Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
SAUDADES DE SANTA CLARA A NOVA
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Acho que, verdadeiramente, o Sol ainda não se pôs lá naquele lado onde guardamos todas as nossas memórias.As Festas de Santa Clara-a-Nova, num Alentejo a despedir-se do Alentejo, quase a entrar nos Algarves, parece que ainda continuam tal a animação com que são feitas.Sem tempo para muitas palavras, estas são imagens carregadas de um Tempo que parece, às vezes, já ter desaparecido, o de uma comunidade que preserva as suas tradições a todo o custo.

A arruada dos rapazes depois de uma noite a bailar, continuamente, no adro da Igreja, depois de servida, pela madrugada, no mesmo recinto, a açorda alentejana, ei-los que partem pela aldeia, como que a recusarem a ideia de que a festa terminou!

No ombro de um deles, um pequeno pinto, impávido e sereno, melhor dizendo, solidário com as bem dessendentadas gargantas da rapaziada, não rejeitou a cerveja que lhe serviram na mão em forma de concha!

-"Chega, não lhe dês mais, pois já bebeu uma!".

antónio colaço


publicado por animo às 08:24
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Domingo, 16 de Agosto de 2009
MESSEJANA NO CORAÇÃO
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E cá estamos no grande dia, Pai.Uma vernissage fora do vulgar, sem coctails e discursos mas com muito afecto.Desde logo da família e de amigos que a nós se juntaram. Que melhor homenagem, a ti, andarilho de mil trilhos, que passaste a vida  conhecendo gentes, provenientes de tantas partes do sul deste Portugal? Obrigado muito especial a estes amigos que nos rodeiam, a mim e Meninha, minha mulher.Proporcionaram-nos alguns inesquecíveis dias num Alentejo quase a despedir-se a caminho dos Algarves e que aqui, publicamente, agradeço. A essa viagem voltaremos um destes dias. Apesar dos problemas da rede, foi tão intensa e carinhosa a rede de carinho e cuidados básicos (não, não repares para a minha barriga, Pai!)mas, como digo, não vivo para blogar, blogo porque vivo!

 

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E a inauguração continuou, com a inesperada vinda de outros amigos vindos das suas férias e a que se juntou, igualmente, o Presidente da Câmara de Aljustrel, Dr.Manuel Camacho Colaço, o primeiro à direita (sim, parece que temos mesmo laços de parentesco, tal como com o Dr.Francisco Palma Colaço, presidente da Junta de Aljustrel,autor da foto e a quem agradeço, também, todo o apoio).

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 Manuel Camacho tem sido de uma dedicação extrema e a ele se deve, em grande medida, esta exposição/homenagem a ti, Pai. A ele e todos os que tornaram possível, desde o mais humilde ao mais qualificado funcionário da Câmara de Aljustrel, obrigado, outra vez!

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E, finalmente, um obrigado enorme ao Joaquim Gonçalves, Presidente da Junta de Messejana, pois foi ele quem, na inauguração da exposição em Aljustrel, meteu os pauzinhos na engrenagem e lá conseguiu que a exposição viesse complementar o programa das Festas de Messejana, graças à disponibilidade de Manuel Camacho! Vês, Pai, todos juntos à tua volta. O Joaquim chegou um pouco mais tarde pois andou num virote de inaugurações mas fez questão de que tudo corresse pelo melhor.Obrigado, também. E deixo-vos com as imagens possíveis, ainda a recuperar do trauma da falta de rede, não vá ela voltar a faltar!

Quem quiser passar por Messejana, até 30 de Agosto, dirija-se à Junta de Freguesia, que fica mesnmo no Largo principal e alguém da Junta mostrará a Exposição!

 

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Vê, Pai, a Procissão passando mesmo em frente à Capela dos Santos Reis! A inauguração que faltava com a presença da Senhora da Assunção!

 

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antónio colaço


publicado por animo às 16:23
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WEBANGELHO
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Conheci-o na minha juventude como professor de Teologia Moral. Mas não sabia, como acaba de revelar em entrevista a José Manuel Vidal para o EL Mundo, que trabalhou para os serviços secretos vaticanos e o Mossad, que a CIA quis contratá-lo e que esteve detido pelo KGB. Aos 90 anos e nas vésperas de morrer - tem um cancro terminal -, o Padre redentorista Antonio Hortelano faz, antecipando um livro de memórias, quase pronto, revelações surpreendentes.

Embora irritantes para alguns, não faltando mesmo quem o considere um infiltrado e narcisista, valerá a pena uma aproximação de quem se aproxima da morte com imensa dignidade. Acabado de chegar do México, levaram-no ao hospital por causa da gripe A. E o médico: que não tinha a gripe A, mas um cancro do pulmão em fase terminal. Antonio Hortelano: "Vou morrer. Restam-me uns dois meses de vida. Mas não quis químio nem radioterapia. Só cuidados intensivos."

Formou parte dos serviços secretos vaticanos. "Com missões especiais e de forma eventual", diz. O cardeal Montini, então secretário de Estado do Vaticano e futuro Papa Paulo VI, encomendou-lhe várias dessas missões. Foi assim que, por exemplo, viajou com passaporte italiano até à Hungria comunista, por causa do cardeal Mindszenty. Cumprida a missão, de regresso a Viena, foi apanhado pelo KGB, interrogado durante horas e acusado de espionagem. Após 48 horas de interrogatório, "mexidos os pauzinhos adequados" - Vaticano e Israel -, soltaram-no, podendo regressar.

Confessa que trabalhou mais com o Mossad do que com o Vaticano. Porquê com os judeus? Casa bem o sacerdócio católico com ser espião judeu? "Perfeitamente. Jesus foi judeu de raça e religião. E nunca saiu do judaísmo. Não se pode ser cristão sem ser judeu."

Através do Vaticano e do Mossad, tem o privilégio de imensa informação de tipo religioso e político. Até aprendeu as técnicas subversivas. Conhece particularmente os problemas da América Latina e a história da Teologia da Libertação, com a qual aliás tem diferendos. Foi neste contexto que a CIA o pretendeu contratar. "Pensaram que era o candidato ideal para denunciar os teólogos radicais. Mandei a CIA pelo cano de esgoto abaixo, com o que ganhei muitos inimigos."

"O Muro de Berlim caiu graças a João Paulo II, aliado com Reagan." Mas censura Wojtyla pela troca de informações diárias com Reagan: "Todas as manhãs, Reagan mandava as suas informações ao Papa e este enviava-lhe a informação mais quente que recebia de todas as nunciaturas." "Foi um grande erro." Pior, porém, foi o escândalo do IOR, o Banco do Vaticano, e ter confiado as finanças da Igreja a monsenhor Marcinkus. "Foi o arcebispo de Baltimore que lho recomendou, mas já nos Estados Unidos Marcinkus estava relacionado com a Máfia. Por isso, quando se deu a queda do Banco Ambrosiano, que deixou um buraco no IOR de mais de mil milhões de dólares, Marcinkus quis tapá- -lo negociando a dívida com a Máfia. No fim, depois de vários mortos, o Vaticano pediu aos religiosos que se encarregassem da dívida. Aceitaram, mas com a condição de ficarem com a gestão das finanças vaticanas. O Papa não quis e então apareceu o Opus Dei, que, através de Rumasa, tapou o buraco de Roma em troca da prelatura pessoal e da canonização do fundador da Obra."

A Igreja enquanto instituição "precisa de mudanças estruturais, mas sem dinamitá-la". Ousa escrever uma "última carta ao Papa", na qual propõe "com humildade" algumas medidas. Que a Igreja seja "mais equilibrada e mais feminina". Com padres casados e mulheres ordenadas. Com bispos eleitos por 9 anos e a supressão do colégio cardinalício, já que o Papa seria eleito por "uma representação de todo o Povo de Deus".

Não tem medo de morrer? "Nenhum. Tenho fé e acredito no Além." Sente-se orgulhoso por ter trabalhado pelos outros, não esquecendo que também foi "egoísta e muito teimoso". Mas Deus conta com isso. "Em breve chegarei à sua presença e dir-lhe-ei: 'Aqui está o Antonio'." E o epitáfio? A frase do filósofo Zubiri: "Penso, logo existo e existo, não entregue ao nada, mas a Deus."

In Diário de Notícias, 15 Agosto


publicado por animo às 15:45
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Sábado, 15 de Agosto de 2009
MESSEJANA,NO CALOR DAS TANTAS MEMÓRIAS
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publicado por animo às 16:29
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É HOJE,PAI!A CAMINHO DE MESSEJANA
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A exposição quase montada, a ânimo/blog quase desmontada, quer dizer, semrede, sem pedalada para acompanhar o que por aqui se passa!

Obrigado Joaquim Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de Messejana!

antónio colaço


publicado por animo às 08:40
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
ÁGUA DE MAÇÃO:DO SONHO AOS PESADELOS!!!JÁ REPAROU NA SUA ÁGUA DE HOJE?
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Somos duas pobres mas honradas postas de pescada que muito gostaríamos de ser cozidas, hoje, em água que não parecesse estagnada!

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Agora para a limpeza completa do seu rosto, "água cor de mel"!!!

(Nota: esta imagem de hoje foi obtida uma semana depois de uma outra que publicamos lá mais para baixo.É visível que está menos colorida, um pouco mais ..."límpida",quer dizer!)

Estamos há mais de 35 anos à espera de que corra nas nossas maçanicas torneiras  água com qualidade!

UM SONHO QUE DEMORA A ...CONCRETIZAR!

Um pesadelo, portanto!

Se você tem "o bom feitio dos beirões", se é "brincalhão como os ribatejanos" e se "é pachorrento como os alentejanos" e, sobretudo, se deixar que façam de si parvo*, vai ter de aguentar mais 35 anos para esperar que "se concretizem" estes e outros "sonhos".

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Já voltamos para continuar a desMistificAÇÂO!

PATRIMÓNIO:ENTRE O SONHO E OS PESADELOS DOS ÚLTIMOS ABORTOS ARQUITECTÓNICOS E DESENVERGONHADOS (DES)ALINHAMENTOS!

 

antónio colaço

*O actual presidente da CMMação, em entrevista ao Jornal de Abrantes, Junho,2009.


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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
A desMistificAÇÃO:"CONCRETIZAR SONHOS" OU DESMONTAR A CRUA REALIDADE?!
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Entre o proclamado "Concelho a Concretizar Sonhos" e a dura REALIDADE de Mação, quase 35 anos de MISTIFICAÇÂO.

Aguarde.

Vamos demonstrar-lhe porque é que o seu sonho de um Mação

COM ÁGUA DE QUALIDADE

COM UM PATRIMÓNIO RECUPERADO DE QUALIDADE

COM UM CENTRO HISTÓRICO LONGE DAS ACTUAIS RUÍNAS

COM UMA POLÍTICA DE TURISMO QUE POTENCIALIZE A NOSSA RIQUEZA PAISAGÍSTICA

etc,etc,etc,

tarda, mais de 35 anos depois, em ser uma realidade!

antónio colaço


publicado por animo às 08:22
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Sábado, 8 de Agosto de 2009
WEBANGELHO
anselmoborges_deus2

 

 

 

 

 

O capitalismo é moral?


por Anselmo Borges


(In DN,Hoje)



Há um passo célebre da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant, sobre o "comerciante avisado", para mostrar o que é realmente moral. O comerciante avisado e prudente não engana os seus clientes, pois a honestidade é necessária para o bom andamento do negócio. Ele age de modo conforme ao dever - não enganar os clientes -, mas isso não significa que aja moralmente. A acção só é moral, se agir por dever e não com uma intenção egoísta, isto é, porque o seu lucro o exige.

Em A República, Platão apresenta o famoso anel de Giges, que, colocado numa certa posição, tornava o seu possuidor invisível. Com o anel e os seus poderes mágicos de invisibilidade, Giges, que era um homem honesto, entregou-se a uma série de crimes. Colocado nesta situação de poder tornar-se invisível, pode alguém fazer o teste da sua moralidade, verificando que só é verdadeiramente moral quem, mesmo invisível, continuasse a agir por dever e não por interesse ou por medo do juízo dos outros.

À pergunta em epígrafe, que constitui também o título de uma obra de André Comte-Sponville, o conceituado filósofo responde: "Não. O capitalismo não é moral, mas também não é imoral; é - total, radical, definitivamente - amoral." Assim, por exemplo, aos protestos compreensíveis de quem se revolta porque o preço de determinado produto está acima do que a decência pode tolerar, observa: "A decência, que eu saiba, não é uma noção económica."

Para perguntas e respostas correctas, é necessário distinguir as ordens, os níveis ou domínios.

A primeira ordem é a ordem tecnocientífica - no caso da economia, a ordem económico-tecnocientífica -, estruturada, interior- mente, pela oposição do possível e do impossível. Esta fronteira interna entre o possível e o impossível é incapaz de limitar a ordem tecno-científica, porque se desloca constantemente: pense-se no que era antes impossível e hoje possível no domínio da biologia e do progresso tecnológico em geral. Mas precisamente estas novas possibilidades e suas consequências - manipulações genéticas, poluição...; no caso da economia, as variações do mercado... - podem pôr em causa o futuro da Humanidade ou afectar dramaticamente a vida de milhões de pessoas.

Assim, uma vez que esta ordem é incapaz de limitar-se a si mesma - não há limite biológico para a biologia, limite económico para a economia, etc. -, é preciso limitá-la do exterior, com a ordem jurí- dico-política, a lei, o Estado, ordem estruturada interiormente pela oposição do legal e do ilegal.

O legal pode, porém, não respeitar a dignidade humana: pense-se na legalização do esclavagismo ou do racismo. Não se vota o bem e o mal: "O indivíduo tem mais deveres do que o cidadão." Assim, a ordem jurídico-política é limitada do exterior pela natureza e pela razão, pela ordem moral (o dever, o interdito). Quer dizer, há o pré-jurídico e pré-político.

Por último, a ordem moral é "completada", abrindo-se ao divino, que é a ordem do amor e da gratuidade.

O capitalismo é, pois, amoral. Não funciona pela virtude nem pelo desinteresse ou pela generosidade, mas pelo interesse pessoal ou familiar, pelo egoísmo. Se funciona bem, é precisamente porque egoísmo é coisa que não falta, mas, também por isso, não basta. O mercado, que mostrou ser o sistema mais eficaz, não tem a capacidade de regulação socialmente aceitável e a moral também não consegue.

Então? "Entre o poder cego da economia e a fraqueza da moral, só a política e o direito nos permitem fixar limites não-mercantis ao mercado, regulá-lo, a fim de que os valores morais dos indivíduos dominem, pelo menos em parte, a realidade amoral da economia. O problema, hoje, é que se cavou um desfasamento entre a escala mundial dos problemas económicos e a escala nacional dos nossos meios de acção sobre esses problemas." É aqui que se mostra a urgência de uma política mundial, o que implica compromissos entre Estados, para que o capitalismo seja limitado nos seus efeitos perversos e dramáticos. "Quanto mais lúcido se é quanto à força da economia e à fraqueza da moral mais exigente se deve ser quanto ao direito e à política." C


publicado por animo às 08:29
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
MESSEJANA.15 DE AGOSTO.16 H CAPELA DOS SANTOS REIS."PERTO DO PRINCÍPIO"
aljustrelfinal3ab

 

Está tudo dito!

A ânimo em ritmo de férias, sim, mas a trabalhar para que a homenagem ao meu querido e saudoso Pai, no próximo dia 15 de Agosto, possa estar à altura do grande homem que José Jacinto, o Zé Padeiro, foi!

Um obrigado à Câmara de Aljustrel e à Junta de Freguesia de Messejana, na pessoa dos seus presidentes agradecendo a todos os que tornaram possível a concretização deste sonho antigo.

Adeus, Zé! Até mais logo!

PERTO DO PRINCÍPIO

Aljustrel, Messejana, há mais de meio século que me bailam nas caiadas ruelas da memória os nomes destas longínquas terras que o meu querido Pai, de quando em vez, entre uma indisfarçável saudade e uma contida amargura, convocava para as familiares conversas da casa térrea do Largo do Espírito Santo na altoalentejana e distante vila de Gavião que o acolhera.

Como costumo dizer, não vivo para pintar, pinto porque vivo. E porque estou vivo, mais de meio século, depois, peregrinei pela Messejana que o viu nascer, sem a sua companhia, sim, mas com o privilégio da mais que adivinhada eternidade. Mais uma vez senti-me, como noutras ocasiões, muito perto do Princípio. É certo que partiu sem termos tido tempo de lá voltarmos os dois, toda a sua família, como sonhávamos. Apenas soube de uma infância ausente e de anos de grande carência, que, sem grandes entusiasmos, de vez em quando nos relatava.

Mas sei, sobretudo, que para o final não adivinhado dos seus dias, alimentava esse grande desejo de um regresso de cabeça levantada .

Pai, andarilho de mil trilhos, por entre os mais recônditos lugarejos altoalentejanos, beirões e ribatejanos, sei que querias regressar nem que fosse por umas horas, com toda a tua tribo. Para comermos as popias que um dia trouxeste, no regresso daquela aventura em motoreta sem mudanças. ..Como o David Lynch adoraria ter-te conhecido mais à tua Historia Real (The Straight Story, 1999). 

Pai, aqui do alto desta pequena colina, bem encostado ao torreão medieval, à sua ruína, os pés bem assentes na terra que daqui levei para te consagrar, proclamo aos quatro cantos da terra que te viu peregrinar: hoje, Pai, como tu, somos todos de Messejana.

És Eterno, Pai, porque foste sempre tão terno. Obrigado por esta aprendizagem de lugares e gentes que em ti bebi mesmo quando tal significou adormecer ao colo da Mãe Maria José, noite dentro, na camioneta dos “reboliços”, a caminho de mais uma terra, a caminho de conhecer novos amigos, deixando para trás outros que mal tivera tempo de conhecer. Sim, sei agora que era assim que procuravas o melhor para nós. Mesmo que, tempos mais tarde, regressássemos ao sítio de partida. Foi nesse ir e vir, nessa itinerante sobrevivência, que em parte nos habituamos a não sofrer tanto com o que não se tem sabendo que nos tínhamos a nós como adquirido e supremo bem. Tudo para perceber, hoje, com acrescida clarividência, que o ser é mais reconfortante do que o ter. Foi nesse ir e vir que aprendi o teu incrível amor pela terra que te levava, em cada sítio que pousávamos, a desbravar silvedos e matagais para nos servires à mesa os legumes essenciais. Foi nesse ir e vir que aprendi contigo a acrescentar mais vida à vida de padeiro que levavas. Sim, foste padeiro mas também o carpinteiro dos bancos e mesas que não tínhamos, o sapateiro que nos conservava as desgastadas meias-solas  por mais alguns anos, mas, também, e, sobretudo, o grande animador das mil e umas tantas conversas entre gente habitualmente calada e que só por ti esperava para lhes desatares os nós da voz que em si traziam silenciada. Pai, com que saudade ainda me sinto por não ter desfilado contigo, pelas ruas de Cardigos, essa outra terra-mãe a que invariavelmente regressavas, na carnavalesca orquestra que, no silêncio da beiroa “aloja”, peça a peça, construíste pela picassiana reconversão de canas, latas, palmeiras, em pífaros, cornetas e mil tambores, a que juntaste trajos com seus rigores!

Pai, com as tintas escorrendo pelas mãos, fiz das minhas mais recentes madrugadas, uma tímida aproximação às tuas sempre tão cansadas mãos, domando a farinha, enrolando o pão, que a todos, pela manhãzinha, nos asseguravas. Não foi canseira, Pai, e, sim, uma nobre missão: há muito que queria dizer-te que lá em casa, todos temos a tua Messejana no nosso coração. Anda, Pai, vem daí. Dá-me a tua mão!.

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Obrigado, Zé Jacinto (o primeiro a contar da direita). Eu Sinto-te.

 antónio colaço


publicado por animo às 11:25
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Domingo, 2 de Agosto de 2009
MAÇÃO.ÁGUA RUPESTRE
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Domingo, 2 de Agosto, dia do Senhor, por volta das 10.30 da manhã, tu preparas-te para a tua higiene matinal, dominical, estás no sec XXI, estás por Mação, vila ultimamente muito badalada devido aos muitos comboios que à pala de um património rupestre que praticamente desconheces, tem conseguido uns bons milhões da UE para seminários, mestrados e outros altos estudos cirurgica e internacionalmente frequentados e o que vês  sair das torneiras - último grito das novas tecnologias de urbanismo habitacional - coisa bem distinta da distante época cavernal?

-Água, senhor, são gotículas de água ..."pura"!!!!

-Chamais água a esta massa pastosa, barrenta, de que os nossos cavernosos antepassados jamais se abeirariam tal a limpidez das águas das suas fontes naturais?!

Bom, só mesmo para guionista de meia tigela, a água de Mação e a telenovela em volta dela.

Há quantos anos?!

De novo às portas de uma campanha eleitoral autárquica, que argumentos, impávido e sereno, o PSD local, há quase 40 anos à frente dos destinos de Mação esgrimirá perante uma tão inexistente quanto acomodada oposição?!

-"Olhai pelos que mais precisam" .... de água pura, parecem dizer os últimos cartazes de Manuela Ferreira Leite espalhados pela vila.

-Há 40 anos que NÓS NUNCA BAIXÁMOS OS BRAÇOS para resolver os problemas com a qualidade da água de Mação!!!!

E se Mação tem boas nascentes!!!!!

O que é que Mação não tem?!....

Estamos todos rupestrizados, deslumbrados com as sumidades académicas que nos visitam, que adoram a nossa gastronomia, mas que ignoram o nosso dia-a-dia. Pior, os rupestres que tanto lhes ocupam os dias, seguramente, que mais do que os mestrados, há muito que como verdadeiros mestres na arte da sobrevivência, já teriam resolvido o problema da água que consumiam. Ou seja, chamar água rupestre, como aqui fazemos, quase que ronda a afronta à dignidade com que enfrentaram a "adversidade" de terem vivido na época que viveram. 

Mais, com Mação a cair aos pedaços, se eles fossem vivos, há muito que as nossas ruas  meteriam outro vistaço!

Ao menos as suas grutas metiam a um canto os  abortos arquitectónicos com que Mação foi ( e está a ser) desfigurada por algumas  das nossas trutas.

Rupestres, sim, mas, como diz o outro "nós é que não somos parvos"!!!!

PS-Curiosamente, ou não, o sabonete que se vê à direita, é de....mel! Cor de mel!Á água é que é cor de fel!!!

antónio colaço


publicado por animo às 16:52
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Sábado, 1 de Agosto de 2009
WEBANGELHO
Com a chuva por companheira neste primeiro de Agosto, a ânimo entra de férias mas...sempre que puder passe por aqui!

Podemos surpreender!Boas férias para si! E... por que não, para começar, esta oportuna reflexão?!Afinal, você e eu somos uns sortudos, temos férias.E... os outros?!ac

anselmoborges_deus2

 

 

 

 

 

O futuro: sem futuro?


por ANSELMO BORGES


(In Diário de Notícias, hoje)


Se há desafio gigantesco para a humanidade, é o de encontrar um modelo económico que alie liberdade e justiça



 

 

Eles também nascem. E crescem. Também amam e esperam. São seres humanos como nós. Também sorriem, mas tristes: a alma afunda-se na negrura da impotência, da dor e da tristeza. Tentam trabalhar. Sofrem demais. Morrem cedo, demasiado cedo. De desnutrição, de falta de água e de higiene e de remédios. De fome. Faltou-lhes tudo.

Eles são os pobres. Aos milhões, cada vez mais. E é uma vergonha para a Humanidade que, quando há possibilidade do mínimo para todos, tantos morram ao abandono da fome. E Deus a perguntar, como no princípio a Caim: "O que fizeste do teu irmão?" Como se pode tolerar que ao mesmo tempo que aumenta a riqueza mundial seja cada vez maior o fosso entre os ricos e os pobres, cujo número, com a crise, não cessa de crescer?

São homens e mulheres, aos milhões - muitas crianças -, a quem foi negada a dignidade humana. Este é que é o problema maior da Humanidade, que tem de ter uma solução. Esperamos numa boa solução. Porque, se não for a bem, será a mal. De facto, quem julga que o tempo das revoluções acabou está enganado. Vem aí a revolução dos pobres e desesperados.

Na sua última encíclica, Caritas in Veritate (A caridade na verdade), Bento XVI tentou dizê-lo, mas, segundo alguns, sem a força necessária. Daí, a par do merecido aplauso, as justas críticas ao documento. Que é demasiado longo, num amálgama para todos os gostos, o que é verdade. Que, ao falar a partir de um lugar soberano de pureza moral, ignora a necessária autocrítica da Igreja, o que também é verdade. Que a crítica do mercado e do universo financeiro tinha de ser muito mais severa e concreta. Que é equilibrista e tem míngua de análise crítica e denúncia e anúncio proféticos.

Se há desafio gigantesco para a Humanidade, é o de encontrar um modelo económico que alie liberdade e justiça. De facto, com o comunismo, o que se queria era implantar a justiça, mas o resultado foi uma sociedade sem liberdade nem justiça. Com o capitalismo desenfreado, a liberdade é só para alguns e opressora.

Como acaba de escrever o famoso bispo Pedro Casaldáliga, "impõe-se também uma recusa crítica do suposto 'triunfo' do capitalismo neoliberal. Porque nós, pelo menos, não vemos em lado nenhum esse triunfo, se nos referimos à imensa maioria da Humanidade. Acrescendo que o próprio capitalismo neoliberal triunfante não se sente tão seguro de si, frente às suas contradições internas. Mas, mesmo que esse triunfo do egoísmo estrutural se tivesse dado, seria um fracasso ético da família humana, pois estar-se-ia a evidenciar, mais uma vez, a impossibilidade de uma política e uma economia honestamente fraternas; ter-se-ia imposto outra vez, como única possível, a 'ética dos lobos'".

A encíclica, inesperadamente, refere- -se à necessidade de mais Estado, critica o neoliberalismo e diz que urge uma Autoridade política mundial reconhecida por todos. Mas não houve ousadia profética. Continua a inscrever-se, ainda que o seu fio condutor seja o do desenvolvimento humano integral, no horizonte do desenvolvimento aparentemente sem limites. Como escreveu J. Ignacio Calleja, não se colocou a questão do "decrescimento" como forma de mudar os estilos de vida. Eu próprio há muito tempo me pergunto se não continuamos inconscientemente instalados na ideia de um progresso ilimitado. Mas a pergunta é: é possível um desenvolvimento sem limites num mundo limitado? Por outro lado, não é verdade que se torna cada vez mais claro que o "trabalho" se tornou definitivamente um bem escasso e que é preciso partilhá-lo, com todas as consequências? Cá está o tal "decrescimento".

Afinal, a questão é simples. O presente modelo de desenvolvimento não é universalizável. Quem tiver dúvidas pergunte o que acontecerá, quando, por exemplo, os quase três mil milhões de chineses e indianos quiserem e obtiverem os padrões de vida e consumo ocidentais. A contradição é esta: por um lado, impõe-se promover os pobres, que têm direito ao desenvolvimento, mas, por outro, no quadro do nosso modelo, isso é problemático, porque o planeta não aguenta ecologicamente. Então?


publicado por animo às 09:11
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