Sábado, 29 de Agosto de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe Anselmo Borges
In DN

SOBRE AS ELEIÇÕES

Não costumo meter-me por estas bandas. Faço-o hoje, pouco sistemático, talvez um pouco desconexo. São desabafos.

1. Vivemos num mundo conturbado e perigoso. A globalização surge num quadro caótico, sem parâmetros de orientação básica. Por isso, grandes sociólogos, como U. Beck, Z. Bauman, E. Morin, apresentam como características próprias deste tempo a insegurança, a incerteza, o risco, a vulnerabilidade, a inquietação.

Participando da situação, a Europa também não está bem. Espiritualmente esvaziada, não acredita nela própria, nas suas raízes e valores. Quando num mundo globalizado se impunha uma Europa cada vez mais unida politicamente, o que se vê são fracturas crescentes. Veja-se a incapacidade de lidar juntamente com os fluxos migratórios imparáveis.

Neste quadro, a política não está para entretenimento de medíocres nem comentários sofistas.

2. Quando se olha para a inversão da pirâmide das idades e no que isso significa para a economia, para todo o processo produtivo, para a Segurança Social, é impossível adormecer na indiferença. O tsunami demográfico é hoje um problema fundamental, estando em risco a própria sobrevivência do país. Sobre ele e outros problemas, como a educação, o emprego - é preciso começar a pensar que o trabalho é um bem escasso e deve aprender-se a distribuí-lo, com todas as consequências; ficará mais tempo para a cultura, por exemplo -, a justiça no seu duplo sentido, a saúde, a Segurança Social, a política internacional, deveria haver uma base mínima de entendimento a médio prazo.

Neste contexto, e à maneira de parêntesis, permita-se-me manifestar o meu acordo com a lei aprovada no Parlamento quanto ao aconselhamento e à taxa moderadora para quem aborta. Estou à vontade, porque, aquando do referendo, num texto muito citado por adeptos da despenalização, no qual, distinguindo claramente entre o plano jurídico-penal e o moral, perguntava se, no seu drama, em lugar de uma punição penal, do que a mulher precisa não é sobretudo de solidariedade, também lembrei - e o primeiro-ministro de então afirmou que se atenderia às boas práticas de outros países - o que se passa na Alemanha: para poder abortar legalmente, a mulher, sem prejuízo da sua autonomia, terá de apresentar um comprovativo de que passou por um centro de aconselhamento (Beratungsstelle). Esses centros devem ser plurais e reconhecidos. Por outro lado, como justificar a isenção de taxa moderadora?

3. Cá está! Fundamental: que os políticos cumpram o que prometem, sem subterfúgios; não vendam ilusões, não prometam o que sabem que não podem nem vão cumprir. Pergunto-me pelas razões que levam a maioria dos jovens ao desinteresse pela política e a população à desconfiança em relação aos políticos. Será porque pensam nas suas mentiras e nos conluios e cumplicidades entre a política e os negócios? É preciso ir ao essencial, em debates sérios - as arruadas são secundárias -, sem rasteiras nem intrigas e amuos, e apresentando contas com rigor e fiáveis e sem inveja nem necessidade de deitar abaixo, quando os adversários fizeram o melhor para o país e tiveram êxito. Fundamental é também a equidade nos impostos e a consequente atenção às assimetrias sociais. É imoral fugir ao trabalho, mas também o é aproveitar a crise para explorar os mais fracos. E não se abandone os mais velhos...

4. Sobretudo quando se pensa no alastrar da corrupção, vê-se claramente que isto não vai lá sem uma conversão ética, moral (uso os termos como idênticos, sem as distinções que tecnicamente se imporiam).

Precisamos de política? Claro. Mas, em última análise, como já aqui escrevi e estou a citar-me, precisamos da política no sentido estrito, que implica o Estado enquanto organização política da sociedade, detendo ele o monopólio da violência, porque não somos todos éticos. Se todos fossem éticos, no quadro do fazer-se bem moralmente a si próprio, não seria necessária a política, que ficava reduzida à administração das coisas. Só porque somos egoístas, interesseiros, corruptos e corruptores é que temos necessidade do Estado para regular e gerir de modo não violento os conflitos. Como escreve o filósofo A. Comte-Sponville, se a moral reinasse, não teríamos necessidade de polícia, de tribunais, de forças armadas, de prisões.

Urgência maior é a formação ética, moral, para os valores, que não são redutíveis ao valor do dinheiro. Sem valores éticos assumidos, remetemos constantemente para a política, para as leis, para a regulação, para os tribunais... Mas então só fica a lei e a sua sanção. Ora, não é possível legislar sobre tudo e, sobretudo, acabaria por ser necessário pôr um polícia junto de cada cidadão para que cumpra a lei; como os polícias também são humanos, seria preciso pôr um polícia junto de cada polícia. Juvenal viu bem: Custos custodit nos. Quis custodiet ipsos custodes? (A guarda guarda-nos. Quem guardará a própria guarda?).

Padre e professor de Filosofia

*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.



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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2015
PERTO DO PRINCÍPIO

Finalmente, este ano foi possível.
Irresistível o apelo das amoras, mesmo se se tornou impossível resistir às investidas das ciosas balsas que as retinham cativas!
Repousam, agora, bem vivas, numa bebedeira de azul, perdão, na generosa brancura de uma fina aguardente, ardente até mais não.
Lá mais para a frente, de certeza antes do próximo Verão, muitos dedos de conversa e outras tantas dores de alma curarão.
Obrigado, Vale.

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PERTO DO PRINCÍPIO

PERTO DO PRINCIPIO
Entre o Pereiro embrulhado em matinal neblina e Castelo Branco suando forte calorina.
"Que já não ias a Castelo Branco por causa da escandalosa roubalheira das portagens, como é?!"
Sim, é por causa do NOSSO continuado silêncio que elas aí estão, quase quilómetro sim, quase quilómetro não!
2...
Despudorada e marginalizada Interioridade a cada dia humilhada quando tinha tudo para ser EXALTADA!!
3
Só espero que nunca se lembrem de portagear a SAUDADE em revisitar sítios, gentes, lugares e aspirar bem fundo os seus reconfortantes e bons ares!

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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015
PERTO DO PRINCÍPIO

PERTO DO PRINCÍPIO

Hoje, como todas as quartas-feiras, foi DIA DE COZIDO (assim mesmo, com direito a maíusculas) no GODINHO, em Mação.

Um tremendo susto que o "Engº"Paulo Godinho tratou de encenar:
-"Já não há cozido!!!"
Costumo fugir à pressão das primeiras horas mas....tanto também não!!!
"Saíram para fora mais de 15 doses!!!"
Desenrasca-te como puderes, Paulo!

Nós só cá vimos de vez em quando, bla, bla.
-Vou ver se rapo o tacho, defendeu-se!
-Vê no que te metes.
Ou fotografo com 5 pixels ou....a 20 pixels!!!

Está aqui a prova do "tacho rapado!" 20 pixels!!
Obrigado!
(Chama-se a isto a "cunha" mas....no sentido do magnífico artigo de Ricardo Costa esta semana na Revista do Expresso!Ou seja, lutar, rachar, contra ventos e marés!!!
Para a próxima irei um tudo nada mais cedo!!!!

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Terça-feira, 25 de Agosto de 2015
ENFEITA-TE NA ALDEIA MAIS ENFEITADA DE PORTUGUAL

ENFEITA-TE NA ALDEIA MAIS "ENFEITADA DE PORTUGAL"!!!!

Demos uma volta muito breve por uma das ruas principais do Pereiro- algumas ruas intransitáveis devido à fase de acabamento das obras de decoração - e constatámos o verdadeiro esforço de quase um ano a tricotar Beleza por parte desta gente que não desiste, GENTE que insiste em afirmar o GRANDE AMOR à sua "pequena" terra.
Parabéns e obrigado!
antónio colaço

 



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Sábado, 22 de Agosto de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe Anselmo Borges
In DN

 

AS MULHERES NAS RELIGIÕES

O Papa João Paulo I disse que Deus tanto é Pai como Mãe e, estando para lá do sexo, também poderia ser representado como mulher. O Vaticano não gostou. Mas é neste contexto do feminino e Deus que se conta uma estória. Ao contrário do que se lê e diz, Deus criou primeiro Eva e não Adão. Eva aborrecia-se, sentia-se só e pediu a Deus alguém semelhante a ela, com quem pudesse conviver e partilhar. Deus criou então Adão, mas com uma condição: para não ferir a sua susceptibilidade, Eva nunca lhe diria que foi criada antes dele. "Isso fica um segredo entre nós..., entre mulheres!"

As primeiras figurações da divindade foram femininas, por causa da fertilidade e maternidade. Depois, explica o filósofo F. Lenoir, com a sedentarização segundo um modelo maioritariamente patriarcal, aconteceu com as religiões o mesmo que com as aldeias e as cidades: "Os homens tomaram o seu controlo, relegando a mulher para um papel secundário ou até para uma ausência de papel, a não ser no seio do lar e sob a tutela do marido. As justificações teológicas vieram posteriormente." E o que é facto é que a maior parte das religiões têm "uma forte tendência para a misoginia". O taoísmo é significativamente diferente, porque é essencial nos seus ensinamentos a fusão do yin e do yang, do feminino e do masculino, como "penhor de acesso à imortalidade".

A mulher foi considerada tentadora, devendo os homens acautelar-se. Foram-lhe retirados os poderes rituais, por causa da impureza. Lê-se, na Bíblia, no livro do Levítico: "Quando uma mulher tiver o fluxo de sangue que corre do seu corpo, permanecerá durante sete dias na sua impureza. Quem a tocar ficará impuro até à tarde. Todo o objecto sobre o qual ela se deitar ficará impuro; tudo aquilo sobre que ela se sentar ficará impuro. Quem tocar no seu leito, deverá lavar as vestes, banhar-se-á em água, e ficará impuro até à tarde. Se um homem coabitar com ela e a sua impureza o atingir, ficará impuro durante sete dias e todo o leito em que se deitar ficará impuro". Segundo F. Lenoir, outra das razões da misoginia é o prazer feminino, "essa grande intriga para o homem": "O ciúme em relação ao gozo feminino (jouisance), porque ele é infinito enquanto o do homem é finito. Há uma espécie de abismo do gozo sexual da mulher que mete medo ao homem e o contraria."

Concretizando e seguindo F. Lenoir na obra Dieu. Afinal, o hinduísmo e o budismo não são menos misóginos. Na tradição hindu, há um código legislativo redigido entre o século II antes da nossa era e o século II da nossa era, fundado sobre textos sagrados, tacitamente ainda hoje aplicado, em que se lê sobre o estatuto das mulheres: "Uma jovem, uma mulher jovem, uma mulher avançada em idade nunca devem fazer algo segundo a sua própria vontade, mesmo na sua casa", pois a mulher está dependente do pai, do marido, dos filhos, e é inferior a eles. Também não tem direito à iniciação religiosa: "A sua iniciação é o casamento." Em ordem à libertação do ciclo das reencarnações, deve esperar até ao renascimento como homem. E há o drama das satis: as esposas que se imolam vivas quando o marido morre.

Segundo uma tradição, Buda aceitou, a pedido da tia, fundar uma ordem de monjas, mas com condições: o monge mais jovem manteria sempre a proeminência sobre a monja mais velha, mesmo que centenária, e nenhuma poderia admoestar um monge, embora o contrário estivesse autorizado. "Ainda hoje é assim." Um antigo texto budista lembra que "a filha deve obedecer ao pai; a esposa, ao marido; por morte deste, a mãe deve obediência ao filho." E para o Despertar búdico deve renascer como homem.

A oração da manhã dos judeus ortodoxos inclui: "Dou-te graças, meu Deus, por não me teres feito mulher". As mulheres devem ocultar o cabelo e o corpo e, nesta corrente, só os homens têm direito a estudar Teologia. "Felizmente, não é o caso na maioria dos judeus."

Jesus tratou bem as mulheres: rodeado por elas, que também podiam ser discípulas, foram-lhe fiéis até à morte, ao contrário dos discípulos homens, que fugiram. Mas as Igrejas católica e ortodoxas discriminam-nas, impedindo-as, por exemplo, de aceder aos ministérios ordenados. Já não é o caso entre as Igrejas protestantes, mais próximas do texto evangélico.

No Alcorão, há passos que declaram a igualdade. Por exemplo, sura 9, 71: "Os crentes e as crentes são amigos uns dos outros. Ordenam o bem e proíbem o mal. Fazem a oração, dão a esmola, obedecem a Alá e ao seu Enviado." Mas também há suras nas quais se permite desposar duas, três ou quatro mulheres; a herança do filho será igual à de duas filhas; pode bater-se nelas: "Os homens têm autoridade sobre as mulheres em virtude da preferência que Deus deu a uns sobre outros. Admoestai as que temeis que se rebelem, deixai-as sós no leito e batei-lhes."(4, 34).

Que caminho longo a percorrer até à dignidade na igualdade e à igualdade na dignidade!

 

*Padre e professor de Filosofia

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.



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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015
VAI UM FRENESI NA ALDEIA DO PEREIRO, QUE CHAMA POR MIM E POR TI

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VAI UM FRENESI NA ALDEIA DO PEREIRO EM MAÇÃO.....
O mais eficaz assessor de imprensa de Festas que conheço, aí está!!!
Ou melhor, não têm conta as Notas à Imprensa com que inunda redacções e redes sociais, mal terminam as Festas de um ano e começam a preparar-se as do ano seguinye!!!
Senhoras e Senhores, ANTÓNIO MAIA!!!
.....................

...

Boa tarde.
Os nossos melhores cumprimentos.
Levamos ao conhecimento de V.Exª. que na aldeia do Pereiro de Mação, a Capital das Ruas Enfeitadas, vai acontecer mais uma edição das suas ruas enfeitadas, de 25 a 30 de Agosto. São vinte rua e largos que vão estar mais bonitos que nunca, formando um autêntico jardim florido suspenso nos céus das ruas desta terra.
Várias novidades vão estar à disposição dos milhares de visitantes que ali são esperados: O arco iris junto à igreja da Senhora da Saúde, a padroeira desta aldeia; uma flor gigante de esteva com seis metros de altura e vinte de largura (foto em anexo); vários círculos enfeitados a rigor vão ornamentar a Rua da Tapada Nova e muitas outras que vão manter-se em segredo pelos moradores de cada rua até ao dia da inauguração (25).
Para mais informações tem à sua disposição António Maia (telem. 914716164).
Grato pela atenção.
Com os melhores cumprimentos.
Pela organização das ruas enfeitadas,
António Maia.

 



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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2015
HORA TERCIA

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HORA TERCIA
Depois da intensa manhã em regas e limpezas hortícolas, o COZIDO, no Godinho, o ÒRGÂO, na Matriz e o fechar a bomba que encheu o TANQUE no Vale.
De que mais precisa a minha felicidade para que a sinta "felicitante" como diz o meu amigo Pe Anselmo Borges?!
Obrigado.

 

 

 



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VÉSPERAS

VÉSPERAS
De regresso ao esplendor deste silencioso entardecer no Vale....

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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe Anselmo Borges
In DN 15 Agosto
VOZ POLÍTICO-MORAL GLOBAL (2)

O Papa Francisco tem consigo a missão decisiva de pôr ordem e renovar a Igreja. Mas sobre ele pesam igualmente responsabilidades históricas para com a humanidade toda, e também aqui o seu desempenho tem despertado, como disse Raúl Castro, "admiração mundial". Aliás, ele é um grande diplomata, afirmando o embaixador britânico junto da Santa Sé, Nagel Baker: "Nunca tivemos tanto trabalho. Todos os governos nos pedem continuamente in-formações sobre os movimentos do Papa Francisco."

Na continuação do texto de Sábado passado, apresento outros sinais da sua influência global.

3. Se um desejo maior de Francisco é visitar Moscovo, outro é ir a Pequim. O presidente Xi Jinping e Francisco trocaram mensagens de cortesia nas suas respectivas eleições em 2013 e a Igreja chinesa ordenou nos princípios deste mês o primeiro bispo fiel a Roma nos últimos três anos e ordenará em breve o segundo com a aprovação de Francisco. Sinais de abertura do governo chinês, que trabalha com o Vaticano para restabelecer relações diplomáticas. Hoje, com uns 12 milhões de católicos e mais de 70 milhões de cristãos, a China poderá ser em 2030 o país do mundo com maior número de cristãos, estando Francisco convencido de que o futuro do cristianismo se joga em grande parte na Ásia.

4. Na Europa, que países visitou Francisco? Significativamente três, de maioria muçulmana: Albânia, Bósnia e Turquia, com razoável convivência inter-religiosa. Francisco sabe que um problema maior no mundo e na Europa é e será a relação entre cristãos e muçulmanos. As duas religiões juntas são metade da humanidade, o que significa que a paz entre elas tem importância decisiva para o futuro.

Mas Francisco não se cansa de apelar à comunidade internacional para não abandonar as minorias cristãs e outras, perseguidas e esmagadas no Médio Oriente. O seu secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, lembrou mesmo, na ONU, que, para deter as agressões terroristas, "é lícito e urgente" o recurso "à acção multilateral e a um uso proporcionado da força".

Neste contexto, o vaticanista Sandro Magister sublinha a importância do acordo entre a Santa Sé e o Estado da Palestina, assinado em 26 de Junho no Vaticano. A novidade não estaria tanto na fórmula "Estado da Palestina", mas sobretudo no reconhecimento explícito da liberdade de religião e de consciência, bem como da liberdade da Igreja não só nos lugares de culto mas também nas actividades caritativas e sociais, no ensino, nos meios de comunicação social. "Trata-se de um reconhecimento sem precedentes por parte de um país muçulmano e poderia abrir o caminho para algo semelhante noutros países. Não é mero acaso o cardeal Parolin ter viajado recentemente até Abu Dhabi para inaugurar uma nova igreja com as mais altas autoridades dos Emiratos Árabes Unidos: uma mensagem eloquente para a vizinha Arábia Saudita, onde a simples posse de uma Bíblia continua a ser um delito gravíssimo" e a conversão a outra religião, sujeita à pena capital.

5. A encíclica Laudato si" ficará na história como a Magna Carta da ecologia integral, afirmando o teólogo X. Pikaza que "talvez não haja um documento da Igreja Católica que vá ter mais influência que esta encíclica".

Francisco acaba de designar o dia 1 de Setembro como Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A encíclica foi louvada pelo secretário-geral da ONU, a FAO declarou que "nunca um papa falou tão directamente sobre o meio ambiente e com tanta credibilidade moral". Obama, que acaba de tomar medidas ecológicas históricas, citou o Papa, assegurando que a luta contra as mudanças climáticas "é uma obrigação moral". Neste contexto, a quatro meses da conferência sobre o clima que reunirá em Paris, em Dezembro, sob a égide da ONU, os seus 195 membros, na qual Francisco deposita grande esperança, François Hollande, num encontro em Paris de 40 personalidades políticas, religiosas e morais do mundo inteiro, declarou que é preciso chegar a acordo: "Não é uma questão de chefes de Estado ou de governo, mas de todos os habitantes do planeta." Prémios Nobel, reunidos em Constança, Alemanha, advertiram para as mudanças climáticas: se nada for feito, caminhamos para "uma ampla tragédia humana".

6. Por causa das suas posições a favor dos pobres e contra um sistema económico e financeiro que mata, conservadores americanos há que acusam Francisco de esquerdista, com concepções marxistas. O que ele não é. Neste contexto, The Washington Post, 1 de Agosto, escreveu que "não se pode entender o Papa sem Perón e Evita". Influenciado pelo peronismo na juventude, Francisco rejeita tanto o marxismo como o capitalismo selvagem, sem regras. O jornal cita o jesuíta Juan C. Scannone, seu antigo professor: é a favor de uma "teologia do povo", "não critica a economia de mercado, mas a fetichização do dinheiro e do livre mercado. Uma coisa é a economia de mercado e outra a hegemonia do capital sobre o povo".



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Sábado, 15 de Agosto de 2015
BOM SÁBADO, BOAS EITURAS

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Sábado, 8 de Agosto de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe Anselmo Borges

In DN
VOZ POLÍTICO-MORAL (1)

A descrição do Papa como um super-homem, como uma estrela, é ofensiva para mim. O Papa é um homem que ri, chora, dorme tranquilamente, e tem amigos, como as outras pessoas." Quem isto diz é o Papa Francisco, dessacralizando o papado, citado por R. Draper num artigo na National Geographic deste mês, com o título provocador: "O Papa vai mudar o Vaticano? Ou o Vaticano vai mudar o Papa?" À partida, digo que estou convicto de que é o Papa que vai mudar o Vaticano. Seria péssimo para a Igreja e para o mundo se fosse ao contrário. Ele sabe que ninguém é perfeito: "Existimos apenas nós, pecadores." Mas também sabe que "Deus não tem medo de coisas novas! É por isso que nos surpreende continuamente, abrindo-nos o coração e guiando-nos por caminhos inesperados."

Logo a seguir à eleição, disse a alguns amigos: "Preciso de começar a fazer mudanças imediatamente." E o que é facto é que elas estão aí. Concretamente, para a reforma urgente da Cúria, rodeou-se de nove cardeais de todo o mundo. Para a pedofilia, tolerância zero. As finanças do Vaticano devem ser presididas pela transparência. A sua simplicidade é por todos enaltecida. A sua bondade, inexcedível. Os seus gestos - o automóvel utilitário, o sorriso franco, os abraços ternos, os seus inesperados telefonemas a este e àquela, a visita a prisões e lavar os pés a mulheres, incluindo uma muçulmana, fornecer duche, barbeiro e um kit de higiene aos sem-abrigo, a nomeação da maioria de cardeais de fora da Europa, visitas certeiras ao estrangeiro, a anteposição da graça e da misericórdia à lei e à doutrina - querem que se torne claro que o centro da Igreja é o ser humano, sempre frágil e necessitado de compreensão e ternura, e o Evangelho enquanto notícia boa e felicitante.

E outras reformas podem estar a caminho. Evidentemente, não mudará o essencial da doutrina. "Irá, isso sim", diz o padre franciscano, seu amigo argentino, R. de la Serna, "reconduzir a Igreja à sua verdadeira doutrina, a que ficou esquecida, a que repõe o ser humano no centro. Ao devolver a posição central ao ser humano que sofre, bem como à sua relação com Deus, as atitudes de aspereza face à homossexualidade, ao divórcio e outros temas assim começarão a mudar". Quanto ao fim da proibição da comunhão aos católicos divorciados e recasados, Juan Carlos Scannone, o amigo jesuíta, seu antigo professor, refere: "Ele disse-me: "Quero ouvir toda a gente." Ele vai esperar pelo Sínodo de Outubro e vai ouvir toda a gente, mas está definitivamente aberto a uma mudança." O pastor e professor universitário N. Saracco falou com Francisco sobre a lei do celibato obrigatório dos padres. "Se ele conseguir sobreviver às pressões da Igreja hoje e aos resultados do Sínodo sobre a família, acho que estará em condições para falar sobre o celibato", afirma. Perguntado pelo jornalista se se trata apenas de uma intuição, Saracco tem "um sorriso maroto" e diz: "É mais do que intuição."

Já como estudante, Francisco revelou, nas palavras de Scannone, um "elevado discernimento espiritual e capacidade política". Agora, quer operar uma revolução na Igreja, sabendo ao mesmo tempo que tem responsabilidades mundiais, e, de facto, tornou-se uma voz político-moral global. Hoje e no próximo Sábado, darei exemplos significativos dessa influência mundial.

1. Fez questão de a sua primeira visita ser a Lampedusa. E aí ficou um apelo dramático, repetido no Parlamento Europeu: o Mediterrâneo não pode converter-se num "cemitério", com tragédias que se sucedem quase diariamente.

Neste momento, o medo maior dos europeus tem a ver com as migrações. Para lá da condenação da insensatez das guerras no Iraque e na Líbia e do apelo ao humanismo e à solidariedade, pergunta essencial é se a Europa não tem obrigação de contribuir urgentemente para o desenvolvimento da África, estancando a tragédia na sua raiz. Mas, por outro lado, também se pergunta se os africanos não têm de ouvir os apelos que nomeadamente Obama lhes deixou na sua recente visita ao seu continente. Denunciou "o cancro da corrupção", com desvios de milhares de milhões de dólares, que deviam ser usados para o desenvolvimento dos povos. Apelou à democracia e ao fim de conflitos violentos intermináveis. "Ninguém devia ser presidente para a vida": "Não percebo porque é que as pessoas querem ficar tanto tempo no poder, especialmente quando têm muito dinheiro." Atirou contra a homofobia e a opressão da mulher: "África são as belas e talentosas filhas, tão capazes como os filhos de África."

2. Neste contexto, Francisco conhece o poder de Putin e quer boas relações. Aliás, um dos seus sonhos é visitar Moscovo. O seu "ministro" dos Negócios Estrangeiros, arcebispo R. Gallagher, declarou há dias: "A Federação Russa pode ter um papel na estabilização do Mediterrâneo, igual ao que teve na obtenção de um acordo sobre o programa nuclear iraniano."

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico



publicado por animo às 00:32
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2015
PORTO . ENQUANTO SE ESTÁ Á ESPERA DE UM SINAL....

 



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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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LIVROS PARA FÉRIAS
Frei Bento Domingues

In Público
28 Julho

1. Durante vários anos, ao interromper estas crónicas durante o mês de Agosto, costumava destacar alguns livros para férias. Dizem-me que já não vale a pena. Hoje, quem não for velho e desajeitado como eu, dispõe dos livros que quiser nos seus iPhones ou iPads, ligados a uma nuvem, limpa, vadia e sempre disponível.

Acerca das férias, a Igreja distribuiu, na Missa do passado Domingo, um texto curioso, tirado do Evangelho de S. Marcos. Por razões óbvias, Jesus de Nazaré resolveu partir para férias com os discípulos: ”vinde para um lugar deserto e descansai um pouco sozinhos. Com efeito, os que chegavam e os que partiam eram tantos, que não tinham tempo nem para comer” [1].  

Fugiram de barco, mas não adiantou nada. Tinham sido vistos. Quando desembarcaram, Jesus deparou com uma multidão que o procurava e, diz o texto, ficou cheio de compaixão, eram como ovelhas sem pastor. Como poderia ele ficar indiferente perante aqueles que andavam “cansados e oprimidos” [2]?

“Começou logo a ensinar-lhes muitas coisas”. Entusiasmaram-se e perderam a noção do tempo. Os discípulos, sempre desconfiados das estravagâncias do Mestre, foram-lhe dizer já era muito tarde e que despedisse aquela gente para que pudesse ir aos campos e às aldeias mais próximas arranjar algo para comer.

Resposta pronta de Jesus: “Dai-lhes vós de comer”. Fizeram contas e não havia dinheiro para ir comprar pão para aquela multidão! Jesus insiste: ide ver quantos pães tendes. Tinham cinco e dois peixes!

 Foram para um lugar relvado, sentaram-se no chão, em grupos de cem e cinquenta pessoas. Jesus pegou naqueles cinco pães e dois peixes e, de olhos no céu, proferiu uma bênção, partiu os pães e deu-os aos discípulos para os distribuírem. Comeram todos quanto quiseram e ainda sobraram doze cestos de pedaços de pão e de peixes.

2. Depois de uma leitura destas, o padre corre o risco de ficar a gaguejar uma homilia inconsequente, pois o Mestre não deixou nenhum manual de instruções para quando fosse preciso outra intervenção de emergência.

Nos Evangelhos, o milagre não é uma solução. É apenas um sinal contra a resignação e o fatalismo, um apelo à imaginação criadora que não dispensa os caminhos das ciências e da inovação técnica. Situa-se na linguagem da mobilização para um objectivo que parece impossível de alcançar. Não se trata de algo exclusivo da religião. A recusa de um presente insustentável e a luta por um futuro que parece irrealizável é a mola da consciência humana, quando não se deixa anestesiar pelo conformismo da propaganda.

Isto é só meia verdade ou uma escapatória à dificuldade na leitura do texto. Se fosse assim, não haveria razão nenhuma para lhe dar tanto espaço. Mas não será da própria essência do Evangelho o sentido da partilha, da solidariedade, do dom? Enquanto houver pessoas que se comovem com a alegria e a tristeza que as rodeiam - que nos rodeiam – não podemos desesperar. Há salvação.

Eduardo Vera-Cruz Pinto, no seu recente manifesto sobre o futuro da Justiça em Portugal, não se perde em reformas no sistema existente. Aposta num processo radical de mudança das estruturas e do modelo institucional vigente [3].

Recomendo este contributo para um debate imprescindível na sociedade portuguesa. Vale para as férias e para depois das férias. Este género de “milagres” exige uma profunda conversão ao primado incontornável das pessoas concretas e do bem comum: “A construção política de uma comunidade de pessoas implica um combate eficaz à pobreza e esse combate passa pela luta por uma sociedade mais igual e mais justa, isto é, por uma sociedade que combata as causas da pobreza. Esse combate precisa de um sistema de justiça diferente daquele que temos hoje”.

“O sistema em que vivemos produziu estas leis, estas ideias dirigentes, estas ofensas à pessoa. Veja-se por exemplo, que o Direito considera o trabalho uma dimensão essencial da personalidade da pessoa humana. Mas o sistema político vigente e aceite, obediente à troika e submetido a banqueiros e a jornalistas, criou biliões de desempregados, tratando-os como “mercadoria descartável”.

3. A linguagem do Papa Francisco vai-se difundindo. No entanto, dentro e fora da Igreja, ainda há muitos obstáculos a vencer, por inércia, por indiferença, por oposição declarada e, sobretudo, disfarçada. Daí que a grande leitura de férias poderá ser a meditação d’ A Alegria do Evangelho(EG)  e do Louvado Sejas (Laudato Si), que o Papa Francisco nos ofereceu.

 



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Domingo, 2 de Agosto de 2015
MAJESTOSA....DESOLAÇÃO

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Vir ao Porto, num domingo, e ver o Majestic fechado é como ir a Roma e não ver o Papa....



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