Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
VÉSPERAS
22jan1

Basílica da Estrela, há minutos.

Embrulhados no aconchego das Tuas neblinas.Onde o frio, onde o calor?

Apenas e sempre a eternidade do Teu Amor.

antónio colaço


publicado por animo às 23:23
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SAUDADES DE CARDIGOS
mariafreire

TENHO SAUDADES DE CARDIGOS!


Quando eu era pequenina sonhava em ter uma casa grande,
Uma família unida, como tinha naquela altura.


Sonhava em ter muitos filhos para encher essa casa.
Quando era pequenina eu sonhava em ter um jardim com muitas árvores para fazer uma casa na árvore como tinha na casa do Avô, queria ter uma família grande para, na noite de Natal, rodarmos e cantarmos à volta da fogueira grande da Praça fria.

Oh! Como eu tenho saudades desses Natais, em Cardigos, na casa do Avô...



matrizcardigos




Corríamos pelos campos que o Avô cedia generosamente, às famílias numerosas de ciganos (nómadas) e assistíamos às suas festas e rituais, eram mágicas as férias do Natal em casa do Avô.
Tenho saudades de andar pela adega e de me esconder por entre as numerosas pipas de vinho que eram três vezes maiores do que eu, tenho saudades de ver os Homens da aldeia, no lagar, enquanto cantavam e pisavam as uvas fazendo um belo vinho que a Avó Titina punha açúcar porque fazia bem ao coração.

Tenho saudades de ir dar palha ao macho, dos passeios pelo Vale da Lagoa, pelo Vale Fagundes, em cima da carroça do macho com o Tio Manel, sempre a tocar guitarra e a cantar, tenho saudades da apanha da azeitona, de apanhar castanhas e de me picar para lhes tirar a casca, tenho saudades de apanhar morangos da terra, todos muito alinhados, sentir o seu maravilhoso cheiro, passá-los pela água do furo e comê-los.


Tenho saudades da Ilda que se atormentava com os "seus meninos" e que, ainda hoje, tem 42 anos, nem ela nem ninguém sabe o ano ou dia em que nasceu, por isso passou a ser dia 1 de Janeiro, o primeiro dia do ano para não se esquecer.


Tenho saudades de ouvir a Tia Guida a pedir para não corrermos nem pularmos na camarata dos rapazes, pois o lustre da sala de jantar podia cair, tenho saudades do cheiro da cera amarela do chão encerado da casa do avô, das noites de Consoada em que nos juntávamos na cozinha para ver as mulheres fazerem as melhores filhós.



exponet105


Última ceia, na Portugália, com o nosso saudoso Zé Mário.





Tenho saudades do tio Zé Mário, meu padrinho querido, das suas barbas negras, das suas gargalhadas e das histórias que ele contava.
Tenho saudades de ver o Tio Gérard a andar pelo seus próprios pés, sem precisar de ajuda de ninguém, de o ver na porta para o quintal a dar-nos adeus com um sorriso nos lábios, lembro-me de o ver com alguma agilidade a apanhar pinhas no pinhal.

Tenho saudades de ver a Tia Nucha sempre preocupada com todos, de subirmos para o telhado, às escondidas de todos, e sentarmo-nos nas velhas telhas a fumar os primeiros cigarros e a falarmos dos primeiros namorados, tenho saudades da minha família, dos meus primos, tenho saudades de como éramos uma família unida enquanto o Avô foi vivo.


Enquanto não houve partilhas.


Tenho saudades de irmos todos juntos escolher o melhor e maior pinheiro para Árvore de Natal, de arrancarmos das pedras dos muros o musgo para o presépio.


Tenho saudades dos doces caseiros, do cheiro da terra molhada, das pedras da calçada, de ver a chuva em carreiros como só em Cardigos vi. Tenho saudades de ouvir o som de um carro e vir a correr para a porta ver de quem era, era tão raro passarem carros em Cardigos.



Tenho saudades de brincar na casa da árvore… tenho saudades de ir à camioneta que chegava de Lisboa, ás 19h, para irmos comprar o jornal do dia anterior. Era tão estranho e tão maravilhoso viver em Lisboa e passar férias em Cardigos…era tudo tão diferente, tão calmo…tenho saudades de me chamarem para a mesa quando ainda havia horas certas para almoçar/jantar
Tenho saudades de ver a minha Mãe sorrir e de rir com gosto.
Tenho saudades…muitas saudades… dos tempos vividos em Cardigos.
Hoje, passados muitos anos, tenho saudades de já não ter uma casa secular em Cardigos.De já não ter um Avô, nem uma Avó…Tenho saudades…
Tenho saudades.

 


Maria Freire


 


NOTA – Meu caro Zé Mário Tavares, com que alegria nos olhos nos falavas dos teus sobrinhos. Toma, lê, vê, agora, como eles  falam de ti. É um texto com a vila de Cardigos inteira, bem dentro de si. Até arrepia. Parabéns, Maria Freire, que, em boa hora, tropeçou neste cantinho e na nossa eterna dedicação ao Tio Zé Mário. A Maria pode ser lida em


http://petalacaida.blogspot.com.



antónio colaço


 



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MATINAS
22jan

Às vezes recorro a Ti, já no meio da tempestade,implorando-Te que, qual guarda-chuva sempre a jeito, me protejas. Quero perdoar-me, com o perdão de que me dotaste, por insistir no Deus bric-a-brac, que sei detestas ser,  sempre que me esqueço que, depois de todas as tempestades, vem sempre a Tua bonança.

antónio colaço


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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
DOÇURA CAPUCHINHA
21janh


VARSÓVIA (AFP) — Apelidado de 'o apóstolo do Kama Sutra católico', o padre Ksawery Knotz, um monge capuchinho polonês que dá conselhos a casais casados de sobre como praticar sexo, afirma que simplesmente faz um trabalho para Deus.

"Claro que animo os casais casados a rezar para que eles tenham uma vida sexual boa e feliz. Para mim, este é um meio de se aproximar de Deus", declara o monge de 43 anos.

"As pessoas ficam um pouco surpresas no início, mas agradavelmente surpresas", destaca Knotz, que fez, como monge, um voto de castidade.

O religioso atende hoje a mais de 3.000 casais de fiéis católicos na Polônia desde 2000, com uma benção tácita de seus superiores. A iniciativa é tão popular que sua agenda está cheia até o ano que vem.

 

"Se você acredita em Deus, acredita que Deus está presente na vida, no amor, no matrimônio e na sexualidade. Parece natural falar de sexo, e eliminar alguns tabus e manchas do pecado", declara o monge, que vive no monastério dos capuchinhos em Stalowa Wola, sul da Polônia.Autor de um livro chamado "O ato do matrimônio", o padre Knotz tem desde 2004 um site http://www.szansaspotkania.net (a sorte do encontro) em duas versões, polonesa e inglesa.

O monge admite que a educação tradicional da Igreja católica sobre o sexo apresenta fragilidades, mas rapidamente acrescenta que seus conselhos sexuais são reservados a casais heterossexuais que contraíram matrimônio.

No capítulo "A teologia do orgãos", o capuchinho compara o momento supremo do ato sexual com o encontro com Deus no céu.

"O amor de um casal casado, manifestado no sexo, aproxima o corpo humano do céu. O êxtase de uma relação sexual pode ser comparado à alegria da vida eterna", afirma.

"É por isso que este ato conjugal permite aos esposos começar a entender a doçura do encontro com Deus", acrescenta o padre Knotz.

O religioso insiste em uma "comunicação boa e aberta entre os casais", necessária para alcançar os orgasmos celestiais, e incentiva os maridos a darem tempo suficiente às mulheres para satisfazê-las plenamente.

A seus críticos, que o acusam de falta de experiência pessoal, o padre Knotz respondeu: "Não precisais padecer de uma doença do coração para ser cardiologista, nem ser alcoólatra para se tornar terapeuta".

O monge explicou que encontrou sua inspiração na abertura do olhar de sua família e nos ensinos do Papa João Paulo II, que tratou pela primeira vez o tema da sexualidade em um folheto publicado na Polônia em 1960 sob o título "Amor e responsabilidade".

Kasia e Jan Paluszewski, ferverosos católicos casados há 18 anos e pais de três meninos, de 16, 13 e 3 anos, afirmam que os conselhos do padre Knotz "reforçam e esclarecem" sua vida sexual e sua espiritualidade. "Ele escuta realmente os casais e é por isso que ele nos entende bem", diz Jan Paluszewski, um técnico de informática de 46 anos.


 


nota





Este take da AFP é publicado na sequência  de um artigo hoje editado pela revista Focus e intitulado “Kamasutra Católico“. Como se vê, o nosso amigo Capuchinho não está com meias medidas e as resistências que encontrou, aos poucos, transformaram-se em significativas alteracções na vida dos casais que o procuram.


Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, perguntamos: E por que não? Até quando vivermos condicionados por ideias negativistas que nos impedem de olhar para o nosso corpo como um todo, como obra prima d’Aquele que nos criou e que, no final da Criação, olhando para a sua obra-prima, citando o Pe Anselmo ” viu que era bom“?!


Uma lufada de ar fresco no melhor espírito do " Pelo Irmão Corpo, Louvado Sejas, oh, Meu Senhor, de Francisco de Assis.





antónio colaço





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WEBANGELHO
21jand2

De um amigo da ânimo, o Pe Vitor Gonçalves, com muito gosto, este oportuníssimo WEBANGELHO (para o qual esbocei um primeiro Saulo, Saulo, por que me persegues? que integrará exposição a anunciar em breve!):

À PROCURA DA PALAVRA


P. Vítor Gonçalves


 


CONVERSÃO DE SÃO PAULO Ano B


 



E o Senhor disse-me:
Levanta-te e vai a Damasco;
lá te dirão tudo o que deves fazer
.

Act 22,10


 


Sinais de pista


 


           Quando penso em S. Paulo frequentemente o imagino em movimento. Incansável. A pé, a cavalo, de barco, por estradas e a corta-mato; e quase o vejo apanhar um comboio, um avião, ou mesmo uma nave espacial, tal é o dinamismo que a sua vida nos imprime. E mesmo quando está em algum lugar também tem o coração e a mente presentes em outras comunidades a quem escreve as suas calorosas cartas. Para os limites de comunicação do século I ele é um fenómeno de globalização. Tem uma sede insaciável de que todos possam conhecer e amar Jesus, de que as comunidades sejam um sinal vivo da Boa Nova em acção.


           Na experiência luminosa da estrada de Damasco maravilha-me a identificação de Jesus com os seus amigos perseguidos, mas também a surpresa de não revelar imediatamente a Paulo o que quer que ele faça. Há sempre um mistério em cada chamamento. Algo que só o caminho irá revelando. Como naquela inesquecível definição de vocação que aprendi no Seminário de S. Paulo de Almada: “A vocação é um itinerário com sinais de pista. Cada sinal leva ao sinal seguinte, sem nunca se saber o termo definitivo”. Não vos enchem de “formigueiro” estas palavras? Pois a mim enchem! Ainda que nem sempre veja o horizonte, acredito na luz que permite dar pequenos passos; ainda que nem sempre entenda os sinais, acredito na mão pousada no meu ombro que fortalece a minha esperança! Pois é, Deus não dá mapas, mas é generoso em sinais!


           Ficamos pobres quando “arrumamos” facilmente as nossas procuras, quando não valorizamos o esforço em ler os sinais que raramente são evidentes. Não se trata de um trabalho de adivinhação, de “cartas ou búzios” que se lançam para algum vidente “ler” o futuro ou o passado. É mais a responsabilidade que Deus nos oferece de vislumbrar no quotidiano o seu projecto de felicidade. Um projecto aberto, que não tem um caminho único (ou tem, mas é um caminho especial que se chama Jesus Cristo!), e que cresce na medida em que temos a coragem de sonhar o que parece impossível. Podemos ajudar-nos a compreender os sinais mas ninguém pode dar os passos em vez de nós. Podemos “ser conduzidos até Damasco”, mas daí em diante, o risco e a confiança serão os companheiros de vida. Como S. Paulo, que não deve ter imaginado em que aventura ia embarcar!


           Viajamos mais facilmente, comunicamos à velocidade de um click, mas continuamos a ter de dar resposta aos sinais. O medo e a rotina tentarão prender-nos, a segurança e a prudência atrasar-nos, mas se tivermos um pouco da centelha de S. Paulo, que “viagens” não escreveremos nós?



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MATINAS
21jan


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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
OBÂNIMO
20janf

Ânimo, senhor Presidente!

antónio colaço

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ÂNIMOS EXALTADOS ESPECIAL!

Pode ser que o optimismo lhes dê (aos americanos) algum ânimo.

Luis Costa Ribas, SIC.


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MATINAS
20jana

Uma nesga de sol, lá, ao fundo no estuário do Tejo. Hoje, no grande estuário do planeta, Obama pode ser a nesga de Sol. Do Teu Sol.

20jan

Ontem, aqui, não houve uma nesga de sol que se visse, para além da que transpareceu do olhar tranquilo de Luís. 

Luís, ainda bem que Deus é muito mais misericordioso e compassivo do que nós julgamos e que nos dotou de uma serena inteligência para podermos dizer do seu algoz de ontem " já não há pachorra para tanto deslumbramento". "Graças a Deus" que, para a próxima, mudarei de canal.

antónio colaço

NOTA

Hoje é dia de me acontecerem as mais incríveis histórias.Só depois de editado este post é que dei pela "partida" que o meu amigo Rui Branco pregou. Ou seja, pela primeira vez veio cá a casa!!!Não habia nexexidade daquela foto, aqui mesmo a meus pés, meu caro Rui.Aqui entre nós que ninguém nos ...lê, as audiências já estão tão por baixo...Obrigado e volta sempre!


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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Ao lado da messe dos Oficiais...

Quis o impulso da ocasião, patrocinado por estar pelas redondezas, providenciar a este que vos escreve uma breve mas rica visita guiada pelos passos do convento de São Bento, nossa Casa da Democracia.
A pretexto de um café ofereceu-se com a simpatia e disponibilidade habituais que dedica aos amigos este bigodes que se apresenta na foto anexa. António Colaço, assessor de imprensa do grupo parlamentar do Partido Socialista vai para... muitos anos, com o desportivismo que se enaltece, recebeu este putativo deputado MEPiano com honras de cidadania completa.
Obrigado pelo cafézinho e pelos votos. Haja quem queira acreditar que os há bons e interessados pelos quadrantes políticos que vamos tendo e haja, já agora, quem esteja disposto a diversificar os votos.
António Colaço
Por falar em MEP, fiquei ontem a saber que há um MEP no Bloco de Esquerda, ignorância da Lusa, distracção do jornalista e da RTP? Seria de bom tom reservar a sigla que é do novel partido para esse mesmo partido. Já é difícil quanto baste conseguir chegar aos ouvidos de quem pretendemos representar quanto mais com estes lapsos. Imaginem que a PSP voltava a representar Partido Socialista Português, agente assim não se entende, não é verdade? Ou para evitar confusão teremos de passar a chamar-nos ME? Ups. Isto faz lembrar qualquer coisa... ME, BE... Cumprimentos aos jornalistas parlamentares, vale amigo Colaço? ;-)



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AINDA O PORTO
 

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A beleza de um  intenso e gratuito nevoeiro foi insuficiente para  chamar os nortenhos à sua Foz. "Estamos em crise. As pessoas não saem..."

18jan Em contrapartida, e para espanto meu, o Norte Shopping a abarrotar de gente . Filas em várias lojas, nomeadamente, na área dos novos produtos audiovisuais. Cris... quem ousa falar dela?

antónio colaço


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ÂNIMOS EXALTADOS
animosimbolo2ab3

Prefiro começar com uma vitória.Dá outro ânimo ao partido.

Pedro Passos Coelho, TSF/DN .18Jan.09

A equipa visitante (Paços Ferreira ao reduzir para 2-1 com Sporting) ainda ganhou ânimo...

RTPN,notícias.


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MATINAS
19jan21

19jan

Basílica da Estrela

É só para lhe agradecer, António Colaço. Diáriamente sou leitor do seu Blogue. Frei Bento e Anselmo Borges são verdadeiramente a certeza de que Deus, apesar de tudo, olha por nós.

Duarte Tapadas

NR - Obrigado, Duarte, mas vai ver, um destes dias, que as palavras destes nossos dois amigos nos fazem, em cada dia, compreender, sim, que " apesar de tudo" somos nós que devemos continuar a olhar para Deus. O problema é que, por vezes, esquecemo-nos. Não é dramático nem devemos penalizar-nos ou  culpabilizarmo-nos por isso, ao contrário do que fizeram crer-nos de dentro da própria Igreja, de uma enviezada maneira de conceber a  Igreja. Daí o papel de renovação que estes e outros amigos assumem.É o que penso e verdadeiramente acredito. Aliás, Deus  dotou-nos, também, com essa coisa maravilhosa chamada "perdão" um precioso instrumento para nos auxiliar a superar todas as nossas contradições e esquecimentos próprios.

antónio colaço


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Domingo, 18 de Janeiro de 2009
WEBANGELHO

freibentodomingos2


A prática da hospitalidade gratuita entre as diversas religiões faz bem a todas



1. Os que, no século XIX, anunciaram a "morte de Deus" e o fim da religião foram muito precipitados. A interrogação metafísica não se esgota em nenhuma construção filosófica nem a preocupação religiosa se confunde com as suas expressões organizadas ao longo dos tempos. Se a religião estivesse morta, a cascata de reacções às palavras de Casino (13/1/09), do patriarca da diocese de Lisboa, não teria inundado os meios de comunicação. Voluntária ou involuntariamente, D. José Policarpo realizou uma operação de marketing religioso, sejam quais forem os resultados para a Igreja Católica e para a Comunidade Muçulmana, a curto e a médio prazo. Até os possíveis danos colaterais, no campo do diálogo inter-religioso, convergem para aquele princípio pouco respeitável: "Bem ou mal, o que importa é que falem de nós". No fundo, os muçulmanos conseguiram uma atenção que ultrapassa a sua presença em Portugal. Poderão dizer, à portuguesa, "há males que vêm por bem". Espero, aliás, que este incidente ajude a intensificar e alargar o diálogo da Igreja Católica, em Portugal, com a população muçulmana. O facto de o catolicismo ser maioritário, no nosso país, não pode servir para não ter em conta as outras religiões. O diálogo inter-religioso é essencial para se deixar interrogar pelo outro, independentemente do número dos interlocutores. Não só porque, onde uns, num país, são maioritários podem ser minoritários noutro. Vale a regra de ouro: fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam. Além disso, a prática da hospitalidade gratuita entre as diversas religiões faz bem a todas. Perde-se a ignorância, o orgulho e, com humildade, podem acolher-se e questionar-se mutuamente.
Que o patriarca tenha desassossegado a comunidade muçulmana, a propósito do casamento de jovens católicas com muçulmanos, por causa dos "sarilhos" em que se podem meter, é um aviso de pastor responsável. Não deveria, no entanto, esquecer o que se passa em sua casa. Seria bom que desassossegasse os seus colegas no episcopado, a começar pelo bispo de Roma, acerca dos sarilhos em que envolveram as exigências da celebração do casamento católico - algumas delas dispensáveis - que leva muitos a ficar, apenas, pelo casamento civil. A relação com o divórcio, com um segundo casamento, com o impedimento do acesso à comunhão eucarística dos recasados, acaba por aumentar o número dos católicos não praticantes. Como os sacramentos são para ajudar e não para complicar, até o próprio Deus deve exclamar: ai o que estão a fazer da graça do matrimónio!
2. Essa questão veio interromper uma outra que já andava na imprensa e, sobretudo, na Internet: as reacções à propaganda ateísta nos autocarros. A moda começou em Inglaterra, passou aos EUA, a Espanha e parece que vai chegar a Portugal. O slogan inscrito nos autocarros, inspirado no cientista ateu Richard Dawkins, é o seguinte: "Deus provavelmente não existe. Deixe de se preocupar e goze a vida".
A campanha publicitária, agora em andamento por vários países, começou por ser planeada e parcialmente financiada pela Associação Humanista Britânica (BHA) e visava colocar cartazes em 30 autocarros de Londres.
O novo ateísmo militante tem vários protagonistas de nomeada. Um dos mais célebres é Dawkins, autor de várias obras importantes. Através delas, procurou distribuir as seguintes convicções, sintetizadas por Alister McGrath (1): uma visão darwiniana do mundo toma a crença em Deus desnecessária ou mesmo impossível. A religião estabelece proposições que se alicerçam na fé, o que representa um retrocesso face à busca rigorosa e factual da verdade. Para este autor, a verdade está sempre alicerçada em provas evidentes e todas as formas de misticismo ou obscurantismo, baseadas na fé, devem ser rigorosamente combatidas. A religião oferece uma visão do mundo pobre e pouco clara. "O universo apresentado pela religião organizada é um universo medieval acanhado, extremamente limitado". Inversamente, a ciência oferece uma visão arrojada e luminosa de um universo grande, belo e assombroso. A religião conduz ao mal. É como um vírus maligno que infecta as mentes humanas. Esta não é uma apreciação estritamente científica, uma vez que a ciência não sabe determinar o que é o bem ou o mal: "A ciência não possui nenhum método para decidir o que é ético". Não obstante, esta é uma contestação profundamente moral da religião, bem enraizada na cultura e na história ocidental e que deve ser considerada com a maior seriedade.
No seu livro, Alister McGrath não procurou fazer uma crítica à biologia evolucionista de Dawkins. As opiniões deste devem ser avaliadas pela comunidade científica no seu todo. Ele enfrenta, apenas, as conclusões gerais deste cientista, em particular as referentes à religião e à história intelectual, domínio sobre o qual tem uma competência especial para se pronunciar, isto é, a problemática, extraordinariamente importante, da transição da biologia para a teologia. Ele é biólogo e teólogo. Voltaremos a este tema, pois, como diz Tomás de Aquino, não é evidente que Deus exista ou não exista.


 (1) O Deus de Dawkins, Lisboa, Alêtheia, 2008, p. 21

(In Publico,hoje)


 



 


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E O PORTO AQUI TÃO PERTO
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publicado por animo às 01:54
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Sábado, 17 de Janeiro de 2009
WEBANGELHO(Uff!De ler e chorar por mais!)
anselmoborges_deus22
A MAIOR RIQUEZA: SEMELHANTES


Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia


Há algo essencial que aqueles que quereriam imortalizar-se, mediante a clonagem, esquecem: mesmo os clones, quando dissessem "eu", di-lo-iam de modo único e intransferível. Não é isso, aliás, o que acontece com o gémeos verdadeiros? De facto, cada um de nós é sempre o resultado de uma herança genética e de uma história única, história com cultura.
Nenhum de nós é sem o outro, sem outros. Sem tu, não há eu. Fazemo-nos uns aos outros em interacção. Só com outros seres humanos nos tornamos humanos. A nossa identidade é constitutivamente atravessada e mediada pela alteridade, concretizada em outros.

Ora, não havendo outros sem a interpenetração de biologia e cultura, é inevitável o diálogo intercultural. O encontro com o outro acontece sempre no quadro da cultura, porque não há outro "puro", sem cultura. Assim, na presente situação do mundo, em contexto de multiculturalismo, não basta a mera junção de culturas, vivendo umas ao lado das outras e respeitando-se mutuamente. É preciso passar do multiculturalismo da justaposição ao pluralismo cultural interactivo, deixando-se desafiar por uma identidade interrogativamente aberta.

Neste quadro, há hoje a tendência para valorizar sobretudo a diferença: é a diferença que nos enriquece, diz-se. Quem pode pôr essa afirmação em dúvida, quando se percebeu que a identidade é atravessada pela alteridade? No entanto, se podemos entender-nos, é porque somos fundamentalmente iguais.

Como recordava recentemente, em Santa Maria da Feira, num debate sobre o diálogo intercultural, o filósofo Fernando Savater, a semelhança entre os seres humanos é que cria a riqueza e funda a humanidade. Reconhecemo-nos, porque somos semelhantes. Só porque o fundamental é a nossa semelhança é que há igualdade de direitos e só porque não há diferença de direitos fundamentais é que há o direito à diferença. Afinal, "não há ninguém tão convencido da diferença como um racista".

Claro que, no encontro com o outro, nunca se pode esquecer que o outro é um outro eu e ao mesmo tempo um eu outro, de tal modo que nunca nenhum de nós saberá o que é e como é ser outro enquanto outro, eu outro. Mas o que mais nos interessa é a semelhança, pois, nas diferenças, somos todos humanos, reconhecendo-nos.

Se me perguntam pelo fundamento último da dignidade humana, digo que é a nossa comum capacidade de perguntar. O que nos reúne é uma pergunta inconstruível, sem limites, que tem na raiz o infinito e nele desemboca, sendo as culturas tentativas de formulá-la e perspectivar respostas.

Aqui, assenta a convivência fraterna e digna da Humanidade, reconhecendo todos como humanos. Mas, como também lembrou Savater, inimigos maiores desta convivência são a pobreza e a ignorância. Rejeitamos os pobres, porque metem medo: nada nos dão e obrigam-nos a dar. A ignorância é outra fonte de susto: quando se não reconhece a semelhança, teme-se o diferente.

Aí está, pois, a urgência da solidariedade, assente no reconhecimento da semelhança.

Nesta solidariedade, justiça e caridade têm de abraçar-se. Sobre este abraço, Bertolt Brecht, o famoso escritor marxista, que lia a Bíblia, escreveu estes versos inultrapassáveis: "Contaram-me que em Nova Iorque,/na esquina da rua vinte e seis com a Broadway,/nos meses de Inverno, há um homem todas as noites/que, suplicando aos transeuntes,/procura um refúgio para os desamparados que ali se reúnem.//Não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração./No entanto, alguns seres humanos têm cama por uma noite./Durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua.//Não abandones o livro que to diz, Homem./Alguns seres humanos têm cama por uma noite, / durante toda uma noite estão resguardados do vento / e a neve que lhes estava destinada cai na rua. / Mas não é assim que se muda o mundo, / as relações entre os seres humanos não se tornam melhores. /Não é este o modo de encurtar a era da exploração." |

(In, Diário de Notícias,hoje)


publicado por animo às 07:23
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