Quarta-feira, 7 de Julho de 2010
UM TEJO FRESCO E SOLIDÁRIO

 

 

 

O Tejo surpreende-se com as suas margens pejadas de gente e tarda em adormecer. Generoso, lá vai dando um jeito para que as suas águas paradas, estremeçam e nos refresquem a noite um pouco mais.

 

antónio colaço

 



publicado por animo às 12:54
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DOS FIGOS DE S.JOÃO À ALEGRIA DO PRIMEIRO PINHÃO

 

O Vale surpreende-nos todos os dias. Deve ser assim entre a assembelia dos figos ao elegerem os primeiros dois ou três para crescerem mais rápidos que os outros, oferecendo-se, assim, em saboroso sacrifício das nossas bocas.

Mas, este figo do Vale, nada tem a ver com outros figos, também de Mação, mas de outras bem mais generosas figueiras!

 

 

Longe de mim humilhar-vos, minhas queridas figueiras!Apenas...lembrar-vos de que ...podemos sempre ir um pouco mais longe!

 

 

Tal como vós, embora por outras razões, celebremos desta pinheira, os primeiros pinhões!

Dez anos depois de lhe cavar a morada, ninguém imagina tanta alegria suada por vê-la, assim crescida, frondosa, e, finalmente, uma pinheira generosa!!

 

 

 

antónio colaço



publicado por animo às 12:40
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MATINAS

 

 

 

Finalmente, libertas das ervas daninhas que este ano tomaram de assalto o Vale das Árvores, ei-las, as minhas viçosas hortênsias, alinhadas para nos alegrar os dias .

É sempre assim, quando percebemos, às vezes tarde de mais, que nos compete a limpeza de outras ervas daninhas de nós, para, libertos, podermos ouvir a Tua voz.

 

antónio colaço



publicado por animo às 12:24
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Terça-feira, 6 de Julho de 2010
VESPERAS . A PALAVRA DE ANSELMO, HOJE, ANTENA 1 .DA MEIA NOITE ÀS DUAS!

 

A Palavra. Entre a meia noite e as duas, no FM 95.7 da Antena 1. Pe Anselmo Borges, para tornar Clara a Noite, como O Dia.

 

antónio colaço



publicado por animo às 18:14
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Segunda-feira, 5 de Julho de 2010
ÚLTIMA HORA: PE ANSELMO BORGES, AMANHÃ, DA MEIA NOITE ÀS DUAS NA ANTENA 1 COM JORGE AFONSO

 

O Pe Anselmo Borges vai estar, amanhã, terça-feira, entre a meia noite e as duas, na Antena 1 no programa de Jorge Afonso.

Seguramente, uma noite para "tornar a noite clara como o dia"!!!

 

Tome nota na sua agenda para que nada se perca destas duas horas que vão valer, seguramente, por uma noite eteeeeeeeerna!Quer dizer, perto do que possamos admitir seja a Eternidade e de que o Pe Anselmo, como poucos, nos anuncia!

antónio colaço

 



publicado por animo às 18:45
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WEBANGELHO DE FREI BENTO DOMINGUES

 

 

Frei Bento Domingues

 

In Público, Domingo 4 Julho 2010

 

Séculos de pregação centrados no pecado e no medo escreveram o antievangelho, o dever sagrado da tristeza

 

As raízes imortais da alegria

 

 

Se as queixas fossem tomadas a sério, cada português

sofreria, pelo menos, de três ou quatro

doenças crónicas, como disse Sobrinho Simões

na homenagem a Mário Soares... Alguns meios

de comunicação social especializaram-se em narrativas

da desgraça e na ocultação de quanto poderia

abrir o futuro.

Segundo o conhecido cientista António Damásio, “a

neurobiologia da emoção e do sentimento diz-nos, em

termos bem sugestivos, que a alegria e as suas variantes

são preferíveis à tristeza e às suas variantes, que a alegria

leva mais facilmente à saúde e ao florescer criador. Não

parece haver aqui qualquer equívoco: devemos procurar

a alegria, por decreto assente na razão, mesmo que

a procura pareça tola e pouco realista” (1).

 

Séculos de pregação centrados no pecado e no medo

escreveram o antievangelho, o dever sagrado da tristeza.

S. João coloca na boca de Jesus uma declaração que deve

ficar como princípio hermenêutico de todas as narrativas

e exortações do Novo Testamento: Isto vos digo para que a

minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. Não

negam a finitude, a fragilidade, o sofrimento e a morte,

mas é a ressurreição, que tudo comanda, a resistência

mais radical ao niilismo.

 

2.Diz-se nos textos mais cristãos que, onde

abunda o amor, não há temor. É precisamente

ele que torna o ser humano um nó de boas

relações com o universo, com os outros,

com Deus.

A este respeito, no capítulo 10 do Evangelho de S. Lucas,

sucedem-se histórias espantosas. A primeira conta

o alargamento dos colaboradores de Jesus na sua missão

do anúncio da proximidade do Reino de Deus. Ao que

parece, tudo correu bem. É dito que os setenta e dois

voltaram com alegria. Nada lhes resistiu. Tinha sido, de

facto, um grande sucesso, mas Jesus não acreditava na

eclesiologia do sucesso. Não queria deitar água na fervura,

mas, para ele, a raiz da alegria imortal estava noutro

lado: Contudo, não vos alegreis porque os espíritos se vos

submetem; alegrai-vos, antes, porque os vossos nomes estão

inscritos nos céus.

A palavra céus era usada para não profanar o carácter

hiper-sagrado de Iavé. Podemos apresentar o seu sentido,

dizendo: alegrai-vos porque a vossa verdadeira morada é

o coração de Deus, sois eternamente amados.

O que surpreende e espanta nessa declaração é que o

próprio Jesus se tenha comovido com o que disse. Naquele

momento, ele exultou de alegria sob a acção do Espírito

Santo e disse: Louvo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra,

porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos entendidos e

as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do

teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai e ninguém

conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão

o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar. Este texto é

absolutamente espantoso se tivermos em conta que Jesus

estava rodeado de sábios e entendidos encartados, social

e religiosamente reconhecidos como os detentores do

pensamento de Deus, da boa interpretação das Escrituras,

daquilo que se deve pensar, dizer, fazer e evitar. Esses,

geralmente, tinham um desprezo soberano pelo povo,

que não conhecia a Tora (a Lei), como S. João escreveu

de forma sugestiva ( Jo 7, 25ss).

Aqui, os pequeninos não são as crianças, mas os social

e religiosamente insignificantes, aqueles de quem Deus

parece não se ocupar e que também não sabem lidar bem

com Deus e, por isso, são desprezíveis.

 

3.Jesus tinha-se comovido, não só porque tinha

tocado na raiz de tudo, na mudança mais importante

da história religiosa da humanidade,

mas também porque descobriu a missão que

queria para a sua Igreja. Por isso, o texto sublinha

que, voltando-se para os discípulos, disse-lhes a

sós: Felizes os olhos que vêem o que vós vedes! Pois eu

vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que

vós vedes, mas não viram, ouvir o que ouvis, mas não

ouviram.

Um doutor da Lei procurou desviar a atenção com

uma pergunta aparentemente embaraçosa: Mestre,

que farei para herdar a vida eterna? Jesus sabe que ele

não procura uma resposta, mas uma fuga, e apanha-o na sua própria profissão: Que

está escrito na Lei? Como lês? É evidente que não ia querer

passar por ignorante e respondeu com o primeiro e

o segundo mandamentos. Jesus confirmou a exactidão

da resposta e acrescentou: Faz isso e viverás.

É sempre aborrecido, no fim de uma conferência, aparecer

alguém que não está interessado em ser esclarecido,

mas em embaraçar o conferencista. Também nesta

narrativa, o sábio, querendo justificar a pergunta, fez

outra: Mas quem é o meu próximo?

Jesus perdeu a paciência e obrigou-o à evidência das

atitudes concretas a tomar perante quem, de facto, precisa

de ajuda e só porque precisa, seja quem for. É a chamada

“parábola do Bom Samaritano” (Lc 10, 29-37). Não

foram os profissionais mais qualificados da religião de

Israel que socorreram o espancado e atirado à valeta.

Foi um samaritano qualquer, um herético, quem cuidou

do desgraçado.

Enquanto o mundo for mundo, a última palavra que revela

o verdadeiro ser humano e o verdadeiro religioso será

a prática da compaixão, da misericórdia, rosto de Deus.

 

(1) António Damásio, Ao Encontro de Espinosa, Europa-América

 

NR

Outro grande texto de Frei Bento!!!Quer dizer.... de Jesus Cristo!!!Está lá tudo no Evangelho de ontem, certo, mas....a gente tarda em ver!!!!É por isso que somos uns privilegiados por termos quem vá à frente iluminando os nossos passos!!!

Obrigado, Frei Bento,

Sublinahdos nossos.

 

antónio colaço



publicado por animo às 18:30
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ÂNIMOS EXALTADOS

 

De uma coisa os socialistas ouvidos pelo Diário Económico têm a certeza: o primeiro-ministro é uma pessoa "obstinada" e "dificilmente" abandonará o PS de ânimo leve, apesar do desgaste a que tem estado sujeito.

 

Diário Económico



publicado por animo às 08:51
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Domingo, 4 de Julho de 2010
MAÇÃO:ÚLTIMA HORA! VACARIA ENCERRADA..(.PARA OBRAS?)

 

Afinal, já não vai haver "GALERIA" NA VACARIA!!!!Uma "mãozinha" misteriosa (CM Mação? Casa Rebello? Licenças...vistorias...Delegado Saúde...) rapidamente pôs fim ao sonho a que aqui demos asas!

AZAR!!!

E não é que dois amigos nos contactaram para quando realizarmos ali a primeira ...exposição?!

 

 

Pois é, quer dizer, era assim até há meia dúzia de dias!!!

 

O poder das palavras e da ficção que elas anunciam!!!Ou de como, um destes dias, ajudamos a fechar Mação e o seu abandonado Centro Histórico, para obras!

Não esperem pela demora!!!!

 

Tudo isto a pretexto da ficcionada prosa que aqui editámos "VACARIA VIRA ...GALERIA"!!!

Meia dúzia de dias depois, veja a diferença!

 

No momento em que José Cid se prepara para cantar, em Mação, nós,  por aqui, fazemos nossas as suas palavras..."Eu só queria, mais um dia"!!!

 

A propósito das Festas de Mação - DZERT, DEOLINDA e ...JOSÉ CID?!

CRISE nos cofres municipais?!

Deve ser só para dizer mal do governo nas vésperas  eleitorais ou nas  vésperas do debate orçamental!!!

 

 

 

 antónio colaço

 

 



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Sábado, 3 de Julho de 2010
WEBANGELHO DE ANSELMO BORGES

Pe.Anselmo Borges

In DN, hoje

 

O QUE FAZ FALTA?PENSAR

 

Há na Lituânia - talvez também porque é um país com imenso sofrimento ao longo da história - umas estátuas, de tamanho diferente, do "Cristo pensador". É um Cristo sentado, com a cabeça levemente inclinada, de olhos fechados e com a mão encostada à face, precisamente na atitude própria do homem que pensa. Pensar vem do latim pensare, que significa pesar (razões), ponderar, examinar, avaliar, meditar e também pagar.

Em Portugal, não há muita tradição de pensar, sobretudo pensar criticamente. Talvez o clima nos arraste mais para o exterior. A própria Igreja pode ter responsabilidades, mesmo que indirectas, no facto: um pensamento dogmático, a doutrina transmitida por via autoritativa e sem necessidade de argumentação, não houve Reforma. Depois, nos últimos anos, a aparente situação de riqueza levou ao estonteamento e à fuga do pensar. Assim, de repente, vemo-nos num estado lastimoso e na incógnita asfixiante do futuro.

Há tempos, quando se abriram indiscriminadamente Universidades e instituições de ensino superior, alguém pensou nas consequências? Quanto ao ensino em geral, alguém pensou aonde nos levariam o experimentalismo constante e o facilitismo? Já alguém pensou em como foi possível a Justiça ter chegado aonde chegou e nas reformas necessárias para torná-la fiável, célere e eficaz? Em que é que se estava a pensar, quando se deu a possibilidade da reforma aos 45-50 anos?

Do pior foi a indicação de sinais de que era possível vivermos todos acima das nossas possibilidades e sem esforço nem trabalho. Afinal, em que pensavam os Bancos, quando faziam "engolir" cartões de crédito? Até férias e fatos a crédito aconteciam! Foi a ilusão e o desvario.

Houve uma avaliação racional dos investimentos necessários em função do desenvolvimento do País e não de interesses instalados? Quando se pensa, por exemplo, no labirinto de jogos para finalmente se concluir a localização do novo aeroporto, que devemos concluir? E...

O decisivo era ganhar eleições. Então, prometeu-se o que se sabia que não era possível cumprir. Mas lá estavam os interesses e as clientelas. O pensar a longo prazo, como estadistas, ficou bloqueado. Pode aliás perguntar-se: quando existiu?

O dinheiro corria a jorros. As reformas estruturais foram sendo adiadas. O número de funcionários cresceu. O que restou é um País pobre com alguns cada vez mais ricos. O que vai ser dos mais carenciados e desfavorecidos? Mas ai de nós se não pensarmos que é necessário pensar que os pobres não podem ser abandonados à sua sorte e que há um mínimo de Estado social a salvaguardar. Aconteceu o caricato. Ainda há meses, se prometia e jurava que não haveria aumento de impostos e havia dinheiro para isto e para aquilo, para este e para o outro mundo. De repente, quase cada dia se anuncia um novo imposto e um novo corte. E o mais dramático: alguém nos pode dizer, depois de pensar e reflectir e avaliar razões, o que vai acontecer e qual é o projecto de futuro?

O País caminha para becos sem saída. E o que mais dói: ninguém é responsabilizado e não se vê alguém a assumir responsabilidades. No fundo, somos todos responsáveis, mas as responsabilidades não são todas iguais. Não admira, pois, que as estatísticas digam que os portugueses já não confiam nas instituições e nomeadamente nos partidos e nos políticos. Significativamente, de pensare, em latim, também vem o nosso penso. Assim, dizemos: pensar uma ferida - aplicar a uma ferida, numa pessoa, animal ou instituição, o curativo, os remédios necessários. O que faz falta é sentarmo-nos para pensar, reflectir, projectar um futuro com futuro.

O pensar exige esforço, tenacidade, mas sem ele não se vive humanamente. Aliás, é nos tempos mais difíceis que se ergue a urgência de pensar. Julgo que foi Cícero que escreveu que todo o pensador é melancólico e, como repetia o filósofo Ernst Bloch: "Not lehrt denken", é a necessidade que ensina a pensar. É fundamentalmente aqui que temos de encontrar a nossa cura

 

 



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MATINAS

 

António Colaço

Assessor que pinta telas toca Órgão e faz licores

por FERNANDO MADAÍL

 

In DN, hoje

 

Após 21 anos à frente do Gabinete de Imprensa do PS na Assembleia da República, o antigo pioneiro das rádios livres e criativo em várias artes vai aposentar-se das funções de assessoria, mas irá prosseguir as suas pesquisas estéticas

Numa amigável disputa com António Barreto para ver qual dos dois descobria o primeiro jacarandá florido da Rua D. Carlos I, o assessor de imprensa da bancada parlamentar do PS ficava satisfeito quando podia dizer que a sétima árvore do lado direito já tinha flor. Contrariando a imagem dos spin doctores (ver caixa), a figura com quem os jornalistas parlamentares conviveram durante 21 anos (e que agora pediu para se aposentar) gosta de conversar sobre os valores franciscanos, a política da verdade, uma economia de afectos, outras aparentes utopias.

O pintor de telas com títulos sarcásticos como Tacho, Canudo & Cunha nasceu em Gavião, no mês de Janeiro de 1952, filho de um padeiro e de uma criada que trabalhou em casa de Júlio Cerejeira, irmão do cardeal Cerejeira. A família mudou--se para Mação quando António tinha cinco anos, e era tão louro que, certa vez, uma senhora distinta saiu de um Citroën (e ele ganhou, nesse momento, uma paixão por esse carro arrastadeira) e deu-lhe cinco tostões, provavelmente por ver alguma semelhança entre o garoto e a imagem do Menino Jesus.

Mas, quando se colocou a possibilidade de ir para o Seminário, seria Celeste Cerejeira a custear-lhe os estudos. E o miúdo, que ficou fisicamente marcado por apanhar uma pedrada no olho direito aos seis anos, ingressou em 1963 no Seminário Diocesano de Portalegre e Castelo Branco, em Alcains, e, depois, foi noviço dos franciscanos capuchinhos em Barcelos - onde tomou contacto com o Maio de 68 e a invasão da Checoslováquia.

Vestido de frade, ia jantar a casa dos seus protectores, pessoas simpáticas e que lhe permitiram não ser mais um caixeiro do senhor Alexandre, dono de uma loja em Cardigos (freguesia de Mação), essa sua segunda pátria, onde se lembra de ver a campanha dos Magriços no Mundial de 1966 no televisor a petróleo da casa de Mário Tavares, proprietário de uma das duas fábricas de vela existentes na localidade.

O frade benjamim no Porto estava no 3.º ano de Teologia quando teve uma crise de fé e, em 1971, abandonou a vida monástica. E, no entanto, não só se revê em muitos valores franciscanos (a simplicidade, o despojamento, a humildade, a ecologia da irmã natureza), como tem um blogue em que tenta juntar os antigos colegas, denominado O Irmão Sol - embora seja mais conhecido pelo Ânimo, que começou por ser revista e passou a blogue, "para tornar os dias mais leves".

A falta de equivalência entre o seu 3.º ano incompleto de Teologia e o 7.º ano do liceu estragou-lhe dois sonhos: estudar jornalismo ("até chorei quando não me aceitaram na Escola Superior de Jornalismo", em 1971) e belas artes (chumbou no exame de admissão, em 1972). A equivalência só seria reconhecida após o 25 de Abril, o que lhe permitiu matricular-se em História, que abandonou, pois, como explicou a um professor, "mais do que o curso da História, interessava não perder a História em curso".

No 25 de Abril, por exemplo, depois de ter desistido de ser objector de consciência, estava na EPAM, a tirar a especialidade de secretariado, e foi um dos militares que ocuparam a RTP. Nessa tarde, em cima dos telhados, correu o rumor de que a Legião Portuguesa iria atacar aquela posição, mas não passou de um boato. Desse dia, que também serviu para escrever o livro Reabrir Abril ou Reflexões Fáceis de um Soldado Difícil, António Colaço guardou as divisas de cadete, as balas que não precisou de disparar, um cravo que lhe deram à saída e um pedaço de filme que tinha sido incinerado.

O 25 de Abril, para um nome ligado ao movimento das rádios livres, também acabaria por lhe vir a causar uns sarilhos judiciais quando assinalou a data, em 1995, com uma emissão pirata de televisão de 15 minutos, difundida a partir de Campo de Ourique, que incluía entrevistas a Mário Viegas (nessa altura, o actor tinha o espectáculo Europa Não! Portugal Nunca! ), a Vasco Lourenço e ao então presidente da Câmara de Constância.

Nessa época, o funcionário das câmaras de Lisboa e, depois, de Abrantes, o jornalista da Imprensa Regional (Notícias de Abrantes, Correio de Abrantes, O Ribatejo), o pioneiro das rádios livres (Rádio Antena Livre, Rádio Ribatejo), o defensor da liberdade hertziana que tinha estado envolvido nos primeiros encontros de rádios em Abrantes, entrevistara para uma estação pirata o presidente Eanes e o ministro Coimbra Martins, lutara pela legalização junto dos deputados e estivera também com a equipa fundadora da TSF, era já o assessor de Imprensa da bancada parlamentar do Partido Socialista.

O seu anterior envolvimento político, depois do 25 de Abril, tinha sido com o MES, embora reconheça que colou poucos cartazes do partido, estando então mais interessado em fazer uma campanha pela sindicalização agrícola no concelho de Mação - onde, por esses anos revolucionários, até levou o GAC, o grupo musical de José Mário Branco, mais próximo da UDP.

Entretanto, foi escrevendo as suas poesias, pintando num estilo em que mistura as assemblages com registos caligráficos e até se matriculou no Conservatório Regional de Música de Tomar (onde foi colega de Carlos Moisés, futuro compositor e vocalista dos Quinta do Bill) para aperfeiçoar um dos seus prazeres - improvisar em órgão.

Chegou a combinar com Duarte Lima irem ambos tocar a Mafra, mas a ideia nunca se concretizou e, até agora, o "organista titular" da Igreja Matriz de Mação ainda só experimentou os órgãos lisboetas da Estrela e da Basílica dos Mártires e, no âmbito da vernissage da sua exposição Em Évora, sê romano! Perdão, alentejano!, também no órgão renascentista da Sé de Évora.

O jornalista, bloguista, radialista, poeta, pintor, músico, assessor, num regresso à Mação dos seus afectos, recuperou a casa da família da mulher, incluindo o soalho de madeira e demais marcas das gerações anteriores, e o quintal há 25 anos inactivo, onde tem furo, nora, tanque, hortênsias, árvores. E, numa homenagem à mãe, que oferecia aquelas bebidas às visitas e no compasso pascal, também começou a fabricar licores de poejo, tangerina e amora. Mas mantém a expectativa de sempre: quando é que irá florir o primeiro jacarandá lisboeta?

 

___________________________________

 

NR

Meu caro Fernando, uff, que memória, após quase três horas de tanta história ouvires. Só um pequeno reparo, a sindicalização agrícola foi mais cá para a margem sul, Gavião, mas, sobretudo, Abrantes. Quanto ao resto, deixas-me sem palavras, eu que as quero continuar a utilizar, sim, mas para da vida dos outros falar, exaltar.

Obrigado por este fecho de peça:estou mesmo obrigado a levar para o Vale da Árvores, o jacarandá, filho dos jacarandás da D.Carlos - já lá vão mais de meia dúzia de anos - e que marca passo na minha varanda da Ajuda...

Faço do teu trabalho, as minhas MATINAS de hoje e nelas o meu Obrigado ao Bom Deus!

Obrigado.

antónio colaço



publicado por animo às 08:11
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010
VÉSPERAS
Abençoado Órgão de Tubos, perdão, YOUTUBE!
Mas se quiser subir aos céus, junte-se ao video seguinte "Psalm 68 e junte a sua voz a uma Catedral em peso a cantar!!!
Bom fim-de-semana!
ac


publicado por animo às 18:46
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PORQUE AMANHÃ É ....DN/SÁBADO

 

Este "S.BENTO DA PORTA SEMPRE ABERTA" está, desde agora, no sítio onde sempre desejei: na Sala de Imprensa da Assembleia da República. A explicação da obra e o significado da sua presença, aqui, neste texto que enviei aos meus amigos jornalistas parlamentares. Uma espécie de "testamento" com um "recado" dentro:

 

Olá!

Deixo-vos este trabalho feito a partir de uma colagem com materiais recolhidos nos "restos" das obras de renovação do Plenário.

Uma espécie de renovação outra, para um Plenário que se quer cada vez mais pleno, participado e...participante, ou seja em ligação constante com os cidadãos sua razão de ser.

 

Nas imagens convocadas perpassa, também, esse apelo à constante ligação com o fundacional quotidiano, realçando um levantamento exaustivo, entre outros, de sectores símbolos da permanente abertura reclamada: portas e suas fechaduras, candeeiros e sua desejada luz, escadas, cadeiras e o simbólico poder de quem, assim, nos conduz.

 

2

Mais do que um qualquer estafado spin doctor ("doutor em engano", "manipulador de opinião", segundo o Wikipedia) que, creio, me recusei a ser durante estes 21 anos, a afirmação de que é possível defender no seio dos políticos o melhor que a classe jornalística tem para dar e no seio dos jornalistas o melhor que a classe política cada vez mais deve protagonizar: uma sociedade cada vez mais solidária e feita com o melhor que cada um tem para dar.

Assessor parlamentar, de facto, é aquele que possibilita o acesso ao agente da transformação política a haver, o deputado, e o seu sucesso só deriva de medidas concretas cuja preparação ajudou e que, decisivamente, contribuam para o progresso do povo, mais do que manter o povo à deriva.

 

3

Foi isso que aqui tentei fazer.

 

A todos um abraço do tamanho do desejo que esta obra expressa:

Façam o favor de ser felizes, como pedia o Solnado, ajudando a manter "S.BENTO DA PORTA SEMPRE ABERTA".

 

antónio colaço

 

NR

Amanhã, Sábado, parece que o DN/Gente traz o que ficou de quase três horas de conversa com Fernando Madail.

-Ó balha-me Deuzeze!!!!



publicado por animo às 18:07
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RÁDIO ANTENA LIVRE . O PRIMEIRO SPOT .OBRIGADO, ORFEÃO INFANTIL DE ABRANTES!

 

Mão amiga acaba de me fazer chegar às emocionadas mãos esta histórica gravação: nem mais nem menos do que o primeiro spot de promoção da Rádio Antena Livre, gravado, creio, pelo Orfeão Infantil de Abrantes. Como autor da letra e música fiquei um pouco mais tranquilo, tipo, afinal tive alguma coisa a ver com o que por ali se passou, quer dizer, não só com a sua divulgação mas com  a RÁDIO, mesma, de que era feita aquela rádio!!!

 

antónio colaço 



publicado por animo às 12:43
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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
VÉSPERAS

 



publicado por animo às 20:59
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MATINAS

 

Manhãs cheias de redes, de protecções que nos impedem de cair nos anunciados abismos!

Estes dias de aparente ausência de TI, que são eles senão abismos outros para os quais invocar-Te é o único caminho protector?!

Obrigado.

antónio colaço

 

 

 

 

 

 



publicado por animo às 12:11
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