Sábado, 21 de Agosto de 2010
13000

Na linha do meu amigo Mota Amaral, este é, também, um número "curioso" que acabamos de dobrar (estranha coincidência esta de me caber o "virar de página" das centenas...) e que apenas registo para assinalar a inesperada audiência da ânimo em férias!!!!

2

Mais do que perturbar as vossas férias com as minhas férias, obrigado por fazerem da ânimo um lugar para "feriar", na linha do nosso querido Pe Anselmo, entenda-se, festejar, alimentar esta "quietude contemplativa".

Assim, tornamos os dias mais leves a caminho do Dia!

Obrigado, outra vez.

antónio colaço



publicado por animo às 11:42
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WEBANGELHO DE ANSELMO BORGES

Pe Anselmo Borges

In DN de hoje

 

 

ENCOSTAR OS FERIADOS

 

É um paradoxo. As pessoas que trabalham, ali pela quinta-feira, já começam, aliviadas, a desejar umas às outras bom fim-de-semana. Cá está a constatação do trabalho como maçada e sofrimento. Mas, por outro lado, de vez em quando, lá volta o debate sobre a diminuição do número dos feriados e a necessidade de encostá-los à segunda ou à sexta-feira. Porque é preciso trabalhar e produzir mais. Por causa da concorrência e da crise.

É sobre isso que queria reflectir hoje, começando por esclarecer que até posso ser favorável à diminuição do número de feriados, mas não concordo com que passem automaticamente para a segunda ou para a sexta-feira. A razão dessa oposição não está propriamente na defesa dos dias santos da Igreja Católica, mas essencialmente na antropologia e na simbólica dos feriados.

É verdade que o trabalho tem essa dimensão de esforço e sacrifício. Só quem nunca trabalhou é que o não sabe. Por isso, os gregos associavam-no aos escravos - daí, a expressão "trabalhos servis". A palavra deriva de tripalium (três paus), instrumento romano de tortura. O livro do Génesis põe na boca de Deus: "Ganharás o pão com o suor do teu rosto."

Mas, por outro lado, também se não pode esquecer que o homem se realiza pelo trabalho. É pelo trabalho que o homem arranca à natureza aquilo de que precisa e a torna habitável, domina a natureza hostil, dá-lhe rosto humano e, ao transformá-la, transforma-se a si mesmo e humaniza-se. Pelo trabalho, participamos no esforço comum de realização da sociedade, disciplinamo-nos e configuramos, concretamente numa profissão, a identidade própria, e a humanidade vai erguendo a sua história.

Aqui, surge o feriado e a festa, cujo sentido originário se esbateu ou perdeu na actualidade. O nosso feriado e festa têm a sua raiz no latim feria e (dies) festus (dia festivo). Os dois termos têm a ver com a interrupção das actividades quotidianas e profanas, para entregar--se às festividades em honra do deus. O tempo estruturava-se à volta das festas religiosas, que ritmavam o calendário, com a distinção do tempo sagrado e do tempo profano. Ninguém aprofundou melhor esta questão do que Mircea Eliade: a festa faz mergulhar no tempo sagrado, reactualizando o tempo originário e fundante e, assim, regenerando e dando sentido ao tempo quotidiano.

É certo que hoje, por causa da secularização e do ritmo do trabalho, com excepção das pessoas muito religiosas ou ligadas à política, se esqueceu o sentido dos dias feriados, religiosos ou civis, de tal modo que o tempo aparece, assim, homogeneizado ou então a festa não ultrapassa a simples celebração do aniversário, do final do curso... ou a suspensão do trabalho para ter tempo livre, relaxar, dormir, estar com a família e os amigos.

Num país em que não há a cultura do trabalho, julgo ser fundamental mentalizarmo-nos para a necessidade de responsabilidade no trabalho - não é emprego e não trabalho que se procura?, de educação e formação excelentes - o nosso problema não é tanto o número de horas de trabalho, pois andaremos na média europeia, mas a produtividade, de iniciativa, de boa gestão - porque somos melhores a trabalhar no estrangeiro do que em Portugal?, de justiça, de estímulos salariais.

Mas o ser humano não se esgota no trabalho e na produção. E um dia feriado é isso mesmo: um dia festivo que tem a sua finalidade em si mesmo, valendo, portanto, por si mesmo, e não para restaurar as forças para voltar a trabalhar. É da sua essência ser um acontecimento não programado: é um "luxo", algo que surge como uma "graça" inesperada. Para que o homem se lembre de que é criador festivo e livre e não besta de carga.

Seja como for, não se pode esquecer que o homem está sujeito a ser dominado pelo que Ionesco chamava a contradição - como Adriano Moreira, penso que não há contradição - entre "a inutilidade do útil", que é a sociedade do trabalho e consumista, e "a utilidade do inútil", que são as artes e os valores, o exercício da liberdade de se ser humano.



publicado por animo às 11:35
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010
VÉSPERAS

 

Obrigado, por este dia tão intenso no Vale, vivenciado até à quase plenitude desta tão celebrada Lua Cheia!

Tão intenso e tão familiarmente vivido que me levou a mandar algumas mensagens a alguns amigos como que a querer dizer, tomem lá desta Alegria, partilhem dela também.

Sei que terei rondado algum excessso, tipo "deixas de perturbar as nossas férias com as tuas férias"?!

Terei sido oportunista só porque um dia disseste "mas...quem são Minha Mãe e Meus Irmãos?!...."

Há férias na amizade?

antónio colaço



publicado por animo às 23:49
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POLITICA DE COMENTÁRIOS DA ÂNIMO

Na ânimo, como já se percebeu,assinamos sempre por baixo, quer dizer, damos a cara.

Por isso, os comentários que nos chegam sem esta exigência que a nós próprios fazemos,não têm aqui lugar.

Uma questão de cidadania livre e responsável.

antónio colaço



publicado por animo às 23:48
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010
UMA ALEGRE CASINHA...À MINHA MANEIRA!!!!

 

Criativo e "sábio" (para não chamar chico-espertismo)este diálogo entre o passado e o presente, hein?!Parabéns senhores do IGESPAR e serviços camarários de Mação!!!

 

 

Esqueça Centros Históricos e respectivas restrições para reabilitação. Esqueça respeitar a traça arquitectónica das nossas vilas e cidades.

Não olhe a meios para concretizar os seus sonhos, por exemplo, imagine-se em Sortelha e uma vez lá, toca a recuperar uma casinha "à sua maneira". Pareceres do IGESPAR para que vos quero, toca a construir e, oops!!! ei-la alcandorada, dominando o casario!!!

 

Não é preciso ir para Sortelha, venha para Mação e reconstrua até mais não! Ainda por cima, tem aqui o privilégio de ter a sede do "Instituto Terra e Memória" e todos os gurus do património rupestre do país e arredores da América Latina, que o ajudam a conseguir níveis de modernidade como o patente na imagem!

 

E tem mais, como prémio por ter investido em Mação, você pode ainda habilitar-se a converter um Beco Público, em garagem privada, como pudemos ver, esta manhã, na imagem que se segue:

 

 Agora a sério,o senhor Presidente da Câmara de Mação, sim é dele, da sua casinha "à maneira", mais a sua garagem "à maneira", que falamos, até pode argumentar que tudo está legal e tem a cobertura do IGESPAR, e de todos os organismos públicos que superintendem as necessárias licenças, mas.....

Do que falamos é de uma outra legalização, que tem a ver com a consciência colectiva de um povo:

 -Que autoridade moral tem para vir reclamar defesa do património que ele próprio transgride?

-Que empenhamento pode solicitar aos maçanicos na defesa do que resta da arquitectura tradicional da nossa terra se é o primeiro a cometer tamanho atentado?!

De facto, não vale aplicar a lei ...."à nossa maneira"!

antonio colaço

 

 



publicado por animo às 16:04
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010
"GATO COMO NÓS"!!!

-Digam lá se eu não substituía, muito melhor, como verdadeira imagem de marca da ânimo, mais sedutora, até, com estes meus olhinhos verdes, os angustiados olhos da vizinha aqui do lado desenhados pelo Piero Fornazetti?

micas



publicado por animo às 15:18
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MATINAS

 

Obrigado, por este céu polvilhado de nuvens aos farripos, que assim tornam o dia uma pouco mais fresco e dão descanso ao nosso Irmão Sol, aos bombeiros e às atormentadas e incendiadas populações.

É nestes dias que apetece clamar por Ti como o Deus sempre a jeito, pronto a emendar a mão aos excessos da Tua Criação.

 

 

Mação, esta manhã!!!!Todos os últimos dias!!!!

Obrigado, por esta "espécie de água" fruto dos excessos outros, de má criação da câmara de Mação, por que não?

Tal como Tu, em Jerusalém, apetecia pegar no azorrague e invadir a autarquia, pois são tantos os anos a jogarem com a nossa apatia!!!

Ensina-nos a perdoar e, sobretudo, a acreditar que ...."eles não sabem o que fazem" mas nós sabemos o mal que a descuidada ingestão desta água nos faz!

antónio colaço

 



publicado por animo às 13:03
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Terça-feira, 17 de Agosto de 2010
VÉSPERAS

No regresso do Vale, no alto da Ventosa, o reencontro com o adivinhado mas já recolhido Sol.

Que dia, Bom Deus. Recolho-me também, para renascer, amanhã e sempre, até que  entendas por bem.

antónio colaço



publicado por animo às 22:58
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MAÇÃO . RIQUEZAS NATURAIS AO ABANDONO

Não é todos os dias que amanhecemos assim, com o Sol a nascer em nós em cada colina dominada, em cada rua calcorreada ou descendo à ribeira mais abandonada pelos homens desta terra, ainda que nunca ignorada pelas águas cristalinas que ali fazem sua permanente morada.

Há vinte anos, pelo menos, que não cesso de dar a mão à Ribeira de Boas Eiras, ao seu potencial turístico adormecido, fazendo inveja a muito bom autarca que tanto a desejaria ver correr no seio do seu concelho pela Natureza  menos favorecido!

 

Em Mação, o que não é rupestre é agreste, logo, ali não se investe.

Para cúmulo, a CM Mação até construiu um ...miradouro, como quem diz, veja daqui, mas não questione o futuro lá em baixo adiado!!!

 

O nosso dorido regresso inicia-se com um pontapé na pátria língua, também ele, com mais de vinte anos:

Por que será que apenas o Sr. Benvindo é ... BEM-VINDO a Mação?!

 

 

 

 

 

 

 

Senhores académicos da turma rupestre, ponham aqui os olhos,avancem um pouco no tempo, façam uma pausa no vosso desmesurado deslumbramento e digam-nos, para quando a sensibilização do empedernido coração dos autarcas cá da terra que só têm olhos para as vossas gravuras, perdão, dos nossos antepassados, e, de uma vez por todas, limpem, pelo menos, esta histórica indecência, socorrendo a pobre azenha incapaz de mais resistência?!

Esta imagem, a que se junta a degradação do Centro Histórico de Mação (salvem-se e saúdem-se as recentes iniciativas de alguns moradores, helás!!!) anula, só por si, todos os vossos mestrados, andakatus, televisões tutus e todo a parafernália de eventos e show off juntos.

 

Mostrem-nos os riscos que são capazes de traçar na paisagem do hoje dos dias do degradado Património maçanico e olharemos para vós com os renovados olhos de quem ama o património todo por igual, salvaguardadas, sim senhor, as suas especificidades!

Ou seja, nada contra os vestígios rupestres tudo contra os vossos prestígios, os vossos silêncios, que tornam Mação em cada dia que passa cada vez mais agreste!!! 

 

Haja a coragem de começar tudo de novo e perante tanta água estagnada, converta-se aquela espécie de açude, num açougue purificador, onde, finalmente, o betão e a tanta municipal falta de imaginação morram de pé  e dêem lugar a moderna e ecológica represa, olaré!!!

antónio colaço



publicado por animo às 08:45
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AMORIM LOPES . O SOL QUANDO NASCE É PARA TODOS

Um privilégio este,o de poder saudar o sol de um novo dia no Cais Cordeiro, em Mação, a vinha de Amorim Lopes. O Amorim é, para além de um grande maçanico, um cidadão solidário de corpo inteiro daí que, com propriedade, na sua propriedade, "o Sol quando nasce é para todos!!"

 

Era uma promessa e uma surpresa que há muito trazíamos adiada em nós, à espera do momento apropriado: surpreender o Amorim na sua vinha e agradecer-lhe o bem-aventurado vinho branco com que presenteou todos aqueles que participaram nas comemorações/exposições dos 30 anos da ânimo, em Lisboa.

A ânimo, nascida no 27 da Rua de S.Bento, em Mação,alimentada com os refrescantes néctares que o Amorim, abnegadamente e com alma, faz nascer na sua vinha.

 

As imagens que se seguem vão meter inveja ao Engº Sousa Veloso e bem podem ser o prenúncio de uma ânimo/TV RURAL, como quem diz, todos de regresso aos campos em força e .... JÁ!!!

 

"Vinte anos depois" pode ser o desejado prenúncio de algo que está para nascer, algo tão esplendoroso como o Sol, o Irmão Sol, que nos coube, hoje, de braços abertos receber!

 

Um duplo obrigado, meu caro Amorim, pela tua generosidade e pela cumplicidade em ajudar a preparar os novos dias de amanhã!

antónio colaço

 

COMENTÁRIOS
Parabéns ao autor desta reportagem que está excelente . Só assim se dá a conhecer o nosso Mação, podendo vir a renascer das cinzas por se tornar mais conhecido com estas divulgações. A nossa terra não está a acompanhar as tecnologias de hoje. Começo pela nossa junta que não tem um site / blog a informar os seus movimentos. Nas freguesias de Cardigos, Amêndoa , Aboboreira e Envendos aí sim pode-se ver o acompanhar das tecnologias . Não posso assim de deixar de dar também os parabéns aos presidentes destas Juntas.
Pedro Marques
NR
Os sites são apenas um meio, Pedro. A transformação da realidade é que deve ser o principal fim.Quem dera pudessemos, assim, ajudar os nossos autarcas a ajudar a "renascer das cinzas" o "nosso Mação"!Obrigado, de qualquer forma.
antónio colaço


publicado por animo às 08:44
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MATINAS

 

 

 

 

Obrigado, por este Sol, por esta Luz e pela Serenidade que a Ti nos reconduz. Não nos esquecemos de Ti, esquecemo-nos, sim, de nós, do que em nós, constantemente, aspira por Vós.

antónio colaço



publicado por animo às 08:44
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
VÉSPERAS


O que fazer com a notícia chegada ao cair da tarde?
Sei que sabeis.Iluminai-me para que também saiba.

Obrigado!

antónio colaço



publicado por animo às 20:59
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ABRANTES, QUANTO ANTES ?!...

 

Abrantes, vinte e um ano depois, ainda resta um pedacinho de terra por cultivar ou, na grande cidade, que daqui se avista, tudo está consumado, já ninguém arrisca, já ninguém em nada mais está interessado?!

antónio colaço



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Domingo, 15 de Agosto de 2010
VÉSPERAS . AGOSTOS NÃO SE DISCUTEM.RELEMBRAM-SE!!!

Vilas Boas. Vila Vlor

 

Talvez devesse estar a Teus pés, Senhora, por estas horas, no Santuário da Sra da Assunção, em Vilas Boas, Trás-os Montes, ou na Senhora dos Matos, em Mouriscas, ou nas Festas de Santa Clara, em Almodôvar,na Senhora da Saúde, em Messejana, ou na Senhora dos Navegantes, no Arripiado/Barquinha, ou no tão inicial e longínquo Senhora da Assunção, em Cardigos, para, como disseste em Caná aos atrapalhados nubentes da boda, "fazei tudo como Ele vos disser!". Indo um pouco mais longe, arrastando-me junto de Ti, te mostrasse a ciática perna, Senhora fazei com que ande. Como quereis que Vos celebre se permitis estas tão dolorosas quanto intermitentes dores que atrapalham as melhores e comportamentais intenções "pró-ativas”?

 

E, depois, meio envergonhado, evocando as Vossas dores de Mãe de um Deus que vos havia chamado, quase que castigado, confundida mas nunca desesperada, retomo o caminho e descubro, afinal, que o desafio maior é fazer desta dor prova de que o que me espera é Infinitamente Maior.

(Fotos aqui!Obriigado)

 

Obrigado, então, por poder recordar a hospitalidade dos amigos que a estas horas sobem sob um calor tórrido de Vilas Boas e Meireles, o Cachão inteiro, até ao alto da tua Capela, no Monte com o teu nome, e poder sentar-me com eles na partilha da suculenta e transmontana iguaria, já sob a sombra amiga e refrescante do arvoredo circundante.

 

Senhora dos Matos,Mouriscas.Abrantes.

 

Obrigado, por ter acompanhado e filmado, durante vários dias, empolgado e deslumbrado, confesso, com a primeira câmara de vídeo, bem distinta das modernas e vulgarizadas digitais de hoje, a Romaria da Senhora dos Matos, em Mouriscas, que resultaria numa das primeiras filmografias municipais. Momentos únicos de convívio, de me sentir um entre iguais.

 

Santa Clara-a-Nova.Almodôvar

Idem.Alvorada com gente bem animada e ainda não deitada!

 

Messejana.Procissão passando junto da Galeria.2009

 

 

Obrigado,pela romaria de Santa Clara, o ano passado, lá para as bandas de Santa Clara, e em Messejana, também, por ocasião da exposição com que homenageei o meu saudoso Pai. Uma descida ao Alentejo profundo de que restam mil imagens por segundo. Para além da farta mesa de amigos e familiares, na memória, para sempre, o emigrante Franklim bem sucedido pelas terras de Merkel  mas padecendo de amores não correpondidos pela sua alentejana Inês:”quando entro em Santa Clara e vejo Inês digo para mim,pronto, já estou em Portugal!!!”

 

Cardigos.Ao meio, a saudosa Velha Matriz da minha infância.A sua destruição foi um atentado ao património.

 

 

Na memória, porém, matriciais, os festejos da Senhora da Assunção, em Cardigos, com cheiro a murta e eucalipto a tomarem conta dos primeiros passos organizacionais. Sim, a ajuda na decoração do arraial, primeiro, no tão desajeitado quanto ansioso subir ao palco, depois, viola em riste, a sentir que pela primeira vez a gente existe.

 

 

Por estas horas, Senhora, aqui me tens olhando para a Tua imagem de Vilas Boas, emoldurada no refrigerado sótão, enquanto em Teu nome cresce, por esse Portugal fora, a bem degustada reinação.

Fico bem sob a Tua protecção.

Quanto à ciática, não ligues, não!

antónio colaço



publicado por animo às 16:33
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Sábado, 14 de Agosto de 2010
WEBANGELHO DE ANSELMO BORGES. O TRABALHO E AS FÉRIAS

 

Pe Anselmo Borges

 

In DN,hoje

 

O TRABALHO E AS FÉRIAS

Quando se fala de trabalho, é preciso ter em atenção algumas questões prévias, fundamentais.

Primeiro, o trabalho deve ser visto no seu sentido amplo. Assim, tanto trabalha o agricultor como o operário, o engenheiro, o estudante, o médico ou o professor.

Depois, é interessante observar como, apesar de tudo, mesmo etimologicamente, há diferença entre tipos de trabalho. Perguntamos a alguém que está no labor de uma investigação ou na redacção de um trabalho científico: como vai o seu trabalho? Podem dizer-nos: gosto do que faço, o meu trabalho realiza-me. Mas também: meti- -me em trabalhos. No quadro do trabalho duro, diz-se mesmo trabalho - de tripalium, o tal instrumento romano de tortura -, mas referimo-nos ao trabalho criativo como obra: alguém deixou uma obra, publicou as suas obras completas - a raiz é o grego ergon, como pode ver-se no alemão Werk. Mas também se diz: anda nas obras.

Sobretudo não se pode ignorar que, dada a revolução tecnocientífica, cada vez mais o trabalho vai tornar-se um bem escasso, que será necessário repartir de modo justo e com todas as consequências. É aqui que me vêm à mente duas referências que já aparecem no meu livro Religião: Opressão ou Libertação? Há muito que o matemático e filósofo Bertrand Russell, Prémio Nobel da Literatura, escreveu que bastaria trabalhar quatro horas por dia e o físico Hans Peter Dürr, Prémio Nobel Alternativo, também disse que, para produzirmos o que é realmente importante, precisaríamos apenas de um terço do nosso tempo de trabalho. O resto do tempo seria para a cultura, para o ócio da criação. Portanto, não há aqui de modo nenhum a apologia da preguiça - do preguiçoso diz a Bíblia: "O preguiçoso é semelhante a uma pedra cheia de lodo; é semelhante a um punhado de esterco; quem lhe tocar sacudirá as mãos." É de um horizonte outro de vida que se trata.

Mas o trabalho implicará sempre esforço, sacrifício, cansaço. Daí também a necessidade do ócio, da festa, do jogo, do tempo livre, das férias. Que palavra mágica: férias, ir de férias!... Feria (no plural, feriae) tem o sentido de "descanso, repouso, paz, dias de festa". No século III, a Igreja assumiu os dias da semana como dias de "comemoração festiva", enumerando-os como prima feria, secunda feria, tertia feria, quarta feria, quinta feria, sexta feria. Ao contrário de outras línguas, como o espanhol ou o francês, que adoptaram a classificação romana baseada na divinização de um planeta: Lunes, Martes, Lundi, Mardi, etc., o português, ao seguir a terminologia eclesiástica, designou os dias da semana como segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira - o Sábado aparece vinculado ao hebraico e o Domingo (de Dominus), ao latim e designando o Dia do Senhor.

Até do ponto de vista histórico e etimológico, aí fica o carácter festivo associado às férias. Esta associação é tanto mais significativa quanto isso está presente noutras línguas, a partir de vias etimológicas diferentes. Veja-se vacaciones (espanhol) e vacances (francês), que têm o seu étimo no latim vacatio, com o sentido de isenção, dispensa de serviço. Os ingleses em férias estão on holidays, isto é, em dias santos. Os alemães têm Ferien e Urlaub, sendo a raiz de Urlaub Erlaubnis, com o sentido de dias livres de serviço e trabalho.

Na Bíblia, diz-se que Deus trabalhou seis dias e ao sétimo descansou e mandou que o homem tivesse um dia santo, sem trabalho, em cada semana. Para o gáudio da festa, do repouso e da liberdade.

O homem é homem no trabalho e na festa. É preciso reencontrar a alegria da transcendência, da criação, do estar repousado consigo próprio, da quietude contemplativa, do silêncio, da exaltação com o mistério das coisas, do fluir parado do tempo, da plenitude da música e da poesia, do perfume de uma rosa sem porquê, como disse o místico Angelus Silesius. Também a alegria da viagem, não para, depois, martirizar os amigos com fotografias e vídeos narcisistas, mas para o encontro de culturas outras e outros modos de ser homem e mulher e dialogar e aprender. Porque o homem é faber, mas também é festivus; laborans, mas também ludens.

 

 

NR

Sublinhados nossos!!!

Ó Padre Anselmo, amigo, quer dizer, nem todos são assim tão narcisistas a querer mostrar os últimos vídeos e até podem ser bons momentos para conversas, tipo "passem lá por casa para vermos a reportagem da viagem e trocarmos dois dedos de conversa!!!

Agora que há uns rapazes e raparigas que exageram, lá isso é verdade!!!!

2

Obrigado, por continuar a brindar-nos com estas sábias e Iluminadas palavras que tornam mais frescas as nossas férias. "Bá, ide-bos lá apanhar um pouco de sol à Praia de Valadares para beneficiarmos todos, depois, da "quietude contemplativa" desses maritimos ares"!!!

antónio colaço



publicado por animo às 10:18
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