Sexta-feira, 17 de Julho de 2009
TRÊS TRISTES TORRES .parte dois
abrantes6a

Um novo blogue de apoio à necessidade de DEBATER, ANTES DE ERGUER!

Respigamos, para já, a declaração do Arqtº Duarte Castelbranco, uma importante figura de Abrantes, Prof Catedrático nas Faculdades de Arquitectura de Lisboa e Porto, e que todos nos habituamos a respeitar:

‘’Em 1967 eu salvei o convento de São Domingos de ser demolido, passados 42 anos volta a pairar uma nuvem negra sobre o último convento de Abrantes. Construir de forma desproporcionada em relação ao espaço e aos edifícios existentes não construir, é destruir.’’

 Duarte Castel’ Branco

Leia e .... assine a Petição

antónio colaço

NR - Sem tempo para mais, por hoje.


publicado por animo às 10:29
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MATINAS
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 Obrigado pelo verde com que nos embrulhas a respiração dos dias, meu Santo e Louvado Senhor. Obrigado, Monsanto.

antónio colaço


publicado por animo às 10:27
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
A NET,ZMAGLH OU OS OPERÁRIOS DA PRIMEIRA HORA
zmag

zmag2r

zmaglht

A partir de fotograma de Nuno Fox(Sábado)

Parece que foi ontem. Estou a dois passos da secretária onde nasceu a Internet em Portugal!

Zé, eles não sabem do que falo. Alguns dos que te deram "porrada" brilham hoje com programas feitos de "janelas" debruçadas sobre o mundo dos blogues. Também estavam contra, ou, pelo menos, reticentes contra a "qualidade" das então rádios livres e depois, foi o que se viu.

Ainda não é chegada a hora de balanço mas...a história da net, em Portugal, nunca poderá ser feita sem que as tuas tantas e silenciosas horas contem para nos contar como tudo começou .

Apeteceu-me dizer-te isto até para que saibas que a muita porrada que me deste, em troca da velha Messa ( faz de conta que era essa a marca!!!) que te arranjei à socapa, para escreveres os textos da exclusão, valeu a pena.

Sim, não vivo para blogar, blogo porque vivo mas o pouco que balbucio a ti o devo!

Obrigado, Zé! Ou Zmaglh, como aprendemos desde a primeira hora

antónio colaço

NR - Dá para perceber  a provocação andywarholiniana ? " Colaço, deixa-te de manuscritos, já tens estas ferramentas....."


publicado por animo às 18:06
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S.BENTO.AS PROPOSTAS DESTE JARDIM.....
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Este, sim, um Jardim constitucionalmente bem revisto, perdão, revisitado e aumentado.

antónio colaço


publicado por animo às 17:00
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DANIEL POTTER
HARRYPOTTER

- Olá, então não me perguntas como é que correu a Matemática ?

- Dois bilhetes agora para as 14h! O que é disseste?!

- Ainda há bilhetes para o "Anjos e Demónios"?

- Se há! Descanse, isto é tudo malta nova para o Harry Potter....

- Uff!!!Estava a fazer as contas....

antónio colaço


publicado por animo às 14:58
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MALUDA.CALUDA.
MALUDA

 

 

 

 

 

 

 

 

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É uma "retrospectiva" da obra da portuguesa Maluda. Com certeza. Que não deve deixar de ser vista, apesar das obras encavalitadas umas nas outras sob os auspícios do credibilizado GTAC-Grupo de Trabalho dos Assuntos Culturais da Assembleia, o tal que não permite exposições.... a quem não tem nome, segundo o Expresso. E, no entanto, tal como com a Exposição de Serralves, a Assembleia dispõe de muito mais espaços para algo que se assemelhe a uma verdadeira retrospectiva!!! O que diria Maluda se cá viesse?!

-Maluda, a minha solidaried.....

-Caluda!

antónio colaço


publicado por animo às 12:21
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JERÓNIMOS sem palavras
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publicado por animo às 12:11
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INTERVALO PARA PUBLICIDADE
SUPERBOCK

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na ânimo ficamos sempre animados com os bons exemplos de boa publicidade . A Super Bock não pára de nos surpreender. (Luiz, não, ainda não temos nenhum patrocínio!). Mais uma excelente campanha. Já que estamos às portas do Palácio de Belém, embora atrasados, parabéns, Senhor Presidente! O que os anos nos fazem, quando fazemos anos!

antónio colaço


publicado por animo às 12:01
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ÂNIMO.SERVIÇO PÚBLICO
JERÓNIMOS1

 

 

 

 

 

 

 

Lisboa 8.40 da manhã. Hoje. Não, não se trata da mais recente intervenção de arte pública de Joana Vasconcelos ou Pedro Cabrita Reis...( estão lembrados do montão de pneus do ano passado, despejados mesmo às portas da nossa jóia da coroa ?!). Do que se trata é, nem mais nem menos de uma praga de ciúmes, perdão, de limos que ameaçam invadir todo o lago do Jardim Principal dos Jerónimos.

A ânimo, numa de serviço público, alerta quem de direito do Ministério da Cultura, agora que o Engº Sócrates reconheceu ter-se esquecido desta área, façam favor de actuar com as sobras do orçamento. É que depois fica mais caro e neste momento mais de metade já está lixada, perdão, limada, quer dizer cheia de limos.

antónio colaço


publicado por animo às 11:52
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CCB NON STOP... MA NON TROPPO
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Lisboa, 8.45 da manhã. Bora lá até ao "NON STOP" do Tio Berardo.( Ei, Joe, aqui entre nós, dá aí uma ajuda para limpar a merda que se acumula no grande lago do Jardim Principal dos Jerónimos. Uma intervenção, a bem dizeri....coltural!!)

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Na. Por aqui não se vê vivalma.Devem estar todos lá para dentro.Cá fora apenas a colorida multidão das bandeirinhas desfraldadas ao vento.

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Mas o anúncio não engana: estamos em pleno dia 16 de Julho. Tio Joe, " ê nã poude vire más cede,mén..."

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Deve ter havido aqui festa, sim. Mas... non stop, quer dizer, o único que não pára de trabalhar é aquele homenzinho, lá ao fundo,  afadigado em limpar canalizações, ou coisa que o valha! Os projectores estão desligados. A luz é agora natural.

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O Sol. O irmão sol, o único em festa non stop, sim. Mas isso já a gente sabe! Mas... a festa, cadê ela, Joe?!

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Bom, cerveja pela manhã, não propriamente....

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Ei, Joe, não posso esperar mais. Venho cá para o ano. Deixo-te esta foto tipo Andy, do you like it?! Hou much?! Please...forget, man....

antónio colaço


publicado por animo às 11:33
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MATINAS
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Vem, Sol, senta-te comigo, juntos iluminamos mais, muitos mais.

 

antónio colaço


publicado por animo às 10:57
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
DIGA TRÊS TRISTES TORRES
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última hora

Abrantes, Santarém, 14 Jul (Lusa) – A Câmara Municipal de Abrantes quer o arquitecto Carrilho de Graça a projectar o novo edifício dos Paços do Concelho, “a exemplo do que fez” com o futuro Museu Ibérico de Arqueologia e Arte.

Nelson de Carvalho, presidente da Câmara de Abrantes, disse hoje à agência Lusa que “houve um contacto com resposta favorável” com o gabinete do arquitecto Carrilho da Graça, visando a execução de um estudo de requalificação do conjunto dos edifícios da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA) e da antiga rodoviária, para instalação nessa zona do novo edifício dos paços do concelho.

“Trata-se de um espaço contíguo ao Convento de S. Domingos, cujo projecto de requalificação para instalação do futuro Museu Ibérico de Arqueologia e Arte foi elaborado pelo mesmo arquitecto”, disse o autarca, acrescentando que a autarquia entende existirem “vantagens em ser o mesmo gabinete” a projectar o futuro edifício da câmara municipal.

“Faz todo o sentido pela proximidade com o futuro Museu Ibérico, que apresenta zonas comuns, de contiguidade e espaços públicos a partilhar, e pelo facto dos projectos interpenetrarem algum planeamento”, afirmou.

Nelson de Carvalho acrescentou à Lusa que o projecto é “vasto e ambicioso” e que “visa encontrar soluções de mobilidade e estacionamento” para o centro histórico, para além da requalificação de Largos e Praças que “são hoje as praças de chegada das pessoas a Abrantes”.

“Queremos requalificar o Largo 1º de Maio, junto ao Tribunal, construindo um parque de estacionamento subterrâneo com um ou mais pisos, com a criação de um acesso facilitador ao centro histórico através de um elevador que conduzirá os visitantes que tenham como destino o comércio tradicional, os serviços da Câmara ou o Museu Ibérico”, precisou.

Segundo acrescentou, a autarquia quer também que o plano integre estudos e projectos com vista a uma intervenção de requalificação da área próxima aos dois edifícios, “também ela a carecer de uma intervenção de regeneração, para além de um redesenhar da Praça da República”, situada junto ao futuro Museu.

Nelson de Carvalho acrescentou à Lusa que a autarquia já aprovou, em reunião de executivo, a aquisição de um imóvel devoluto localizado na Praça Raimundo Soares, no centro histórico da cidade, “com o objectivo imediato da sua requalificação para poder acolher uma residência de estudantes”.

O imóvel será adquirido pelo valor de 250 mil euros.

Na mesma reunião, a Câmara aprovou o lançamento de um concurso público, no valor de 110 mil euros, para aquisição do projecto de execução do recinto de feiras na Tapada da Fontinha, acessos e criação de via estruturante que, a funcionar em complemento com uma nova postura de circulação do trânsito, “permitirá desviar o trânsito que atravessa a cidade em direcção ao Hospital ou ao Rossio ao Sul do Tejo e facilitará a entrada de viaturas no Centro Histórico”.

MYF.

Lusa/Fim

NR

1.Segundo o take da Lusa , a CMA encomendou, para além do Museu ( NR- uma torre), "estudo de requalificação do conjunto dos edifícios da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), (NR - segunda torre) e da antiga Rodoviária ( NR - terceira torre) para instalação nessa zona do novo edifício dos paços do concelho."

2.A ânimo conseguiu infiltrar um arquitecto no Gabinete de Carrilho e pode adiantar já o que se antevê. O nosso gabinete de design está agora a ultimar o "sky line" de Abrantes com a edificação destas três tristes torres. O cachet pedido pelo nosso designer deixou-nos meio desconfortáveis (ter-se-á passado para o outro lado?!) pelo que aguardamos a todo o momento a chegadada do trabalho executado por um outro gabinete.

3. Será preciso adiantar que .... "qualquer semelhança entre estes comentários e a realidade é mera .....". Aliás, o animador de serviço está quase a ser convencido pelos argumentos de Carrilho. E é tão bonito o " diálogo" entre ... as quatro torres . Sim a de Menagem, claro.

antónio colaço


publicado por animo às 18:00
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SOBRE A POBREZA
Jana2

 

 

 

 

 

 

 

 

Aves Jana

Da pobreza – 1 

Há meses a apresentadora de uma gala de beneficência afirmou que «temos em Portugal dois milhões de pessoas com fome». Não é verdade. Trata-se de um erro resultante da confusão entre “pobre” e “com fome”.

Uma pessoa “com fome”, sabemos o que é.

E uma pessoa “pobre”?

À primeira vista, também sabemos. Mas, se quisermos precisar o que julgamos saber, a coisa torna-se mais complicada. O Banco Mundial encontrou trinta e três definições diferentes de “limiar de pobreza”, ou seja, do limite abaixo do qual uma pessoa é considerada pobre.02062009051AZS

 

 

A ONU adopta como critério de pobreza uma pessoa viver “com menos de um dólar por dia”. Se adoptarmos este critério, podemos talvez dizer que em Portugal não há pobreza, ou é um fenómeno residual.

Mas a União Europeia, e nós com ela, adopta outro critério. A pobreza é aqui definida em termos de “distância económica” relativamente a 60% do rendimento mediano da sociedade. Ou seja, a pobreza não se define por um valor estável, mas por um valor móvel. Numa sociedade em desenvolvimento económico, esse valor mediano sobre. E, ao subir, pode fazer aumentar de imediato o número de pobres.

Dizer que há em Portugal dois milhões de pobres é dizer que há dois milhões de pessoas que têm um rendimento abaixo dos 60% do rendimento mediano dos portugueses. Em 2005, esse rendimento era de 382 euros mensais, portanto muito acima de um dólar por dia. Ou seja, comparados com a pobreza que vai pelo mundo, os nossos milhões de pobres até são “ricos”.

Ora um dos problemas da nossa economia está em que os salários mais altos estão cada vez mais altos e os salários mais baixos não sobem na mesma proporção. Por isso estão cada vez mais baixos, isto é, estão «a afastar-se cada vez mais» do rendimento mediano. Percebemos então como a sociedade portuguesa pode estar cada vez mais rica e termos cada vez mais pobres. O que não significa, em absoluto, que esses pobres vivam cada vez pior. Sabemos como alguns dos nossos idosos, são pobres de um ponto de vista técnico, mas sempre viveram numa tal frugalidade que lhes permite mesmo assim fazer economias e “ajudar os filhos”, que ganham muito mais.

Não estou a justificar nada. Estou apenas a dizer que é conveniente sabermos com o rigor possível do que estamos a falar, para não falarmos sem dizer nada.

Sabendo que as coisas são assim, podemos então aceitá-las como estão ou não aceitar. E, se não aceitarmos, partirmos para alteração do estado de coisas. No caso português, alterar o actual estado de coisas é alterar a distribuição da riqueza no conjunto da população. Não é, seguramente, “matar a fome” a dois milhões de portugueses.

 

Da pobreza – 2

 

Como vimos, há muitas definições de pobreza. E cada definição tem convenientes e inconvenientes. A definição de pobreza como “distância económica” relativamente a 60% do rendimento mediano da sociedade permite uma abordagem estatística e uma comparação horizontal entre países e, assim, contribuir para a definição de políticas objectivas tanto nacionais como internacionais.

Não tenho nada contra essa definição. Mas prefiro completá-la com outra: «Pobre é uma pessoa que se encontra numa situação de carência da qual não pode sair pelos seus próprios meios.»

Tem o defeito de não permitir quantificar, muito menos de um modo universal, um “limiar de pobreza” que possibilite identificar de imediato quem está em situação de pobreza. Mas tem algumas vantagens.

Antes de mais, centra a definição na pessoa, não na situação. Um pobre é uma pessoa, que se encontra numa situação difícil. Mas, sobretudo, ele é pobre não porque se encontra numa dada situação, mas porque não consegue sair dela pelos recursos de que dispõe.

Percebe-se, de modo muito claro, que esta pessoa, em situação de carência reconhecida, precisa de ajuda. Só com ajuda de terceiros poderá sair da situação em que se encontra.

Fica também claro que o objectivo é ajudá-la a sair da situação. E deveria ficar também claro, mas já não é tão fácil, que o sujeito do verbo “sair” é essa pessoa, e não aquele que a ajuda. E deveria ainda ficar claro que não é ajudar e muito menos solução manter a pessoa na incapacidade de sair situação em que se encontra.

Dito de outro modo. Não é grande ajuda matar a fome a quem é pobre, se mantivermos a pessoa na situação de continuar a precisar que lhe matem a fome. É o que diz o velho ditado chinês: «Não mates a fome a um pobre; ensina-o a pescar».

Sou claramente pela solidariedade social. Com este fundamento: a solidariedade é a única forma de salvar quem não pode salvar-se a si mesmo.

Mas, pela mesma razão, a solidariedade consiste apenas e só em fazer aquilo que a pessoa não pode fazer por si. Não pode ser substituir-se à pessoa. Ou seja, toda a solidariedade que mantenha a pessoa na dependência ou na necessidade da ajuda não é solidariedade. Mais que isso, ao manter a pessoa na dependência, sujeita a pessoa a um poder que está fora dela, recusa-lhe a autonomia em que se baseia o estatuto e a dignidade da pessoa e do cidadão.

Percebe-se, assim, que o problema da pobreza de facto, assim definida, é muito mais que um desvio ao rendimento mediano. É sobretudo uma questão de dignidade humana, de direitos fundamentais da pessoa. E percebemos como uma certa “solidariedade” pode manter essa indignidade, apesar das boas intenções. De boas intenções está o inferno cheio.

Ou seja, a verdadeira solidariedade tem de consistir em dar poder às pessoas para viverem a sua vida sem dependência externa injustificada, tem de ser ajudar a pessoa a tornar-se tão autónoma quanto lhe seja possível. Pois esse é o estatuto de base da dignidade de cada pessoa humana e de cada cidadão.

 alves jana

NR - Crónicas publicadas no semanário Primeira Linha, Abrantes. Alves Jana foi um um dos principais animadores da ânimo inicial, versão off-set. Bem-vindo de regresso a esta casa, mesmo que para reproduzir as crónicas que assina no Primeira Linha, o que, desde já, agradecemos. Quer dizer, um destes dias, o Alves Jana vai perder dois minutinhos para escrever para os amigos da ânimo!

antónio colaço


publicado por animo às 12:37
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MATINAS
matinas4

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na cidade dos homens a Luz de Deus desponta em qualquer esquina. Só resta mesmo quebrar a rotina e abrir-Lhe a retina com que nos dotou.

antónio colaço


publicado por animo às 12:26
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009
MATINAS/WEBANGELHO.EM BUSCA DE SENTIDO
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Em Ti, o sentido para tudo quanto se passa comigo.Que a Tua Luz, a clara percepção dela, nunca me falte na viagem. Tu és, de facto, o Único destino.

antónio colaço

____________________________________________________

anselmoborges_deus

 

 

 

 

 

Pe Anselmo Borges

EM BUSCA DE SENTIDO

 

Há hoje uma forte corrente científico-filosófica para a qual entre o Homem e os outros animais a diferença é apenas de grau. Continuo a pensar que ela é qualitativa.

Como mostrou o filósofo Pedro Laín Entralgo, a via mais adequada de acesso à comparação entre o Homem e o animal é a conduta humana observável.

Entre todos os seres da Terra, só o Homem é livre - Kant sugeriu que a liberdade é o divino em nós -, e, assim, responsável e moral, só ele tem a capacidade de razão abstracta, de autoposse, só ele se sabe sujeito de obrigações para lá das instâncias meramente instintivas, só ele pode sorrir, só ele é animal simbólico e simbolizante, só ele é capaz de amor de doação, o animal também sabe, mas só o Homem sabe que sabe, só ele é capaz de autoconsciência, de linguagem duplamente articulada, de sentido do passado e do futuro, de promessas, de criação e contemplação da beleza, de descida à sua intimidade e subjectividade pessoal, só ele sabe que é mortal e gasta tempo com os mortos e espera para lá da morte, só ele pergunta e fá-lo ilimitadamente, só ele cria instituições jurídicas e compõe música, só ele tem de confrontar-se com a questão da transcendência e do Infinito...

Evidentemente, as investigações etológicas, bioquímicas, da genética e das neurociências constituem hoje talvez o maior desafio alguma vez lançado a uma concepção verdadeiramente humanista, por causa da tentação de reduzir o humano a uma explicação no quadro exclusivo do zoológico e bioquímico. De qualquer forma, ao ser humano reflexivo impor-se-á sempre a subjectividade própria, pois a ciência objectiva só existe para e a partir do sujeito. Por mais que objective de si, o sujeito humano deparará sempre com o inobjectivável, já que a condição de possibilidade de objectivar é ele mesmo enquanto sujeito irredutível. O Homem enquanto sujeito transcenderá continuamente a explicação das ciências objectivantes. Aliás, sem esta diferença essencial, o Homem não poderia exigir respeito e reconhecimento pela sua dignidade.

Outra característica sua essencial é a busca de sentido. Enquanto os outros animais aparecem praticamente feitos, o Homem nasce prematuro, por fazer, e tem de fazer-se. Daí a pergunta: fazer-se como e para quê, com que meta e objectivo?

Dizemos que algo não tem sentido - uma frase, ou discurso, por exemplo -, quando os seus elementos surgem sem organização, sem fio condutor. O sentido tem, pois, a ver com uma totalidade harmónica, com significado.

Recentemente, os jornais faziam-se eco da preocupação das autoridades inglesas porque uma percentagem elevada de jovens (10%) se queixa do vazio existencial, sentindo a vida como insignificante e não valendo a pena. Investigadores sociais e psiquiatras não têm dúvidas de que o vazio e a frustração existencial são uma das causas maiores dos desequilíbrios do Homem contemporâneo. Não faltam investigações científicas que mostram que a carência de sentido está frequentemente na base da dependência da droga, do alcoolismo, da criminalidade, do suicídio. Outras investigações chegam à mesma conclusão pela positiva: há, por exemplo, conexão entre a prática de uma religião e o sentimento de felicidade e uma vida mais longa. Entre as razões para essa ligação está precisamente o facto de a dimensão espiritual ajudar a fixar um sentido para a existência: quem vive e vê a sua vida integrada numa totalidade com sentido e sentido último resiste mais e melhor também em termos físicos e mentais.

O Homem é por natureza o ser da transcendência: nunca se contenta com o dado e está sempre para lá de si e de toda a meta alcançada. Vive inclusivamente um desnível insuperável entre o que faz e realiza e a aspiração inesgotável a realizar-se sempre mais. Vai, portanto, caminhando de sentido em sentido, mas só encontraria satisfação total no Bem Sumo enquanto sentido de todos os sentidos, isto é, o sentido último e global. Aí está a razão por que não pode deixar de pôr a questão de Deus, independentemente da resposta que lhe dê, pois ela é intrínseca ao dinamismo do ser Homem.

In, Diário de Notícias 12.07 2009


publicado por animo às 09:10
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