Domingo, 25 de Outubro de 2015
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Sínodo das Famílias ou dos Bispos? (2)

A desconstrução e a reconstrução atingem também a paternidade e a maternidade.

 

1. Perguntaram-me, com razão, na sequência do texto do Domingo passado: O Sínodo das Famílias até pode ser uma boa ideia, mas que se entende, hoje, por Família?

O documento de trabalho para a preparação do Sínodo (2014) apresentou as situações inéditas que teriam estilhaçado, nas últimas décadas, a significação mais óbvia de família ou assim considerada.

O texto de O. Bonnewijn, reprodução de uma sua conferência em Cracóvia, tenta descrever e avaliar as chamadas famílias pós-modernas [1].

Estas seriam o resultado de uma desconstrução crítica e de uma reconstrução livre, com as peças desconjuntadas das concepções tradicionais dos agregados familiares.

Como é que isso foi acontecendo? Procurando, por um lado, reinventar - ao sabor e à medida de projectos individuais e sociais - a constituição e a articulação de laços, papéis, sexos e gerações; por outro, promovendo, ao máximo, os valores de autonomia criativa e optando - no sentido ultraliberal do termo – pelo desenvolvimento pessoal, pela qualidade relacional, pelo desabrochamento afectivo e sexual.

Ao concretizar um modelo igualitário, democrático e contratual, as famílias pós-modernas julgam estar a realizar uma revolução antropológica e cultural, fruto de um progresso decisivo e irreversível da humanidade.

Nesta perspectiva, as novas concepções seriam o dobrar dos sinos das famílias-clã pré-modernas, isto é, um sistema patriarcal de tendência holística, sem espaço privado, cuidando apenas em transmitir a vida e o património.

O dobrar dos sinos recai também sobre as famílias nucleares modernas, pelo menos na sua forma conservadora: um homem entregue à produção, unido a uma mulher destinada à reprodução e às tarefas domésticas. Este modelo sócio-cultural estaria fundado sobre a desigualdade dos parceiros e dos seus respectivos papéis, sobre uma definição naturalista dos sexos e num certo machismo hétero-sexista, sobre valores do dever, do sacrifício e da rentabilidade industrial. Esse tipo de família, fabricado pela burguesia, teria sido sacralizado pela Igreja e difundido como um ideal nas classes trabalhadoras.

2. Estamos, agora, perante modalidades radicalmente novas de agregação familiar, assim caracterizadas: modalidade heterossexual, recomposta ou não: um homem e uma mulher vivendo em conjunto sem compromisso civil ou religioso, com ou sem filhos; modalidade homossexual, declarada homo-parental, em caso de parentalidade; modalidade celibatária, declarada monoparental, em caso de parentalidade; modalidade de casamento institucional, hétero ou homo, aconteça ou não depois de um divórcio e o que mais possa vir a acontecer.

A desconstrução e a reconstrução atingem também a paternidade e a maternidade. Com ou sem a ajuda da biotecnologia dá para haver várias “mães” e vários “pais” (ou nenhuns) da mesma criança. Introduzindo uma separação entre o biológico e o social construído, as famílias podem figurar como puros produtos culturais. A família fundada sobre a diferença dos sexos e sobre a sucessão das gerações estaria ameaçada de marginalização.

O ideal de uma genealogia clara e coerente que permita à criança acolher, imaginar, pensar e configurar a sua própria filiação, respondendo a perguntas elementares, parece também marginalizado: quem é meu pai, quem é minha mãe, quem são meus avós, os meus tios e tias, os meus primos e primas?

Os filhos não pediram para nascer nem são consultados à nascença sobre o modelo cultural em que desejariam crescer, mas um dia vai ser preciso responder às suas perguntas. 

3. O Sínodo cristão das famílias ainda se torna mais urgente nesta paisagem em mudança. O amor humano (nas suas expressões eróticas, de amizade e de pura gratuidade) é mais forte do que a morte e foi interpretado na Bíblia, como parábola da Aliança indissolúvel de Deus com todos os seres humanos.

Quando duas pessoas convergem em desejar, por amor, fazer família e resolvem casar, naquele momento, formam um só desejo. Nesse desejo há uma vontade de que seja para sempre, uma continuidade no tempo. É uma promessa de constância. Vivemos de acreditar, de prometer, de esperar.

Esquece-se, porém, algo fundamental: a própria declaração de casamento é mútua, mas não é a dissolução de um no outro. Nenhum é anulado na sua irrepetível originalidade. São duas fragilidades a convergir numa só fragilidade, numa só “carne”. Não é o casamento de duas divindades imutáveis, alheias ao devir, ao tempo, às vicissitudes da vida, ao imprevisível.

O amor de Deus por nós é indissolúvel em todas as situações. O amor humano, dos seres humanos, precisa de sabedoria e de prudência para ser fiel a si mesmo. É tarefa diária para toda a vida e tem de ser do casal.

Quando se pergunta o que pode a Igreja fazer nas situações acima referidas, pensa-se logo: que poderão fazer o Papa, os bispos, os cardeais, os monsenhores, os cónegos e os padres? Esquece-se o essencial: estes são Igreja na medida em que comungam com todos os baptizados. São serviços da Igreja, mas é o conjunto das famílias que pode evangelizar a família.

[1] O. Bonnewijn,Familles postmodernes, NRT 137 (2015) 587-596



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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Cisma e debandada na Igreja



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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Sínodo das Famílias ou dos Bispos? (1)

Não serão as famílias a poderem apontar caminhos possíveis para a felicidade familiar?

 

1. Há dias, um amigo dizia-me, com ar sentencioso: a vida de uma pessoa, comparada com a duração do mundo, não é apenas breve, é insignificante. Vós, os católicos, tendes a mania de negar a evidência, inventando a ideia de vida eterna quando, de facto, não passa de um fruto enganador da megalomania do desejo. Para não entrar numa discussão estéril, citei-lhe uma frase de Manuel da Fonseca, mais radical e evidente: isto de estar vivo, ainda vai acabar mal!

A conversa tinha começado pelos rumores em torno do Sínodo dos Bispos. Segundo este amigo, está a preparar-se a primeira grande derrota do Papa Francisco. O seu raciocínio era simples: os bispos de todo o mundo dispõem de um passado e do Direito Canónico que lhes oferece a ilusão - assim como à Cúria vaticana - de mandar no imaginário de uma realidade universal, com uma longa história de muitas configurações culturais e religiosas: a Família. Para eles, as normas contam mais do que a felicidade ou infelicidade das pessoas e dos casais. O Papa Francisco, pelo contrário, acordou para as exigências do humanismo cristão, mas não conseguiu acordar os outros bispos do sono dogmático.

Anselmo Borges fez muito bem em apresentar um artigo de J. M. Castillo que mostra e documenta que não existe nenhuma declaração dogmática que imponha a indissolubilidade absoluta do casamento [1]. Nestas crónicas, notifiquei, desde 1993, as posições que justificavam a possibilidade do acesso dos divorciados recasados à Eucaristia, assim como a discussão aberta em torno da indissolubilidade do Matrimónio que o Direito Canónico impôs [2].

Além disso, se a vida das pessoas é muito breve, a ética inter-geracional não pode pensar apenas em termos do tempo curto das pessoas, mas insistir no tempo longo: o mundo não começou agora nem vai acabar hoje. Não é saudável deixar para o futuro o que já é possível resolver. A espiritualidade do provisório, do pão nosso de cada dia, é parecida com o dito do poeta: não há caminho, o caminho faz-se caminhando. De qualquer modo, o Evangelho de Jesus Cristo segue a lei do alívio dos oprimidos, não a atitude farisaica que carrega os abatidos sempre com mais pesos.

2. Ao que parece, há agitações no Sínodo e fora do Sínodo, com ameaças de cismas, de cisões na Igreja e não sei que mais!

Parece-me que se está a esquecer algo de muito elementar: estamos perante o Sínodo dos Bispos sobre a Família, não do Sínodo das Famílias traçando orientações para a sua caminhada segundo as diferenças de continentes e culturas. Este virá a seguir. Agora estamos perante o Sínodo dos bispos celibatários, com responsabilidades inalienáveis na Igreja universal, confrontando pontos de vista antropológicos, cristológicos e pastorais para oferecerem um bom contributo para a felicidade das famílias. Não alimento sonhos delirantes nem visões apocalípticas sobre esta grande reunião.

Procurou-se esquecer o Vaticano II (1962-1965) que foi a grande revolução católica do séc. XX. Agora, estamos a colher as consequências desse vazio. Foram várias gerações que o não aprofundaram e que ouviram, a vários níveis, as vozes que apresentaram a sua memória como uma desgraça para a Igreja. Quando se julgava que estava enterrado para sempre, surge o Papa Francisco estragando esse cálculo.

Muitos queixam-se de que é no seio do clero mais novo que surgem os padres mais reacionários. Talvez. São, porém, facilmente cooptados pelos movimentos e grupos que desejam neutralizar o impacto Bergoglio, a nível interno da Igreja e da sociedade. São manipulados que tentam manipular.

3. Em vez de perder tempo com as atoardas sobre os possíveis cismas na Igreja, devido à livre discussão que o Papa Francisco introduziu na sua orientação pastoral, talvez fosse melhor começar a pensar e a desenhar o próprio Sínodo das Famílias, segundo os continentes geográficos e culturais, a partir das paróquias, dos movimentos, dos casais, de forma inclusiva, em termos de caminhada, mais ou menos longa, segundo os contextos. Os Bispos têm mensagens e orientações para as famílias, mas não serão as famílias que vivem experiências de êxitos e fracassos matrimoniais a poderem apontar caminhos possíveis para a felicidade familiar?



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MEMÓRIAS DA MEMÓRIA MARISA MATIAS NOS AAANIMADOS ALMOÇOS

memórias da memória

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MARISA MATIAS CANDIDATA A BELÉM
PASSOU NOS AANIMADOS ALMOÇOS TAMBÉM!

Com o anúncio, hoje, da candidatura de Marisa Matias à Presidençia da República, somam e seguem os candidatos que, por mero acaso, passaram ns AAAnimados almoços da ânimo/Associação 25 de Abril....
2
Ao tempo, conseguimos o feito de juntar à mesa os cabeças de lista às últimas eleições para o parlamento europeu.
Quem quiser rever esse AAA siga os links que se indicam:

http://animo.blogs.sapo.pt/marisa-matias-be-ou-escolhemos-a…
http://animo.blogs.sapo.pt/o-outro-lado-dos-aaa-a-reportage…
http://animo.blogs.sapo.pt/aaa-com-candidatos-parlamento-eu…

A reportagem fotográfica, como sempre, com a inconfundível assinatura de José Augusto.
Obrigado.

PS
A seguir: o AAAnimado Almoço com Paulo Morais.



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Sábado, 17 de Outubro de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe Anselmo Borges
In DN

Religião, política e saúde

O filósofo Immanuel Kant formulou as tarefas essenciais da filosofia nestas perguntas: "O que posso saber?", "O que devo fazer?", "O que é que me é permitido esperar?" Acrescentou, depois, que estas três perguntas remetem para e reduzem-se a esta quarta: "O que é o Homem?"

Significativamente, Kant escreve que à terceira pergunta responde a religião, melhor, ela é do domínio da religião, porque tem que ver com a esperança da salvação, da felicidade, do sentido último. Deus é um postulado da razão prática, isto é, exige-se moralmente que Deus exista, para dar-se a harmonia entre o dever cumprido e a felicidade. A natureza não faz isso, só Deus.

Ora, até numa primeira aproximação linguística, salvação e, consequentemente, religião estão em conexão com saúde. Em latim, salus, salutis significa salvação e saúde, com a raiz "sol-", em salvus, que significa inteiro, intacto, são, são e salvo, remetendo para um conceito holístico de saúde, integrando múltiplas dimensões do humano, também a ligação ao transcendente. Veja-se, por exemplo, saudar, que deve provir de salutem dare, desejar saúde, mas de tal maneira que de quem, zangado com outro, não o saúda, se diz que lhe nega a salvação. Isso vê-se também no inglês e no alemão: holy (santo), health (saúde), heilen (curar) e heilig (santo), sempre em conexão com the whole, a totalidade harmónica e íntegra.

Esta ligação da religião com a saúde, intuída até linguisticamente, é cada vez mais estudada e confirmada, em sentido positivo, através de estudos de vária ordem. Assim, Mario Beauregard, investigador de neurociências na Universidade de Montreal, escreve que há cada vez mais provas de que as experiências religiosas, espirituais e/ou místicas "estão associadas a melhor saúde física e mental". Na sua obra The Spiritual Brain, Beauregard cita 158 estudos médicos sobre o efeito da religião na saúde, concluindo que 77% fazem menção de um efeito clínico positivo. No seu livro How God Changes Your Brain, o neurologista Andrew Newberg mostra, através da ressonância magnética nuclear funcional, que a meditação e a oração intensas alteram a massa cinzenta, reforçando as zonas que concentram a mente e alimentam a compaixão; também acalmam o medo e a ira.

O neurocientista Miguel Castelo--Branco escreve no livro que coordenei, Deus ainda Tem Futuro?, que "a experiência espiritual é benéfica para a saúde humana" e cita estudos que concluíram que pessoas que foram à igreja mais do que uma vez por semana "tinham uma esperança média de vida superior a dez anos relativamente às que não a frequentavam". Neste sentido, um estudo de investigadores da London School of Economics e do Centro Médico da Universidade Erasmus, na Holanda, que analisou 9000 europeus de 50 e mais anos, concluiu que a actividade religiosa desempenha um papel social muito importante para manter afastada a depressão e também como mecanismo de sobrevivência durante os períodos da doença na idade adulta, embora o estudo não diga quanto do benefício se deve a factores religiosos na fé num ser superior e quanto se deve ao sentido de pertença a um grupo; de qualquer forma, a religião é melhor para a saúde mental do que a pertença a clubes sociais ou de desporto, para não falar de organizações políticas: fazer parte de uma organização política tem efeitos prejudiciais na saúde mental. Nick Spencer, director de estudos no Theos, um think tank que pensa que se não entende o mundo moderno sem entender a religião, diz que a actividade religiosa tem uma dimensão de benefícios para a saúde para lá da pertença a um grupo: "A minha sensação é que a crença religiosa proporciona às pessoas um sentido de finalidade, sentido, identidade segura e segurança quanto ao seu destino final." Um estudo de 2011 de investigadores da Universidade de Harvard descobriu que a meditação melhora a memória e reduz o stress. Um estudo americano publicado na revista Cancer mostra que as crenças religiosas influenciam o bem-estar mental, social e físico dos doentes com cancro.

Evidentemente, é essencial a imagem de Deus na religião. Um Deus castigador, violento, vingativo, que tolhe a vida das pessoas, só pode ter uma influência negativa. Um estudo de síntese sobre o impacto da espiritualidade na saúde mental ("The impact of spirituality on mental health", em conexão com a Mental Health Foundation) conclui que há, de facto, provas de uma associação positiva entre a prática religiosa e níveis inferiores de depressão, bem como de que a fé num ser transcendente está associada à redução de sintomas depressivos. Mas as expressões de espiritualidade que ajudam são aquelas que promovem a importância de emoções como a esperança, o perdão, o sentido. Há expressões religiosas que podem ser prejudiciais: aquelas que levam a sentimentos de impotência, culpa, vergonha.



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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015
MEMÓRIAS DA MEMÓRIA . AAANIMADO ALMOÇO COM MARIA DE BELÉM

 

MEMÓRIAS DA MEMÓRIA

MARIA DE BELÉM NOS AAANIMADOS ALMOÇOS

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Foi uma convidada que muito nos honrou nos nossos então AAAnimados Almoços e que agora se lança numa outra corrida de maior fôlego....
Para além da estima pessoal que Maria de Belém sabe tenho por ela, só posso desejar-lhe êxitos nesta sua nova caminhada, embora, como aqui já deixei explicito, o meu apoio tenha sido dado DESDE A PRIMEIRA HORA, a António Nóvoa.
Obrigado, Maria de Belém, pela partilha então realizada.
Um beijo grande para si.

O AAA com MARIA DE BELÉM, nestes links:

http://animo.blogs.sapo.pt/2011/06/?page=4
http://animo.blogs.sapo.pt/453525.html

Reportagem fotográfica, como sempre, do imeu nexcedível amigo José Augusto.

antónio colaço



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Domingo, 11 de Outubro de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Uma profecia em acção

A Laudato Si desenvolve e integra a convicção de que tudo está estreitamente ligado no mundo.

 

1. Compreendo o desejo, manifestado por alguns leitores, de não terem encontrado na crónica do Domingo passado a transcrição integral dos referidos 10 princípios para um novo humanismo de J. Kristeva. Talvez não tenham reparado que deixei, em nota, a forma fácil de recorrer à sua tradução brasileira [i].

Estas crónicas nunca poderão superar o seu carácter fragmentário. A abordagem dos acontecimentos ou dos temas selecionados pretende apenas sugerir que é preciso pensar, questionar e debater se não quisermos ser vítimas dos arsenais mediáticos, mais ou menos sofisticados, vozes diversas do mesmo intuito de dominação. 

Para Kristeva, a refundação do humanismo não é nem um dogma providencial, nem um jogo de ideias. Confessa que se trata de uma aposta, isto é, da coragem de apostar na renovação contínua das capacidades dos homens e das mulheres, juntando crer e saber no “multi-universo”, cercado de vazio.

 Pertence ao novo humanismo  o cuidado amoroso do outro, o cuidado ecológico da Terra, a educação dos jovens, a assistência aos doentes, aos deficientes, aos idosos, aos fracos.

O novo humanismo não será um regulador do liberalismo. Ao contrário, será capaz de o transformar, sem inversões apocalípticas ou promessas de futuros gloriosos. Não cede nem ao delírio nem ao niilismo.

Por outro lado, não tem um discurso fechado, seja em relação ao passado, ao presente ou ao futuro. É uma aposta de trabalho, um caminho de abertura e participação na revolução antropológica em curso, carregada de promessas e ameaças. Ao juntar ousadia e humildade, criatividade e reavaliações permanentes torna-se a via da sabedoria. O poder de dominação é a droga e o veneno dos sonhos e projectos imperiais.

Por que razão, perguntava Rousseau, apenas o ser humano corre o risco de se tornar imbecil? Ele conhecia a resposta: pode cometer os maiores excessos, quer no mal quer no bem, por que não é guiado apenas pelo determinismo da Natureza. Custa-lhe, por outro lado, tomar consciência da sua finitude, do tempo que passa e da morte que o espreita. Tanto o culto de uma religião alienante, como a rendição à pura imanência, não respeitam a complexidade da condição humana. 

2. Malebranche dizia que entre todas as ciências humanas, a do homem é a mais digna dele, mas não é nem a mais cultivada nem a mais desenvolvida. Kant, o grande filósofo da modernidade, assinalou, com agudeza, a tarefa de uma antropologia filosófica que deve responder a quatro questões: 1.ª, que posso eu conhecer? 2.ª, que devo eu fazer? 3.ª, que me é permitido esperar? e 4.ª, o que é o homem?

À primeira pergunta, corresponde a metafísica, a moral à segunda, a religião à terceira, à quarta corresponde a antropologia. Acrescenta: todas estas disciplinas podem ser reconduzidas à antropologia, pois as três primeiras desaguam na última.

Kant nunca chegou a escrever essa obra. Como diz Martin Buber, embora tivesse nos seus escritos um conjunto de preciosas observações sobre o conhecimento do homem, não abordou nenhum dos problemas que a antropologia implica: o lugar especial do homem no cosmos, a sua relação com o destino e com o mundo das coisas, a compreensão dos seus semelhantes, a sua existência como a de quem sabe que há-de morrer, a sua atitude em todos os encontros, correntes e extraordinários, perante o mistério.

Podemos, hoje, lamentar a linguagem machista destes filósofos. Nunca poderiam ter convivido com os movimentos feministas. A questão de fundo era outra: a diversidade sexual não era importante para a antropologia filosófica corrente. Entretanto, muita água correu sob as pontes e a transformação e a diversificação das ciências antropológicas mudaram completamente o panorama. J. Kristeva pode agora escrever: O humanismo é um feminismo

3. A proposta do Papa Francisco assume muito bem esta aposta assim como a de muitos outros cientistas, pensadores e activistas sociais. A Laudato Si desenvolve e integra a convicção de que tudo está estreitamente ligado no mundo. A visão holística fica integrada no pensamento social da Igreja. Esta perspectiva responsabiliza a política local e internacional pela casa comum, nosso bem-comum. Tudo isso será bem acolhido pelos crentes e não crentes que procuram uma orientação de responsabilidade inter-geracional para todas as dimensões da vida humana. A originalidade do Papa Francisco não consiste apenas em apresentar uma proposta que tem tido uma repercussão absolutamente extraordinária, apesar de todas as resistências encontradas, dentro e fora da Igreja. O que ele tem feito é ajudar a ver que nada pode ser resolvido se não encararmos o mundo a partir dos excluídos, seja qual for o género de exclusão. Mas mesmo isso podia ser apenas um enunciado doutrinal. O que ele faz é uma convocatória universal. Mas uma convocatória é sempre para os outros. Ele tornou-se, pela sua prática de vida pessoal e pastoral, uma convocatória. É possível ser e viver de outra maneira. Ele é uma profecia em acção.

[i] http://www.ihu.unisinos.br/noticias/502342-um-novo-humanismo-em-dez-principios-artigo-de-julia-kristeva



publicado por animo às 14:44
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Sábado, 10 de Outubro de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Casamento católico: indissolúvel?

por Anselmo Borges

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1. A família estável, no amor fiel e para sempre, é célula de base da sociedade e da Igreja, valor essencial pelo qual vale a pena bater-se, tanto mais quanto é o espaço ideal para ter filhos e educá-los, porque ali se junta o afecto e a autoridade. A desestruturação da família afunda a sociedade. Mas a vida é o que é. O próprio Papa Francisco, embora evitando a palavra divórcio, veio reconhecer que a separação pode ser "moralmente necessária". No caso da violência doméstica, por exemplo: "Quando se trata de proteger o cônjuge mais frágil ou as crianças das feridas mais graves causadas pela violência."

Há quem pretenda resolver o problema mediante a rapidez e a simplificação nos processos de nulidade. Excelente medida, e Francisco acaba de decretar nesse sentido. Mas não resolve tudo. Porque há casamentos válidos que, por culpa de um ou do outro, por culpa dos dois ou de nenhum, simplesmente fracassam. A realidade pessoal não é reificada, imóvel, mas dinâmica, processual: somos sempre nós, mas em mudança, e frágeis. Lá está sempre Pascal: "Ele já não é o mesmo, ela já não é a mesma; se fossem os mesmos, ainda se amariam." E se, depois, refizerem a vida no amor e resolveram de modo justo os problemas do casamento anterior e vivem na fé, na qual educam os filhos, devem ser excluídos da comunhão na Eucaristia? Já aqui explicitei suficientemente que não.

 

2. Mas há quem vá mais longe, de modo seriamente argumentado. O teólogo José María Castillo, que estudou o assunto durante anos, na companhia de outros teólogos, como pode ler-se na Civiltà Cattolica, dos jesuítas, dirime a questão nestas três afirmações: "O Papa pode admitir à Eucaristia os divorciados que voltam a casar-se"; "não é doutrina de fé que o casamento cristão seja indissolúvel"; "o divórcio era uma prática admitida na Igreja dos dez primeiros séculos".

Quanto ao casamento, é sabido que os cristãos, ao princípio, seguiam os condicionamentos e costumes do mundo ambiente, sublinha o teólogo, que vou seguir quase textualmente. Esta situação durou pelo menos até ao século IV. Durante os dez primeiros séculos, não estava generalizada a ideia de que o casamento fosse um sacramento. A teologia do casamento como sacramento foi sendo elaborada nos séculos XI e XII, o que aparece em Pedro Lombardo e no Decreto de Graciano, mas tanto Pedro Lombardo como Hugo de São Victor colocam o núcleo do casamento não no rito sacramental, mas na "união dos corações". Tudo isto explica a razão por que o papa Gregório II, em 726, respondeu a uma pergunta do bispo São Bonifácio sobre o que devia fazer o marido cuja mulher tinha caído doente e, por causa disso, não podia dar-lhe o débito conjugal: "Seria bom que tudo continuasse na mesma e se entregasse à abstinência. Mas como isto é de homens grandes, quem não se puder conter que volte a casar-se; mas não deixe de ajudar economicamente a que caiu doente e não ficou excluída por culpa detestável". Que o divórcio era prática admitida na Igreja dos dez primeiros séculos consta numa resposta do papa Inocêncio I a Probo. O que se passa é que durante este tempo a Igreja assumiu como seu o direito romano, que Santo Isidoro, no Concílio de Sevilha, no ano 619, proclamou como lex mundialis (lei mundial); ora, no direito romano, a dissolução do casamento era perfeitamente admitida. A doutrina do Concílio de Trento sobre esta questão não é dogma de fé: o cânone 7 foi redigido de modo moderado, considerando a Igreja Ortodoxa grega, que admitia o divórcio, coisa que o Concílio não quis condenar.

 

3. Outros teólogos, como José Arregi ou Hans Küng, vieram chamar a atenção para o Novo Testamento. Fosse qual fosse o ensinamento de Jesus, o Evangelho de São Mateus (5, 32) reconhece pelo menos uma excepção na proibição do divórcio: em caso de porneia (união ilegítima), seria legítimo divorciar-se e voltar a casar-se. E São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios (7, 15), com o chamado "privilégio paulino", também reconhece que, no caso de um casamento misto, se o não crente quiser separar-se, a parte crente fica livre para voltar a casar-se. No quadro desta lógica, o Papa Francisco, no seu recente motu proprio, apresenta como uma das causas de nulidade a falta de fé, como sugerira Bento XVI. Pergunto: e a falta de amor, quando o casamento se torna um inferno?



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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2015
MEMÓRIAS DA MEMÓRIA . O AAANIMADO ALMOÇO COM MARCELO REBELO DE SOUSA

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MEMÓRIAS DA MEMÓRIA
O AAANIMADO ALMOÇO COM O PROF MARCELO REBELO DE SOUSA

Uma vez mais o meu muito obrigado, para além da Direcção da Assoc 25 de Abril, na pessoa de Vasco Lourenço, ao meu querido amigo Cor José Augusto a alma gémea deste projecto e...GRANDE FOTÓGRAFO de serviço!!!
Obrigado, Zé!!!!...
Saudades.....
antónio colaço

http://animo.blogs.sapo.pt/419075.html



publicado por animo às 15:52
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015
RECONSTRUIR O PS?! ANTES REIVENTAR PORTUGAL

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RECONSTRUIR O PS?
ANTES, REIVENTAR PORTUGAL

Uma imagem de fim de tarde mas....que de madrugada poderia ser.
De desespero, de descrer.

...

Senhor, descido da madrugada poucochinha do Largo do Rato, eis-me aqui, como quem quer desaparecer para bem longe.

Com que gente, assim, nos faremos ao mar?!

Resta-nos Portugal por achar.
Um Portugal sem mar, mas com tanta terra e tanta gente para reinventar.....
2
Ou de como o verdadeiro lider que o PS e Portugal precisavam deveria ter surgido logo na noite do Altis para dizer, "estou aqui para recomeçar tudo de novo!CONFIEM em mim!"

Ou, de como tal não tendo acontecido, e depois de todos os tacticismos que se seguiram que tornaram cúmplices primas donas e militantes/simpatizantes mais desconhecidos, o PS, este PS, definitivamente, passou a ser o PPS Partido Poucochinho Socialista.

E...,mea culpa, somos todos gente poucochinha.

Aníbal e sus muchachos irrevogáveis agradecem.

Pobre Portugal Poucochinho.

antónio colaço



publicado por animo às 12:37
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Domingo, 4 de Outubro de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Papa Francisco, incarnação do novo humanismo

Por Frei Bento Domingues O.P.

In Público

O Papa Francisco incarna, no mundo de hoje, o humanismo libertador de Jesus Cristo.

  1. Julia Kristeva, de pais cristãos, nasceu na Bulgária, em 1941, onde frequentou a escola dominicana francesa. Depois de uma pós-graduação na Universidade de Sofia, aos 24 anos, foi para Paris.

Uma carreira brilhante fez dela uma professora de várias universidades e uma figura cultural multifacetada: filósofa, semióloga, psicanalista, romancista. Doutora honoris causa de Harvard e prémio internacional Holberg, equivalente ao Nobel para as ciências humanas apaixonou-se por uma espanhola do século XVI, Santa Teresa de Avila.

Que poderiam ter a dizer-se uma psicanalista e uma santa católica? A resposta surgiu num romance de 750 páginas [1]. Mais ainda do que um romance, dizem os críticos, é um tratado de vulcanologia sobre a alma de fogo da santa espanhola”.

Casada há 48 anos com Philippe Sollers, nesta época de mexericos sobre divórcios, ousou escrever uma narrativa autobiográfica: “Do casamento como uma das belas-artes” [2].

Para esta militante feminista, existe um humanismo cristão intenso, incompreendido e que a cultura europeia deve reinterpretar continuamente, se quiser sobreviver ao pensamento-cálculo. Pertence ao génio do cristianismo – quando é fiel à sua vocação - a capacidade de acolher e a arte de reciclar os contributos das culturas mais diversas.

Em vários cenários de diálogo entre crentes e não crentes, esta grande intelectual, sente a urgência de despertar os participantes para um novo humanismo, o humanismo do século XXI. Para Kristeva, a chamada era da suspeita já não é suficiente para enfrentar os desafios civilizacionais que estão a bater às portas da nossa época. Dispomos de todos os recursos para ver e prevenir o desastre, mas ao faltar um humanismo inclusivo, não sabemos para que servem tantos meios. O chamado desenvolvimento sustentável, sem a paixão por uma humanidade solidária que cuida da renovação da natureza como casa de todos, sucumbe perante a teia das máfias da ganância.

  1. Nas Jornadas de Assis (2011) J. Kristeva atreveu-se a formular dez princípios – não são dez mandamentos – para pensar as pontes que importa reconhecer e construir com todos os universos culturais do passado e da actualidade [3].

Na introdução à sua notável proposta, evocou a figura incontornável de S. Francisco, lembrando que ele não buscava tanto ser compreendido como compreender, nem ser amado como amar: despertou a espiritualidade das mulheres com a obra de Santa Clara, colocou a criança no coração da cultura europeia, ao recriar a festa de Natal. Antes de morrer, como verdadeiro humanista, ante litteram, enviou uma carta a todos os habitantes do mundo.

Na Divina Comédia, Dante Alighieri continuou a unir, em Cristo, o divino com o humano, desenhando, numa língua nova, o humanismo cristão. O divino e humano verdadeiros não são rivais. São aliados eternos.

Filho da cultura europeia, o humanismo é o encontro de diferenças culturais servido pela globalização e pela informação. O novo humanismo deve respeitar, traduzir e reavaliar as muitas variantes das necessidades de crer e dos desejos de saber, bebendo no património universal de todas as civilizações.

A história não pertence ao passado: a Bíblia, os Evangelhos, o Alcorão, o Rigveda, o Tao habitam o nosso presente. É utópico criar novos mitos colectivos, mas também não é suficiente reinterpretar os antigos. Cabe-nos reescrevê-los, repensá-los, revivê-los, dentro das linguagens da modernidade.

  1. É preciso desfazer os equívocos gerados em torno das palavras, humanismo e cristianismo, para compreender e participar no projecto admirável de Kristeva. Os fundamentalismos da crença religiosa e da crença ateia têm impedido religiosos e ateus de escutar as vozes da complexidade material e espiritual do mundo.

Para evitar as confusões, P. Ricoeur recusava a designação de filósofo cristão, para evitar qualquer suspeita acerca da autenticidade do seu método filosófico. Dizia-se um filósofo de expressão cristã, assim como existem cristãos de expressão pictória, como Rembrandt ou de expressão musical como Bach. Irritava-se quando lhe diziam: se você fosse chinês haveria poucas possibilidades de ser cristão. “Não estão a falar de mim, mas de um outro. Não posso escolher nem os meus antepassados nem os meus contemporâneos. Nasci e cresci na fé cristã de tradição reformada. Mantenho-me nessa tradição, confrontada indefinidamente, no plano de estudo, com todas as tradições, adversas ou compatíveis, através de uma escolha contínua”. Recusou a cristologia sacrificial que faz de Deus um monstro e do ser humano um escravo. Não pode fazer parte de nenhum humanismo. Compreendo todos esses cuidados.

 

 



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Sábado, 3 de Outubro de 2015
REFLEXÕES FÁCEIS DE UM CIDADÃO DIFÍCIL

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em dia de reflexão.....
REFLEXÕES FÁCEIS
DE UM CIDADÂO DIFÍCIL

-Aqui me tendes, Senhor D. Luiz Vaz!!!
-Reflecte bem, meu rapaz, reflecte bem,meu rapaz....
Foto: Constância. Monumento em memória de Luiz Vaz de Camões.



publicado por animo às 19:08
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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Ilumina-o ou elimina-o

por ANSELMO BORGES
DN
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1. O Papa Francisco terminou no domingo passado uma visita triunfal a Cuba, aos Estados Unidos e à ONU. E qualquer pessoa atenta pergunta que magnetismo tem este homem para arrastar multidões, os jovens o escutarem, os políticos prestarem atenção, também os não crentes ficarem atentos. O que move este homem de 78 anos, com pulmão e meio, sofrendo de ciática e problemas num joelho, e que em oito dias correu cidades, presidiu a um sem-número de celebrações, encontrou grupos tão diferentes, pronunciou 24 discursos, para todos teve uma palavra encantatória, sem procurar honra e glória para si, até porque sabe, como disse à rádio Renascença, que "Jesus também era muito popular e acabou como acabou"? Tornou-se o principal líder moral planetário. Porquê? Obama viu bem, quando o chamou "imperador da paz" e observou: "O senhor é o exemplo vivo dos ensinamentos de Jesus."

 

2. Dos ensinamentos e dos gestos: foi ao encontro daquele menino com paralisia cerebral e beijou-o; quis que viesse até ele aquela menina com uma carta a pedir intercessão pelos imigrantes sem-papéis; visitou 200 sem--abrigo: "Deus entrou neste mundo como alguém que não tem casa"; na Zona Zero de Nova Iorque: "Lutemos por ser profetas de construção, de reconciliação, de paz"; em Cuba e aos jovens imigrantes de Harlem: "É belo ter sonhos e poder lutar por eles. Não se esqueçam"; na Casa Branca: "Como filho de imigrantes, alegra-me estar neste país construído por imigrantes"; recebeu algumas vítimas de abusos sexuais do clero, assegurando que terminou a era do silêncio e do encobrimento e que chora como "Deus chora" e que os responsáveis pagarão pelos seus delitos; abraçou um preso na cadeia de Filadélfia e pediu o direito à reinserção: "É penoso constatar sistemas penitenciários que não procuram sarar chagas e gerar novas oportunidades"; quer mais participação dos leigos, nomeadamente das mulheres, na vida da Igreja; depois de anos de mal-estar com a Igreja oficial, encontrou-se com religiosas americanas: "Que seria da Igreja sem vós, mulheres fortes na primeira linha do Evangelho? Gosto tanto de vós!" No encerramento do Encontro Mundial das Família: "Deus quer que todos os seus filhos participem na festa do Evangelho." Fez questão de viajar num pequeno Fiat. Na base, está a sua convicção da igual dignidade de todos e da fraternidade universal.

 

3. E falou aos poderosos. Pediu a Cuba e aos Estados Unidos que sejam "exemplo de reconciliação" nesta "atmosfera de III Guerra Mundial que estamos a viver". Na Missa da Praça da Revolução, em Havana: "Nunca o serviço é ideológico, pois não se serve ideias, mas pessoas." "Quem não vive para servir não serve para viver." A Raúl Castro pediu "liberdade na dignidade".

No Capitólio, a 500 congressistas, muitas vezes aplaudido: "Uma nação é considerada grande quando defende a liberdade." E o seu discurso histórico acentuou os ideais de quatro americanos ilustres, "quatro pessoas, quatro sonhos: A. Lincoln, a liberdade; M. Luther King, uma liberdade que se vive na pluralidade e na não exclusão; Dorothy Day, a justiça social e os direitos das pessoas; Thomas Merton, a capacidade de diálogo e a abertura a Deus". É nosso dever defender a vida em todas as etapas do seu desenvolvimento. E isto também significa abolir a pena de morte, colocar esta pergunta: "Porque são vendidas as armas letais aos que pretendem infligir um sofrimento indizível aos indivíduos e à sociedade?" "Se é verdade que a política deve servir a pessoa humana, segue-se que não pode ser escrava da economia e das finanças." "Tratemos os outros com a mesma paixão e compaixão com que queremos ser tratados."

Nas Nações Unidas: "A sede egoísta e sem limites de poder e prosperidade material levam à má utilização dos recursos naturais e à exclusão dos fracos e desfavorecidos." Os "pilares do desenvolvimento integral": direito a tecto, trabalho, terra, liberdade religiosa, liberdade de educação. Insiste na defesa da vida, com todas as consequências: necessidade de "total proibição" das armas nucleares, luta contra o narcotráfico, também contra o comércio de órgãos, a exploração sexual, trabalho escravo, terrorismo e crime internacional organizado. Pede a reforma do Conselho de Segurança e dos organismos financeiros internacionais, que "devem velar pelo desenvolvimento sustentável dos países".

 

4. Francisco também tem adversários e até inimigos. Porque grandes interesses se sentem abalados. Políticos há que o consideram "o homem mais perigoso do planeta". Os mais refractários, porém, talvez estejam na Igreja. E aí está o confronto explícito, mas o pior é a luta sub-reptícia, mesquinha e odienta, escondida cobardemente no anonimato. Não faltarão os que vão dizendo lá no íntimo: "Senhor, ilumina-o ou elimina-o." As próximas três semanas do Sínodo, que amanhã começa em Roma, serão das mais difíceis para Francisco. Ele sempre pede: "Por favor, rezem por mim." Ele sabe porquê.

COMENTÁRIO
OBRIGADO, PADRE ANSELMO, POR AJUDAR A MULTIPLICAR A RFLEXÃO DE FRANCISCO.
Em "dia de reflexão" que melhor contributo?!
antónio colaço



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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2015
DIA INTERNACIONAL DA PESSOA IDOSA E DIA MUNDIAL DA MÚSICA

projecto "JUNTO DE SI" comemora
DIA MUNDIAL DA PESSOA IDOSA
JOVENS DA EPM RECEBEM OS  MAIS IDOSOS

Foi, acima de tudo, uma tarde de autêntico diálogo de gerações aquela que se viveu hoje na EPM comemorando o DIA MUNDIAL DA PESSOA IDOSA por iniciativa do Projecto Junto de Si....
Com a presença de autarcas, desde logo, do presidente da Câmara Municipal de Montijo, engº Nuno Canta e do presidente da AFPDM, professor João Martins e do orador convidado, Dr.João Rodrigues, mas também de muitos idosos da Academia Senior de Pegões e de muitos formandos da EPM.
Depois da inauguração de uma exposição dos diversos trabalhos artísticos da Academia teve lugar no Auditório uma palestra sob o tema "O estigma do envelhecimento".
Porque hoje se comemorou também o Dia Mundial da Música, esta sessão terminou com a actuação de alunos do CRAM.

Fica a ideia, patente, aliás, na reportagem que realizámos, de que este convívio intergeracional aproveitou a ambas as partes, desde logo, aos mais idosos, porque saíram de suas casas para conviverem e aos mais jovens para perceberem, como diria o professor João Martins, de que a EPM tudo fará para ser um espaço onde, para além das competências profissionais, interessa, e de que maneira, que os seus formandos nunca percam de vista as a "aquisição de competências pessoais".
 antónio colaço

(In Página FB da Afpdm/EPM)

 



publicado por animo às 10:10
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