Terça-feira, 31 de Maio de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Frei Bento Domingues
In Publico 29 Maio

 

 

MAIS TE ENCONTRO, MAIS TE PROCURO AINDA

1. Ó Deus, Trindade Santa,/ ó luz mais radiosa que toda a luz,/ fogo mais ardente que todo o fogo,/ Tu és um oceano, a paz,/ Tu és um mar sem fundo,/ mais eu mergulho, mais eu me afundo,/ mais eu Te encontro, mais eu Te procuro ainda./ Sede que Tu saciaste no deserto um dia,/ para sempre ficar com sede de Ti.[1

Esta oração é um poema. Não precisa de comentários. Traz consigo a sua própria inteligibilidade simbólica. Pode exigir uma iniciação, mas nunca a sua substituição.

Tentei, desde muito cedo, inscrever-me numa corrente de pensamento teológico que pratica a modéstia subversiva como atitude básica da inteligência da fé. Estou a referir-me a S. Tomás de Aquino que, em poucos anos de vida – morreu aos 49 anos – produziu uma obra monumental de análise filosófica, de exegese bíblica, de selecção patrística, sempre em confronto aberto e criativo com as várias correntes do seu tempo, de horizontes culturais e religiosos muito diferentes. Ditou um impressionante e rigoroso guião para principiantes na investigação teológica, para que não se perdessem na floresta de opiniões para todos os gostos[2]. Procurou abrir novos caminhos, na escola de Alberto Magno. Mas os pseudo discípulos viram nesse guião um repouso, uma preguiça, um substituto de constantes interrogações. Como escreveu Umberto Eco, fizeram de um incendiário, um bombeiro. Um pensador subversivo e condenado foi promovido a padroeiro de uma ignorante ortodoxia.

Para S. Tomás – que também era um grande poeta - a teologia não é um produto intelectual como a geometria. Pressupõe uma inteligência afectiva, de conaturalidade espiritual. Essa conaturalidade, paradoxalmente, não dispensa, pelo contrário, exige o estudo aturado, bebido nas mais diversas fontes, pois a graça não substitui nem diminui a natureza.

Nunca se esqueceu de unir duas atitudes que, aparentemente, parecem excluir-se: a razão argumentativa e o pensamento simbólico, a teologia afirmativa e a teologia negativa, cuidando que o ridículo não fosse apresentado como defesa ou apologia da fé. O nosso modo de dizer Deus é sempre abissalmente inadequado.

Este cuidado é a alma da sua teologia. No entanto, para viver e pensar a fé cristã, no século XXI, não dispomos de nenhuma receita. Encontramo-nos polarizados por aceleradas mudanças em todos os domínios. Como se costuma dizer, teremos de encontrar o caminho, caminhando [3].

2. A liturgia dá que pensar se assumir a sabedoria inscrita na prática simbólica e ritual. O exercício do pensamento simbólico assume a presença e a distância. No Domingo passado, foi celebrada a SS Trindade. A festa do Corpo de Deus deixou este Domingo porque conquistou o seu feriado.

Como o Pentecostes não é uma clausura, mas a entrada numa criatividade sem fronteiras, as duas festas referidas nasceram para tentar entender, em novos contextos culturais, palavras e gestos simbólicos de Jesus que suscitaram vivas controvérsias.

Fora da linguagem do pensamento simbólico, tanto a celebração da SS. Trindade como a do Corpo de Deus, oscilam entre banalidades e subtilezas pseudo filosóficas. Digo isto, porque me lembro da confusão que me faziam na catequese, as explicações da Trindade à base do trevo e de uma palavra feminina para dizer três masculinos. Mas era lindo rezar três vezes ao dia, ao toque do sino, o toque das Trindades: de manhã; ao meio dia e ao escurecer. Tudo parava para santificar o dia, o trabalho e o repouso.

Na vida adulta delirava com as anedotas que se contavam desse mistério. Descobri místicos trinitários, teologias muito subtis, disputas conciliares e a loucura da separação das Igrejas do Oriente e do Ocidente mediante a arma ridícula do anátema recíproco sustentado por uma série de banalidades, incluindo as da formulação trinitária.

3. Apesar de todas estas polémicas, existia como não existindo. O teólogo K. Rahner escreveu que se o dogma trinitário fosse eliminado como falso, a maior parte da literatura religiosa poderia permanecer quase inalterável. Goethe não encontrava na fé trinitária a mais pequena ajuda. I. Kant escreveu algo que já evoquei nestas crónicas: “tomada em sentido literal, a doutrina da Trindade, mesmo se se julgasse compreendê-la, é totalmente inútil em termos práticos e, menos ainda, ao reconhecer que ultrapassa totalmente os nossos conceitos”. Leonardo Boff reagiu a essa posição. Durante o ano de silêncio imposto, escreveu uma obra que tentava mostrar a Trindade como a melhor comunidade. P. Blanquart via na expressão trinitária da fé virtualidades democráticas: todas as pessoas são iguais e diferentes, todas activas sem subordinação, todas autónomas e todas em relação.

Essas tentativas valem o que valem. A teologia é uma vigilância da linguagem para não ceder à ilusão de meter Deus dentro dos nossos conceitos, transformando-O num ídolo. A teologia negativa favorece o humor e a ironia ao criar a boa distância e a boa proximidade.

[1] Oração de Santa Catarina de Sena

[1] Cf.Summa Theologiae,I parte; q.1,a.6,8, 9; q.3,prol. ; q.12; q.13;q.32; q. 46 a. 2

[1] Cf Jacques le Goff, Em busca da Idade Média, Teorema, 2003, pag.90-91; Juan A. Estrada, 



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Sábado, 28 de Maio de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe.Anselmo Borges
In DN

EUCARISTIA:A REVOLUÇÃO

1. Um bispo, pessoa inteligente e estimável, perguntou-me: "O que é que se responde a uma criança de 12 anos que, depois de uma procissão do Santíssimo, me veio dizer: "Tu não levavas Cristo, pois não? Tu não podias com ele!..."" Respondi-lhe: "Olhe, senhor bispo, o que é que se deve responder exactamente não sei. Sei é que se não deve ensinar o que, depois, leva até uma criança a fazer observações dessas." Tudo por causa da Eucaristia e da presença real de Cristo.

Jesus, na iminência da condenação à morte, ofereceu uma ceia, a Última Ceia. Nela, abençoando o pão e o vinho, que significam a entrega da sua pessoa por amor a todos, disse: "Fazei isto em memória de mim." Os primeiros cristãos reuniam-se e, recordando (recordar é uma palavra muito rica, pois significa voltar a passar pelo coração) essa Ceia, o que Jesus fez e é, celebravam um ágape, o "partir do pão", uma refeição festiva e fraterna em sua memória, abertos a um futuro novo de Vida. E aconteceu o que constituiu talvez a maior revolução do mundo: se algum senhor se tinha convertido à fé cristã, sentava-se agora à mesma mesa que os seus escravos, em fraternidade.

2. Mais tarde, também porque os cristãos eram acusados de não oferecerem sacrifícios à divindade, a Missa foi perdendo esse carácter de banquete festivo e fraterno e começou a ser concebida como sacrifício. Havia aí uma imolação e - ainda li isso num manual de Teologia - uma "mactatio mystica Christi" (matação mística de Cristo), discutindo-se se era real, moral, sacramental. Mas, desta transformação, resultaram tremendos equívocos.

3. Evidentemente, Jesus não fugiu, aceitou a morte de cruz e entregou-se a si mesmo a Deus, dando testemunho da Verdade e do Amor. Mas não à maneira de vítima sacrificial, para impetrar a misericórdia de Deus e aplacar a sua ira. Uma concepção cultual sacrificial contradiz a revelação essencial de Jesus: "Deus é amor incondicional." Portanto, não precisa de sacrifícios expiatórios.

Com esta concepção sacrificial, embora o Novo Testamento tenha evitado a palavra hiereus, apareceu o sacerdote que oferece o sacrifício. Com a celebração diária da Missa enquanto sacrifício, impôs-se a obrigação do celibato, pois o sacerdote está separado, à parte, e, tocando no Corpo do Senhor, não pode tocar a profanidade impura do corpo da mulher. Precisamente por esta razão, a mulher é excluída do sacerdócio, já que é naturalmente impura. Em parte, radica aqui a misoginia da Igreja, até com traços ridículos: disse um bispo: como é que a mulher, feita para ser mãe, poderia sacrificar o Filho de Deus?

Os sacerdotes acabavam por adquirir um poder divino: o de "trazer Cristo à Terra", realizando o milagre da transubstanciação do pão e do vinho. Se se casarem, são "reduzidos" ao estado laical, como se ser clérigo fosse um estado mais nobre dentro da Igreja. Nesta situação de "redução", haverá hoje mais de cem mil, que, noutro quadro de compreensão, poderiam prestar grandes serviços à Igreja e ao mundo.

A Eucaristia deixou, pois, de ser celebração festiva em que todos participavam activamente, para tornar-se um sacrifício objectivo autónomo, que o padre até podia celebrar sozinho e que oferecia pelas almas do purgatório e outras intenções. Era possível ir à Missa e não comungar, pois está-se lá, mas de fora, esquecendo que a celebração da memória de Jesus deve implicar uma real conversão ao seu projecto. E aí estão os católicos "não praticantes": foram baptizados, mas não vão à Missa. Pergunta-se: mas praticam a justiça e a fraternidade, aliviando a cruz de tantos?

E, depois, esta distorção: as "Missas oficiais", a que assistem agnósticos, ateus, indiferentes, patifes e ladrões sem arrependimento...

4. Os católicos acreditam na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia? A resposta é sim. Mas é preciso distinguir entre presença física e coisista e a presença real pessoal. Um homem e uma mulher, pela relação sexual, estão fisicamente presentes, mas, se não houver amor, estão realmente ausentes como pessoas. Também pode acontecer que tenham de estar fisicamente ausentes, mas, se houver amor, continua a presença real entre eles.

O filósofo Hegel viu bem o perigo desta coisificação: referindo-se à celebração da Eucaristia, escreveu que, segundo a representação católica, "a hóstia - essa coisa exterior, sensível, não espiritual - é, mediante a consagração, o Deus presente - Deus como coisa". Paradoxalmente, com a interpretação coisista da presença de Cristo, muitos cristãos, indo à Missa e não comungando, vêem-se libertos da urgência da conversão ao projecto de Jesus. Ora, precisamente nesta não conversão é que São Paulo via que "comemos o pão e bebemos o cálice do Senhor indignamente", tornando-nos "réus do corpo e do sangue do Senhor", isto é, culpados da sua morte: de facto, o que ele condena na comunidade de Corinto são as suas divisões e que, enquanto uns comem lautamente e se embebedam, outros passam fome.

COMENTÁRIO
MAIS UM CONTRIBUTO IMPERDÍVEL PARA LIMPAR AS MENTES DE UMA IGREJA CONSTRUÍDA A PARTIR DE FÓRMULAS TERRÍFICAMENTE CULPABILIZANTES, PECAMINOSAS, INFERNOSAS, PURGATORISTAS , numa palavra, desviantes do verdadeiro e inicial espírito do amor, da partilha, da BONDADE, numa palavra, do único mandamento que vale apena, AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI.
Obrigado, Pe Anselmo.
antónio colaço

 



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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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FIGURAS DE SANTIDADE

Agustina escreve o hino mais belo sobre a condição humana, que deveria figurar em todas as escolas do mundo.

 

 

1. A incerteza, sublinhada pelo Papa Francisco, acerca da sua vinda a Fátima, em 2017 - “Um momento, ainda não disse que vou, mas que gostaria de ir…” - não ajuda o apetecido desenvolvimento comercial da preparação de um evento marcante nos anais do Santuário mais rico do país. O investimento exige um quadro estável para os negócios. Fátima, com 55 hotéis disponíveis, não deixará os seus peregrinos sentir o que eram as agruras e privações de há cem anos 

O bispo de Leiria-Fátima está, no entanto, absolutamente convencido que o argentino virá, a menos que problemas com a saúde o impeçam [1].

Nesta vinda ainda não se fala de um programa para pôr a Igreja portuguesa a mexer, acusada, em alguns sectores, de estar muito parada e só reagir quando vê os seus interesses corporativos ameaçados. Como, porém, dispomos da imagem de Nossa Senhora a viajar pelo país e pelo mundo, compreende-se que os católicos lusitanos, no geral, não sofram de ansiedade com as propostas da nova evangelização. Esperam que a “debandada da juventude” se cure com a idade.

Oiro sobre azul seria que a presumível visita papal coincidisse com a canonização dos pastorinhos e a beatificação da Irmã Lúcia, embora haja outros casos bem colocados na fila de espera.

Quanto a canonizações, como a de Frei Bartolomeu dos Mártires parece garantida, não escondo que gostava muito que o Padre Américo, da Obra do Gaiato, viesse juntar-se a S. João de Deus. São duas figuras do catolicismo português que fizeram da fé uma vitória sobre a alienação religiosa e a exclusão social. Os meninos da rua encontraram no Padre Américo um caminho inédito para a alegria de viver. S. João de Deus, o louco de Montemor-o-Novo e de Granada, experimentou, ele próprio, no corpo e no espírito, o que não aceitou nos abandonados, nos pobres e nas vítimas de todas as doenças. Pelo que viveu, sofreu e criou é reconhecido como padroeiro dos hospitais, dos doentes e dos enfermeiros.

Estas são incarnações cristãs, em épocas diferentes, que abalam os muros ideológicos e pseudo religiosos das Igrejas. São pessoas que partem para as periferias mais assustadoras, sem medo de serem surpreendidas pelo bem ou pelo mal. Cada passo pode tornar-se uma oportunidade para encontrar a vida heroica e humilhada, entrelaçadas, onde menos se espera. Sabendo também que cada instituição, por mais santa que se diga, é sempre uma decepção.

2. Descobrir que a vida humana é “sem repetição, sem paralelo, sempre uma atribuição nova, uma concessão do divino, uma excepção em cada uma das suas formas, cânticos e ultrajes”, é uma graça inesperada. O romance, Os Incuráveis, de Agustina Bessa Luís, é uma das obras portuguesas de ficção que revela, aos solavancos, o mais sublime nas situações mais abjectas. Ao criar, na figura da miséria extrema, a existência digna de adoração, aponta para o verdadeiro modelo de vida que vale a pena canonizar, pelo menos segundo os critérios do Evangelho.

“ (…) Uma mendiga, a Perdiz, abusada de mil formas ao longo dos anos, arrastando-se de um lado ao outro da estrada sobre umas joelheiras de pneu, coçando as pústulas das pernas, que pareciam decepadas e à parte da sua existência, (…) é surpreendida pela voz de Maria .

- Ainda és viva, Perdiz?

- Já devia ter ido que não faz falta a ninguém, disse a vendedeira das castanhas,

- “Mulher! A vida é só dos ricos? A vida é de cada um, não é só dos que têm pernas para andar e pão para comer! “

A partir daí, Agustina escreve o hino mais belo sobre a condição humana, que deveria figurar em todas as escolas do mundo.

“ (…) eu te digo, princesa, dona de todas as riquezas, ó fabulosa, ó digna de todos os reinos da Atlântida e de Sabá – porque tu, manchada, viciosa, cuspida, és o sacrário da vida, és alta e magnificente como as sequoias, ou como o céu”.

3. Para Agustina, não vivemos apenas para cantar a beleza da santidade humilhada. A realidade responsabiliza-nos.

“ (…) Em vão pousamos as mãos sobre os olhos e ouvidos, e dizemos não assistir, não comparticipar, não sermos responsáveis de um simples cortejo fúnebre, dessa fisionomia carregada e alvar que o segue, não acompanharmos nem a sua frieza, nem a sua dor, nem a fealdade desse corpo mutilado, nem o rasto pimpão dessas botas negras e que reluzem. De facto, nós estamos lá; em consciência, até ao fim do mundo, recusando ou aceitando, negando três vezes como Pedro e chorando a nossa cobardia, pactuando com o nosso não e o nosso sim. Todos nos viram lá não há trevas, em todos os crimes, em todas as redenções nós somos cúmplices, e aliados, e irmãos. Eis que, tremendo, muitas vezes forjamos um Deus que nos substitua nessa tarefa sempre sem precedente que é estar vivo, contribuir com a nossa força, a nossa vontade. Mas, enquanto que o homem é toda a linha condutora do passado e só ele, apenas ele, Deus é o tempo anónimo que se converterá a nós” [2]. Deus nunca é desculpa! 


[1] Aura Miguel, Papa em Fátima para o ano. "Para nós, é uma certeza", 11.05.2016

[2] Cf. Maria Luiza Sarsfield Cabral, A dimensão religiosa na obra de Agustina Bessa Luís, in Frei Bento Domingues, Paulinas, 2012, pp 419-445

 



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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016
JORGE SAMPAIO cinco anos depois AS PESSOAS QUEREM É GANHAR DINHEIRO.JÁ NÃO HÁ A IDEIA DO SERVIÇO CÍVICO

 

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memórias da memória
CINCO ANOS DEPOIS RELEMBRAR
O AAANIMADO ALMOÇO COM JORGE SAMPAIO

Com imagem do meu querido amigo José Augusto, aqui ficam os links que lhe possibilitam subir ao Restaurante da Associação 25 de Abril e tentar perceber, cinco anos depois, como permancem actuais algumas das verdades adiantadas por Jorge Sampaio.
Quem sabe, em Belém, alguns dos meus amigos assessores possam tirar proveito para a "agenda louca" do Presidente Marcelo e...dar um jeitinho para ali recordarmos, um dia destes, o almoço que também tivemos com o então comentador professor Marcelo.
Sabemos da vontade do Senhor Presidente em poder aceder ao nosso convite.Esperemos que possa ser ainda.....antes das próximas Autárquicas!

Para aperitivo, esta mensagem do antigo Presidente da República:

"A humildade é uma característica que não estou a ver muito naqueles que ocupam lugares, seja na política seja na comunicação social, com excepção de gente de grande sabedoria nesses sectores.De qualquer forma, é preciso renovar métodos, renovar pessoas.É certo que a política também não é, agora, muito atractiva.Já não há a ideia do serviço cívico.As pessoas querem é ganhar dinheiro.Mas é o momento essencial para que essa reflexão se faça!"

http://animo.blogs.sapo.pt/442027.html
http://animo.blogs.sapo.pt/441797.html



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Sábado, 21 de Maio de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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UMA SOCIEDADE AMEAÇADA

Pe Anselmo Borges
In DN

 

1 A actual sociedade europeia de que fazemos parte tem, na expressão do filósofo E. Husserl, uma nova "forma de vida", isto é, um horizonte novo de vivência, sentido e autocompreensão, a partir de três princípios fundamentais.

Trata-se de uma sociedade à qual foi possibilitado imenso bem-estar, derivando daí novas possibilidades de auto-realização e também um feroz individualismo, que apenas reivindica direitos ignorando deveres.

Por outro lado, as novas tecnologias têm um impacto decisivo nas sociedades, e não só no plano socioeconómico: mudam as mentalidades. Por exemplo, estar ligado à rede, navegando, afecta a vivência de si e do mundo. A concepção de espaço é outra, muda sobretudo a vivência do tempo. Tudo é rápido, vertiginoso. Tem-se a sensação de estar ao mesmo tempo em toda a parte, mas num tempo fragmentado, que não faz tecido. No bombardeamento simultâneo de notícias e opiniões - toda a gente se pronuncia sobre tudo, sem hesitações nem perplexidades -, o que acontece é a dispersão labiríntica, que dificulta a construção de uma identidade narrativa consistente. Paradoxalmente, a ligação global produz solidões penosas. Há um sentimento de quase omnipotência, seguindo-se daí que tudo o que é tecnicamente possível se deve realizar, sem perguntas de outro foro, ético, humanista. A satisfação imediata e o facilitismo são outras características de uma sociedade líquida e mole, cujo deus é o dinheiro.

Desta forma de vida faz parte ainda a crítica religiosa, no sentido de um laicismo agressivo.

2 Julgo que é no horizonte desta nova forma de vida que se percebe melhor a fúria legislativa da actual Assembleia da República quanto às chamadas questões fracturantes e não só. Assim:

2.1 Entre as primeiras medidas, acabou-se com a taxa moderadora no aborto, o que é incompreensível se se pensar nas mulheres doentes que pagam.

2.2 Acaba de ser aprovada a lei que permite a gestação de substituição, vulgarmente conhecida por barrigas de aluguer. Pensou-se no que isso significa, por exemplo, que a criança que vai nascer é fruto da genética e da epigenética, portanto, que não é indiferente ser gestada neste ou naquele ventre? Há um contrato, e isso é humanizante? E se a gestante quiser a criança, pois, afinal, é seu filho, a quem está tão intimamente vinculada? E se no processo de gestação surge uma deficiência grave e ninguém a quer? As técnicas de procriação medicamente assistida passaram a ser acessíveis a todas as mulheres, mesmo sem problemas de infertilidade. Pergunta--se: uma criança é um simples bem disponível? Quem é o centro: o direito da mulher ou a criança?

2.3 Sobre a eutanásia, já aqui manifestei as minhas perplexidades. Existe a autonomia, e a vida é um bem, um direito, e não um fardo que pode tornar-se insuportável. Mas legislar, sem pensar, apressadamente, como parece agora ser regra - porquê? -, pode pôr em causa conquistas essenciais da humanidade. Veja-se o que aconteceu há pouco tempo na Holanda com uma jovem de 20 anos, a quem foi autorizada a eutanásia por causa do seu sofrimento na sequência de abusos sexuais. Quem não compreende o sofrimento atroz? Mas, afinal, estamos cá para facilitar a morte ou para ajudar a viver? E quem aplica a eutanásia, isto é, sem eufemismos, quem mata? De qualquer modo, eutanásia e suicídio assistido são realidades diferentes. Há um direito à eutanásia? Quem o satisfaz?

2.4 E os animais? Sim, quem trata mal os animais - mesmo na animalidade, é preciso distinguir, pois não é a mesma realidade uma pulga ou uma mosca e um cão ou um chimpanzé - agride a humanidade em si próprio e o seu dever de considerar o valor do animal. Mas há uma distinção essencial, qualitativa, e não meramente de grau, entre o ser humano, que é pessoa, e o animal, que não é coisa mas não é pessoa. Afinal, são as pessoas que colocam a questão da humanidade e da animalidade.

2.5 Esta sociedade não sabe conviver com as dificuldades, as frustrações normais, a finitude. Foi neste enquadramento que o Ministério da Educação acabou com os exames. Um erro!

2.6 Tudo o que aí fica é independente da religião. A ética é autónoma. A política também. Mas não há dúvida de que há hoje uma tentativa de "exculturação social da religião por parte de certa esquerda europeia". Quem o diz é J. Elzo, na sequência de um livro importante de um homem de esquerda, Jean Birnbaum: Un Silence Religieux - La Gauche face au Djihadisme, que conclui, continua J. Elzo, citando grandes pensadores, como W. Benjamin, J. Derrida, J. Habermas, R. Debray, Luc Ferry, Comte-Sponville, todos de esquerda e não crentes: "Nenhum deles considerou que o exercício da política moderna tinha como condição a superação e a relegação do religioso. Todos tinham consciência de que, para bem distinguir estes dois âmbitos, o melhor é dar espaço tanto a um como ao outro." Para evitar "o conflito social, tarde ou cedo", "muito sangrento".

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.



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Quarta-feira, 18 de Maio de 2016
MEMÓRIAS DE UMA FEIRA . NÓS E OS MEDIA 2

(In Página da AFPDM/EPM )

MEMÓRIAS DE UMA FEIRA - 2
NÓS E OS MEDIA

A AFPDM/EPM esteve presente na XXXIII Feira Nacional do Porco.Ao longo dos três dias do certame foram muitos aqueles que se deliciaram, entre outras, com as iguarias confeccinadas ao vivo pelos formandos do Curso Técnico de Restauração Cozinha e Pastelaria.
De entre elas, como vamos poder ver e ouvir, o "Doce" criado pelo prof David Carvalho à base de carne de porco, ou não estivessemos em plena Feira do dito,deu que falar e que....provar.
Mas outros formandos de outras áreas deram o seu melhor.

Foi o que tentámos registar, centrando, agora, a nossa atenção sob o papel dos media na divulgação das nossas actividades.

De assinalar que noutros posts mais abaixo, é possível termos acesso às emissões integrais quer do programa "PORTUGAL EM DIRECTO", da RTP (com emissão internacional), quer do programa "Terra a Terra" da TSF.

 



publicado por animo às 00:48
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MEMÓRIAS DE UMA FEIRA . NÓS E OS POLITICOS 1

MEMÓRIAS DE UMA FEIRA - 1
NÓS E OS POLÍTICOS

A AFPDM/EPM esteve presente na XXXIII Feira Nacional do Porco.Ao longo dos três dias do certame foram muitos aqueles que se deliciaram, entre outras, com as iguarias confeccinadas ao vivo pelos formandos do Curso Técnico de Restauração Cozinha e Pastelaria.
De entre elas, como vamos poder ver e ouvir, o "Doce" criado pelo prof David Carvalho à base de carne de porco, ou não estivessemos em plena Feira do dito,deu que falar e que.......provar.
Mas outros formandos de outras áreas deram o seu melhor.
Foi o que tentámos registar.
Comecemos pelos políticos que nos visitaram.

(In Página FB da AFPDM/EPM)

 

 



publicado por animo às 00:45
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2016
QUIOSQUE

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QUIOSQUE

Pergunto aos meus queridos amigos, Pe Anselmo Borges e Frei Bento Domingues se "este senhor" não estará a precisar de levar com um azorrague igualzinho ao que o Mestre utilizou para expulsar os vendilhões do Templo?!
É que esta visão da Misericórdia a pataco - compras uma Bula, rezas uns tercinhos, compras umas velinhas, uns pés de cera e em troca eu perdoo-te todos os pecado - pode encher os cofres de um certo Vaticano ( o mesmo que o Papa Francisco corajosamente com...bate) mas esvazia as almas daqueles que queriam seguir a Palavra que salva e redime.

Peço muita desculpa, este QUIOSQUE anda aqui guardado na memória do Nokia há já alguns dias mas....tinha de ser.
Tudo isto porque já se perdeu muito tempo!
Leiam as últimas crónicas aqui publicadas e comparem de que Igreja falamos quando olhamos para as duas atitudes!
antónio colaço

 



publicado por animo às 12:58
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Domingo, 15 de Maio de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES ( NR - APENAS HOJE PUDEMOS ACTUALIZAR A PUBLICAÇÃO DAS CRÓNICAS DESTES AMIGOS)

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QUEM MANDA NA IGREJA?
In Dn / de Maio
Pe Anselmo Borges

 

1 A Igreja está em crise? Quem duvida? No entanto, "vivemos tempos de esperança. A Igreja tem uma "oportunidade de ouro", já que é, sociologicamente falando, católica, espalhada por todo o planeta, e a única instituição mundial que está estruturada, hierarquizada e que forma uma unidade. Não há outra. E é a única com capacidade de opor-se ao capitalismo financeiro dominante, que faz do dinheiro autêntico bezerro de ouro. Desde os tempos de Constantino, nunca a Igreja esteve tão livre do poder. Mas a Igreja deveria passar do modelo piramidal, com o Papa no vértice e um protagonismo excessivo, para a descentralização em rede, com um nó central que é o papado. Então entraríamos verdadeiramente na idade de ouro do cristianismo".
Este é o sonho, concretizável, do sociólogo católico Javier Elzo, expresso e desenvolvido numa obra importante, que obriga a reflectir, e acabada de publicar, com o título "Quem manda na Igreja? Notas para uma sociologia do poder na Igreja Católica do século XXI".

2 Evidentemente, a missão da Igreja é que os seus membros e os seus grupos sejam "testemunhas do invisível e ao serviço dos mais pobres e necessitados", aplicando o amor, a denúncia profética de um mundo injusto, a proposta de outro mundo mais justo.
Mas a Igreja é também terrena e precisa de organização. Ora, a sua presente estrutura não se adequa aos tempos actuais nem ao Evangelho, já que "a Igreja somos nós todos". De facto, o que é que se constata? "A voz que se ouve na Igreja é a voz de homens celibatários, enquanto a voz das mulheres e a dos homens casados quase não se ouve. Há que reconhecer que um organismo que se diz católico, portanto, universal, onde mais da metade dos seus membros, as mulheres, e a grande maioria da outra metade, homens casados ou solteiros, mas não celibatários, quase não têm voz, é um organismo um pouco estranho. Raro. Preocupante." Afinal, quem decide na Igreja e como? Poucos, homens celibatários e de idade muito avançada, de tal modo que, para eleger o seu responsável máximo, o Papa, entre um grupo selecto de pouco mais de cem homens, foi decretado que tenham direito a voto apenas os que não ultrapassaram os 80 anos de idade. Sim, a Igreja, que representa a sexta parte dos habitantes do planeta, é "uma Igreja piramidal, com um Papa com poderes praticamente ilimitados" ("monarca absoluto", diz o teólogo J. M. Castillo), "uma Igreja gerontocrática, masculina, clerical, europeísta, Igreja que é governada, em última instância, por poucas pessoas: o Papa, os bispos em exercício e a burocracia da Cúria Romana". O modo de tomada de decisões na Igreja é "hierárquico, vertical, secretista, onde não brilha a transparência, e com exclusão da maioria".

3 Impõe-se um novo modelo de Igreja e de governança, no sentido da sinodalidade, pois o que a todos diz respeito deve ser participado e decidido por todos. A sinodalidade (caminhar em conjunto) é o modelo a seguir em todos os níveis: paroquial, provincial, nacional, continental, planetário. Para que a Igreja se afirme como comunhão, Povo de Deus, com a participação de todos.
J. Elzo começa por criticar, aliás na linha do Papa Francisco, que em Filadélfia declarou que o futuro da Igreja passa pelos leigos e pelas mulheres, a clericalização da Igreja. E acentua fortemente que os cargos na Igreja, nomeadamente o papal e o episcopal, devem ser temporários, o que permitiria, por exemplo, eleger um Papa ou bispo mais jovens, já que não haveria o perigo da eternização no cargo.
Pensando na Igreja universal, contra uma Igreja piramidal, centralizada e clerical, propõe uma Igreja em rede, com um Sínodo universal enquanto estrutura permanente, que se reúne periodicamente e não necessariamente em Roma. "Outro modelo de Igreja para o século XXI: uma Igreja em rede, à maneira de um gigantesco arquipélago que cubra a face da Terra, com diferentes nós em diferentes partes do mundo, inter-relacionados entre si e todos religados a um nó central, que não centralizador, que, na actualidade, está no Vaticano. No Vaticano ou noutras partes do planeta, todos os anos se reuniria uma representação universal de bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, leigos (homens e mulheres), todos sob a presidência do Papa, para debater a situação da Igreja no mundo e adoptar as decisões pertinentes."
Num mundo globalizado, o Papa tem um papel crucial como líder supremo da Igreja Católica, continuando a ter a última palavra. Mas, com um Sínodo universal, no qual também os leigos têm direito a voto, se ele adoptar uma decisão com uma maioria clara (dois terços?), o Papa deveria aceitá-la e "agir em consequência" ou demitir--se. Por outro lado, é preciso atender às diversas culturas, com a inculturação, e não confundir, pois isso seria "um erro mortal", como já tinha prevenido J. Maritain, por exemplo, "latinidade e catolicismo ou ocidentalismo e catolicismo

 



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O espírito da teologia

Que dizer da devoção à imagem de N. Senhora de Fátima obrigada a ser ainda mais peregrina do que os peregrinos?

 

 

 

1. O que verdadeiramente custa é o presente. Quando o presente é difícil de enfrentar, refugiamo-nos no passado, no culto da memória, ou sonhamos com um futuro consolador. Na celebração do Pentecostes, passamos de uma Igreja apavorada, com sonhos de um império que nunca mais chegava, para um presente que varria todos os medos e impulsionava os mais assustados a percorrer os caminhos do mundo. Um impetuoso vendaval desatou todas as cadeias. Apareceram umas línguas de fogo que encheram os discípulos de uma corajosa sabedoria: tornara-se possível entender que Deus estava mesmo do lado das opções de Jesus Cristo. Doravante, a causa do Evangelho podia ser de plena actualidade, em qualquer língua, povo ou cultura. O futuro começava no presente. O próprio desentendimento entre hebreus e helenistas anunciava que a alegria do Evangelho não podia ser propriedade privada de nenhum povo ou cultura. Não é a globalização que arrasa as diferenças: cada um os ouvia na sua própria língua [1].

O cristianismo só pode viver saudavelmente a partir de um presente criador. Quando enfatiza o passado, afoga-se no depósito da Fé ou na indústria da conserva dogmática. Quando foge para o Paraíso, perde a terra e o céu. Um dos dramas do catolicismo na época moderna foi sintetizado numa expressão luminosa de Yves Congar: a uma religião sem mundo, sucedeu um mundo sem religião. Tinha-se perdido o sentido da incarnação contínua do divino no humano.

O que este Papa tem de tão especial é a capacidade de nos mostrar que não adianta desviar os olhos da complexidade do mundo actual, em qualquer latitude. Não é para nos resignarmos! O que lhe importa, e que nos deve interessar, é a resposta a esta pergunta: como poderemos transformar esta situação num mundo melhor? É a exigência de lucidez para o nosso presente que o impele a ir beber a todas as fontes e momentos da tradição cristã, sem nunca esquecer o contributo das diversas sabedorias, religiosas ou seculares, do presente e do passado, sem ficar prisioneiro de nenhuma.

2. A concepção dinâmica do cristianismo, como ressurreição contínua, foi aplicada por Tomáš Halík [2] à própria celebração dos sacramentos. É importante para não se cair em automatismos mecânicos ou místicos. Tínhamos um catolicismo de baptizados com mais ou menos sacramentos e assunto arrumado.

Esta atitude na acção pastoral, apesar de todas as correcções que lhe possam introduzir, é um desastre.

Quando, no catecismo, se pergunta o que nos faz discípulos de Cristo, responde-se que é o Baptismo. Resposta certa, mas que não evita o inconveniente da ideia de um automatismo. Fez-se a cerimónia, está baptizado. A pergunta mais fecunda é um pouco diferente. Como nos tornamos cristãos? Uma pessoa não se torna subitamente cristã: é um processo.

O autor referido confessa que quantas mais pessoas acompanha na preparação para o Baptismo e quantas mais baptiza, mais se apercebe que o baptismo é um sacramento dinâmico. Tal como o Matrimónio e a Ordem, o Baptismo é um acontecimento que não fica completo no momento em que é conferido, mas que tem efeito de permear o futuro de uma vida, se consentirmos activamente nesse processo. É um fermento que precisa de ser levedado.

Se T. Halík já tinha falado da ressurreição contínua, ao referir-se à vitória de Jesus sobre a morte, pode, agora, falar dos sacramentos como acção contínua. Deus não está ligado aos Sacramentos. Está presente na sede espiritual das pessoas, seguindo um processo complexo, muitas vezes como uma peça de teatro fascinante, com muitos actos, com inesperadas viragens no enredo, além de intervalos e catarses.

3. A actualidade cristã, para conservar a sua frescura, tem de regressar às fontes, mas não pode ser um trabalho de pura arqueologia ou de visita às bibliotecas patrísticas. Seria perder-se no passado. A viagem de ir e vir das fontes para a actualidade e da actualidade para as fontes é a única que nos pode guiar para abrir janelas para o futuro.

A obra de Isidro Lamelas [3] é indispensável para beber nas melhores fontes. Fazia muita falta dispor dos verdadeiros clássicos do cristianismo, traduzido para português das línguas originais. Bem-haja!

A investigação só atrapalha a preguiça ou o medo. É curioso que ao completar 100 anos das chamadas Aparições de Fátima, o contributo das ciências humanas, das experiências pastorais, das narrativas testemunhadas, dos percursos espirituais dos peregrinos, da reflexão teológica sejam de uma magreza de escrita muito estranha. A maior peregrinação do Ocidente confia no seguinte: cada peregrino tem a sua Fátima e ninguém tem nada com isso. A hierarquia apenas lhe dá um cenário litúrgico, mas o colectivo, como colectivo só se reconhece na Procissão das Velas e no Adeus. Que dizer da devoção à imagem de N. Senhora de Fátima obrigada a ser ainda mais peregrina do que os peregrinos?

[1] Act 1-2

[2] Tomáš Halík, Quero que tu sejas! Podemos Acreditar no Deus do Amor?, Paulinas, 2015, pp 155-157

[3] Isidro Pereira Lamelas, Sim, Cremos. Os credos explicados pelos Padres da Igreja. Lisboa, UCT 2013; As origens do Cristianismo, Padres Apostólicos, Paulus, 2016



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Uma Igreja sem conflitos?

Igrejas sem conflitos? Nem ontem nem hoje nem amanhã. A grande sabedoria consiste em não os negar nem os acirrar.

 

 

1. Igreja sem conflitos? Nem hoje nem ontem nem amanhã. A própria evocação dos seus mortos mais célebres serve, muitas vezes, para levantar conflitos entre os vivos.

Ninguém dispõe da fórmula exacta para realizar o mundo de novos céus e nova terra, sem lágrimas de dor ou de luto [1]. Ao sair da Missa onde foi anunciado esse sonho antigo, dizia-me um amigo: nos anos 50 do século passado, o P. Lombardi e o P. Vieira Pinto, contentavam-se com modestas propostas para um “mundo melhor” e nem aí chegamos! A própria União Europeia perdeu a pouca alma que tinha, desistiu da ousadia e caiu na burocracia.

Sem condições para comentar a significação do papel dos sonhos de uma “terra sem males”, comum a várias culturas arcaicas – com frutos amargos quando se tentou convertê-los em “programas científicos” de ordem social e política –, observei apenas que também a opção pelos “paraísos fiscais” talvez não seja a festa da ascensão aos céus da população mundial. Por aí ficamos.

No Domingo passado, transcrevi uma breve passagem da extraordinária Exortação, A Alegria do Amor, na qual o Papa Francisco se referia a duas lógicas que percorrem toda a história da Igreja, desde o concílio de Jerusalém [2] até hoje: marginalizar e reintegrar. Jesus, morto por uma coligação táctica, foi excluído de Israel e do Império romano [3].

A lógica que Bergoglio deseja adoptar é, sem dúvida, a da reintegração. Quando é possível. Perante situações escandalosas que envenenaram o serviço que a Cúria vaticana deve prestar à Igreja – os escândalos bancários, a vida faustosa de alguns cardeais e a situação de eclesiásticos pedófilos – impõem-lhe a destruição dessa falsa paz alimentada por corruptos. A justiça que é devida às vítimas desse nojo não é matéria de negociação. As manobras dos lobistas, desde há muito estabelecidas, não são fáceis de neutralizar, embora o Papa afirme que não desiste da linha de actuação anunciada, desde o começo. Ele não é omnipotente. Uma verdadeira reforma não se decreta nem se consegue apenas com a mudança de alguns nomes. Por vezes, quando se pensa que se conseguiu um bom colaborador encontrou-se um judas.

2. O desígnio pastoral de Bergoglio continua o de um verdadeiro pontífice: fazer pontes onde outros levantam muros, voltar os nossos olhos para a vergonha de um mundo sem os mínimos éticos e tornar a Igreja um exemplo de democracia participativa. Isto exige um clima eclesial onde a união se realize na diversidade criadora. Mas, para ser autenticamente pastoral, precisa de se deslocar para as periferias existenciais, o centro esquecido das comunidades cristãs.

Os obstáculos à sua lógica de reintegração revestem-se, muitas vezes, de razões pseudo dogmáticas e de doutrinas ditas irreformáveis, sobretudo no tocante aos ministérios ordenados, à moral sexual, à situação da Mulher na Igreja e às chamadas situações familiares irregulares.

O Papa abriu um debate que, por ele, teria sido muito mais fecundo se a consulta às dioceses tivesse sido mais ampla, mais aprofundada e com menos boicotes. Mesmo assim, não se deixou intimidar pelas manobras que ameaçavam rupturas irreparáveis. Pelo contrário, geriu, com muita firmeza, os conflitos, mantendo aberto o diálogo entre todas as tendências, para que todos pudessem aprender com todos. Fez do diálogo e da firmeza o seu comportamento.

3. As origens do cristianismo não foram um mar de rosas. Estão semeadas de conflitos e dois mil anos de história das igrejas também não são o deslisar de um rio pacífico, muito pelo contrário.

O livro admirável dos Actos dos Apóstolos – uma obra sem epílogo, abrindo apenas o futuro – oscila entre uma imagem idílica da comunidade cristã dos começos [4] e a do conflito entre hebreus e helenistas [5], apresentando, depois, uma suave abertura aos gentios [6], muito diferente da relatada por Paulo [7]. O seu projecto não esconde a lógica das tentativas de marginalização, mas a opção do seu projecto literário é marcar a vitória da lógica da integração, mostrando os resultados da boa gestão dos conflitos.

Hoje, celebra-se a festa da Ascensão do Senhor. S. Lucas já tinha, no primeiro volume da sua obra, tocado nesta metáfora de fim de carreira [8]. Agora, nos Actos dos Apóstolos, desenvolve o cenário com mais cuidado. Tem de resolver duas situações. A primeira é a da ânsia de poder que continua a dominar os discípulos de Jesus: o único poder que vos garanto é o do Espírito Santo que vos vai meter em trabalhos até aos confins da terra. A segunda é a do medo: preparai-vos para acolher essa divina energia e não fiqueis pasmados a olhar para o céu. Há muito que fazer [9].

Igrejas sem conflitos? Nem ontem nem hoje nem amanhã. A grande sabedoria consiste em não os negar nem os acirrar. As comunidades católicas não deveriam dispensar bons gestores de conflitos.

[1] Ap. 21,1-5

[2] Act, 15; ano 49 d. C.

[3] Act 4,17: A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma

[4] Act 4, 32

[5] Act 6

[6] Act 10 - 11

[7] Gal 2, 11-14. Cf. Senén Vidal, Hechos de los Apóstoles y orígenes cristianos, Sal Terrae, 2015.

[8] Lc 24, 50-53

[9] Act 1, 6-11



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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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DEUS, OBSOLETO?
In Dn 14 Maio

 

1. Afirma-se que a religião está em decadência e lentamente Deus ficará obsoleto.

Esta leitura é apressada. De facto, não se pode estender ao mundo inteiro o que se aplica apenas à Europa e, mesmo na Europa, com reservas. Apresento, seguindo o sociólogo Javier Elzo no seu livro Quién Manda en la Iglesia?, uma síntese de dados estatísticos, a partir de inquéritos e sondagens mundiais recentes. Assim, Jean-Marc Leger, presidente da Win/Gallup, talvez a maior associação mundial de estudos de mercado e sondagens de opinião sobre diferentes temas, incluindo o religioso, na apresentação em 2015 do macroestudo realizado em 2014 sobre as crenças religiosas em 65 países no mundo inteiro, afirmou que "a religião continua a dominar a nossa vida quotidiana, pois constatamos que actualmente o número total de pessoas que se consideram a si mesmas religiosas é relativamente elevado". A média dos 65 países inquiridos: 63% das pessoas dizem-se religiosas, 22% não religiosas e 11% ateias. Segundo o Pew Research Centre, organismo americano independente, a percentagem é superior: 84% da população mundial confessa-se religiosa.

Javier Elzo dá exemplos de percentagens de pessoas que se dizem religiosas em diferentes países. Itália, 74%; Rússia, 70%; Portugal, 60%; Estados Unidos, 56%; França, 40%; Espanha, 37%; Alemanha, 34%; Israel, 30%; Reino Unido, 30% e Suécia, 19%. Percentagens de pessoas que se dizem "ateus convictos": Espanha, 20%; França, 18%; Alemanha, 17%; Suécia, 17%; Reino Unido, 13%; Portugal, 9%; Israel, 8%; Itália, 6%; Rússia, 5% ("por alguma razão, os estudiosos do fenómeno religioso na Rússia falam da era pós-ateia"). O número de cidadãos que se dizem ateus é superior na República Checa, 30%; Japão, 31%; Hong Kong, 34% e China, com 61%. Excluindo a China e o Japão, é na Europa que se concentra a maior parte de ateus. Mas, como a BBC acaba de anunciar, a China, apesar do controlo governamental, pode tornar-se já em 2030 o país com maior número de cristãos do mundo.

O presidente da Win/Gallup acrescentou, embora a afirmação não valha hoje para a Europa Ocidental: "Além disso, com a tendência de uma juventude cada vez mais religiosa à escala mundial, podemos supor que o número de pessoas que se consideram a si mesmas religiosas aumentará." Elzo sustenta que, na Europa Ocidental, "estamos nos alvores da era pós-secular". Já Peter Berger, em The Desecularization of the World, tinha denunciado como errada a tese de que a "modernização conduz de forma inelutável ao ocaso da religião, tanto na sociedade como na consciência dos indivíduos".
De qualquer modo, Deus continuará sempre presente, pelo menos, na pergunta por Ele. E a pergunta por Ele é já resposta nossa a perguntas que a realidade nos faz. Porque há algo e não nada? Donde vimos? Para onde vamos? Porque se deve fazer o bem e não o mal? Acaba tudo com a morte? Qual é o sentido último da existência? Como escreveu Eduardo Lourenço no prefácio ao meu livro Deus ainda Tem Futuro?, "Do silêncio de Deus que nós mesmos criámos não virá nenhum socorro. É diante dele como Ausência suposta e Presença agostinianamente mais interior a nós mesmos do que nós que somos convocados para fazer prova de vida. E de vida eterna. A única que nos ajuda a suportar todas as ausências dos que nesta vida nos foram, à maneira de Dante, reflexos de uma Luz mais clara do que a do Sol e das estrelas."

2. Mais do que de ateísmo, do que se trata é de desafeição pelas religiões instituídas. Mesmo assim, ficam aí, a partir da revista Philosophie Magazine (Set. 2015), os resultados do último grande estudo do Pew Research Center sobre as religiões em 2050. Evolução do número de crentes no mundo, comparando os anos 2010 e 2050: cristãos: 2170 milhões, 2920 milhões; muçulmanos: 1600 milhões, 2760 milhões; hindus: 1030 milhões, 1380 milhões; budistas: 490 milhões, 490 milhões; judeus: 10 milhões, 20 milhões; sem religião: 1130 milhões, 1230 milhões.

Atendendo a quatro grandes variáveis - a taxa de fertilidade, a idade das populações, a taxa das conversões e as migrações -, revelam-se duas grandes tendências: um "crescimento excepcional do islão (+73%), que vai crescer duas vezes mais depressa do que a população mundial (+35%) e impor-se como uma religião mundial, tão importante como a cristã; depois, o declínio relativo dos não crentes, agrupados aqui no grupo dos não afiliados, incluindo ateus, agnósticos e os que se não identificam com nenhuma religião: em 2050, serão mais 61 milhões, mas não representarão mais do que 13% da população mundial (contra 16% hoje)". A Europa, e em particular a França, constituem excepção: concretamente na França, os não afiliados poderão ver o seu peso duplicar (passando de 28% para 44%), tornando-se o grupo maioritário, à frente dos cristãos (43%). De qualquer modo, concluem os autores do estudo: "As religiões revelam-se muito mais resilientes do que o que se tinha previsto."

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

 

 



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FEIRA NACIONAL DO PORCO . CATEDRAL DO PRESUNTO INVADE CAPITAL DO PORCO

a ânimoTV na feira nacional do porco

CATEDRAL DO PRESUNTO INVADE CAPITAL DO PORCO

No entusiasmo desta sua primeira participação na Feira Nacional do Porco, o meu mais recente amigo maçanico, engº agroalimentar Joaquim Dias referiu na breve conversa que com ele mantivemos que se tornava urgente estas participações na "terra do inimigo"!!!...
Claro que, como vamos ver, do que se trata, mais do que guerras que não podem ter lugar é sim, da guerra outra por afirmar a excelência dos enchidos de Mação, a terra onde nasceu, por estes dias, lembremo-nos, a ânimo.

E a qualidade dos enchidos de Mação não é de hoje, é de ontem e de sempre.
Trata-se, portanto, de nos mantermos fiéis e melhorar, isso sim, a excelência dos nossos enchidos.
Na brincadeira e no melhor humor, aqui fica o nosso título, qualquer coisa do género a querer dizer que se o Montijo é a capital do porco, sim, mas... é em Mação que tratamos da parte por excelência do dito, os seus presuntos, ou seja, Mação lidera a produção e tratamento dessas reluzentes lascas que fazem o nosso contentamento!
Parabéns, pois, a estes aventureiros que ousaram trazer até ao Montijo o nome de Mação.
Montijo, lembremo-nos, onde "reside", agora, essa eterna e histórica marca de Mação/Envendos dos presuntos "Damatta"!
antónio colaço

NR
É evidente que, fosse a empresa Temperos do Campo, como outra qualquer das muitas que dão nome a Mação, igual tratamento aqui teria.
Isto se diz a bem da nação, perdão do bom nome de Mação que nunca nos cansaremos de propagar!!!

 



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Segunda-feira, 9 de Maio de 2016
MENINO SOL, QUIETINHOM JÁ!!!!

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MENINO SOL, QUIETINHO, JÁ!!!!

Não mexe!!!!
Ai a nossa vida.Querem lá ver, hein.O seu lugar é aqui e mai nada!!!
E se se portar mal vai para o olho da rua não tarda!!!O menino nunca apanhou uma molha, pois não?! Então veja o que acontece se sai do lugarzinho em que está!!!

Foto. Montijo, Frente Ribeirinha, esta tarde! Ao fundo, Cristo Rei e Ponte 25 de Abril.

 



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Domingo, 8 de Maio de 2016
ELA ANDA AÍ!!!!

 

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O que é que me espera?
Por que caminhos tropeçarão os meus passos?
Que mundos irei conhecer?
Que amigos irei fazer?
Quem me deixará pelo caminho?
Do que é que irei ter medo?

Para onde seguirão todos estes amigos?

Alguma vez serei capaz de fazer perguntas à vida?
Alguma vez a vida me dará respostas de mão beijada?

Agora, só por uns instantes agora, quero cá saber do que me espera e até quando por mim ela espera.

Como diria o meu querido Ti Abílio Cruz (quase à beira dos 100!!!) "ela anda aí !!!" - sim, nos últimos tempos a geração dos sessenta e poucos tem conhecido uma razia...- pois fique sabendo Senhora Irmã Morte, se me quiser encontrar, agora, só por uns instantes agora, ENCONTRA-ME AQUI!
Na minha Escola Primária de Cardigos, junto dos meus amigos da segunda classe. E já sabe, daqui ninguém me tira, dê por onde der!

"Ela anda aí!!!", sim, mas EU ESTOU AQUI!



publicado por animo às 15:19
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