Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
RESOLVER A CRISE DA CRISE
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A sabedoria popular, mais do que nunca. De facto, depois da tempestade, vem a bonança. Depois das nuvens negras, das enxurradas, das inundações, a certeza de que, por detrás da natural cortina, reaparece, sempre, o esplendoroso brilho do sol. É uma imagem, vale o que vale, mas a verdade é que nos acinzentados dias que vivemos de tudo precisamos para não perder o norte. Chegou a hora de reaprendermos tudo, questionarmos tudo, para já , no que ao comesinho (é forte, eu sei) viver por cá diz respeito. Tropecei nesta notícia, ontem. Acho que pode passar por aqui parte da chave do que faz falta fazer. Para que a bonança volte a aparecer:

 


Viana do Castelo, 04 Fev (Lusa) - A fábrica de confecções de Arcos de Valdevez, que uma trabalhadora comprou há quatro anos por um euro após uma tentativa frustrada de deslocalização, resiste à crise internacional e até já aumentou o número de operárias.Segundo Conceição Pinhão - a trabalhadora que liderou a luta contra a deslocalização e conseguiu convencer os patrões alemães a venderem-lhe a fábrica por aquele preço simbólico - o segredo está no trabalho e na qualidade. Em declarações à Lusa, Conceição Pinhão admitiu que, neste cenário de crise, o futuro "é sempre incerto".Acrescentou, no entanto, que a fábrica que dirige desde 2005 não se pode queixar porque encomendas "não têm faltado".


"O ano passado é que foi um bocadinho pior, mas neste início de 2009 até estamos bastante bem", disse.


A fábrica conta actualmente com 99 trabalhadores, mais dez do que na altura da tentativa de deslocalização e da compra simbólica. A "Afonso - Produção de Vestuário" funciona há 19 anos na Zona Industrial de Paçô, em Arcos de Valdevez, sendo a sua gestão assegurada por Conceição Pinhão desde 29 de Novembro de 2004, dia em que os patrões, dois empresários alemães, "desapareceram" depois de uma alegada tentativa frustrada de deslocalização."Nesse dia, e já fora do horário laboral, eles tentaram retirar do interior da fábrica tecidos e máquinas para levar tudo para a República Checa, deixando-nos de mãos a abanar, o que só não conseguiram devido à pronta oposição dos trabalhadores", disse na altura, à Lusa, Conceição Pinhão.


A partir desse dia, e para evitar "uma qualquer surpresa desagradável", os trabalhadores revezaram-se durante longos meses em vigílias nocturnas nas instalações da empresa, para que nada de lá fosse retirado. A "Afonso" continuou a funcionar numa insólita situação de "sem dono" até que Conceição Pinhão conseguiu convencer os empresários alemães a vender-lhe a fábrica por um euro, num negócio oficializado em Janeiro de 2005.Nesse mesmo ano, e já sob a gerência da trabalhadora/empresária, a fábrica fechou as contas com um volume de negócios de cerca de meio milhão de euros, um valor que em 2008 ascendeu a 800 mil euros. A fábrica concentrou a sua atenção na produção de camisas exclusivamente para exportação, nomeadamente para Espanha, que absorve a grande maioria das peças, destinando-se as restantes ao mercado alemão. Entretanto, as operárias da "Afonso" continuam todas as semanas a apostar, cada uma delas, um euro no Euromilhões, na esperança de que um dia a sorte lhes bata à porta."Não temos tido sorte, mas a esperança é a última a morrer", frisou Conceição Pinhão.



publicado por animo às 13:29
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MATINAS
bloganimo

Tanta coisa que começa a fazer sentido.Tanta cortina que ainda nos vai impedindo...Assim eu ilumine, assim eu partilhe a Tua Luz.

antónio colaço


publicado por animo às 08:44
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
HOJE, ÀS 14 HORAS, NO TRIBUNAL DE MAÇÃO,O "SUPER JUIZ" CARLOS ALEXANDRE DEFENDE ZÉ HENRIQUE(O DIABO AMARELO)
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Todas as atenções estão hoje viradas para o Tribunal de Mação onde, a partir das 14 horas, continua a ser julgado o nosso querido amigo e atento leitor Zé Henrique, mais conhecido por Diabo Amarelo e que, no que nos diz respeito, nos tempera os almoços de domingo, no seu restaurante Casa Velha, ali bem às portas da Igreja Matriz, invariavelmente, entre um Galo no Forno, umas Migas com Entrecosto Grelhado, uma Sopa da Pedra, um Pato no Forno, para não falar no seu sempre bem aveludado e azeitado Bacalhau à Lagareiro.

Mas, o Zé Henrique não se fica pelos temperos gastronómicos da sua cozinha, e sempre que o dever de atenta cidadania por si chama, lá vai ele meter a colher no pobre quotidiano político de Mação. Só que, desta vez, viu saltar-lhe ao caminho um cozinheiro outro, o presidente da Câmara, que na arte de nos temperar os dias com a sempre desejável ética democrática lhe fica a milhas de distância. Vai daí, toca a meter o empenhado Zé em Tribunal. Uns loteamentos de duvidosa legalidade é o prato que tem estado a ser servido na barra do maçanico Tribunal. E como a Câmara, recentemente, pela voz do dedicado vereador Almeida ameaçou gastar "até ao último cêntimo" para "tirar as nódoas de todos os que atentem contra o bom nome da Câmara", também nós, sem a coragem do Zé, nos ficamos por aqui não vá o diabo, o outro, o vermelhinho, tecê-las.

Dizíamos nós que, hoje, todas as atenções estão viradas para Mação, onde, a partir das 14 horas, o Zé Henrique tem como testemunha de peso, nem mais nem menos do que aquele que vem sendo referido pelos media portugueses como o "Super-Juiz", de seu nome, Carlos Alexandre, que tem entre mãos alguns dos mais mediáticos processos judiciais da actualidade, desde o caso Maria das Dores, Oliveira e Costa, Freeport, para nos ficarmos por aqui. Carlos Alexandre, ao fazer uma pausa nas investigações que tem entre mãos, demonstra, uma vez mais, o apego  a essa outra causa, chamada Mação, de onde é natural.

( Aqui entre nós que ele não nos ouve, brevemente, republicaremos aqui alguns dos seus primeiros textos publicados nas velhinhas edições da ... ânimo/offset!Nem mais.Fica para outro dia.Mas, já agora, e a talhe de foice também o presidente da câmara aqui deu os seus primeiros passos...As voltas que o mundo dá!Voltaremos ao assunto lá para Abril , altura do nosso 30 aniversário!)

O Zé Henrique, aqui fotografado pela nossa reportagem num distante acto eleitoral, tem feito mais pela afirmação de uma alternativa democrática política em Mação do que toda a inexistente oposição junta. Na última  Assembleia Municipal, realizada no final de Dezembro, e onde se discutiu o Orçamento e Plano para 2009, ano eleitoral, nem sombra de presença de qualquer um dos putativos candidatos das diversas forças políticas! Está tudo dito.Só por isso, o Zé Henrique merece a nossa admiração numa vila onde a maior parte das pessoas raramente ousa ultrapassar o silêncio das esquinas.

O presidente da Câmara, que passou a referida Assembleia num silêncio ensurdecedor,  estratégicamente, ou não, fez divulgar, ontem, através da delegação da Lusa para a região, a notícia de que vai recandidatar-se " para um último mandato".Qualquer coisa tipo, "não me apetecia nada pois do que eu gosto é  mesmo de encher Mação de lojas,mesmo que estejam às moscas, mas, já que tanto insistem, aqui vou eu"! Depois do "Mação Verde", o candidato anuncia, agora, querer lutar por um..."Mação Azul".

De que cor ficará, hoje, com a mais que aguardada intervenção de Carlos Alexandre?

Ânimo, amigos!

antónio colaço


publicado por animo às 02:25
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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
CRIATIVIDADE
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Na ânimo costumamos fazer subir à cena exemplos de boa publicidade, daquela que acrescenta algo mais à simples divulgação dos produtos para que nos convoca. No El Pais de 31 de Janeiro, um dossier sobre publicidade é assim divulgado. Lindo.

antónio colaço


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MATINAS
nova-imagem-22

É daqui, deste  exacto ponto da Calçada da Ajuda, que tenho de partir para um novo dia. Chove com intensidade. Mesmo em frente, o Presidente Aníbal Cavaco Silva recebe o Procurador Pinto Ribeiro. Como é que cada um deles partiu de suas casas, no exacto ponto do estacionamento das suas ruas, com a mesma chuva por companheira ... com que antecipadas intenções de tudo fazer para que mais um dia tenha valido a pena viver. Obrigado, por nos sabermos a querer, sempre, saber.

antónio colaço


publicado por animo às 12:17
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
DO RETRATO AOS RETRACTOS
Imprescindível ler.Imprescindível pôr em marcha!


antonio colaço





antoniobarreto

Ajudar quem
01/02/2009    António Barreto Retrato da semana
 O desemprego parece ser a ameaça mais grave. Destrói a economia e a sociedade e cria situações de enorme sofrimentoCrise económica. Crise financeira. Crescimento negativo. Recessão oficial. Crédito difícil. Falência de empresas. Bancos sem recursos. Apoio do Estado. Nacionalização de bancos em dificuldades. Apoios estatais extraordinários. Aumento do défice público. Obras públicas. Desemprego.
Estes são, há já várias semanas, os títulos das notícias. O desemprego parece ser a ameaça mais grave. Destrói a economia e a sociedade. Cria fenómenos individuais e familiares de enorme sofrimento. Deixa sequelas profundas nas pessoas e nas comunidades. Para além das mil e três receitas que os Estados e os economistas inventam, tantas delas sem destino nem viabilidade, os desempregados deveriam estar à cabeça de todas as preocupações. Não apenas por dó, conforto e solidariedade, mas também por outras razões. A paz social e a recuperação económica. E a dignidade humana.
Nestes períodos de dificuldade, perde-se rapidamente a cabeça com programas de salvação, quantas vezes a pensar mais nas eleições do que na sociedade. Há muito dinheiro dos contribuintes a circular, mas não se sabe bem aonde ele vai parar. Salvam-se bancos e empresas, talvez, mas perdem-se vidas e famílias, provavelmente. Recompensam-se criminosos, mas castigam-se vítimas. Confortam-se especuladores, mas ameaçam-se os que poupam. Fazem-se auto-estradas, mas não há quem nelas circule. Por entre planos sofisticados, ficam a ganhar os técnicos e os burocratas, mas perdem os desempregados e os pobres.

Arigidez da burocracia e da legislação elimina hipóteses de intervenção com bons resultados para a sociedade, a economia e os necessitados. A megalomania das administrações e dos tecnocratas leva-os a produzir planos e programas que, no papel, gastam milhões e empregam milhares, mas que geralmente não respondem, ou respondem mal, às necessidades imediatas. Os desempregados que recebem para ficar em casa deveriam ter a oportunidade de fazer algo de útil para a sociedade e para a sua dignidade pessoal. Os reformados com possibilidade de colaborar deveriam ser organizados para prestar serviços úteis, solidários e até produtivos. Os subsídios concedidos a quem sabe movimentar-se agilmente na selva dos fundos deveriam ter, em tempos de crise, outra "filosofia" e estarem destinados directamente a quem precisa e a quem sabe dar-lhes um destino genuíno, não necessariamente as inaugurações preparadas para a televisão.
Deveria ser fácil e expedito encontrar soluções que travassem a caminhada inexorável para a falência e a perda definitiva de emprego. Reduzir a produção, encerrar as empresas alguns dias por semana e diminuir temporariamente os salários deveriam ser aceites por trabalhadores, sindicatos, patrões e Estado. Contratar "precários" em condições especiais deveria ser simples. Tudo isto, evidentemente, desde que os empresários fossem honestos, falassem com os trabalhadores e dessem o exemplo.

Aadministração deveria ter já organizado acções excepcionais que fizessem bem aos desempregados e aos pobres, mas que garantissem uma qualquer utilidade social. Áreas não faltam. Apoio aos lares de idosos, acompanhamento de velhos e doentes, cuidado de crianças em creche. Transporte e deslocação de pessoas carenciadas. Limpeza, reparação e manutenção do património. Classificação de arquivos e documentos. Protecção e vigilância das florestas. Tratamento e amparo dos sem-abrigo. Reparação e calcetamento de ruas. Vigilância dos museus (parcialmente fechados por falta de verba...). Abertura de monumentos e bibliotecas até horas mais tardias. Obras locais nos jardins e parques. Acompanhamento de actividades desportivas juvenis. Transporte escolar. Apoio às actividades das organizações não governamentais e de solidariedade. O que não falta são necessidades.
Ontem, neste jornal, José Pacheco Pereira escreveu sobre estes problemas e evoca em particular a questão do desemprego e dos mecanismos do Estado providência que melhor conhecemos, os que integrariam o "modelo social europeu". Sublinha em particular, com toda a razão, um enviesamento deste "modelo": parece estar feito para proteger melhor os que já têm alguma segurança. O emprego precário, sem as protecções habituais da legislação excessivamente rígida, é combatido pelos sindicatos e por certos partidos, mas é visto por muitos desempregados como uma verdadeira salvação. Em períodos de crise como a actual, seriam úteis dispositivos de toda a espécie que permitissem que as actividades e os empregos a criar durante os períodos difíceis fossem abrangidos por novas regras. Os abusos podem ser muitos, mas é melhor corrigir depois do que deixar o vazio. O subsídio de desemprego deveria estar ligado a trabalho, mesmo que não seja emprego.

Quando há fundos à disposição dos pobres, dos desempregados, dos marginalizados e dos excluídos, assim como quando há recursos orientados para o desenvolvimento, as perguntas que logo surgem ao espírito são conhecidas. Será que esses recursos chegam realmente onde importa? As mulheres e os homens do campo, das fábricas e dos serviços receberão alguma parte dos benefícios existentes? As pequenas e médias empresas que geram emprego com mais flexibilidade e mais rapidez que os grandes conglomerados estão realmente no fim da linha dos fluxos de dinheiros? Os apoios aos pobres, aos desempregados e aos idosos alcançam efectivamente aqueles a que estão destinados? Essas ajudas são instrumentos de recuperação e de recomeço de vida, ou, pelo contrário, reforçam a humilhação dos destituídos e dos desempregados?
Há muitos anos que se sabe que grande parte desses fundos fica pelo caminho. Trabalhos muito sérios das Nações Unidas, do Banco Mundial e da União Europeia mostram que, desde os anos 70, grande parte da ajuda fica entre as mãos dos burocratas, dos políticos e de uma longa fileira de oportunistas que se colocam estrategicamente entre doadores e necessitados. Noutros casos, são os próprios agentes de desenvolvimento, nacionais ou estrangeiros, que retiram uma quota-parte considerável. Há ainda situações em que a ajuda de emergência, cheia de boas intenções, destrói agricultores, artesãos e empresas incapazes de competir com bens de caridade. É sempre assim: a pobreza de muitos aguça a esperteza de alguns.

( In Publico, ontem)


publicado por animo às 15:07
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ESTÁ O INVERNO PARA VIR
candeia

Hoje, em Mação, celebra-se a Senhora das Candeias.

Perante o radioso sol, a ver vamos se o ditado popular que ali faz caminho vai ou não ter concretização:

"Se a candeia chora (se chove!) o Inverno vai embora, se a candeia sorrir (se fizer sol) está o Inverno para vir"!

nova-imagem-20Na minha rua, em Mação, o Inverno é, assim, anunciado!

nova-imagem-21

Quase a chegar à A1, em plena A23, a grande cabeça do Grande Manitu repousa, lá bem ao fundo, na imensa Serra d'Aire. Todo o sol com ele. Todo o Inverno connosco, mais logo, diz a rádio.

antónio colaço


publicado por animo às 13:51
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MATINAS
madrugada

Obrigado pelo  maravilhoso rouxinol que puseste nesta enregelada madrugada.Tal como ele, devo começar, animado, apesar de ensonado, este meu novo dia, tão distante da grande cidade que, por enquanto, ainda me espera.

antónio colaço


publicado por animo às 07:36
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009
ÂNIMOS EXALTADOS
 

animosimbolo2ab1

Houve muita insensatez esta semana.Lino e Silva Pereira , apesar de bem intencionados, excitaram os ânimos.

Marcelo Rebelo de Sousa, RTP


publicado por animo às 21:43
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WEBANGELHO
freibentodomingosLiberdade e humor de um teólogo
01/02/2009    Frei Bento Domingues O.P.

(In, Público, hoje)
 
Hoje, quero recordar o dominicano francês, Christian Duquoc (1926-2008), um dos mais criativos da sua geração

1. O célebre filósofo protestante Kierkegaard imaginou, com humor ácido, Cristo, no Juízo Final, diante de um professor de Teologia: "Procuraste, em primeiro lugar, o Reino de Deus?" "Não", respondeu o professor embaraçado, "mas sei dizer, em sete línguas e talvez mais, a expressão: procurar em primeiro lugar o Reino de Deus."
Por razões diversas e às vezes opostas, os teólogos são quase sempre suspeitos. Dividi-los em conformistas e rebeldes talvez não seja a classificação mais adequada ao fenómeno imenso das correntes teológicas do século XX, cuja significação não pode ser avaliada, apenas, pelos critérios da Congregação para a Doutrina da Fé. Esta acaba de reduzir ao silêncio mais um teólogo, o jesuíta Roger Haight, que já havia sido notificado, em 2004, pelo cardeal Joseph Ratzinger. Da sua obra, que eu saiba, nada foi publicado em Portugal. No Brasil, as Paulinas editaram: Jesus, Símbolo de Deus; O Futuro da Cristologia e Dinâmica da Teologia. Espero que esse silêncio não seja definitivo e que continue, segundo o seu programa, a trabalhar na linguagem da fé apropriada à cultura pós-moderna.
Não é, no entanto, de Roger Haight que me vou ocupar. Não faltarão oportunidades. Hoje, quero recordar, para o futuro, o dominicano francês Christian Duquoc (1926-2008), um dos mais criativos da sua geração que sucedeu, imediatamente, a dois nomes inapagáveis da inovação teológica francesa, os seus confrades: Dominique Chenu e Yves Congar.


2.A teologia, na sua autenticidade, é a mobilização da imaginação e da razão, no decorrer da problemática concreta e plural da existência humana, para a autocompreensão da fé na sua historicidade, pois a fé cristã não é, simplesmente, a adesão a uma doutrina, mas uma forma de vida.
A prática teológica de Christian Duquoc não foi, apenas, a exigência da sua carreira universitária, no quadro das faculdades de Teologia de Lyon e Genebra ou das responsabilidades que teve na revista temática Lumière & Vie, e na revista internacional Concilium. Segundo ele próprio confessou, já no outono da sua vida, a paixão pela teologia nasceu, na adolescência, através da literatura: "Durante a guerra, li Dostoïevski. Este levou-me a reflectir nas relações do homem com Deus e no problema do messianismo. Li, depois, A la Recherche du Temps Perdu e muitos outros romances. Destas leituras, nascia uma visão das coisas estranha às obras clássicas da teologia. Nunca mais abandonei esta prática."
O encontro com os teólogos da libertação latino-americana - teve como aluno o peruano Gustavo Gutiérrez, pai desta corrente - foi o segundo acontecimento que o marcou. Descobriu, com eles, uma forma diferente de fazer teologia, ligada ao mundo dos oprimidos no seio da nossa história caótica. Muito inspiradores foram, também, os 15 anos de professor na Universidade protestante de Genebra. Deu-se conta de um mundo protestante, sensivelmente diferente daquele que habita o ecumenismo oficial. Os professores viviam num diálogo sem finalidade precisa. As suas relações eram desinteressadas e fora dos constrangimentos inter-confessionais. Por fim, o ensino na Universidade de Montreal (Canadá), durante uma dezena de anos, fê-lo sair das problemáticas europeias que viveu sempre intensamente. Por exemplo: o diálogo com os marxistas, anterior ao Maio de 68; a consciência da profunda descristianização do Ocidente; o devir da filosofia e da cultura ambiente com o seu agnosticismo e indiferença, que as discussões em torno dos Padres Operários e da Acção Católica escondiam. Em qualquer dos casos, "o [seu] percurso teológico foi marcado por deslocações e encontros simultaneamente literários e humanos". "Não sei se isso marcou o que escrevi. Espero que sim."

3. Marcou e muito. Como observa Claude Geffré, no seio da produção teológica mundial, Christian Duquoc tem um estilo, só dele, que não se encontra na teologia escolar ou no "pronto a pensar" teológico. A partir das ciências humanas, revisitou as questões mais difíceis, numa escrita ágil e inventiva, longe do aborrecimento que certos trabalhos universitários provocam.
O seu primeiro contributo importante surgiu, em 1964, com A Igreja e o Progresso. Passou por um conjunto de 13 grandes obras, sem contar artigos e colaborações, até 2006, com Dieu partagé. Le Doute et l'Histoire. Nesta obra, culmina um estilo e uma prática que leva a teologia a renunciar ao desejo de querer ser um sistema perfeito. Assume, no coração da Igreja, com toda a lealdade, a interrogação humana nas suas diferentes expressões e figuras e, no coração do mundo, testemunha a interrogação divina nas suas diversas formas religiosas e espirituais. Deste modo, fez da sua teologia o lugar do diálogo entre o mundo e a Igreja e entre a Igreja e a variedade de movimentos de busca do divino, sem nunca renunciar a Jesus, o homem livre, "a subversão cristã do divino".
Ch. Duquoc defendeu sempre, no seio da Igreja, a liberdade crítica do teólogo, na sua busca de inteligência da fé. Não é por acaso que a obra de homenagem, que lhe foi oferecida em 1995, tem o simples título: A Liberdade do Teólogo.

PARTILHA

Ontem, num encontro de antigos companheiros de seminário, dei conta da existência deste WEBANGELHO, alimentado, no meu modesto entender, por dois dos mais esclarecidos evangelizadores do sec XXI. A presidir à reunião um muito querido e conhecido bispo, agora "emérito". Numa pequena conversa, à parte, reforcei-lhe essa minha convicção. Fiquei intimamente convencido não da oportunidade do que dissera mas de algum "aborrecimento" que tal intervenção causara.Longe de mim marginalizar ou diminuir a eficácia daqueles que foram escolhidos para pregar a Palavra mas a verdade é que, na maior parte das vezes, perceber que "a fé cristã não é, simplesmente, a adesão a uma doutrina, mas uma forma de vida" implica muito trabalho, muita atenção à vida e, nela, o papel daqueles que dedicam grande parte do seu tempo a melhor perceber como pôr a nossa vida de acordo com a Vida que o Criador para nós, com Amor, disponibilizou.Sair da leitura destes textos, ou da audição de "homilias" que nos serenizam os dias, torna tudo mais fácil para percebermos que, afinal, Deus, o Seu entendimento, a Sua existência fica cada vez menos difícil. Sim, somos nós que tornamos Deus difícil. Com ou sem ex-comunhões.

antónio colaço



publicado por animo às 18:34
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MATINAS
cheias1

Uma paragem no tempo, Mãe, para te relembrar este pequeno ribeiro,aqui nas proximidades de Penhascoso e de quando contigo me trazias para aqui lavares a roupa. Acho que nos últimos dias estes pequenos cursos de água acordaram para os gloriosos dias de então.cheias2

Uns quilómetros mais à frente, o Tejo, no seu esplendor.Um Tejo bem cheio, longe das indesejáveis cheias de 1979, creio. E em tudo agradecemos o que para nós criaste. Mesmo a sabedoria para dominar ventos e marés.E cheias!Obrigado.

antónio colaço


publicado por animo às 18:09
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