Segunda-feira, 8 de Março de 2010
SUAS (U)GANDAS MALUCAS SOLIDÁRIAS!!!!

Rita Colaço e Lina Ribeiro

 

 

Suas (U) Gandas maluquinhas, estavam "tã bém" na pantufinha, a ver um filmezinho com os óculos oferecidos pelo Expresso, bebendo um cházinho de menta, comendo uns chocolatinhos de um qualquer Gourmet e olhem para o que vos deu, santo Deus!

Parecem umas ciganitas da Ajuda, à saída de uma das tantas fábricas falidas de texteis:

 

- " É de marca, ó fregueeeeeesa, venha comprar a bela peúga, a bela meia da Quitty!!!

 

Mas donde é que vocês saíram, deixando o bem-bom dos vossos empregos, as vossas poupanças com que investir nuns móveizinhos do IKEA que já tantas vezes cobiçaram... e aquela viagenzita a Praga, a Londres ou Havai....

 

Pronto, está bem, ide lá para o Uganda, a gente sabe que vocês até sabem dos nossos Ugandas de ao pé da porta, mas, pronto, estiveram lá há um ano e aqueles 50 putos órfãos já não vos largam, sim, está bem, vão dar-lhes a cana para que pesquem o peixe a que têm direito, sim, ide...mas só por esta vez, quando regressarem a casa a gente fala!

Temos umas continhas para ajustar!

 

Suas (U)Gandas Malucas Solidárias!

 

PS - Ainda pensei que a ânimo vos conseguisse arranjar a tal camera vídeo para que os putos avançassem lá com o projecto para arranjar mais uns trocos....

Mas isto, de facto, não está fácil para ajudas....é do "Mac Pec " !!!

 

antónio colaço



publicado por animo às 19:37
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ÉVORA.QUADRIGA QUASE PRONTA PARA DESCER

 

http://www.dailymotion.com/video/xc27ma_ben-hur-1959-chariot-race_shortfilms

 

 

Este link leva-te não às primeiras corridas de Quadrigas, lá para as bandas do Terreiro da Feira, em Évora - por que não aproveitar aquele mar de terra batida, ali tão à mão de calcorrear ?! - mas para a minha própria Quadriga com que quero celebrar outras corridas.

A seu tempo falaremos.

Aqui ficam os trabalhos de parto do passado fim de semana.

Mas a coisa ainda tem muito que se lhe diga!

 

 

 

Não se assuste com o salto no tempo!

É que a velhinha Sachs....3 velocidades ( será uma "Triga"?!) há 35 anos que não lhe punha a mão em cima e não pára de dar pulos de alegria tal como o velho selim de Picasso quando se viu convertido, junto do assento da bicicleta, em ...Cabeça de Touro!

 

 

 

 

Uma Exposição -" EM ÉVORA, SÊ ROMANO, PERDÃO, ALENTEJANO!", SÁBADO, 8 DE MAIO, Hotel D.Fernando e com intervenções no Templo de Diana (15H) e na Sé de Évora (16H) - é ela mesma mais a sua expectativa !

 

antónio colaço

 



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MATINAS



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Sexta-feira, 5 de Março de 2010
ÉVORA.ÉGORA! É AGORA!

 

 

 

Vai um frenesi por tudo quanto é sítio, cadernos, toalhas de mesa, espaços em branco de jornais, um sobe e desce às mil e uma lojas dos trezentos..., a cozinha que já virou atelier nas horas livres, perdão, nas refeições livres - ah esta falta de jeito para a cunha por um ateliêrzinho, esta incapacidade de Joana de Vasconcelos-Leonel Moura-ou-Julião Sarmento de mim... - mas a verdade é que está a chegar a hora, a minha hora de regressar ao Alentejo, outra vez, quer dizer, espatular, esquiçar, colar, desenhar, misturar, revelar, enfim, o Alentejo que está dentro de mim a fervilhar, como pacífica lava redefinidora de novas paisagens e que trouxe de um fim de semana por terras de Évora a tempo inteiro.

 

É a hora das dores dos criadores, pois que sim, que o sou, por quê continuar escondido refugiado numa timidez de artista plástico rejeitado atrás de recentes malfeitores, "curadores" mais curandeiros de mézinhas e nomezinhos que só eles sabem, só eles recomendam, só eles traficam?!

 

Sim, tenho um nome a defender e com ele o nome de uma cidade, uma pátria para afirmar: Évora, de seu nome, a escolhida para tentar perceber como é que tudo ali começou.

 

EM ÉVORA, SÊ ROMANO, PERDÃO, ALENTEJANO!

 

Uma exposição, posso já afirmá-lo , agora, que vai contar, entre outros, com o apoio, para além do Hotel D.Fernando, de quem partiu o convite inicial, após a leitura da  revista Única do Expresso -obrigado, Carlos Ganho, Director das Relações Públicas do Barata Hotels & Resorts - da Região de Turismo do Alentejo, a quem agradeço, na pessoa do Dr.António Ceia da Silva, todo apoio que está a conceder para a realização de três iniciativas complementares que a seu tempo revelarei mas que incluem, adianto, já

 

ARTE PÚBLICA NO TEMPLO ROMANO

CONCERTO DE ÓRGÃO NA SÉ DE ÉVORA

 

 

As imagens que seguem fundamentam o princípio que há muito sigo e pratico - consultem a ânimo nos meses anteriores a Abril de 2009, por ocasião da exposição ABRIL ÂNIMOS MIL -  de que uma exposição é não só a sua concretização como a expectativa dela!

 

Esta exposição encerra, também, as comemorações dos 30 anos da ânimo e posso desde já anunciar que ofereceremos a um casal,com o apoio do Hotel D.Fernando - obrigado Carlos Ganho - em moldes a definir oportunamente, um fim-de-semana com pequeno almoço, no Hotel D.Fernando, em Évora, por ocasião da Expsoição!

 

A escultura GRINALDA PARA QUADRIGA, para abrir o apetite... fez só que fosse desencantar, 35 anos depois, a minha querida e saudosa velha Sachs 3 velocidades.

Com ela fiz sindicalização agrícola pelos montes altoalentejanos, o que me valeria uma ameaça de morte de um pobre latifundiário.

Com ela namorei a minha querida mulher e Mãe dos meus filhos, já lá vao mais de 35 anos.

 

Não se assustem, entre o esboço e a tanta poeira acumulada, esperemos pelo produto final....

 

 

 

 



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ÂNIMOS EXALTADOS

 

 

 

Das maravilhosas ilusões de 1990 ao desânimo de 2010

Público, hoje, 20º aniversário

 

NR

 

O QUE OS ANOS NOS FAZEM, QUANDO FAZEMOS ANOS

A ânimo deseja a todos os que fazem o Público, os mais sinceros votos de parabéns!

 

antónio colaço

 

 



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Quinta-feira, 4 de Março de 2010
MATINAS

Lisboa, Calçada da Ajuda, Palácio de Belém.

 

Sim, não mais que um rio, um autocarro com gente mal dormida a caminho do trabalho, um céu meio desembrulhado das carregadas nuvens dos últimos dias ...

Nada mais falta, sim, mas vim à janela procurar-Te e, afinal, já estavas dentro de mim, impelindo-me a contemplar-Te.

antónio colaço

 



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Quarta-feira, 3 de Março de 2010
MEMÓRIA.MANUELA MOURA GUEDES ENTRE A "ÉTICA" DO JORNALISMO E A ESTÉTICA DO CONSUMISMO!

Antes de ligarmos em directo ao"JORNAL NACIONAL DE 6ª ALARGADO" vamos fazer aqui uma pausa para...compromissos publicitários*.

 

 

NOTA:

A ânimo não aceita pressões de ninguém e muito menos de cariz...publicitário de um qualquer "amaciador de roupa suja".

 

antónio colaço

 

 



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ÂNIMOS EXALTADOS

 

Um bom resultado com a China é daqueles resultados que dá ânimo!

TSF, Mário Fernando



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MATINAS

Monsanto.Torre Telecomunicações, há instantes.

 

Água, frio, neblinas....como é difícil comunicar por aqui.

E no entanto, Tu, aí .... no mais íntimo de cada um de nós, "sim, Estou aqui".

antónio colaço



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Terça-feira, 2 de Março de 2010
ANULAR A CONSCIÊNCIA. FRANCESCO ALBERONI

 

AINDA NOS APAIXONAMOS, NA MODERNIDADE LÍQUIDA?

Francesco Alberoni

In, I, hoje

 

Que sociólogos descreveram as características específicas da nossa época? Christopher Lasch, no livro "The Culture of Narcisism", demonstrou que homens e mulheres dão sempre mais importância a si próprios, ao seu próprio corpo, à sua própria beleza. É um fenómeno que se manifesta com o culturismo, os centros de bem-estar e as palestras, quase num renascimento do paganismo.

Depois, Poi Zygmut Bauman, com a feliz fórmula da modernidade líquida, salientou a fragilidade, o lado efémero das relações humanas em todos os sectores, do profissional ao amoroso. O enraizamento na pátria, na cidade, na empresa ou na família já não existe. Até a relação de casal é frágil, já não é cimentada na paixão, não dura e desfaz-se na promiscuidade.

O terceiro é o meu querido amigo Michel Maffesoli, que, no livro "A Sombra de Dionísio", salientou a emergência na sociedade moderna do desenfreamento dionisíaco. Começou com o rock, explodiu na orgia colectiva de Woodstock, é visível nas discotecas, na movida, nas rave parties, nas orgias cada vez mais frequentes onde, com álcool e drogas, os participantes anulam a consciência e a transformam num estado a que os antigos chamavam "místico" e actualmente, numa época secular, chamamos "eufórico". Depois, Maffesoli, no livro "O Tempo das Tribos", demonstrou que os homens modernos não formam comunidades fechadas ligadas ao território nem a grupos rígidos e disciplinados; associam- -se de modo livre, por afinidade de objectivos, gostos, sexo - muitas vezes em estruturas virtuais como as redes sociais, e formam tribos.

E eu, como contribuo para o conhecimento da modernidade? Salientei que ainda hoje se formam laços nos movimentos islâmicos, e em países como a China, a Índia, o Irão e o Brasil o sentimento nacional vem-se reforçando. Mesmo entre nós nem tudo é líquido: subsistem ainda laços sólidos que não queremos aceitar. No campo amoroso, propaga-se a sexualidade promíscua, mas ainda nos apaixonamos e ainda somos capazes de sentir uma grande paixão por uma única pessoa e também o ciúme mais torturante. O mundo contemporâneo já não é homogéneo; está dilacerado por um dualismo entre tudo o que é líquido, superficial, leve, artificioso, efémero e tudo o que é sólido, enraizado, profundo, autêntico, aquilo que muitas vezes não se exprime por palavras. Foi a esse mundo de inquietações e de esperança que tentei dar voz.

Sociólogo, escritor e jornalista
 

NR

Sublinhados nossos.

E por aqui, como vamos nesta coisa de ..."anular a consciência"?!



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Segunda-feira, 1 de Março de 2010
WEBANGELHO DE FREI BENTO DOMINGUES.REZAR É DEIXAR-SE SURPREENDER

"A oração nasce do encontro com o sentido da vida. A magia não é a lei da sua eficácia. Para ser contemplativo na acção, não é necessário multiplicar as orações. É preciso deixar-se desarmar diante de Deus e do mundo, deixar-se surpreender pela sua graça e pela sua beleza."

 

Outro grande momento.Obrigado, Frei Bento.

Sublinhados nossos.

ac

Frei Bento Domingues

In Público

28Fev 2010

 

 

 

 

A BOA MEDIDA EM RELIGIÃO

 

 
 
 
1.Em Viseu há uma estátua em homenagem ao
bispo António Alves Martins (1808-1882). Foi franciscano,
deputado, enfermeiro-mor no Hospital
de S. José, ministro do Reino e bispo de Viseu.
Na referida estátua, é-lhe atribuída a seguinte
receita: “A religião deve ser como o sal na comida: nem
muito nem pouco, só o preciso.
S. Mateus (6, 7-8) atribui a Jesus um conselho que não
está longe deste bispo: “Nas vossas orações não useis de
vãs repetições, como fazem os gentios, porque entendem que
é pelo palavreado excessivo que serão ouvidos. Não sejais
como eles, porque o vosso Pai sabe do que tendes necessidade
antes de lhe pedirdes.”
Os discípulos não gostaram muito desta atitude. Jesus
afastava-se para rezar, mas eles queriam competir com
outros grupos religiosos que tinham os seus métodos
de oração e não havia maneira de Jesus lhes oferecer
algo que pudessem repetir. Quereis rezar? “Rezai com
insistência, mas só para vos abrirdes ao Espírito Santo,
o grande desestabilizador” (Lc 11, 1-13). S. Paulo dá-lhe
razão, ninguém sabe pedir com acerto, só o Espírito entende
os caminhos de Deus (Rm 8, 26-27).
O recato e a sobriedade de Jesus nunca foram bem
aceites. Os cristãos não abandonaram os salmos da Bíblia
hebraica, muitos deles de grande beleza poética e
energia religiosa, outros, insuportáveis pelo seu rancor
e vontade de vingança.
Época após época e segundo os contextos culturais,
absorveram e inventaram novos métodos para “manipular
a divindade”. Os grandes místicos não paravam
nessas estações e apeadeiros das orações e ansiavam pela
contemplação silenciosa. Todas as religiões têm místicos,
mas são sempre raros. Muitas delas preferem encontrar
intermediários para meter cunhas junto de Deus.
No campo católico, nossa Senhora, “mãe de Jesus e
nossa mãe”, foi sempre considerada a mais bem situada
para medianeira de todas as graças. Por isso, a música e a
poesia marianas, em tropários, ladainhas, hinos, rosários
e promessas, nunca abandonaram católicos e ortodoxos.
Os santos foram sempre mais regionais e de grupo, salvo Santo António, que serve para tudo, para todos e em qualquer lugar com ou sem franciscanos.
2. Os monges que viviam em comunidades de
oração e trabalho (ora & labora), como, por
exemplo, os beneditinos, compuseram Livros
das Horas, colecção de textos, orações e salmos,
muitas vezes acompanhados de belíssimas
iluminuras que depois tiveram versões mais práticas
e portáteis, os Breviários. Tudo isso era em latim. Para
os analfabetos e para o povo, o importante era arranjar
devocionários que servissem para pautar a oração, pregada
e meditada, dos mistérios cristãos. Entre outras, a
devoção do Rosário, divulgada pelos dominicanos, foi a
que teve mais êxito. Ainda no século XX, Nossa Senhora
apresentou-se, em Fátima, como a Senhora do Rosário,
recomendando, mais uma vez, esta devoção.
Os tempos mudam, as mentalidades e as sensibilidades
também. As religiões – umas mais do que outras – não
fogem a esta lei. Para uns é um sinal de decadência, para
outros, uma nova oportunidade, uma esperança.
Uma máxima de Romano Guardini (1885-1968) – um
grande pensador católico que muito reflectiu sobre o
espírito da oração e da liturgia – tornou-se a referência
obrigatória: “Não se pode ser cristão sem rezar, da mesma
maneira que não se pode viver sem respirar.”
Michel Quoist, com os Poemas para Rezar, traduzidos
em muitas línguas, mais do que uma recomendação, eram
um recurso, individual e de grupo, substituindo salmos
e velhas devoções cansadas.
Com a reforma litúrgica – oficializada no Vaticano II
–, com a tradução para vernáculo dos seus textos, com
novas expressões musicais, o panorama mudou de forma
diferente, segundo os países, sem falar das cançonetas
que invadiram as missas ao som da viola mal tocada. Com
o tempo, surgiram alternativas de grande qualidade, como
as criações do dominicano André Gouzes, o artesão
de uma renovação do canto litúrgico. A Liturgia Coral
do Povo de Deus é um corpo litúrgico de mais de 3 mil
páginas em francês, traduzido e editado em numerosas línguas, enraizado e renovado nas mais autênticas tradições musicais do cristianismo (canto gregoriano, polifonia antiga, coral protestante e modalidade bizantina). A oração da Comunidade de Taizé, pela qualidade dos textos, pela beleza da música, pela simplicidade ritual, criou um clima espiritual onde milhares de jovens de muitos países, ano após ano, descobrem o gosto do silêncio, da oração e da partilha.Sem falar das “Oficinas de Oração e Vida”, criadas pelo capuchinho Ignácio Larrañaga, em 1984, para ensinar o povo a rezar, importa saudar também a renovação do Apostolado da Oração, promovido pelos jesuítas, com oprojecto www.passo-a-rezar.net. Procura adaptar a propostade oração pessoal às circunstâncias da vida de todosos dias e à exigência de mobilidade que a caracteriza.A oração nasce do encontro com o sentido da vida. A magia não é a lei da sua eficácia. Para ser contemplativo na acção, não é necessário multiplicar as orações. É precis odeixar-se desarmar diante de Deus e do mundo, deixar-se surpreender pela sua graça e pela sua beleza

 

 

 

A oração nasce do encontro com o sentido da vida. A magia não é a lei da sua eficácia



publicado por animo às 12:35
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WEBANGELHO DE ANSELMO.DEUS INTERESSADO NA PLENA HUMANIZAÇÃO DE TODOS

O Pe Anselmo Borges e Frei Bento Domibgues continuam em grande forma, para felicidade de todos nós os que depois das nossas estradas de Damasco precisamos de ser confirmados na redescoberta do Deus menos interessado nele mesmo e no culto que lhe possamos prestar e sim exclusivamente preocupado com a nossa realização.

 

Com sublinhados nossos, aqui vai para abrir o apetite:

 

Neste quadro, a tentação maior é a do poder, não enquanto serviço, mas enquanto domínio, vanglória e exaltação do eu
Afinal, a boa nova do Evangelho é que Deus não está interessado nele mesmo nem no culto que lhe possamos prestar, mas exclusivamente no bem-estar e realização dos seres humanos, na plena humanização de todos.
A tentação maior da Igreja é a do poder: poder social e político, controlo das consciências, imposição das suas normas aos não crentes, aceitação de uma religiosidade mágica e milagreira...
 
 
 Pe Anselmo Borges
In DN 27.Fev.2010
 
O DIABO DO PODER

 

 
Quando se reflecte sobre o mal, o que mais impressiona é o mal moral: porque é que a liberdade não é sempre boa? Porque não fazemos sempre o bem?
Estas perguntas são de tal modo dramáticas que, para explicar o bem e o mal no mundo, muitas vezes se recorreu a um duplo Princípio: um Princípio do Bem e um Princípio do mal. No contexto do cristianismo, que, por sua vez, bebeu noutras fontes religiosas mais antigas, o diabo apareceu como "solução" para o enigma. Ele seria o Tentador e o ser humano nem sempre resiste à tentação.
Neste contexto, é preciso dizer, em primeiro lugar, que o Credo cristão não fala do diabo. O cristão não acredita no diabo, mas em Deus. Quanto ao diabo tentador, seria necessário perguntar quem tentou o diabo para, de anjo bom, se tornar anjo mau, precipitado no inferno e tentador dos homens. Lembro que já Kant fez notar que um catequizando iroquês perguntou ao missionário: porque é que Deus não acabou com o diabo? Quanto às tentações, não é preciso diabo nenhum. Bastamos nós. O Homem, entre a finitude e o Infinito, está inevitavelmente sujeito à falibilidade e à queda.
Tentação vem do latim temptare, que, para lá de ensaiar, experimentar, tentar, também quer dizer atacar, procurar seduzir e corromper, pôr à prova.
Neste quadro, a tentação maior é a do poder, não enquanto serviço, mas enquanto domínio, vanglória e exaltação do eu. Pela sua própria dinâmica, o poder tende a ser total. E porquê? Porque a ilusão da omnipotência dá a ilusão da imortalidade, de dominar, vencer e matar a morte. Omnipotentes, seríamos imortais.
Quem quiser uma prova de que a tentação maior é a do poder - financeiro, económico, político... - olhe para o palco da presente situação nacional.
A Igreja, na liturgia, muda os textos, segundo os anos. Mas, no primeiro Domingo da Quaresma, a seguir ao Carnaval, lê-se sempre o Evangelho que refere as tentações de Cristo. São três e, contra a impressão que a Igreja acabou por dar - as tentações seriam sobretudo as do sexo -, são todas relativas ao poder.
O diabo não existe, não se justificando, portanto, os exorcismos. Ali, nas tentações de Cristo, também não há diabo nenhum. O diabo não apareceu a Jesus. Todo aquele excepcional passo do Evangelho é uma encenação dramática que personifica na figura do diabo a vivência da luta de Jesus em ordem à sua decisão: há-de ser um messias do poder ou o messias do serviço? O que ali se determina é se a sua mensagem é a divinização do Homem ou a humanização de Deus. Afinal, a boa nova do Evangelho é que Deus não está interessado nele mesmo nem no culto que lhe possamos prestar, mas exclusivamente no bem-estar e realização dos seres humanos, na plena humanização de todos.
Nenhum exegeta viu tão fundo neste passo como Dostoievski em Os Irmãos Karamazov. Ivan conta a Lenda do Grande Inquisidor. Jesus aparece em Sevilha, no dia a seguir à queima de quase uma centena de hereges. A multidão reconhece-o e segue-o, mas o cardeal inquisidor manda prendê-lo. Na prisão, diz-lhe que ele não entendeu os homens, ao querer a liberdade para eles. Foi por isso que não cedeu às tentações do milagre: transformar as pedras em pães, deitar-se abaixo do pináculo do Templo. Mas os homens não suportam o fardo da liberdade. Assim, a Igreja corrigiu a sua façanha, baseando-a em milagre e poder. "E as pessoas ficaram contentes por serem de novo guiadas como um rebanho e por ter sido tirada dos seus corações a dádiva mais terrível que tanto sofrimento lhes causava: a liberdade." "Vai-te embora e não voltes mais... não voltes... nunca, nunca!"
A tentação maior da Igreja é a do poder: poder social e político, controlo das consciências, imposição das suas normas aos não crentes, aceitação de uma religiosidade mágica e milagreira...
"A última tentação de Cristo", na cruz, não foi, como sugeriu M. Scorsese, casar com Maria Madalena, mas descer da cruz. Não cedeu. Deus não livra da finitude nem, consequentemente, da morte.

 



publicado por animo às 11:37
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ÂNIMOS EXALTADOS

 

Esta vitória vai dar ao Sporting um novo ânimo.

RTPn( Vitória do Sporting por 3-0 ao Porto)



publicado por animo às 01:47
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