Terça-feira, 20 de Abril de 2010
MATINAS

 

Venha de lá essa nuvem de refulgente ouro .....

 

 

..para nos desvulcanizar os dias.

 

antónio colaço

 

 



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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010
WEBANGELHO DE FREI BENTO DOMINGUES

A morte tornou-se, nas sociedades modernas, um tabu, um desejo de a negar, de a esconder

 

CONTRA A MORTE E A VELHICE

 

1. Para além do meramente factual, talvez nunca seja possível dizer algo de indiscutível, de aceite por todos, acerca da morte e da velhice.

Li, na Babelia, duas notícias bastante desenvolvidas sobre duas obras literárias que me impressionaram pela sua aparente banalidade. A primeira

referia-se ao Libro de los muertos do grande escritor Elias Canetti, judeu sefardita (1905-1994). É constituído por cadernos de apontamentos que testemunham a sua permanente “declaração de guerra à morte”. Para

ele, mais repugnante do que a morte, é a submissão à morte: “O objecto sério e concreto, a meta declarada e explícita da minha vida é conseguir a imortalidade para todos os homens. Em tempos, quis dar este objectivo

ao personagem central de um romance que a si mesmo se chamava o inimigo da morte.” Do seu projecto de matar a morte ficaram fragmentos e aforismos de luta, agora publicados. Dizer, como Fernando Savater, que se trata de um

protesto contra o irremediável, não é sinal de grande argúcia.

A segunda é sobre um romance, El don de la vida, acerca da velhice e da morte, de Fernando Vallejo, escritor colombiano. Retardou-o quanto pôde, mas apressou-se, agora, a escrevê-lo com 67anos. Gostaria de esperar pelos 78 ou 80 anos para o elaborar a partir da sua própria experiência.

Teme, porém, que, nessa idade, já não lhe apeteça, já não tenha gosto nenhum em falar da velhice.Dir-se-á que sobre esta idade há atitudes

prosaicas mais eficazes do que as obras literárias ou filosóficas. Segundo consta, a medicina antienvelhecimento, focada na prevenção

e detecção precoce de uma patologia, está apoiada em cinco pilares: nutrição, medicina desportiva, estética, optimização hormonal e genética

e biologia molecular. Como ainda não se consegue evitar o envelhecimento,

aconselha-se a envelhecer com qualidade. Esta dependeria

de sete factores: prática regular de exercício físico, uma boa alimentação, não fumar, não beber bebidas alcoólicas, manter um peso regular, dormir sete a oito horas e estimular o cérebro.

As consequências da revolução biotecnológica e dos avanços da neurofarmacologia ainda estão cheios de incógnitas que a bioética tem de seguir com cuidado,pois os cenários possíveis não são todos igualmente desejáveis. Não se esqueça a sentença de Paracelso: “Não

são os olhos que fazem o homem ver; é o ser humano que faz com que os olhos vejam.”

2.Por enquanto, todos esses avanços, na direcção de uma vida longa e feliz, ainda não conseguem “matar a morte” como desejava Elias Canetti. Como preencher, em nós, o grande vazio deixado pela morte daqueles que amamos? A morte tornou-se, no entanto, nas sociedades modernas, um tabu, um desejo de a negar ou, pelo menos, de a esconder. No entanto, as obras acerca da arte de bem morrer e de responder às perguntas sobre o Além estão sempre a aumentar.

Nem sequer faltam enciclopédias acerca de todos os saberes e crenças sobre a morte e a imortalidade. As várias religiões encenaram, na sua linguagem simbólica e nos seus ritos, formas de reanimar o grande vazio

deixado pela morte. Desde a Antiguidade, segundo os diferentes povos e

culturas, projectaram-se para depois da morte os cenários geográficos do que havia de melhor, de pior e também de medíocre neste mundo. Dir-se-á que essa imaginária duplicação do mundo só prova que o desejo de ser humano para sempre é incurável, mas o desejo não é sufi ciente para fundar uma realidade. O único caminho aconselhável seria o da reconciliação com os

nossos limites. O que não tem remédio remediado está. É, porém, aqui, que tudo se complica. Enquanto certas formas de sabedoria se empenham em erradicar o desejo até ao vazio total, para atingir a verdadeira iluminação,

passando quase sempre por diversas reencarnações, há

outros caminhos que, longe de trabalharem pela aniquilação

dos desejos, os intensificam, exigindo, no entanto, a sua conversão, um nascer de novo.

3.No cristianismo juntaram-se, no seu nascimento e ao longo dos séculos, várias influências. Na Quarta - Feira de Cinzas, nas palavras do seu antigo ritual, há uma antropologia pouco entusiasmante que roça o niilismo:

Lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar.

Não é, porém, nessa declaração, que se pode encontrar a originalidade da revelação cristã. Esta é apresentada por S. Lucas. Jesus enviou em missão os

discípulos que regressaram entusiasmados com o êxito do seu trabalho. Jesus confirmou que tudo aquilo tinha sido espantoso, mas não quis apoiar uma Igreja do sucesso: Não vos alegreis pelo facto de nada deste ou de outro mundo ter resistido à vossa palavra; alegrai-vos, sobretudo, porque os vossos nomes estão escritos nos Céus. O mais interessante é que o próprio Jesus se

comoveu com o que disse: Muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram (Cf. Lc 10, 17-22). Afinal, que disse Jesus de tão inaudito? Traduzindo: alegrai-vos, porque a vossa 

vida está para sempre inscrita no coração de Deus e nada nem ninguém vos poderá arrancar desse amor.

Sois pessoas amadas para sempre. Não há morte que

possa vencer este amor.

 

Frei Bento Domingues



publicado por animo às 16:39
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DA ARTE E DO PODER QUE ELA TEM DE FICAR A MANDAR NA GENTE! FALTAM 3 SEMANAS PARA ÉVORA!

Não me assusto com as três semanas que faltam para a exposição "EM ÉVORA, SÊ ROMANO! PERDÃO, ALENTEJANO" e, sim, de ler Pomar na Única do Expresso de Sábado:

 

-Acompanha o que hoje se produz?

-Deixei de frequentar assiduamente exposições. Hoje, assiste-se a uma mediatização de coisas que ficariam completamente na sombra. Basta ir aos museus e ver que a maior parte do que lá está tem uma qualidade bastante medíocre.

 

( Agora, deixo de me assutar menos. Ainda o Pomar.)

 

-O que é próprio desta coisa que a gente gosta, e à qual chama Arte, é que de repente aparecem uns fulanos que rebentam com tudo, nos forçam a vê-los, a pensar neles e a esquecer completamente os outros!

 

-Como sabemos se estamos, inequivocamente, perante uma obra de excepção?

-Penso que é o poder que ela tem de ficar a mandar. E neste sentido, posso falar de transcendência.

 

.....

 

Numa espécie de  continuada entrevista que a mim próprio faço, pergunto-me, mas, então onde anda essa auto-estima?Acredita ou não no que faz?

 

- Quero distinguir o que diz uma Joana Vasconcelos de que "em arte só existe quem vende" deste momento outro, de Júlio Pomar, de que uma obra de arte "tem de ficar a mandar"!É o que tento fazer.Com o meu jeito, com o meu traço...

 

-Mas sinto que ultimamente tem dito para os amigos que queria recuperar o seu traço inicial mais original, mais, como dizer, genuíno, algo próximo do naif, quero dizer ....

 

-E diz bem. Sempre que tento elaborar em demasia, sai asneira.Quero, por isso desaprender, o que é diferente de tentar uma síntese entre ideia inicial e a sua melhor materialização.Sobretudo no que diz respeito ao desenho da figura humana e suas diversas posições! Por exemplo,fixar a imagem de um pastor alentejano a tocar violino tem de ser como sou capaz, como a vejo, e não respeitando os mais elaborados cânones das Belas Artes, de onde fui, aliás, arredado..

 

-Ei, ei! Espere lá, mas isto era suposto ser uma entrevista com alguma elaboração, com algum peso, digamos, não propriamente para indisfarçável encenação?! Quer mesmo continuar?Por que não uma tirada daquelas com que nos tem brindado tipo " Não vivo para pintar, pinto porque vivo!...sei lá?!

-....

 

-Não me diga que bloqueou. Esteve o fim-de-semana todo a trabalhar, sei que até comentou o privilégio de ter como atelier a pequena cozinha de sua casa - e que nem se importa de estar a abrir as portas ao mais despudorado voyeurismo dito cultural ( aqui entre nós, se algum "curador" esbarra naquelas telas misturadas com chaleiras, cafeteiras e saleiros, acho que tem os dias contados.Quer dizer, se pensa que é assim que vai conseguir sensibilizar alguma endinheirada alma que lhe faculte um sotão, uma garagem ou uma sobrante arrecadação...vou ali e já venho!)...

 

-Desculpe, de facto, acho que o meu amigo e o seu magazine cultural se enganaram na porta. Por mim, deixe lá o seu JL e todos os JL's e páginas de "Exposições", Roteiros Culturais, Agendas Culturais, etc em paz. Prefiro continuar a falar com os meus materiais . Aliás, o dia 8 de maio está próximo.

 

 

 

 

 

 

 

 

antónio colaço



publicado por animo às 14:48
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PORQUE ONTEM FOI DOMINGO

Para o grande barco o mar é um imenso semáforo...verde.

 

Nos Jerónimos, para absorver toda a Luz deste... contra luz.

 

 

Luíz Vaz ,diz-me se é parecida com a tua, esta Paz...

 

antónio colaço



publicado por animo às 14:33
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MATINAS

Campo de Ourique, esta manhã.

 

As árvores, a coragem das irmãs árvores depois do outonal despojamento aí está para que, como elas, acreditemos sempre no pedacinho de verde que quer crescer em nós.Obrigado.

antónio colaço



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Sábado, 17 de Abril de 2010
WEBANGELHO DE ANSELMO BORGES

 

Pe.Anselmo Borges

In DN,hoje

 

NÓS E OS OUTROS

 

 

Nos anos 20 do século passado, Louis Bolk avançou com a teoria da neotenia, posteriormente seguida e aprofundada por biólogos e filósofos. Constata, no essencial, que o Homem é um prematuro - para fazer o que faz, precisaria de permanecer no ventre materno mais um ano, mas isso não é possível; assim, nasce no termo de 9 meses, em vez de passados 20 -, tendo, portanto, de receber por cultura aquilo que a natureza lhe não deu. Frágil segundo a natureza e sem especialização, tem de criar uma espécie de segunda natureza ou habitat, precisamente a cultura. Como escreve o filósofo Robert Legros, "é na cultura ou no que a fenomenologia chama um mundo que a humanidade de Homo encontra a sua origem, e não na natureza. Quanto à origem da cultura, ela está por princípio votada a permanecer uma questão sem resposta".

Enquanto os outros animais nascem feitos, o Homem, nascendo por fazer, em aberto, tem de fazer-se a si mesmo e caracteriza-se por essa tarefa de fazer-se com outros numa história aberta, em processo.

Constata-se deste modo que nos fazemos uns aos outros genética e culturalmente. Os meninos--lobo mostram-nos que nos tornamos humanos com outros humanos. Eles tinham a base gené- tica de humanos, mas faltou-lhes o encontro com outros homens. O ser humano é, pois, sempre o resultado de uma herança genética e de uma cultura em história.

Assim, no processo de nos fazermos, o outro aparece inevitavelmente. O outro não é adjacente, mas constitutivo. Só sou eu, porque há tu, em reciprocidade. O outro pertence-me, pois é pela sua mediação que venho a mim e me identifico: a minha identidade passa pelo outro, num encontro mutuamente constituinte.

Repare-se, porém, como, analisando o étimo de encontro, aparece não só esta relação constituinte, mas também a indicação de embate e contraposição, assinalados no "contra" da palavra encontro, que aparece igualmente no espanhol "encuentro", no francês "rencontre", no italiano "rincontro", no alemão "Begegnung", com a presença de "gegen", que significa contra, precisamente.

Então, o outro é vivido sempre como fascinante e ameaça. Os gregos, por exemplo, chamavam bárbaros aos que não sabiam falar grego, mas tinham fascínio por outros povos, concretamente pelos egípcios.

O outro é outro como eu, outro eu, e, simultaneamente, um eu outro, outro que não eu. Daí, a ambiguidade do outro. O outro enquanto outro escapa-se-me, não é dominável. Nunca saberei como é viver-se como outro. Quando olhamos para outra pessoa, perguntamos: como é que ela se vive a si mesma, por dentro?, como é que ela me vê?, como é o mundo a partir daquele foco pessoal?

Porque é simultaneamente, tanto do ponto de vista pessoal como grupal e societal, um outro eu e um eu outro - outros como nós e outros que não nós -, o outro atrai ao mesmo tempo que surge como perigo possível. Há, pois, uma visão dupla do outro, que tanto pode ser idealizado - no amor, é divinizado -, como diabolizado. Atente-se na ligação entre hospitalidade e hostilidade, que derivam do latim "hospite" e "hoste", respectivamente. Cá está: o outro é hóspede, por exemplo, no hotel e no hospital. Mas, no hotel, que em inglês se diz "hostel" e em espanhol "hostal", em conexão com hostil, pedem-nos, por cautela, a identificação. E a fronteira, porta de entrada e de saída, em ligação com fronte - a nossa fronte somos nós voltados para os outros e ao mesmo tempo ela é limite e demarcação de nós -, anuncia o outro - outro país - e é espaço de acolhimento e também da independência.

No quadro desta ambiguidade, entende-se como, por medo, ignorância, desígnios de domínio, se pode proceder à construção ideológica e representação social do outro essencialmente e, no limite, exclusivamente, como ameaça, bode expiatório, encarnação e inimigo a menosprezar, marginalizar, humilhar e, no limite, abater, eliminar.

Num mundo global, cada vez mais multicultural e de pluralismo religioso, é urgência maior repensar a identidade e avançar no diálogo intercultural e inter-religioso.

 



publicado por animo às 10:47
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MATINAS

Nascer do Sol,Serra do Bando*

 

Caro António Colaço
Tropecei neste lugar por acaso, no ano passado. Dei-lhe conta, de imediato,  do forte contraste que se observa entre este ambiente e a maioria dos novos espaços sociais circundantes. Ocorreram entretanto algumas dificuldades técnicas com o endereço anterior que impediram o acompanhamento contínuo deste Ânimus. Regressei quando essas avarias foram resolvidas.
 Sou em parte um intruso. Nunca fui seminarista nem senti vontade de o ser. Mas para quem tanto estremece com um cântico da comunhão cantado por vozes rudes e velhas numa capela da Matagoza, um Magnificat de Herbert Howells, um poema de Daniel Faria ou com o Princípio de todas as Coisas de Hans Kung   e  reconhece como o seu habitat natural o horizonte donde se aviste o Cabeço do Bando ou a silhueta do Castelo e da torre de Abrantes,  esta casa não é como as outras.
  A familiaridade das paisagens, o entusiasmo crescente pela proximidade dos reencontros, a alegria de reviver amigos e lugares esquecidos, o confronto natural com o passar do tempo, com a doença, com a morte, tudo muito adocicado por um lado com a ternura de quem se sente a envelhecer e, por outro e sobretudo, por algo que, entre paixão nuns e revolta noutros, parece nunca ter abandonado  o coração de quem aqui escreve – a vontade de olhar para as coisas como se elas não acabassem nunca.
  Mesmo a  um estranho faz bem. Muito bem. Ainda mais numa altura em que alcateias de  lobos uivam nos cerros, famintas por reduzir a realidade apenas ao que vemos e por escarnecer dos que se recusam a aceitar como cadáver pútrido o seu único e exclusivo destino.
  Tenho pena de não poder provar essa aguardente de medronho que vem dos Vales. Será com certeza um tónico para  a Esperança, ao menos a de um dia ganhar uma partida de ping-pong ao Prof. Mário Pissarra.
 
Muito Obrigado
Nuno Gaspar

 

NR-São suas, hoje, Nuno - que não conheço - como tantas vezes desejo que o sejam por outros, estas MATINAS. Obrigado,  porque as sinto como as imaginadas chaves para abrir, já, aqui e agora, esse almejado Céu de eternos vislumbres. Esta casa é sua.Mesmo que no distante Brasil, se bem me recordo. A net tem esse mérito: o mundo é já ali ao virar da esquina.Bom Sábado, Nuno.

*Ao contrário da imagem que desejo do próprio dia, hoje, por Lisboa, deixo-lhe este nascer do sol de há alguns anos na Serra do Bando.Lembro-me, como se fosse hoje.Estive lá!Um Sol intemporal!

antónio colaço



publicado por animo às 08:51
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
ZÉ MÁRIO TAVARES.LOGO À NOITE NA NOSSA PORTUGÁLIA.COMO HÁ 20 ANOS!

 

Caríssimo Zé Mário, é só para te avisar, como há mais de vinte anos fazíamos, que, logo, lá estaremos todos contigo na Portugália, a mítica cervejaria da Almirante Reis – a “nossa cervejaria”, como muito bem sublinhou o Tozé Cruz no momento da marcação deste evento!!! - com os nossos amigos de Cardigos, Jú Martins, Tozé Cruz, Joaquim Manuel, Celestino Cardoso, Zé Luis Mateus, Zé Luis Silva, Gil André e seu irmão Abílio André,Tonito Matias e seu irmão Augusto, acompanhados das nossas mulheres – uma novidade, finalmente.

 

Vinte anos que levamos sem o nosso querido patrono de tantos encontros ali realizados, Zé Mário Tavares.

 

Digo mal, porque, para mim, em cada dia que passa, o Zé – a estas horas ele nem precisa de ler a ânimo, pois já sabe no que é que isto vai dar, privilégios de quem já é Eterno! – está cada vez mais presente!

 

 Com ele, com todos os nossos amigos, esta tribo cardiguense de que muito me orgulho que me tenha como um dos seus, apesar de gavionense do outro lado de lá do Tejo, o encontrarmo-nos na Portugália, ao fim do dia - nos dias em que decidíamos por lá passar!!!- era como que o nosso porto de abrigo, na Grande Cidade, onde as nossas referências não eram tantas como isso!

Com os anos, e sem o Zé como motor dinamizador desses encontros, a que tive o privilégio de dar uma mãozinha, cada um foi às suas vidas.Vinte anos, que se cumprem amanhã!l.

 

Zé, vamos falar do Lobsang Rampa, das tuas ideias para investires na cera, essa riqueza natural de Cardigos, relembrar o velho Opel Kadett do Pai Tavares, lotado até mais não, para as festas de Chão de Lopes ?

Zé Mário, vamos ser todos ouvidos para o muito que vais continuar a dizer a cada um de nós!

Como naquela Última Ceia que, modestamente, aqui se retrata e que, lá, na  nossa Portugália, sem o sabermos, foi a derradeira contigo entre nós!

Entre nós, quer dizer, deste jeito de que nos fazemos à vida, a esta vida.

 

Zé, como é bom ter-te  entre nós, a fazeres a Ponte entre esta e essa Outra Vida!

 

Sinto-te tão presente, querido amigo, como se fosse ontem que entrássemos pela madrugada lisboeta fora, a Portugália adormecida,  tentando perceber de que se faziam os dias e as noites, no Além do teu Lobsang Rampa ou no meu Céu, então, em acelerado desmoronamento.

 

...."cabrão do padre!Até amanhã, meu irmão, aperta aí"!

 

 

Um beijo solidário para ti, Fátima, e um abraço para ti, grande Sérgio, cujo infantil sono tantas vezes terei ajudado a perturbar!

 

antónio colaço



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MATINAS

Monsanto, manhãzinha.

 

Não me saem da cabeça as sábias palavras de Frei Bento Domingues e cada vez mais percebo que, tal como ele, seguramente, o Espírito está à nossa espera para que  também nós possamos ver com esta clareza, apesar das persistentes nuvens destes dias:

 

 

A fé não é um calmante, é um excitante, um santo desassossego.

Crer não é ver.

É desejo de ver, é caminho de todas as energias espirituais do ser humano. É por isso que a linguagem dos místicos não envelhece como a dos conceitos catequéticos e teológicos, muitas vezes mortos à nascença.

Os pastores da Igreja não se devem alegrar nem assustar com as afirmações ou negações da fé anunciadas pelas estatísticas e pelos meios de comunicação. A sua preocupação deve centrar-se na qualidade das experiências cristãs, na linguagem que as exprime e na inteligência da fé no interior da cultura de cada época e de cada mundo.

 

In Público 11.04.2010

 

antónio colaço



publicado por animo às 08:29
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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010
E TU, POR QUE ESPERAS? OUTRAS MANEIRAS DE AJUDAR A MADEIRA!

Passa por aqui, JÁ!!!!

Venha de lá uma boa razão para ir até à Madeira!!!!

 

Parabéns, pela iniciativa!

antónio colaço

 

PS- Filipe, claro que também vamos dizer que Madeira, à nossa maneira!

Só que, cá por casa, como vês, Évora é já agora!!!!

Tamos veeeeendo, compadre!

 



publicado por animo às 20:55
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ÉVORANDANDO.

Acho que foi a José Gomes Ferreira que ouvi dizer, no saudoso Diário de Lisboa, que "crio a partir do caos!!".

Não sei se o mestre se entenderia com o meu caos .( Ocasião para relembrar que o animador de serviço está disponível para um qualquer espaçozinho que possa ser utilizado para criar, a partir.... de um caos ...arrumadinho!!!)

 

Pode ser que possa explicar aos alunos de uma qualquer escola de Évora....como é que dessa "coisa caótica" podemos partir para abordar/descobrir a Beleza que se esconde em cada esquina alentejana!

Mais uma madrugada, não propriamente contra o tempo - sim, essa noção do tempo como coisa asfixiante, foi-se - e sim a tempo de que tudo fique prontinho no dia 8 de Maio.

 

 

 

A seu tempo mais explicações para este pé e esta mão, versão incompleta para uma espécie de estatuária, descoberta, algures nas redondezas de Évora, um pé e uma mão de fragmentada escultura?

 

 

 

 

Uma natureza morta datada de um império romano moribundo mas ainda com tempo para saborear fruta fresca das fustigadas encostas?

As madrugadas prometem.

Os alentejanos estão quase a subir  à cena!

antónio colaço

 



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WEBANGELHO DE FREI BENTO DOMINGUES.CRER É DESEJAR VER

Frei Bento Domingues

 

In Público de 11.Abril.2010

 

A fé não é um calmante, é um excitante, um santo desassossego. Crer não é ver. É desejo de ver

 

 

1.Alguns leitores, por razões diferentes, estranharam

que eu tivesse escrito que “a

hierarquia não é a Igreja. A hierarquia é um

serviço indispensável à Igreja, na Igreja de

todos. Por outro lado, o Papa é o bispo de

Roma, não é o bispo de todas as dioceses católicas. A

responsabilidade pela vida da Igreja, vida do Espírito

de Cristo, é colegial. A ‘papolatria’ é uma doença que

faz mal ao Papa, aos bispos, aos padres e, sobretudo,

ao povo cristão”.

Um texto, uma vez publicado, está exposto à livre

interpretação. Não pretendo defender o que escrevi.

Recuso, apenas, que possa fazer parte da campanha

internacional contra o Papa e os bispos. Cabe-me

acrescentar que se trata de algo fundamental no Novo

Testamento, transmitido por S. Marcos, S. Mateus e

S. Lucas: “Sabeis como aqueles que são considerados

governantes das nações fazem sentir a sua autoridade

sobre elas e como os grandes exercem o seu poder. Não

deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande, faça-se

vosso servo e quem quiser ser o primeiro, faça-se o

servo de todos. Pois também o Filho do Homem não

veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida

em resgate por todos” (Mc 10, 42-45 e par.).

A Igreja deve ser uma rede de fraternidades. S. Mateus

colocou na boca de Jesus o seguinte imperativo:

“Quanto a vós, não vos deixeis tratar por ‘mestres’,

pois um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos”

(Mt 23, 8).

Santo Agostinho repetia aos seus fiéis: “Para vós sou

bispo, convosco sou cristão; pecador como vós e, como

vós, batendo no peito; ovelha como vós sob o cajado

do único Pastor.” Dos concílios do século IV e V datam

fórmulas famosas: “O que deve ser posto à frente de

todos, deve ser escolhido por todos; que não seja imposto

nenhum bispo contra a vontade do povo.”

O Papa Celestino I (380-432) escrevia aos bispos de

Narbonnaise: “Distingamo-nos dos outros pela ciência,

não pelos vestidos; pelos nossos propósitos, não pelo

género de vida” (1).

2.Feito este esclarecimento, volto-me para

um título que, nesta Páscoa, surgiu no DN (04.04.2010) e que alguns julgaram surpreendente:“Um quarto dos portugueses não crê

na vida eterna.” O subtítulo, “Ressurreição”,precisava: entre eles estão 10% de católicos que vão à missa com regularidade, ou seja, 250 mil são católicos

praticantes, e também 26% de prática ocasional.Não podendo comentar esses números – não tenho, à mão, o inquérito atribuído à socióloga da Universidade

do Porto, Helena Vilaça –, ocorre-me uma pergunta: tanto aqueles que dizem acreditar na ressurreição e na vida eterna como os que dizem não acreditar, o que será que os leva a fazer tais afirmações ou negações?

Quando escuto certas homilias e declarações sobre Deus,Jesus Cristo, vida eterna, ressurreição, céu, inferno, purgatório,pecado e graça, etc., digo para mim mesmo: eu não acredito em nada disso, ou melhor, dessa maneira não

posso acreditar, tais são as evocações absurdas que suscitam!

Noutros contextos, porém, essas palavras “abrem-me todos os céus e fecham-me todos os infernos”.

3.S. Tomás de Aquino tomou do filósofo Plotino (205-270) uma expressão que se tornou emblemática de toda a sua teologia: “De Deus,

não sabemos o que Ele é, mas só o que Ele não é.” Em si mesmo, é-nos completamente desconhecido. O que dizemos de positivo a respeito do

Mistério, excesso de toda a perfeição, deve ser corrigido por negações que cortem qualquer possibilidade de idolatria,imagens dos nossos desejos ou medos.

Acredito em Jesus Cristo, mas é precisamente Ele que me remete para o insondável Mistério de Deus que não cabe em nenhum conceito, que a linguagem metafórica apenas pode sugerir e que não pode ser anexado por

ninguém, por nenhum povo, por nenhuma religião. Mesmo em relação a Jesus Cristo, só podemos acreditar interpretando. O terminal da adesão da fé cristã não são os artigos do Credo, mas a realidade insondável do divino

para onde apontam. De Deus tanto mais sabemos quanto mais nos convencermos de que está sempre para além de tudo o que sabemos. No entanto, por mais que o silêncio honre a Deus, o ser humano crente não consegue renunciar à ousadia de pensar, não só para testemunhar as suas convicções, num determinado contexto cultural, mas porque, não podendo crersem interpretar, o próprio acto de fé é vivido como cogitação (co-agitação). Não podemos renunciar a pensar, a procurar saber como é que é verdade aquilo quacreditamos ser verdade. Sem isso, podemos proclamar,sinceramente, o Credo, mas ficar de cabeça vazia.

É uma tarefa sem fim. A fé não é um calmante, é um excitante, um santo desassossego.

Crer não é ver.

É desejo de ver, é caminho de todas as energias espirituais do ser humano. É por isso que a linguagem dos místicos não envelhece como a dos conceitos catequéticos e teológicos, muitas vezes mortos à nascença.

Os pastores da Igreja não se devem alegrar nem assustar com as afirmações ou negações da fé anunciadas pelas estatísticas e pelos meios de comunicação.

A sua preocupação deve centrar-se na qualidade das

experiências cristãs, na linguagem que as exprime e na

inteligência da fé no interior da cultura de cada época

e de cada mundo.

(1) Cf. Yves Congar, O.P., Igreja serva e pobre, Logos, Lisboa,

1964, pp. 51-67.

 

 



publicado por animo às 15:00
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WEBANGELHO DE ANSELMO BORGES

Pe.Anselmo Borges

 

A LEI DO CELIBATO OBRIGATÓRIO

 

Dizia-me há dias um colega historiador que a lei do celibato obrigatório para os padres fez mais mal à Igreja e aos homens e mulheres do que bem. E eu estou com ele.

Jesus foi celibatário como também São Paulo. Mas foram-no por opção livre, para entregar-se inteiramente a uma causa, a causa de Deus, que é a causa dos seres humanos na dignidade livre e na liberdade com dignidade. Mas nem Jesus nem Paulo exigiram o celibato a ninguém. Jesus disse expressamente que alguns eram celibatários livremente por causa do Reino de Deus. E São Paulo escreveu na Primeira Carta aos Coríntios que permanecer celibatário é um carisma, e, por isso, "para evitar o perigo de imoralidade, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher, o seu marido". Há a certeza de que pelo menos alguns apóstolos eram casados, incluindo São Pedro. Na Primeira Carta a Timóteo lê-se: "O bispo deve ser homem de uma só mulher."

Foi lentamente que a lei do celibato se foi impondo na Igreja Católica, embora com excepções: pense-se, por exemplo, nas Igrejas orientais ou nos anglicanos unidos a Roma.

Na base do celibato como lei, há razões de vária ordem: imitar os monges e o seu voto de castidade, manter os padres e os bispos livres para o ministério, não dispersar os bens eclesiásticos, evitar o nepotismo... A concepção sacrificial da Eucaristia foi determinante, pois o sacrifício implica o sacerdote e a pureza ritual. Assim, o bispo de Roma Sirício (384-399) escreveu: "Todos nós, padres e levitas, estamos obrigados por uma lei irrevogável a viver a castidade do corpo e da alma para agradarmos a Deus diariamente no sacrifício litúrgico."

Neste movimento, a Igreja foi-se tornando cada vez mais rigorosa, tendo papel decisivo o Papa Gregório VII (1073-1085), com o seu modelo centralista: da reforma com o seu nome - reforma gregoriana - fez parte a obrigação de padres e bispos se separarem das respectivas mulheres e a admissão à ordenação sacerdotal apenas de candidatos celibatários. Foi o II Concílio de Latrão (1139) que decretou a lei do celibato, proibindo os fiéis de frequentarem missas celebradas por padres com mulher.

A distância entre a lei e o seu cumprimento obrigou a constantes admoestações e penas para os prevaricadores, como se pode constatar no decreto do Concílio de Basileia (1431-1437) sobre o concubinato dos padres. Lutero ergueu-se contra a lei, respondendo-lhe o Concílio de Trento: "É anátema quem afirmar que os membros do clero, investidos em ordens sacras, poderão contrair matrimónio." Os escândalos sucederam-se, mesmo entre Papas: Pio IV, por exemplo, que reforçou a lei, teve três filhos. O famoso exegeta Herbert Haag fez notar que a contradição entre teoria e prática ficou eloquentemente demonstrada durante o Concílio de Constança: os seus participantes tiveram à disposição centenas de prostitutas registadas.

Os escândalos de pedofilia por parte do clero fizeram com que o debate, proibido durante o Concílio Vaticano II e ainda, em parte, tabu, regressasse. Se não é correcto apresentar o celibato como a causa da pedofilia - pense-se em tantos casados pedófilos, concretamente no seio das famílias -, também é verdade que a lei do celibato enquanto tal não é a melhor ajuda para uma sexualidade sã. Muitos perguntam, com razão, se uma relação tensa com a sexualidade por parte da Igreja não terá aqui uma das suas principais explicações.

Seja como for, o celibato obrigatório não vem de Jesus, é uma lei dos homens, e, como disseram os apóstolos: "Importa mais obedecer a Deus do que aos homens." E os bispos e o Papa são homens.

É contraditório afirmar o celibato como um carisma e, depois, impô-lo como lei. Por isso, muitas vozes autorizadas na Igreja pedem uma reflexão séria sobre o tema. Há muito que o cardeal Carlo Martini faz apelos nesse sentido. Agora, junta-se-lhe o cardeal Ch. Schönborn, de Viena. O bispo auxiliar de Hamburgo, J.-J. Jaschke, sem pôr em causa o celibato livre, afirmou que "a Igreja Católica se enriqueceria com a experiência de padres casados".

 

Dizia-me há dias um colega historiador que a lei do celibato obrigatório para os padres fez mais mal à Igreja e aos homens e mulheres do que bem. E eu estou com ele.

Jesus foi celibatário como também São Paulo. Mas foram-no por opção livre, para entregar-se inteiramente a uma causa, a causa de Deus, que é a causa dos seres humanos na dignidade livre e na liberdade com dignidade. Mas nem Jesus nem Paulo exigiram o celibato a ninguém. Jesus disse expressamente que alguns eram celibatários livremente por causa do Reino de Deus. E São Paulo escreveu na Primeira Carta aos Coríntios que permanecer celibatário é um carisma, e, por isso, "para evitar o perigo de imoralidade, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher, o seu marido". Há a certeza de que pelo menos alguns apóstolos eram casados, incluindo São Pedro. Na Primeira Carta a Timóteo lê-se: "O bispo deve ser homem de uma só mulher."

Foi lentamente que a lei do celibato se foi impondo na Igreja Católica, embora com excepções: pense-se, por exemplo, nas Igrejas orientais ou nos anglicanos unidos a Roma.

Na base do celibato como lei, há razões de vária ordem: imitar os monges e o seu voto de castidade, manter os padres e os bispos livres para o ministério, não dispersar os bens eclesiásticos, evitar o nepotismo... A concepção sacrificial da Eucaristia foi determinante, pois o sacrifício implica o sacerdote e a pureza ritual. Assim, o bispo de Roma Sirício (384-399) escreveu: "Todos nós, padres e levitas, estamos obrigados por uma lei irrevogável a viver a castidade do corpo e da alma para agradarmos a Deus diariamente no sacrifício litúrgico."

Neste movimento, a Igreja foi-se tornando cada vez mais rigorosa, tendo papel decisivo o Papa Gregório VII (1073-1085), com o seu modelo centralista: da reforma com o seu nome - reforma gregoriana - fez parte a obrigação de padres e bispos se separarem das respectivas mulheres e a admissão à ordenação sacerdotal apenas de candidatos celibatários. Foi o II Concílio de Latrão (1139) que decretou a lei do celibato, proibindo os fiéis de frequentarem missas celebradas por padres com mulher.

A distância entre a lei e o seu cumprimento obrigou a constantes admoestações e penas para os prevaricadores, como se pode constatar no decreto do Concílio de Basileia (1431-1437) sobre o concubinato dos padres. Lutero ergueu-se contra a lei, respondendo-lhe o Concílio de Trento: "É anátema quem afirmar que os membros do clero, investidos em ordens sacras, poderão contrair matrimónio." Os escândalos sucederam-se, mesmo entre Papas: Pio IV, por exemplo, que reforçou a lei, teve três filhos. O famoso exegeta Herbert Haag fez notar que a contradição entre teoria e prática ficou eloquentemente demonstrada durante o Concílio de Constança: os seus participantes tiveram à disposição centenas de prostitutas registadas.

Os escândalos de pedofilia por parte do clero fizeram com que o debate, proibido durante o Concílio Vaticano II e ainda, em parte, tabu, regressasse. Se não é correcto apresentar o celibato como a causa da pedofilia - pense-se em tantos casados pedófilos, concretamente no seio das famílias -, também é verdade que a lei do celibato enquanto tal não é a melhor ajuda para uma sexualidade sã. Muitos perguntam, com razão, se uma relação tensa com a sexualidade por parte da Igreja não terá aqui uma das suas principais explicações.

Seja como for, o celibato obrigatório não vem de Jesus, é uma lei dos homens, e, como disseram os apóstolos: "Importa mais obedecer a Deus do que aos homens." E os bispos e o Papa são homens.

É contraditório afirmar o celibato como um carisma e, depois, impô-lo como lei. Por isso, muitas vozes autorizadas na Igreja pedem uma reflexão séria sobre o tema. Há muito que o cardeal Carlo Martini faz apelos nesse sentido. Agora, junta-se-lhe o cardeal Ch. Schönborn, de Viena. O bispo auxiliar de Hamburgo, J.-J. Jaschke, sem pôr em causa o celibato livre, afirmou que "a Igreja Católica se enriqueceria com a experiência de padres casados".

 

Dizia-me há dias um colega historiador que a lei do celibato obrigatório para os padres fez mais mal à Igreja e aos homens e mulheres do que bem. E eu estou com ele.

Jesus foi celibatário como também São Paulo. Mas foram-no por opção livre, para entregar-se inteiramente a uma causa, a causa de Deus, que é a causa dos seres humanos na dignidade livre e na liberdade com dignidade. Mas nem Jesus nem Paulo exigiram o celibato a ninguém. Jesus disse expressamente que alguns eram celibatários livremente por causa do Reino de Deus. E São Paulo escreveu na Primeira Carta aos Coríntios que permanecer celibatário é um carisma, e, por isso, "para evitar o perigo de imoralidade, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher, o seu marido". Há a certeza de que pelo menos alguns apóstolos eram casados, incluindo São Pedro. Na Primeira Carta a Timóteo lê-se: "O bispo deve ser homem de uma só mulher."

Foi lentamente que a lei do celibato se foi impondo na Igreja Católica, embora com excepções: pense-se, por exemplo, nas Igrejas orientais ou nos anglicanos unidos a Roma.

Na base do celibato como lei, há razões de vária ordem: imitar os monges e o seu voto de castidade, manter os padres e os bispos livres para o ministério, não dispersar os bens eclesiásticos, evitar o nepotismo... A concepção sacrificial da Eucaristia foi determinante, pois o sacrifício implica o sacerdote e a pureza ritual. Assim, o bispo de Roma Sirício (384-399) escreveu: "Todos nós, padres e levitas, estamos obrigados por uma lei irrevogável a viver a castidade do corpo e da alma para agradarmos a Deus diariamente no sacrifício litúrgico."

Neste movimento, a Igreja foi-se tornando cada vez mais rigorosa, tendo papel decisivo o Papa Gregório VII (1073-1085), com o seu modelo centralista: da reforma com o seu nome - reforma gregoriana - fez parte a obrigação de padres e bispos se separarem das respectivas mulheres e a admissão à ordenação sacerdotal apenas de candidatos celibatários. Foi o II Concílio de Latrão (1139) que decretou a lei do celibato, proibindo os fiéis de frequentarem missas celebradas por padres com mulher.

A distância entre a lei e o seu cumprimento obrigou a constantes admoestações e penas para os prevaricadores, como se pode constatar no decreto do Concílio de Basileia (1431-1437) sobre o concubinato dos padres. Lutero ergueu-se contra a lei, respondendo-lhe o Concílio de Trento: "É anátema quem afirmar que os membros do clero, investidos em ordens sacras, poderão contrair matrimónio." Os escândalos sucederam-se, mesmo entre Papas: Pio IV, por exemplo, que reforçou a lei, teve três filhos. O famoso exegeta Herbert Haag fez notar que a contradição entre teoria e prática ficou eloquentemente demonstrada durante o Concílio de Constança: os seus participantes tiveram à disposição centenas de prostitutas registadas.

Os escândalos de pedofilia por parte do clero fizeram com que o debate, proibido durante o Concílio Vaticano II e ainda, em parte, tabu, regressasse. Se não é correcto apresentar o celibato como a causa da pedofilia - pense-se em tantos casados pedófilos, concretamente no seio das famílias -, também é verdade que a lei do celibato enquanto tal não é a melhor ajuda para uma sexualidade sã. Muitos perguntam, com razão, se uma relação tensa com a sexualidade por parte da Igreja não terá aqui uma das suas principais explicações.

Seja como for, o celibato obrigatório não vem de Jesus, é uma lei dos homens, e, como disseram os apóstolos: "Importa mais obedecer a Deus do que aos homens." E os bispos e o Papa são homens.

É contraditório afirmar o celibato como um carisma e, depois, impô-lo como lei. Por isso, muitas vozes autorizadas na Igreja pedem uma reflexão séria sobre o tema. Há muito que o cardeal Carlo Martini faz apelos nesse sentido. Agora, junta-se-lhe o cardeal Ch. Schönborn, de Viena. O bispo auxiliar de Hamburgo, J.-J. Jaschke, sem pôr em causa o celibato livre, afirmou que "a Igreja Católica se enriqueceria com a experiência de padres casados".

 

In Diário de Notícias 10.04.2010

 



publicado por animo às 14:37
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MATINAS

 

... e às vezes, um nesgazinha de Luz, no sítio onde menos esperamos, e a gente a ver.... e a não A Ver!

Obrigado.

 

antónio colaço



publicado por animo às 14:18
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Quarta-feira, 14 de Abril de 2010
ÂNIMO FÃ DOS CRIADORES DE "FÃS DA MADEIRA"

 

O Filipe Santos Costa é amigo da ânimo, logo, a ânimo é amiga do Filipe, das ideias dele e dos amigos dele.

Que somos, a partir de hoje, todos nós!

Parabéns e êxitos para a campanha!

 

A propósito, do que é que estão à espera?!

Todos para a Madeira, já!

 

antónio colaço

 

Filipe, em foto sacada no google!!!

 

Da Lusa, com a devida vénia, enquanto não recebemos algo mais substancial do Filipe:

 

 

 

Lisboa, 14 abr (Lusa) - A campanha "Este ano vá de férias à Madeira", organizada pelo movimento "Fãs da Madeira", foi hoje apresentada em Lisboa, e pretende incentivar os portugueses a visitar a região este ano, num "ato de solidariedade" para com os madeirenses.

A ideia foi concebida pelo jornalista madeirense Filipe Santos Costa, e engloba figuras públicas que se disponibilizaram para apoiar a região depois da intempérie de 20 de fevereiro, casos de Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Veloso, Guta Moura Guedes, Margarida Rebelo Pinto, Maria Rueff, Judite de Sousa ou Fernando Alvim.

O jornalista destaca, em entrevista à agência Lusa, a generosidade de todos os intervenientes na campanha, que puseram unicamente em campo o seu "trabalho e talento", adotando a iniciativa como uma causa, cenário igualmente registado pelos "mais de 30 órgãos de comunicação social que são parceiros" do projeto.

"Esta campanha deu muito trabalho a muita gente, mas uma coisa que não deu trabalho nenhum foi convencer as figuras públicas que aparecem na campanha. São cerca de 30 e todas elas aderiram na hora e ficaram disponíveis para o que fosse necessário. Essa foi a parte mais fácil", refere Filipe Santos Costa.

 

 

Para o jornalista, a campanha "Este ano vá de férias à Madeira" não é concebida "para o Turismo da Madeira", antes pretende juntar uma razão "às muitas razões que há" para visitar a Madeira, e desse modo "lembrar às pessoas que há uma razão extra para ir à Madeira este ano", num ato de solidariedade para com os habitantes locais.

As redes sociais na Internet, como o Facebook, foram importantes no crescimento da iniciativa, cuja génese foi na segunda feira seguinte ao temporal de 20 de fevereiro [um sábado], e uma "decisão familiar" do jornalista em passar férias na Madeira este ano.

Em paralelo com a campanha publicitária, que começará a ser divulgada na sexta feira, é também lançada uma página na Internet onde será criado um "contador de razões para ir à Madeira", uma "porta aberta" para que "qualquer pessoa" inscreva a sua razão para ir à região autónoma.

A campanha publicitária, concebida pela agência Draftfcb, foi idealizada com o intuito de conferir um "elemento comum" a todas as figuras públicas que intervêm na iniciativa, sendo o "chapéu típico" da Madeira o recurso definido pela agência de publicidade.

O diretor criativo por detrás da campanha, Duarte Pinheiro de Melo, disse à Lusa que a empresa teve como papel "dar corpo" à ideia do movimento "Fãs da Madeira", procurando visualizar "um conjunto de personalidades a apoiar a causa da Madeira".

A campanha, que envolveu quatro pessoas da Draftfcb, foi toda ela concebida em regime "pro bono", gratuitamente.

"Normalmente associamo-nos a campanhas de solidariedade sempre que possível, fazemo-lo pro bono e faz parte do nosso trabalho", sustenta Duarte Pinheiro de Melo.

Anúncios de televisão, rádio e imprensa começam na sexta feira a lembrar que "este ano há uma razão extra" para fazer férias na Madeira, numa campanha organizada por cidadãos sem que tenha sido pago "um cêntimo".

O temporal de 20 de fevereiro, que provocou 43 mortos e oito desaparecidos, motivou prejuízos de cerca de 1400 milhões de euros na Madeira.

PPF.



publicado por animo às 18:23
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