Sábado, 31 de Dezembro de 2016
2017 UM ANO QUE PROMETE PARA QUEM COM ELE SE COMPROMETE!!!

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(No Facebook estão memórias de cinco anos de passagens de ano.No final deixei estas palavras que podem adaptar-se a idênticas memórias do Blog com os votos de Feliz Ano de 2017.Um ano que promete!!)

 

O PASSADO DO FUTURO

-Ó balha-me Deus...zzzz e ele a dar-lhe!!!
Malvado Facebook que ainda não consegue fazer-nos partilhar o que está para vir!!!
Por exemplo, Mark Zuckerberg, qualquer coisa, tipo, "António queremos antecipar as COISAS BOAS QUE VAO ACONTECER-TE EM 2017, 2018, 2019 E POR AÍ ADIANTE!!!!!

 

 

 



publicado por animo às 13:31
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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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COMENTÁRIO

Sublime.
Oportuno.

Um verdadeiro programa para tornar 2017 um ano que promete: REENCONTRO CONSIGO PRÓPRIO E COM OS OUTROS!
IMPERDÍVEL!!!...
Obrigado, irmão!

antonio colaço

O segredo de Francisco: tempo para o ócio silente

Uma das características da nossa época, que causa estragos sem fim, é a agitação geral e frenética, consumista, que tudo devora. O nosso tempo não tem lugar para o ócio, aquele ócio de que fala a scholê grega. Vivemos, como dizia o grande bispo do Porto D. António Ferreira Gomes, na "agitação paralisante e na paralisia agitante", isto é, não vivemos verdadeiramente. Porque o autenticamente humano está recalcado. Vivemos na dispersão agitada e agitante, sem encontro autêntico connosco e, portanto, também com os outros e com o essencial da vida. A net contribui frequentemente para fazer aumentar esta agitação alienada e alienante, e até estupidificante, pois todos podem agora, escondidos no anonimato cobarde, pronunciar-se sobre tudo, mesmo desconhecendo completamente as temáticas e as suas complexidades, ou, mediante manipulações algorítmicas a favor de interesses, enganar. Na presente agitação e atomização temporal, submersos pelo tsunami informativo e pela competição tóxica, é muito difícil erguer uma identidade pessoal integrada, íntegra e consistente. Também por isso, não vejo as pessoas mais felizes, pelo contrário, aumentam as depressões. Realmente, para se alcançar a felicidade, é essencial o apaziguamento e a serenidade interiores, o estar de bem consigo. Hoje são conhecidos, através da imagiologia cerebral, os efeitos benéficos da meditação no cérebro, concretamente sobre o stress e a ansiedade. Significativamente, o verbo mederi, com o radical "med-", que significa "pensar, medir, julgar, tratar um doente, curar", está na base etimológica de três palavras: meditação, moderação e medicina. O reconhecer-se, a presença de si a si mesmo não significam de modo nenhum narcisismo, pois, quando se pára, se pensa e reflecte, lá no mais profundo, encontramos o mistério da Fonte donde tudo provém e a que estamos religados, em interconexão com todos e com tudo.

Então, de que é que precisamos? De parar, para que tenham lugar e tempo a contemplação, a meditação, a oração. E isso só se cumpre com o ócio. A palavra ócio (em latim, otium, que significa tempo de repouso, vagar, ócio, retiro, solidão, paz) é solidária com a palavra grega scholê, donde procede a nossa "escola" e significa ócio, o ócio para a actividade dos homens livres, a liberdade para pensar e governar a pólis. O ócio da scholê nada tem a ver com a preguiça, que é um vício e que devemos todos condenar, pois preguiçoso é aquele que não quer trabalhar, que vive na indolência, à custa dos outros, encostado ao Estado, sem cumprir diligentemente os seus deveres. O ócio, esse tem a ver com concentrar-se, contemplar, ser si mesmo, viver. Para lá da agitação devoradora e da banalidade rasante, parar, ser e estar e viver no melhor, no Divino, na Beleza, na Vida. Fazer silêncio, precisamente para ouvir o silêncio e o que só no silêncio se ouve: a voz da consciência e do sentido. Eu vejo o ócio essencialmente como um parar. Para se poder viver na Vida, no essencial. Tem a ver com o saborear o instante do vivido, o milagre do ser e de se ser, do viver. Quando é que se vive? Agora. Viver é fim em si mesmo, na alegria do viver na plena consciência. A vida não pode esgotar-se, como acontece tão frequentemente, num meio para outra coisa, para atingir um fim ou fins.

Entendo o ócio naquele sentido profundo de "tempo" para meditar, pensar, recentrar-se, ir ao essencial, viver na profundidade. Sem o ócio no sentido da scholê grega, portanto, da liberdade para poder pensar, não há pensamento autêntico. Hoje, o que é que temos? Exactamente o contrário do ócio, pois tudo está transformado em negócio (neg/ócio), predominando os interesses e esquecendo os valores. No contexto e na rede dos negócios, calcula-se, vale o mensurável, está-se no uso e domínio da razão calculadora, da razão instrumental, de que fala a Escola Crítica de Frankfurt, não se pensa propriamente. Já não há pensamento, porque os negócios, que ocupam todo o espaço e tempo, são da ordem do cálculo. Foi neste sentido que o filósofo M. Heidegger preveniu, dizendo que a técnica não pensa. Não pensa, porque é da ordem do mensurável e do cálculo. Esta é também uma das razões fundamentais para explicar a situação actual da política e dos políticos, que tanto têm descido na consideração pública: a cumplicidade entre a política e os negócios. Tudo se tornou negócio e os políticos não encontram tempo-ócio para ler, para meditar, para reflectir sobre o essencial. O que lhes interessa fundamentalmente, nesta sociedade-espectáculo, é estar "armados" com respostas rápidas e imediatas e em consonância com os seus interesses e com o que consideram serem as expectativas dos seus eleitores, quando lhes aparecer pela frente uma qualquer televisão ou microfone. No meu entender, e considero isto essencial, eles têm de encontrar tempo, fazer pausa, para reflectir, meditar, ler o fundamental. Se quiserem de facto passar a estadistas e estar à altura do momento verdadeiramente histórico, tão complexo, ameaçador e dramático, que vivemos.

O Papa Francisco, que, neste nosso mundo global, talvez seja o líder político-moral mais amado e é um dos mais influentes, levanta-se muito cedo todas as manhãs. Para quê? Para, no ócio silente e criador, antes de todas as suas tarefas, poder rezar, contemplar, encontrar-se consigo no mais profundo de si, lá onde se encontra com o mistério da Presença enquanto Fonte, Deus. Este é o seu segredo: "Entrar no mistério significa capacidade de assombro, de contemplação; capacidade de escutar o silêncio e sentir e ouvir o sussurro desse fio de silêncio sonoro no qual Deus nos fala."







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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016
O ACONTECIMENTO E A DESILUSÃO DE 2016

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ACONTECIMENTO DO ANO DA ÂNIMO

Após profunda e animada reunião, não foi difícil ao Conselho Editorial da "ânimo" concluir quais os dois momentos exaltantes e frustrantes do ano que agora termina.
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Convocados por José Magalhães para integrar, com mais alguns nomes conhecidos e prestigiados do nosso mundo digital, de que nos permitimos destacar Paulo Querido,o núcleo editorial do então chamado OMD, a verdade é que tudo não passou de um sonho sem os pés bem assentes terra....
E era na terra que radicava a sua verdadeira razão de ser.
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Sem perceber até hoje o que verdadeiramente aconteceu, aqui ficam registadas as palavras a que então nos agarramos, quer para celebrar esperançosas expectativas, quer para silenciar continuadas e incontidas frustações.
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2017 promete!
Feliz Ano Novo para todos aqueles que por aqui passam.



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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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O NATAL.TRADUCÕES DA BIBLIA

In DN 24 Dez

1 "A Bíblia é o poema colectivo mais longo criado até agora pela humanidade. Nele se espelham as várias batalhas que os homens engendram na sua demanda pelo amor absoluto. Não admira que a literatura ocidental nele tenha encontrado os seus modelos de narração amorosa mais fortes e que os seus mitos continuem a servir de moldura para o pensamento em torno da liberdade e da paz" (Lídia Jorge).

Ernst Bloch, marxista heterodoxo e ateu religioso, ainda na antiga República Democrática Alemã, dizia nas suas aulas, para escândalo do governo comunista, que os nazis, ao recusarem a Bíblia, já "não puderam compreender a cultura alemã". De facto, sem a Bíblia, não podemos compreender os cânticos de Natal, da Páscoa, costumes populares..., não conseguimos entender o gótico, a Idade Média, Dante, Rembrandt, Händel, Bach... "Sim, sem a Bíblia, o que é que ainda podemos compreender?" Sem a Bíblia, não entendemos a Missa Solemnis de Beethoven, um requiem, "garnichts" (nada mesmo).
Como entender os ideais da Revolução Francesa? Karl Marx, exilado, levou consigo a Bíblia. Bertolt Brecht encontrava inspiração na Bíblia. No século XIX, não havia analfabetos na Noruega e a razão é que as mães liam a Bíblia e uma mãe que sabe ler não permite que os filhos fiquem analfabetos...
Entretanto, a gente pasma, quando lê que, em 1713, o papa Clemente XI, na Constituição "Unigenitus Dei Filius", declarou serem falsas afirmações como: "A leitura da Sagrada Escritura é para todos", "é útil e necessário" todos terem acesso ao estudo e conhecimento da Bíblia.

Estou convencido de que o desconhecimento da Bíblia e a proibição da sua leitura foram uma das causas do atraso cultural de Portugal.

2 É preciso, pois, saudar a Quetzal, que abriu as portas, numa bela edição, à nova tradução da Bíblia por Frederico Lourenço. Trata-se da primeira tradução para português da Septuaginta, a Bíblia dos 70, o que constitui não só o facto literário do ano mas também um acontecimento que fará história, honrando o tradutor e a editora. Um trabalho insano até ao ano 2020 - são 80 livros, tendo sido publicado em 2016 apenas o volume com os Evangelhos -, que não põe em causa outras traduções, mas os leitores vão ter agora em português "nem mais nem menos do que aquilo que está no texto original grego".
Raramente alguém manifesta tanto fascínio pela Bíblia - quantos padres terão lido a Bíblia toda?! - e nomeadamente pelos Evangelhos, sobretudo o de São João, e, apesar do distanciamento em relação à Igreja Católica - eu compreendo as suas razões para isso -,Frederico Lourenço, que acaba de receber o Prémio Pessoa, diz de Jesus esta preciosidade: "Bem vistas as coisas, Ele afinal não morreu. Porque a verdade é esta: tanto crentes como não crentes andaremos às voltas com Jesus nas nossas cabeças, enquanto houver seres humanos na Terra." E sobre os Evangelhos: "Se há verdade que todos os dias nos é confirmada pela observação objectiva da realidade humana é que, no cerne do seu valor ético, a mensagem de Jesus continua hoje tão válida, tão certeira e tão urgente como era há dois mil anos." O que é um feito: talvez nunca como por ocasião desta tradução se tenha falado tanto da Bíblia em Portugal. Quanto à sua competência, ninguém competente que tenha lido a sua tradução da Ilíada e da Odisseia a porá em causa. Claro que haverá debates: por exemplo, a tradução de "hamartía" por erro em vez de pecado não será consensual; de facto, segundo o filósofo grego Sócrates, por exemplo, "ninguém é mau voluntariamente", mas São Paulo queixa-se, porque "faço o mal que não quero e não faço o bem que quero". Portanto, fazer o mal depende só da ignorância ou também, e sobretudo, da vontade má?

3 Dito o que aí fica dito, será necessário prevenir no sentido de que se deve ter algumas cautelas, pois não se pode ficar a pensar que vamos finalmente ter a mensagem de Jesus na sua clareza originária e plena. De facto, os Evangelhos não começaram por ser escritos. Primeiro, foi a pregação oral e, na base de tudo, está a mensagem de Jesus em contexto aramaico e hebraico. Então, já temos aqui a primeira tradução: na passagem do mundo judaico para o helenista. Uma língua não é um mero instrumento, uma língua é um mundo, e o mundo dito em hebraico não é o mesmo que em grego. No grego, quando se fala de Deus, pergunta--se o que é, a sua essência, mas, em hebraico, o que se quer saber é o que é que acontece quando Deus está presente. Assim, no Antigo Testamento, o nome de Deus revelado a Moisés é "eyeh asher eyeh", traduzido para grego e latim como "eu sou o que sou", e Santo Tomás de Aquino, por exemplo, fez a partir daí grandes reflexões metafísicas, mas perdeu-se o dinamismo da libertação, porque o que Deus disse a Moisés foi: eu sou aquele que está convosco na história da libertação. No Novo Testamento, Jesus não respondeu directamente à pergunta dos discípulos de João: se ele é ou não o Messias. Disse-lhes para dizerem a João o que estava a acontecer: "Cegos vêem e coxos andam; leprosos estão curados e surdos ouvem, e mortos ressuscitam e mendigos são destinatários da boa-nova." A graça da libertação.

Que é que isto quer dizer? Com a helenização do cristianismo, houve enriquecimento, mas também e sobretudo há perigos: corre-se o risco de ficar com teologias e uma fé reduzida a dogmas e doutrina, esquecendo o essencial: precisamente o Deus que está presente na história do dom e da luta pela libertação.

4 O Natal celebra o nascimento de Jesus. E Jesus é o Emmanuel, o Deus connosco, o Deus presente e libertador, a boa-nova. Por isso, "tanto crentes como não crentes andaremos às voltas com Ele nas nossas cabeças, enquanto houver seres humanos na Terra".



publicado por animo às 13:27
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WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

 

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1. O dia 25 de Dezembro não celebra o aniversário histórico do nascimento de Jesus de Nazaré. A Igreja de Roma fixou esta data como réplica pastoral à festa solar pagã do Natalis Invicti, festa de inverno no hemisfério norte. Foi uma bela astúcia. Procurava destronar a heliolatria, o culto do sol, pela celebração do nascimento de Jesus Cristo, o verdadeiro Sol Invencível, a luz da justiça e da graça. Se o Natal é decisão romana, a Epifania, a 6 de Janeiro, é de origem oriental: celebram ambas a mesma realidade, a manifestação do Deus humanado.

A linguagem das Escrituras e da Liturgia não caiu do Céu. Para fazer entender a novidade cristã foram transpostas, muitas vezes, imagens e festas pagãs para o universo católico. Onde hoje alguns podem julgar que houve uma paganização do Cristianismo, outros vêem, nesse esforço, a sua cristianização. A este propósito, as descrições que Epifânio de Salamina[1] fez  da festa pagã, de tipo solar, ajudam-nos a perceber os discernimentos que foram necessários para entender a nossa festa de 6 de Janeiro.

Vale a pena ler: “em muitos lugares, os charlatães inventam ritos idolátricos para enganar os adoradores dos ídolos que neles confiam. Celebram, uma festa grandiosa, precisamente na noite que precede o dia da epifania… Temos de referir, em primeiro lugar, a festa que se celebra em Alexandria, no chamado Koreion. Ficam acordados toda a noite, a cantar alguns hinos e a tocar flauta para acompanhar os cânticos que entoam em honra do ídolo. Uma vez terminada a celebração nocturna, ao cantar do galo, descem, empunhando tochas, a uma espécie de capela subterrânea e pegam num ídolo de madeira, despido, colocado sobre uma peanha… A seguir, levam o ídolo em procissão, dando sete voltas ao recinto interior do templo, ao som de flautas, de tambores e a cantar hinos; terminada a procissão, levam o ídolo para a sua sede subterrânea. Se lhes perguntarmos que mistério é esse, respondem: Hoje, a esta hora, Kore, a virgem deu à luz Aion.”

Além desta conotação solar, a festa oriental da epifania aponta para outra festa pagã, a das águas. Epifânio relaciona a festa de 6 de Janeiro com o milagre de Caná.

“Até aos nossos dias, em muitos locais, repete-se o prodígio divino que teve lugar naquele tempo, a fim de dar testemunho aos incrédulos. Em muitos sítios, comprovam-no fontes e rios transformados em vinho. Isto acontece na fonte de Cibyra, cidade de Caria, no momento em que os servos tiram água dizendo: levai-a ao mestre-sala.” (…) Também a 11 de Tybi, 6 de Janeiro, segundo os egípcios, todos irão tirar água e pô-la de parte, tanto no Egipto como noutros países.

2. Este ano, o Natal é num Domingo, a celebração semanal da Páscoa. Mas é Páscoa ou Natal? Pensando bem, não poderia haver Páscoa sem Natal, mas um natal sem Páscoa seria dar à morte a última palavra.

Uma coisa é dizer e outra é ter consciência do que isso implica. Há uns tempos a esta parte, observo o seguinte: há cristãos que, ao participarem na Eucaristia dominical, regressaram ao costume depressivo de ficar de joelhos. Uns fazem-no durante a anáfora e outros ajoelham antes de comungar.

Talvez não seja descabido ler o que, já no século II, Tertuliano[2] destacava: nós consideramos que, ao domingo, não é permitido jejuar nem rezar de joelhos. Do mesmo privilégio gozamos no dia de Páscoa e durante o período do Pentecostes. O grande teólogo, S. Basílio[3] sublinha: “É de pé que fazemos a oração do primeiro dia da semana, mas nem todos sabem a razão de tal facto. Permanecemos de pé quando rezamos no dia consagrado à ressurreição – como ressuscitados com Cristo e devendo procurar as coisas do alto[4]– não só porque recordamos a graça que nos foi dada, mas por aquele dia ser, de certo modo, uma imagem do mundo que há-de vir. (…) É necessário, pois, que a Igreja habitue os fiéis a rezar de pé, a fim de que, pela incessante invocação da vida eterna, não nos esqueçamos de preparar o nosso viático, em vista da nossa partida para o céu”.

3. Dir-se-á que não vale a pena perder tempo a procurar saber se é melhor rezar de pé, de joelhos ou sentados. É verdade e seria ridículo dizer a uma pessoa que se ajoelha para comungar: levante-se!

A oração não é um comportamento exclusivo de nenhuma religião. Jesus era um grande orante, mas o seu primeiro cuidado não foi o de arranjar um manual de orações para os seus discípulos, que se queixaram desse descuido. Não se esqueceu, porém, de evangelizar a oração[5].

Segundo S. Mateus, importa não imitar os hipócritas exibicionistas nem os gentios que entendem que é pelo palavreado excessivo que serão ouvidos: o vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes. A oração nasce em nós, por causa dos nossos limites. Pedir socorro, quando se está aflito, é uma atitude normal e saudável. É uma forma de resistência ao fatalismo.

Importa, no entanto, não transferir para a nossa relação com Deus a ficção de que O estamos a informar e a convencer, inventando um sistema de cunhas para O fazer entrar nos nossos projectos.

A oração não é para convencer a Deus é para nos convencer de quanto precisamos de Deus e dos outros para transformar o mundo.

Boa ressurreição!

 

[1] 310-403 dC. Cf. José Manuel Bernal, Para viver o ano litúrgico, Gráfica de Coimbra, 2001, pp 301-303

[2] 160-220 dC

COMENTÁRIO

Tão desconcertante quanto vivificante!
Depois de assistir à Eucaristia de ontem nos Jerónimos, mas não é de agora, claro,em que a assistência quase não intervém - o latim, o seu culto, parece estar mais ao serviço de um ritual de elitista igreja do que ao serviço da comunidade que, assim, praticamente em nada participa - é gratificante perceber que há outras leituras.
Até mesmo os cânticos, conquanto que exímios na sua execução, em nada convocam à participação.
Meu caro Cónego José Ferreira não seria de dar um jeito nesta elitista liturgia?
antónio colaço



publicado por animo às 12:32
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2016
NATAL TODOS OS DIAS . BOAS FESTAS . SANTO NATAL . FELIZ 2017

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faz-me (Boas)Festas no
NATAL TODOS OS DIAS

Ontem como hoje, na "ânimo", e já lá vão
trinta e sete anos, queremos que haja SEMPRE LUGAR....
Há dois mil e dezasseis anos, na grande cidade de Belém, "não houve lugar" para nascer um Menino.
Ontem como hoje, aqui continuará a ser um lugar para quem queira participar com as suas ideias e projectos contribuindo assim para nos tornar os dias mais leves.
Estivemos tanto na luta pela legalização das rádios livres como na animação dos Centros Culturais Regionais,na animação da imprensa regional,na realização dos primeiros festivais do "Diapositivo Rural" (quando ainda não sonhavamos com a parafernália do digital) e bem assim na afirmação das novas tecnologias (offset,mail,blogs,facebook) como verdadeiros media de proximidade!
O empenho foi tal que, provavelmente,SEREMOS os únicos que lograram um processo, no DIAP, por emissão ilegal de televisão.
A cereja no cimo do bolo foi, sem dúvida alguma, a realização dos quase oitenta AAAnimado Almoços que levámos a cabo em parceria com a Associação 25 de Abril .
Recentemente, um outro projecto para o qual fomos desafiados, deixou-nos na berma da estrada, sem que até hoje soubessemos porquê ,e que dava pelo nome de OMD-Observatório do Mundo Digital.

Recentemente, transformámos uma garagem em atelier e avançamos com o projecto "ARTE AO DOMICILIO" porque entendemos que a ARTE não se esgota nas galerias nem na multidão de "curadores","marchands","galeristas" e "críticos de arte" mais interessados em perpetuar um sistema de iníquas cumplicidades do que abrir as portas da Arte entendida como o lugar de eleição do Belo pronto para ser desfrutado por todos.
Dois mil e dezassete promete!
Daremos novidades.

Hoje,só queremos desejar aos quase 1800 amigos, e a todos os que por aqui passem, um Santo Natal.

antónio colaço



publicado por animo às 00:53
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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A revolução de Francisco: "Sou amado, logo, existo"

Pe Anselmo Borges

 

IN DN 16 DEZ

 

 

1. Na perspectiva grega, o decisivo é conhecer a essência, por exemplo, o que é Deus? Na perspectiva hebraica, no que a Deus se refere, a perspectiva é outra: o que é que acontece quando Deus está presente? Foi assim que João Baptista, na prisão, mandou discípulos perguntar a Jesus se era ele o Messias. Jesus não deu nenhuma resposta teórica. Deviam eles próprios descobrir a verdade a partir do que viam que estava a acontecer: "Ide contar a João o que estais a ver e a ouvir: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a boa notícia." O Messias verdadeiro é aquele que está presente em nome de Deus a aliviar os tremendos sofrimentos das pessoas, a abrir horizontes de esperança para todos, sobretudo para os pobres e abandonados. Jesus está aí, libertando da opressão e da indignidade, anunciando e realizando um mundo novo de alegria e dignidade para todos. Ele é o enviado pelo Deus compassivo, que sara e cura as feridas e liberta a vida: "Sede misericordiosos como o vosso Pai celeste é misericordioso." Mais do que dogmas e doutrina, o decisivo no cristianismo é a prática libertadora.

 

 

A revolução de Francisco foi anunciada desde o início, ao proclamar que ninguém devia ter vergonha da ternura, sendo a missão da Igreja levar adiante o projecto de humanização que Jesus quer: "Vejo com clareza que do que a Igreja precisa é de capacidade para curar feridas. Devemos encarregar-nos das pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano, que lava e limpa as feridas e consola", "caminhar com as pessoas na noite, saber dialogar e inclusive descer à sua noite e obscuridade sem nos perdermos".

Por isso, proclamou o Ano da Misericórdia. Mas esse ano não podia ser "um parêntesis de misericórdia na vida da Igreja, já que ela constitui a sua própria existência, que manifesta e torna tangível a verdade profunda do Evangelho. Tudo se revela na misericórdia; tudo se sintetiza e resolve no amor misericordioso do Pai". Assim, no termo do Ano Jubilar, assinou uma exortação apostólica - Misericordia et Misera - com um programa para o futuro, concretizando o amor e a caridade.

A quase totalidade dos jornalistas só viu que Francisco estendeu no tempo a faculdade de absolvição pelos padres, incluindo os sacerdotes da Fraternidade São Pio X, do pecado do aborto. "Quero enfatizar com todas as minhas forças que o aborto é um pecado grave, porque põe fim a uma vida humana inocente, mas com a mesma força posso e devo afirmar que não existe nenhum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir." O cristão sabe que mesmo nos casos mais complexos, "nos quais se sente a tentação de fazer prevalecer uma justiça que deriva só das normas, se deve crer na força que brota da graça divina".

A exortação sublinha que o amor de Deus e a sua misericórdia se exprimem também "na proximidade, no afecto e no apoio que muitos nos oferecem quando chegam os dias de tristeza e aflição". "Todos temos necessidade de consolo, porque ninguém é imune ao sofrimento, à dor e à incompreensão. Quanta dor pode causar uma palavra rancorosa, fruto da inveja, dos ciúmes e da raiva. Quanto sofrimento provoca a experiência da traição, da violência, do abandono; quanta amargura perante a morte dos entes queridos. No entanto, Deus nunca permanece distante quando se vive estes dramas. Uma palavra que dá ânimo, um abraço que te faz sentir compreendido, uma carícia que faz perceber o amor, uma oração que permite ser mais forte..., é tudo expressão da proximidade de Deus através da consolação oferecida pelos irmãos." E lembra os presos - é contra a prisão perpétua, e a cadeia deve preparar para a integração social -, os migrantes, os analfabetos, os doentes, os moribundos. Pensando nos que passam fome e sede, nos sem abrigo e sem trabalho, institui o Dia Mundial dos Pobres. E ergue-se, dizendo: quando um banco entra em bancarrota, há dinheiro para salvá-lo; morrem diariamente milhares de crianças com fome e não há dinheiro para salvá-las; isto é "a bancarrota de humanidade e da humanidade".

Em síntese: para lá do famoso cogito cartesiano - "penso, logo existo" -, é preciso construir o mundo, assentando num outro princípio: "Sou amado, logo existo", escreve Francisco.

 

2. Neste contexto, em entrevista dada à revista belga Tertio, defendeu, contra os cardeais que se lhe opõem frontalmente, a sua exortação A Alegria do Amor, na qual está presente, dentro do necessário discernimento, a possibilidade de acesso à comunhão por parte dos divorciados recasados: "Tudo o que está na Amoris Laetitia foi aprovado por mais de dois terços dos padres sinodais." "E todos estavam em atitude de escuta, sem condenar. Houve uma liberdade de expressão muito grande. E isso é lindo."

Na entrevista, é taxativo: "Não se pode fazer a guerra em nome de Deus ou em nome de uma posição religiosa." Insiste na sua visão de uma Igreja "sinodal", "não piramidal", que escuta e aprende. A religião não pode estar separada da vida pública, como pretende o laicismo; isso vem de considerar o facto religioso como uma subcultura, mas é "uma posição antiquada", que exige que se distinga laicidade e laicismo: este "fecha as portas à transcendência", mas "uma cultura ou um sistema que não respeita a abertura à transcendência da pessoa humana, poda, corta a pessoa humana". Reafirma que "estamos em guerra; o mundo está a fazer a terceira guerra mundial, aos pedaços: Ucrânia, Médio Oriente, África, Iémen... É muito sério. Hoje fazem falta líderes; a Europa precisa de líderes, líderes que avancem". Quais são os danos maiores dos meios de comunicação social? Dois: dizer uma parte da verdade e não a outra "é desinformar"; "a doença da coprofilia, que é buscar sempre o escândalo, comunicar as coisas feias". Dois conselhos aos jovens: "Buscar horizontes", "não te reformes aos 20 anos".

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

 



publicado por animo às 13:52
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WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Frei Bento Domingues

In Publico

 

De mãe a discípula

A igreja não tem nenhuma fórmula para salvar o mundo. É uma convocatória para o trabalho. Não é pouco.



1. Pertencem a Paulo os primeiros escritos do Novo Testamento. Não são de carácter narrativo. São tentativas de interpretação de uma experiência que mudou completamente a sua vida, que o fez nascer de novo. A iluminação que derrubou as suas certezas não o fez ver apenas que nem Jesus nem os seus discípulos eram traidores da autêntica fé de Israel. Esta tinha sido atraiçoada ao deixar-se prender pela Lei, pelos seus preceitos e regulamentos, tornando-se uma questão nacionalista.

Jesus não cabia em Israel e não era só um judeu fora de série. Era um começo novo da humanidade. S. Lucas imaginou a sua genealogia como filho de Adão, como filho de Deus[1] e S. Mateus dirá, citando Isaías, que ele é Deus connosco[2]. É o evangelho de um filho da humanidade para toda a humanidade.

Quem frequentar as engenhosas narrativas, magníficos romances do nascimento e dos começos da vida de Jesus, não corre o perigo de imaginar que estamos a preparar, com o Advento, o nascimento de Cristo, assunto há muito resolvido. O que nos falta é consentir em nascer de novo. Como já referimos na semana passada, a grande figura do Natal é Nicodemos, um fariseu membro do Sinédrio[3], que andava de noite à procura da luz.

2. Maria, nunca foi, nunca será tirada do Presépio, mesmo que este não figure nem no Evangelho de Marcos nem no de João, que apanharam Jesus já em andamento.

No Evangelho de João, Maria é surpreendida entre dois milagres, ou sinais, como ele gosta de dizer. Tudo começa com um casamento onde se encontrava a Mãe de Jesus e para o qual também o seu filho e os seus discípulos foram convidados.

É estranho que numa boda falte vinho. Maria mostra-se muito ansiosa com aquela vergonha e pede ao filho que faça alguma coisa. Recebe uma resposta mal criada, agressiva. Maria faz-se desentendida e diz aos serventes: fazei o que ele vos disser. Água não faltava e, de repente, torna-se num vinho de excepção. Todos conhecemos o resto da conversa, o milagre da água convertida em vinho. Só que o verdadeiro milagre não foi esse. Esquecemos o milagre dos milagres.

Fixemos o contraste da narrativa. No começo, Maria é a mãe que mostra a sua relação com o filho. O seu filho. É ela que toma a iniciativa. Não esqueçamos a continuação.

Depois do que aconteceu, desceu a Cafarnaum ele, a sua mãe, os seus irmãos e os discípulos. Ali ficaram alguns dias.[4]

Qual foi, então, o grande milagre? A partir daquele momento, no Evangelho de S. João, nunca mais se fala de Maria, mãe de Jesus. Só reaparece durante a crucificação do seu filho: Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé a sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas e Maria Madalena. Jesus então, vendo a sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem mais amava, disse à sua mãe: Mulher, eis o teu filho! Depois disse ao discípulo: eis a tua mãe! E, a partir dessa hora, o discípulo recebeu-a em sua casa[5].

3. Que significa este longo silêncio? Jesus viveu uma longa polémica com os discípulos: traído por um e abandonado por muitos[6]. Os seus irmãos também não acreditavam nele[7].

O caso de Maria é completamente diferente. O Evangelho de João mostrou que a mãe de Jesus deixou de mandar no seu filho, mas não o abandonou, nem deixou de acreditar nele. Tornou-se a mãe que vai, silenciosamente, para a escola do filho. Só reaparece quando já está identificada com o projecto de Jesus e com a decisão de o acompanhar até ao fim.

Se Jesus passou a vida, a sua vida de intervenção pública, a tentar fazer família com que não era da família, a ponto de os familiares o julgarem doido[8], na cruz, Maria é apresentada como a Mãe da nova humanidade. Ela vai aparecer no meio dos apóstolos na preparação do advento do Pentecostes: eram Pedro, João, Tiago, André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão Zelote e Judas filho de Tiago. Todos, unânimes, eram assíduos à oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus e os seus irmãos[9].

O doido da família conseguiu enlouquecer a família.

Se a Igreja renunciasse a trabalhar por um mundo, família de muitas famílias, de muitos povos, culturas e religiões ou sem religião, significaria que tinha renunciado a acreditar na sua missão: revelar que, na sua imensa diversidade, há uma só humanidade, feita de filhos de Deus, de irmãs e irmãos. Talvez continuasse a falar na dignidade e no primado da pessoa humana, mas estaria apenas a referir-se a uma abstracção.

Importa confessar que isto está muito atrasado. Passaram dois mil anos e, quando dizemos que Jesus é o Messias, ainda estamos longe dos poemas de Isaías e das promessas do Apocalipse de um novo céu e uma nova terra[10].

Não é coisa que não se soubesse há dois mil anos. As parábolas do grão de mostarda e do fermento não nasceram por acaso.

No entanto, nem elas nos podem valer. Não temos nenhuma fórmula que nos explique o mistério do tempo. A Fé cristã está ligada a um crucificado. A Ressurreição diz-nos que a morte não é a última palavra sobre a nossa vida. A sua garantia só é dada pelo que fizermos para ressuscitar alguém esquecido na sua dor.

A igreja não tem nenhuma fórmula para salvar o mundo. É uma convocatória para o trabalho. Não é pouco.

 

 

[1] Lc 3, 38

[2] Mt 1, 23

[3] Jo 3, 1-21

[4] Jo 2, 1-12

[5] Jo. 19, 25-27

[6] Jo 6, 64-71

[7] Jo 7, 1-16

[8] Mc 3, 20-33

[9] Act 1, 12-14

[10] Ap 21-22



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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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O islão e as luzes. 2

Continuo com o Manifesto a Favor de Um Islão das Luzes, de Malek Chebel. As outras propostas urgentes:

8. "Sancionar de modo mais severo os autores de crimes de honra." Mas não basta a sanção. É preciso ir mais fundo, libertando os valores de vontade pessoal e escolha amorosa feminina. "Enquanto a mulher não tiver a possibilidade de formular escolhas amorosas independentes, não poderá ser tomada a sério."

9. "Modernizar a lei civil e o código pessoal." Impõe-se um direito positivo mais conforme com o espírito do tempo, não identificado com a sharia, a lei religiosa. Sem se ser radical, "examinar o conjunto do potencial do direito islâmico, determinar a parte ainda viva, isto é, capaz de evoluir, depois adaptá-lo às novas condições de existência dos muçulmanos, afastando o que se tornou caduco. Este estudo deverá denunciar os aspectos mais retrógrados da sharia: cortar a mão ao ladrão e a língua ao mentiroso, colocar de quarentena a mulher durante a menstruação, aplicar a lei de talião, divisão injusta da herança, etc.".

10. "Reavaliar o estatuto da mulher." Toda a misoginia ligada à suposta inferioridade da mulher "desfigura o islão e dá uma má imagem do terceiro monoteísmo". "Repúdio, poligamia, casamentos forçados (e sobretudo casamentos precoces com 11 ou 13 anos), raptos de jovens raparigas, difamação das mães celibatárias e assassinatos perpetrados em nome da honra: aí estão alguns aspectos - flagrantes - da inferioridade jurídica da mulher muçulmana em relação ao homem", fundada na sua anatomia e fisiologia, muitas vezes consideradas mais importantes do que "o seu ser profundo". A mulher não pode ser considerada menor toda a vida.

11. "Dar à justiça os meios da sua independência." De facto, hoje a justiça parece não ter autonomia e independência reais.

12. "Remeter o trabalho para o coração da cidade." De facto, mesmo se é necessário determinar o sentido de esforço, o próprio Alcorão (53, 39) repete: "O homem não desfrutará senão dos frutos do seu esforço." Impõe-se a luta contra a miséria e a discriminação económica.

13. "Lembrar a preeminência do indivíduo sobre a comunidade." Evidentemente, não está em causa o valor da comunidade. Mas o fenómeno da "fusão do sujeito no colectivo retardou, e por vezes impediu, a emergência da esfera privada, sendo o indivíduo singular o pivô desta, com as suas exigências de intimidade e expressão pessoal". Por exemplo, há esta contradição: vestindo eles à ocidental, não têm pejo em impor o véu às suas mulheres.

14. "Lembrar o primado da política em matéria de gestão da sociedade." É a questão essencial da separação da religião e da política. Sem secularização, a não confundir de modo nenhum com secularismo, tal como se não pode confundir laicidade com laicismo, não se vê como se dará o salto para o progresso.

15. "Lutar contra o assassinato político mediante uma democratização dos regimes."

16. "Fazer da liberdade de consciência e da liberdade de pensamento virtudes muçulmanas." Um dos aspectos mais urgentes em ordem a um novo humanismo e, no entanto, um dos mais difíceis ou até o mais difícil, porque o islão é ao mesmo tempo "um mundo profano e um universo espiritual, um Estado político e uma religião de transcendência, um código de conduta aplicável in extenso e um guia moral".

17. "Desfazer-se do culto da personalidade", que serve os regimes opacos e não democráticos.

18. "Respeitar escrupulosamente o outro." Porquê uma mesquita em França e não uma igreja na Arábia Saudita?

19. "Levantar a hipoteca que toca o dinheiro." Há ou não "um contraste indecente" entre a riqueza fenomenal de alguns muçulmanos e a pobreza igualmente alucinante de outros?

20. "Sem complacência com a corrupção."

21. "Iniciar uma política voluntarista em matéria de novas tecnologias."

22. "Definir uma política clara no domínio da bioética": quanto ao preservativo, contracepção feminina, aborto, bancos de esperma, fecundação artificial, barrigas de aluguer, eutanásia...

23. "Lembrar a obrigação ecológica."

24. "Liberalizar o som e a imagem."

25. ""Despenalizar" o jogo e as diversões." Reconhecer a importância da criação artística e o contributo das actividades lúdicas para o equilíbrio.

26. "Investir no domínio da governança global." Impõe-se "um dever de solidariedade com o resto do planeta".

27. "Tornar prioritário o investimento no ser humano." Como pretender salvaguardar a dignidade de muçulmano, "se não se respeita o homem, o vizinho, a mulher, a criança, o estrangeiro, o adepto de outra religião?"

Conclusão: "Reinventar a racionalidade e o sentido da história para viver melhor a fé: eis uma atitude subtil que Deus julgará de modo positivo."

Todas estas propostas valem também, digo eu, para a Igreja Católica e todos os crentes. É falsa toda a religião que se opõe à dignidade e aos direitos humanos. A religião verdadeira é a favor da promoção humana, da sua dignidade inviolável e dos seus direitos. Por palavras e por obras.

 



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WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Frei Bento Domingues

in Publico, 11 Dez

Semeadores de mudança: poetas sociais (2)

As organizações dos excluídos — e de tantas outras de diversos sectores da sociedade — estão chamadas a revitalizar e a refundar as democracias que atravessam uma verdadeira crise.

1. A partir dos finais dos anos 60 do século passado, os militantes dos movimentos cristãos eram bombardeados com repetidas afirmações marxistas: a fé é a alienação da vida humana, a Igreja é o secular instrumento da alienação e os padres são os intelectuais orgânicos desse processo alienador.
 

A liturgia e a mística eram consideradas formas de fuga do mundo. Nesta perspectiva, a mística era rejeitada como expoente máximo do medo à realidade material, da fuga das responsabilidades sociais, da alienação na sua forma extrema. Era também recusada por ser uma mística de olhos fechados perante a história, sem ligação com as tarefas humanas[1].

Muitas atitudes e práticas religiosas, do passado e do presente, merecem bem esta crítica, mas diante do texto do domingo passado, e que desejo continuar hoje, essa crítica faz-nos sorrir. Não foram poucos os marxistas da época que se emburguesaram. Muitas pessoas da Igreja — e muitas que não se reconhecem em todas as suas expressões —, lideradas pelo Papa Francisco, vêem o mundo a partir dos excluídos e vivem em função da transformação da sociedade, como ficou claro no 3.º Encontro com os participantes dos Movimentos Populares.

As organizações dos excluídos — e de tantas outras de diversos sectores da sociedade — estão chamadas a revitalizar e a refundar as democracias que atravessam uma verdadeira crise. Não devem ceder à tentação de se deixarem reduzir a agentes secundários ou, pior, a meros administradores da miséria existente. Nestes tempos de paralisia, desorientação e propostas destruidoras, a participação como protagonistas dos povos que procuram o bem comum pode vencer, com a ajuda de Deus, os falsos profetas que exploram o medo e o desespero, que vendem fórmulas mágicas de ódio e crueldade ou de um bem-estar egoísta e uma segurança ilusória.

Como vimos no domingo passado, Bergoglio não acredita na fórmula beata: vai-se fazendo o que se pode e depois se verá. Para revitalizar a democracia é preciso não fechar os olhos e alimentar ilusões. Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo nem problema algum. A desigualdade é a raiz dos males sociais[2]. Por isso, o Papa Francisco disse e repetiu: o futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos, na sua capacidade de se organizarem e orientarem este processo de mudança com humildade e convicção[3]. Não devem consentir em serem excluídos da Política, com letra grande, e reduzir cada um dos movimentos à sua pequena horta.

2. O velho argentino tocou num segundo risco dos Movimentos: deixar-se corromper. Assim como a política não é uma questão de “políticos”, também a corrupção não é um vício exclusivo da política. Há corrupção na política, nas empresas, nos meios de comunicação, nas igrejas e, também, nas organizações sociais e nos movimentos populares. Há corrupção radicada nalguns âmbitos da vida económica, em particular na actividade financeira. É menos noticiada do que a corrupção de âmbito político e social.

Importa, no entanto, realçar o seguinte: aqueles que escolheram uma vida de serviço têm uma obrigação acrescida de honestidade. A medida é muito alta: é preciso ter vocação para servir com um forte sentido de austeridade e humildade. Isto é válido para os políticos, para os dirigentes sociais e para nós pastores.

Disse "austeridade" e gostaria de esclarecer que esta palavra é equívoca. Refiro-me à austeridade moral, no modo de viver, pessoal e familiar. Não estou a falar daquela que é imposta pelas leis e astúcias do mercado…

3. A qualquer pessoa que seja demasiado apegada às coisas materiais e que ama o dinheiro, banquetes exuberantes, casas sumptuosas, roupas de marca, carros de luxo, aconselharia que compreenda o que está a acontecer no seu coração e que reze a Deus para que o liberte destes laços. Mas, parafraseando o ex-Presidente latino-americano que está aqui, todo aquele que seja apegado a estas coisas, por favor, que não entre na política, não entre numa organização social ou num movimento popular, porque causaria muitos danos a si mesmo, ao próximo e sujaria a nobre causa que empreendeu. E que também não entre no seminário!

Peço aos dirigentes que não se cansem de praticar esta austeridade moral, pessoal, e peço a todos que exijam dos dirigentes esta austeridade, que — de resto — os fará sentir-se muito felizes.

É no Advento que estou a ler este longo, belo e exigente discurso do Papa. Não é para preparar o nascimento de Jesus. Essa questão está resolvida há mais de dois mil anos. Para o Natal que interessa, a grande narrativa é a conversa nocturna de Jesus com Nicodemos: precisas de nascer de novo e não perguntes como, sendo já velho[4].

Boa receita! 

 

[1] Olegario González de Cardedal, Cristianismo y mística. Teresa de Jesús de la Juan de la Cruz, Educa, Buenos Aires, 2013, pp.215-216.



publicado por animo às 23:06
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AS ASSINALADAS PEDRAS QUE DA OCIDENTAL PRAIA...

AS ASSINALADAS PEDRAS QUE DA OCIDENTAL PRAIA....

Estava muito longe de tropeçar na realidade que se me ofereceu a caminho que estava do novo relvado junto às intalações da Marinha em busca do galo da Joaninha Vasconcelos.
O galo já lá não estava, mas, em contrapartida,descobri dois homens de meia idade concentrados em colocar de pé, pedra sobre pedra, as pedras que há séculos são beijadas pelas aguas do Tejo.
2...
De entre as figuras, sobressaiu um conjunto evocativo da quadra que atravessamos, nem mais do que um eternecedor Presépio! Mas também, e em grande destaque, uma evocação da próxima vinda a Portugal do Papa Francisco. Não tenho a minha dúvida de que estes "artistas da periferia" mereceriam a total simpatia de Francisco.

O pouco tempo disponivel não permitiu que corresse o risco de saltar o muro para dois dedos de conversa.
Para a próxima será.

De facto, a ARTE NÃO SE ESGOTA NAS GALERIAS e até as pedras do rio nos proporcionam tantas alegrias.

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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES EM VERSÃO DE MÃO EM MÃO

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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2016
última hora DECIDI OFERECER ESTA OBRA À CÂMARA MUNICIPAL DE ABRANTES

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última hora
DECIDI OFERECER ESTA OBRA
À CÂMARA DE ABRANTES

A poucas horas de finalizar a exposição "100 ANOS DE ARTES PLÁSTICAS EM ABRANTES", acabei de comunicar ao Vereador Luis Filipe, pedindo-lhe que do facto desse conhecimento a toda a Câmara, incluindo a Exma Presidente, a minha decisão em oferecer à Câmara Municipal o trabalho com que participei nesta exposição.
Tomei esta decisão face ao continuado silêncio da autarquia sobre a proposta verbalmente apresentada aquando da inauguração, para que adquirisse a obra abdicando dos meus direitos de autor para uma eventual serigrafagem a qual poderia render à Câmara alguns fundos para apoio a jovens artistas.
Assim, a obra ficará pertença da Câmara, reservando-me, agora, os direitos de autor face a uma hipotética serigrafagem por outras entidades e ainda a possibilidade de poder dispor dela para futuras exposições.
2
Quero agradecer à minha querida amiga e grande artista pintora abrantina, Paula Dias, aqui na foto a meu lado, todo o apoio que me proporcionou para a elaboração deste trabalho.
Agradecimentos, desde logo, aos meus queridos amigos João Daniel e Rui Pereira, este da Pastelaria Pereira, por todo o apoio concedido igualmente.
3
No momento em que termina aquela que foi a mais visitada de todas as exposições, segundo me dizem da Galeria, quero exprimir a honra que me deu este convite por parte da autarquia.
Abrantes está, para sempre, gravada no meu coração como uma pátria que me acolheu e onde tudo fiz para levar bem longe o seu bom nome, desde logo, pela participação na criação dos Serviços Culturais da própria autarquia, passando pela imprensa local e pelo decisivo papel que Abrantes alcançou à escala nacional e internacional, como pátria das Rádios Livres nos gloriosos anos 80.
Ao contrário do que alguém sugeriu, esta participação não significou a minha reconciliação com Abrantes, já que nunca com ela estive desavindo, antes, o reafirmar de um amor que me levou um dia a contribuir para acabar com o eterno "em Abrantes, tudo como dantes" para o "Abrantes, quanto antes!"

Muito obrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por animo às 17:21
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