoso e Aboboreira!
Deliciosas, as migas de pão de milho com couve.

Veio um cabrito assado no forno para....acompanhar as ditas migas, não sei se estão a ver esta alterada ordem do cardápio!!!!Mas, para mim, de facto, migas, açordas são o deslumbramento total!!!
Fechou-se a janta com um pratinho de cremoso arroz-doce.
2
Ah!Parece que o mar de gente que veio para comer e, em seguida, ver os GNR não ficou lá muito satisfeito!
Por mim, ao fim do terceiro tema recolhi aos lençóis.
Pareceu-me estarem ali para cumprir, um misto de enfado e de grande chatice!"Está frescote", balbuciou o histórico vocalista que demorou a decidir-se aquecer a multidão sequiosa por este "Grupo Novo Rock". A GNR, a verdadeira, com a sua sede mesmo em frente destes "GNR" era capaz de fazer melhor!!!

 

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QUIOSQUE

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Para memória futura ou.....à espera de ganhar coragem para gritar que " o rei vai nu" em todo o seu esplendor, com todo o seu "jeito" e....com todo o seu "carisma".
Ou, de como "uma vitória curta", senão mesmo uma estrondosa derrota mais que anunciada, já está a fazer avançar, sibilinos, traiçoeiros, filhos da mesma traição que ontem apoiaram, alguns dos seus "jovens" apoiantes, ambiciosos, de meter medo ao susto.

Deus nos livre das suas pesporrentas ambições e muita mal criadice!
antónio colaço

 



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Sábado, 4 de Julho de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe Anselmo Borges
In DN
JESUS E A POLÍTICA 

1 Em 2011, realizei um colóquio internacional sobre "Quem foi/Quem é Jesus Cristo?", com especialistas de vários horizontes do saber. Paulo Rangel foi um dos conferencistas. Ele acaba de publicar o texto, numa edição apoiada pelo Grupo do Partido Popular Europeu, com tradução para francês e inglês e uma belíssima reprodução da Pietà (segundo Delacroix) de Van Gogh, 1889: Jesus e a Política. Reflexões de Um Mau Samaritano. Para a apresentação, convidou o ex--presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, agnóstico, e o filho deste, João Gama, católico, professor de Direito Fiscal na Universidade Católica. O Salão Árabe do Palácio da Bolsa foi pequeno para acolher centenas de pessoas, numa grande noite cultural sobre Jesus.

 

2 Qual é a tese de Paulo Rangel, que se define a si mesmo como "cristão de cultura católica" "e não simplesmente um católico"? Em Jesus, não há "a ousadia de um programa temporal e o risco de um projecto social ou societal", "pensamento ou ensinamento político". Porque "o ensinamento de Jesus aspira à totalidade, mas não é total". O próprio poder sabe que "não é ao poder que Jesus vem, nem é ao poder que Jesus vai". A proposta de Jesus dirige-se a todos e a cada um, sem excluir ninguém, numa "política do amor", uma contradição nos termos, porque transcende a política. Jesus não foi político nem fez política, "mas não deixa de ser politicamente perturbador e politicamente relevante". "Jesus e o Seu ensinamento estão de tal maneira alheados dos limites quase físicos da política que representam um marco de "provocação à política", de "provocação" política."

Daí, a pergunta essencial de Rangel: a que título o poder precisou de desfazer-se dele, num julgamento? Podia tê-lo feito de modo expedito, armando uma cilada, por assassínio...

 

3 Numa brilhante intervenção de cariz teológico, Jaime Gama deu indicações para expandir as reflexões de Rangel. "Estamos perante um texto louvável, mas redutor, porventura demasiado espiritualista, demasiado individualista na utilização que faz do texto neotestamentário e não enquadrando tudo num contexto mais vasto e geral que é aquilo que constitui na verdade a presença testemunhal da Igreja de Cristo na sociedade humana e no próprio ordenamento cósmico, desde a sua origem até ao Apocalipse." Não há referência à relação de Jesus com o Pai nem à presença do Espírito Santo na Igreja, Povo de Deus, de tal modo que, dessubstancializando a doutrina e mensagem cristológica, não se permite, por exemplo, uma Doutrina Social da Igreja, "a possibilidade de definir uma doutrina inspiradora para a responsabilidade dos homens no quadro da criação". João Gama seguiu outra via: "Aquilo que Paulo Rangel não diz, e eu penso que ninguém diz, é que Jesus é um não político." Jesus joga com "a surpresa na política: o amor", um amor que "não é só dar a outra face, é a destruição da inimizade do inimigo". Por isso, é um provocador da política. Se se pensar bem, o reino político "também não é deste mundo": há a necessidade de querer um mundo melhor e transformá-lo. Assim, não concorda com o subtítulo da obra, porque "todo o político, mesmo o mau, é um bom samaritano". O mau samaritano é aquele que fica a ver e nada faz.

 

4 Coube-me abrir o debate e moderá-lo. Jesus é "figura determinante" (K. Jaspers) na história da humanidade, incompreensível sem ele. A sua influência é decisiva: foi, por exemplo, por seu intermédio que a ideia de pessoa veio ao mundo. Mesmo se teve de impor-se contra a Igreja institucional, não é por acaso que a doutrina dos direitos humanos nasceu em contexto, também geográfico, cristão. Vários pensadores de renome o sublinharam: foi pelo cristianismo que soubemos da "infinita digni-dade" do homem (Hegel), que nenhum ser humano pode ser tratado como "gado" (E. Bloch), "um homem, um voto" é a tradução política da fé religiosa na relação de Deus com cada ser humano (J. Habermas). A laicidade do Estado, que garante a liberdade religiosa de todos, já estava em gérmen na palavra de Jesus: "A César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Jesus não pretendeu conquistar o poder para impor um programa político, mas deixou a igualdade de base, a justiça, a dignidade de todos como critério de "Juízo Final" e da religião verdadeira, sem nada de confessional: "Tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; vestistes-me, fostes visitar-me, estando eu doente ou na cadeia..." Na fé na ressurreição de Jesus anuncia-se a vida eterna, e, como observou Tocqueville, enquanto os homens acreditaram na eternidade, até neste mundo construíam de modo durável; hoje, sem eternidade, o tempo reduz-se a instantes que se devoram uns aos outros e, vivendo num presentismo niilista, até a política se ressente do curto-prazismo. No Salão Árabe, vinha à mente a urgência da reflexão sobre o diálogo intercultural e inter-religioso.

 



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Sexta-feira, 3 de Julho de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Frei Bento Domingues
In Público 28 Junho

Só para depois do juízo final

Não confundir a Esperança com a arte de adiar o que urge resolver.

 

1. Dizem que o Papa Francisco não é um homem apressado, mas tem muita pressa. Tentarei compreender porquê. Para já, quero manifestar a alegria que vivi na leitura da primeira Encíclica de um Bispo de Roma, dirigida a cada pessoa que habita este planeta a reconhecer, a respeitar e a cuidar. Ele é a nossa própria casa. A humanidade não pode continuar a envenenar o seu próprio futuro. É um rio de muitos afluentes. Pelo horizonte, pelo conteúdo e pelo estilo é justo chamar a este texto a Carta Magna da ecologia integral [1].

Ao contrariar a liberdade de exploração egoísta dos recursos de todos, o Papa Francisco vai ter de enfrentar novas campanhas contra o seu pontificado, campanhas movidas por aqueles que procuram reduzir tudo a negócios de miopia. Pedem-lhe que se ocupe do Céu e esqueça os pobres. Mas este argentino continuará a protestar contra os vendilhões da terra de todos apenas para benefício de alguns.

2. Hoje, porém, quero chamar a atenção para uma outra história muito breve, muito atrevida e abafada pelos “empatas profissionais” do ecumenismo oficial. 

Vejamos: a 23 de Maio, Bergoglio enviou uma mensagem-vídeo a uma jornada de diálogo organizada pela Diocese de Phoenix (EUA), em colaboração com pastores evangélicos de orientação pentecostal.

Era uma mensagem de radical indignação contra a cegueira cruel, paradoxal e chocante do movimento ecuménico. 

Eis o facto: neste momento, quem mata os cristãos, aos milhares, tanto lhe dá que sejam ortodoxos, católicos ou protestantes. Para os assassinos, são Cristãos e basta! Sabem reuni-los pelo mesmo ódio.

Pelo contrário, os Cristãos andam sempre a fazer mil distinções para adiar, sine die, a união que Jesus Cristo insistentemente lhes pede. Cedem ao “ecumenismo do ódio”, mas continuam a retardar sempre a união na diferença, mais que estudada. Como dizia Jesus de Nazaré, os filhos das trevas vêm mais do que os filhos da luz.

O melhor é ler o que Papa realmente disse, no seu estilo inconfundível: “Hoje reunidos, eu em Roma e vós aí, pediremos que o Pai envie o Espírito de Jesus, o Espírito Santo, e que nos conceda a graça, a fim de que todos sejam um só, «para que o mundo creia». Vem-me ao pensamento o desejo de dizer algo que poderá ser insensato, ou talvez uma heresia, não sei. Mas alguém «sabe» que somos um só, não obstante as diferenças. 

“Quem será esse alguém? É aquele que nos persegue, aquele que hoje persegue os cristãos, que nos unge com o martírio; ele sabe que os cristãos são discípulos de Cristo: que são um só, que são irmãos! Não lhe importa se são evangélicos, ortodoxos, luteranos, católicos, apostólicos... isso não lhe importa! São cristãos! É aquele sangue que nos une.

“Hoje, amados irmãos, vivemos o ecumenismo do sangue. Isto deve impelir-nos a fazer aquilo que já fazemos: rezar, falar entre nós, diminuir as distâncias, irmanar-nos cada vez mais.

“Estou convencido de que a unidade entre nós não será feita pelos teólogos. Os teólogos ajudam-nos, a ciência dos teólogos assistir-nos-á, mas se esperarmos que os teólogos se ponham de acordo entre si, a unidade só será alcançada no dia seguinte ao do Juízo Final.

“A unidade é feita pelo Espírito Santo; os teólogos ajudam-nos, mas assiste-nos a boa vontade de todos nós que estamos a caminho e com o coração aberto ao Espírito Santo!

3. Bergoglio não está contra o papel indispensável dos teólogos. Está contra uma casta especializada em notar, até ao último pormenor, até à última virgula, aquilo que deve impedir a união dos cristãos. É uma casta de  juízes, em vez de aprendizes. Acabam por cair na cegueira que Jesus censurava: vêem o argueiro no olho do outro e não dão pela trave que há no seu próprio olhar [2]. Não entram nem deixam entrar. Bem pode o Papa rezar com Santa Catarina de Sena: Senhor, alargai-lhes a alma!

A boa prática teológica é o empenhamento da inteligência cordial na adesão a Jesus Cristo, abraço do mundo. É uma construção de pontes, não a arte de criar obstáctulos. O universo simbólico realiza-se no registo da aproximação do que está distante. O “diabo”, ao contrário do símbolo, afasta o que está próximo.

A verdade em teologia não é um adquirido. É um infindável horizonte de busca, uma contínua passagem para a outra margem e uma navegação que se faz sempre mais ao largo. 

 A teologia vive bem na oração, como consciência do mistério insondável de Deus. Este não cabe em nenhuma definição. Quando a teologia se torna soberba, pensa que tem Deus na mão e transforma-se em juíza das expressões da fé das outras confissões cristãs. Não concebe a importância de procurar os pontos de convergência no caminho para uma Realidade que não é propriedade das Igrejas Ortodoxas, da Igreja Católica Romana, ou das Igrejas Protestantes.



publicado por animo às 09:38
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2015
JORNALISTAS E ASSESSORES IMPRENSA PARLAMENTARES . CONVIVER É PRECISO

Todos os anos, sempre o mesmo convite, "tens de aparecer"!
E lá vou eu, agora, assessor de mim, outrora assessor deles, do meu querido PS, para conviver.

À porta ficam os "recados", as "fugas de informação" (NUNCA a areia para os olhos!), as tentativas para, por vezes, "vender" o invendável......STOP!
Hoje é dia de conviver!!!
Cada um traz o que pode.Por mim, todos os anos um "ânimo de ouro parlamentar" para sortear!!!
E não é que este ano voltou a calhar à Maria Flor Pedroso, Antena 1?!
Feito novo sorteio, por sua generosa iniciativa, o vencedor foi.....PEDRO MORAIS FONSECA, da Lusa, neste momento, juntamente com a Anabela Neves, Sic, a Presidente da Associação dos Jornalistas Parlamentares, dois dos decanos do jornalisno parlamentar.

Foi portanto, um justo "prémio de carreira"!!!!
2

No filme inicial que apresentamos - IMAGENS AUTORIZADAS - optámos por retirar o som!
Alguns segredos do Estado?

Nada disso, apenas para preservar a intimidade do almoço dos ouvidos "mais atentos"!!!
3

Como os jornalistas não quiseram dar a voz ao manifesto, vai daí, toca a juntar os assessores de imprensa presentes ( Zeca, PSD e Paula Barata,PCP, dois históricos assessores não compareceram dsta vez) e....ouçam no que deu com o Pedro Salgueiro, PP, ao ataque, mas...com boas intervenções do Luis Rego, PS e do Pedro Sales e Catarina do BE. A Ana Cristina Gaspar, PSD, apareceu em cima da hora.

Muito obrigado e....até para o ano!!!

antónio colaço

PS

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Não pude deixar escapar a inesperada oportunidade de posar juntamente com a senhora Presidente da Assembleia da Repúblca para, finalmente, lhe dizer, olhos nos olhos :

- Já que não veio almoçar aos meus ( e da A25Abril, claro) AAA-Animados Almoços, venho eu aqui estar a seu lado!!!
- Mas eu queria almoçar....

-Pois, senhora Presidente, mas afinal não quis. Deixe lá, fica para a próxima edição!!!!

 



publicado por animo às 10:57
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