Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
MATINAS ( COM DUPLO AGRADECIMENTO DENTRO)

Tejo, esta manhã.

O animador de serviço está a preparar um COMOVIDO OBRIGADO a todos os amigos que se lembraram dele, ONTEM,por ocasião dos seus S-E-S-S-E-N-T-A anos, aos que apenas se lembraram HOJE, e, por que não, àqueles que ainda estão a tempo de se lembrarem JUST NOW, o que quer dizer, AGORA MESMO!!!!
Até já!
 
NOTA
Um texto para cuja leitura, de tão comovente, exige que alertemos corações mais sensíveis e que assim possam passar-lhe ao lado.
Ainda temos para a sua adequada leitura, não óculos 3D, mas lencinhos para enxugar as mil e umas qwérticas lágrimas.
Obrigado.

antónio colaço



publicado por animo às 13:31
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Domingo, 15 de Janeiro de 2012
MATINAS

 

Foto.Tejo, há instantes

 

Sem o esplendor de outros dias, obrigado, pelo envergonhado Sol deste dia.
Sim, sei o que me pedes.
Que nunca deixe de fazer brilhar a Tua Luz junto dos que me amam, mas, sobretudo, sim, no meu tantas vezes enublado coraçãozinho.
Obrigado.

 

antónio colaço

 

 

 

 

 



publicado por animo às 09:49
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SESSENTA

 

No momento em que esta crónica sai para as bancas,cumpriram-se os meus 60 anos de vida.

Escrevo como quem esconjura.

Como quem bate o pé.

Recuso-me a envelhecer.

Fazer 60 anos é só para os outros.

Eu quero continuar a ter 6 meses.Quiçá 6 anos.Ou mesmo,de preferência, 16 anos.

Agora s-e-s-s-e-n-t-a?!

Não, não me passa pela cabeça, santa paciência.

E no entanto, é essa aidade que o meu BI, certeiro, sem tirar nem pôr, regista.

2

Nunca conheci nenhum avô e, no entanto, afortunadamente, tenho-o aqui à minha frente. Se fosse vivo, como eu, teria feito no dia 23 deste mês de Janeiro,128 anos.

Capricorniano como eu. Nascido, portanto, em 1884.

Eu acho que o meu avô havia de gostar de me ter conhecido, tanto como eu de conhecer, finalmente, o meu primeiro neto. Mas tive, em contrapartida, a felicidade de conhecer a minha querida e única Avô, Maria dos Remédios. Soube, mais tarde, porque me dedicou um carinho especial e que esta foto documenta: o puto que está a meio da fotografia e a quem o meu Avô dá a mão num abandono de total confiança, era loirinho.Veio a ficar no fundo de uma charca, perto da casa do Largo do Espírito Santo, na sequência das despreocupadas brincadeiras dos putos. Passei por lá muitas vezes e sempre esse facto me era apontado com redobrada preocupação.

3

Entre estas duas imagens, cumprem-se cinco gerações.

Dentro de outras tantas, os que vierem a seguir poderão recorrer aos arquivos do VMT e confirmarão, entre risos:olha, o nosso bisavô António, o tal que não queria envelhecer?!

4

Meu querido Francisco, cujo rosto, ainda que parcial, revelo, finalmente: é claro que aceito os meus 60 e que bendigo a hora de poder embalar o teu sono, para que possas crescer em sabedoria e, um dia, nos teus 6 anos, ou, quem sabe, aos 16, percebas que fazer anos não custa nada.É por isso que fazer 60 anos a pensar como seria bom rebobinar o tempo para os 6 meses, 6 anos ou 16 anos só acrescentaria angústia e seria evidente sinal de quem ainda não percebeu o que ainda aqui a fazer.

Fazer 60 como quem pensa nos 70, 80, 90, 100, por que não, é que é de homem!!!!

Sim, não são os anos que nos fazem, somos nós que fazemos o que quisermos dos anos que nos são colocados à disposição para que os desfrutemos.

 

PS

(Crónica enviada para o mensário Voz da Minha Terra,Mação, mas que hoje, com o devido agradecimento, aqui antecipo!Obrigado.)

antónio colaço

 

 



publicado por animo às 01:23
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Sábado, 14 de Janeiro de 2012
MATINAS

Tejo,há instantes.

 

Depois de ler o belíssimo e iluminado texto do meu amigo Pe Anselmo Borges, não sobra mais nenhuma palavra por dizer.
Eis o amanhecer da....Palavra!
Obrigado.

antónio colaço



publicado por animo às 10:52
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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

"O agnóstico M. Gauchet disse: "O que ameaça a democracia, hoje, é o vazio, a futilidade, o esquecimento, a facilidade, o curto prazo, a superficialidade. As religiões, e o cristianismo em particular, têm o sentido do essencial, do trágico, do mistério da aventura humana, coisas que a democracia facilmente ignora. Elas podem ser decisivas para a democracia."

COMENTÁRIO

Começar o sábado no meio da luminosa neblina que nos circunda, aqui por Belém, sabendo que há saída, que está um SOL luminoso à nossa espera...
Obrigado, por outro grande momento de meditação.
antónio colaço

 

 

 

Pe Anselmo Borges

In DN,hoje

SECULARIZAÇÃO E DESTINO DA EUROPA

 

Aí está um tema fundamental. Mas, quando se reflecte, é necessário perceber que há vários sentidos de secularização.

1. O primeiro sentido - secularização vem do latim saeculum (mundo) - tem a ver com a autonomia das realidades terrestres. A Bíblia é essencialmente dessacralizadora da natureza, da história e da política, precisamente porque a criação ex nihilo por Deus, pessoal e transcendente, criando, não por necessidade, mas livremente e por amor, implica a autonomia das criaturas.

Este sentido de secularização é particularmente importante para a política, que deve estar separada da religião. O Estado deve ser laico e não confessional. Jesus tinha dito: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mas também as ciências, a economia, a filosofia, a própria moral são autónomas, com as suas próprias leis, sem pedir legitimação à religião.

2. Há um segundo sentido de secularização. Tem a ver com aquele processo mediante o qual, concretamente na modernidade, se pretendeu realizar no mundo o Reino de Deus. A modernidade ainda era teológica, na medida em que queria, pela razão, pela ciência, pela técnica, pelo progresso ilimitado, trazer para a imanência, realizando-as, ideias religiosas da fé cristã: messias, salvação, consumação da história - o Além deveria realizar-se no aquém. Pense-se em Feuerbach, Marx, Condorcet, Bloch... O seu ateísmo era de algum modo "positivo", no sentido de que não negava Deus pura e simplesmente: o que queria era realizá-lo no mundo e na história intramundana.

3. Que sucedeu no nosso tempo? As grandes esperanças da modernidade ruíram. O "socialismo real" faliu, o progresso científico-técnico põe problemas graves, sobretudo por causa da ecologia, a razão já se não encontra divinizada, assiste-se ao fim das meta-narrativas - só há pequenas histórias, o pensamento é débil (il pensiero debole, de G. Vattimo). Assiste-se assim a uma crise geral de Deus, na medida em que a descrença parece normal - pelo menos na Europa, já não se sabe se Deus existe ou não, e reina a indiferença, numa sociedade que já é, em grande parte, pós-cristã.

Consequências: encontramo-nos cada vez mais inseguros e assiste-se ao aumento do consumo de drogas e antidepressivos. A perspectiva é cada vez mais pragmática - o que interessa é o aquém sem Além: a vida depois da morte já não parece sequer ser problema. Continua a festa do consumo, mas os europeus andam cada vez mais insatisfeitos. Não há filhos nem futuro. É a desorientação e a consumação do niilismo.

A actual situação é fruto do terceiro sentido de secularização: secularização da secularização, isto é, fim da secularização moderna e secularismo radical. Deste modo, a questão essencial é precisamente a crise dos valores e do sentido. Como viu o filósofo Georges Gusdorf, "Deus morreu, a História enlouqueceu, o Homem morreu: tudo fórmulas desesperadas que exprimem a tomada de consciência, e o ressentimento, da ausência de sentido". Não colocando sequer a questão de Deus enquanto questão, que é a questão do sentido último, a Humanidade europeia sucumbe ao imediatismo, a uma visão fragmentária do aqui e agora, sem horizonte de ultimidade. Aí está então a falta de força anímica, de projecto, de futuro. Thanatos toma conta da Europa.

Isto tem, evidentemente, repercussões também na economia e na democracia. Para quê poupar, por exemplo, e investir no futuro? Václav Havel, um dos europeus mais lúcidos do século XX, preveniu: "Pela primeira vez na História, assistimos ao desenvolvimento de uma civilização deliberadamente ateia. Deve alarmar-nos". "A transcendência é a única alternativa à extinção." E o agnóstico M. Gauchet disse: "O que ameaça a democracia, hoje, é o vazio, a futilidade, o esquecimento, a facilidade, o curto prazo, a superficialidade. As religiões, e o cristianismo em particular, têm o sentido do essencial, do trágico, do mistério da aventura humana, coisas que a democracia facilmente ignora. Elas podem ser decisivas para a democracia."



publicado por animo às 10:32
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
LISBOAS

 

Atenção senhores passageiros, vai sair do cais nº 1,com direcção a Moçambique e Angola um primeiro Cruzeiro de Professores que desejma apostar em novos desafios profissionais.

Dentro de cinco minutos,parte do Cais nº 3, um outro Cruzeiro, com Licenciados e Metalúrgicos, com destino ao Brasil....

Dentro de 10 minutos, parte do Cais nº 5 um novo Cruzeiro constituído por fatia substanciosa do elenco governamental, com o ministro Miguel Relvas à cabeça, e que se dirige rumo ao Burundi.Atenção à sua passagem....

 



publicado por animo às 20:15
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MATINAS

 

Bem que a minha solidária amiga gaivota me avisava do alto do seu privilegiado poiso: despacha-te senão ficas sem nenhum solzinho para ti.

Vê como as nuvens apertam o cerco e o querem todo só para elas...

Obrigado.

antónio colaço



publicado por animo às 08:56
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
A MAGIA DE JOÃO RIBEIRO!

 

EXPOSIÇÃO DE JOÃO RIBEIRO

INAUGURADA A 19 DE JANEIRO

A SPA terá patente, na Galeria Carlos Paredes, edifício 2 da SPA, a partir do

próximo dia 19, às 18.30h, uma exposição dedicada à obra de João Ribeiro,

pioneiro e nome fundamental da história do fotojornalismo em Portugal. A

exposição, organizada pelo fotojornalista Inácio Ludgero e com concepção

plástica de Fernando Filipe, inclui algumas das mais importantes fotografias

feitas por João Ribeiro, de 85 anos, ao longo de mais de seis décadas de

carreira em publicações como “O Século”, “O Século Ilustrado”, “Diário

Ilustrado”, “Capital” e “Jornal Notícias”, entre outros. As fotografias

seleccionadas para a mostra ilustram momentos e factos de referência da

história portuguesa como a inauguração do Estádio 28 de Maio em Braga, em

1950, a queda da placa da Estação do Cais Sodré em Maio de 1963, um

discurso do Papa Pio XII, no Vaticano, em Junho de 1947, a visita do Presidente

Café Filho, do Brasil, em Abril de 1965, o incêndio do Chiado em Agosto de

1988, a visita de Isabel II de Inglaterra a Portugal em 1951 e o 25 de Abril de

1974.

A exposição intitula-se “João Ribeiro: o Homem e o seu Olhar - a Magia do

Instante”.

Lisboa, 11 de Janeiro de 2012

Mais informações em www.spautores.pt

O Conselho de Administração

Av. Duque de Loulé,31, 1069-153 Lisboa – Portugal. Telf. 21 359 44 00

_____________________________________

 

NR

Como vês, Inácio,a ânimo aqui está a dar uma forcinha ao nosso amigo João Ribeiro!!!

ac

 

 



publicado por animo às 16:50
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LISBOAS

INVERNOS.
INFERNOS.
Diz-nos, árvore, até quando o Inferno de S.Bento nos enregela o Inverno dos dias?!

foto.S.Bento, há instantes.



publicado por animo às 16:50
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MATINAS

M



publicado por animo às 16:50
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
VÉSPERAS

Vem, Lua, traz-me de volta, pela manhã, o Sol Maior de que andei, hoje, arredado.
Obrigado

Foto.Arquivo ânimo



publicado por animo às 23:27
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LISBOAS

Rumo ao sul....já volto.

Para um almoço de trabalho sabe bem perceber que alguém pensou em fazer-nos tropeçar com a Arte, o Belo.
No Forum Almada fico sempre reconfortado com este "fresco" dos nossos dias, ignorando, por agora, quem foi o Michelangelo Buonarroti que por ali se contorceu.
Obrigado.

De regresso a Lisboa, com os horizontes mais limpos....
O quê,"metido" no jogo?!
Ó balha-nos Deus...zzzz
Mas, de facto, nos meus dias, o que se passa é um pouco parecido como a angústia do Croupier..."les jeux son faits, rien va plus”, Faites vos jeux"!!

 Depois de 21 anos por Lisboa sempre de carro, no último ano a alegria do 28, como este, creio, 732,727... e o gosto de disparar lá de dentro, em andamento.
Hoje, só por hoje, o C1 foi rei e o disparo, ao contrário, o continuado gozo por fixar instantes que nunca mais vão repetir-se.
(Ah!Não tente fazer isto!).

 Cais das Colunas, onde permanece um dos maiores atentados ao património histórico construído perante o silêncio e a apatia de alguma inteligentsia da capital.
A própria ânimo, que já aqui abordou o crime, parece ter desistido, ou... à espera de melhor maré?!

 E cai a noite.....

 



publicado por animo às 23:27
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MATINAS

 

 

 

 

Sem palavras.

Sol, a única palavra.

SOL, a PALAVRA.

Obrigado.

antónio colaço



publicado por animo às 12:17
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
A FALA DAS GAVETAS . EM JANEIRO escreve Rogério Carvalho

 

Foto.Web.

                   

                EM JANEIRO….

 

O ti’Alves vem atravessando a rua principal e única do lugar quase deserto, empoleirado sobre uma carroça de madeira de pinho, assente sobre duas rodas de ferro com um diâmetro exagerado para o estado precário das tábuas da traquitana, puxada por um macho lazão tão velho como o dono, desferrado, silencioso e meditativo. Quando me descobre, quase escondido atrás do muro que circunda a casa, entretido com a poda das roseiras, pára a atrelagem e dirige-me o anexim:

  • Em Janeiro sobe ao outeiro, disse.

Está meio sentado, meio deitado sobre a carga de feno, uma perna pendurada para fora do carro, enquanto a outra permanece dobrada, apoiada na boleia de uma forma frouxa e relaxada. Há ali um  involuntário abandono do corpo  porque toda a sua atenção está centrada na figura do seu interlocutor, que sou eu.

  • Pois é, em Janeiro sobe ao outeiro, repisa, mais por preocupações de índole pedagógica do que por outra coisa qualquer, não fosse o interlocutor ter descurado o conteúdo da primeira oração.

A carroça tráz uma carga de feno seco, apanhado na primavera, que o ti’Alves cortou com a lâmina sibilante da gadanha, a golpes largos de braços, desenhado no solo uma geometria exacta onde os arcos de círculo se sobrepunham e se confundiam. Depois, às forquilhadas, içou toda aquela massa vegetal intensamente perfumada, para cima dos taipais da carroça e guardou-o no palheiro situado na parte fundeira do povoado, para precaver as falhas da invernia que sabia serem muitas.

Está frio, e no frio os animais trabalham menos e comem demais, e ainda há que lhes fazer a cama com matos secos para os manter quentes e aconchegados, e é a tudo isso que o carregamento se destina.

O ti’Alves olha-me do alto da sua decrépita relíquia quase com sobranceria, a mesma sobranceria dos cavaleiros, que falam do alto para os apeados, reduzidos à sua dimensão de gente sem estribos nem esporas. Tem apenas um olho, e não sei se me olha com o olho são ou com o olho vazado, que se parece com os olhos de vidro dos animais embalsamados.

– Se vires verdejar, põe-te a chorar.

O provérbio tem de ser declamado de forma lenta porque o tempo pode esperar, e hoje não há pressas. E também porque as palavras arrumadas como versos, exigem algum respeito, alguma reverência. Ele conhece todos estes pequenos segredos do quotidiano camponês, e sabe que declamar um ditado tão velho como a memória, exige a mesma concentração que a narração de uma história complexa. Semi-cego (o ti’Alves do olho cego como é conhecido), dá-se ares de um aedo antigo, recitando as derivas de Ulisses e do seu séquito de extraviados.

- Mas se vires terrear… e faz uma pausa, adiando a conclusão da frase e da lição. Aquele olho (ainda não sei qual) tem qualquer coisa de intimidatório.

A vida dura granjeou-lhe uma auréola de famas obscuras, num misto de caçador furtivo e de salteador de hortas, de pomares, de capoeiras e do que calhava porque as necessidades aguçam o engenho, que o dito é também velho.                    Havia quem o tivesse visto, noites cerradas, a caçadeira dissimulada dentro de um saco de linhagem presa ao ombro por um cordel, em direcção aos sítios onde era costume armar os laços e os ferros.

- Mas se vires terrear pôe-te a bailar! E ri-se.

- Pois é, mas isso era dantes, quando aqui à roda era tudo pão. Agora tanto dá, que o que há é estevas e estevais e matos baldios, e tanto faz que chova como não, que ninguém põe um grão na terra para depois ficar a vê-lo crescer.

A lição não se resumia ao texto, mas estava implícita na análise da dinâmica da sua própria história, do tempo vivido, do tempo experimentado, oscilando entre o antes, o das searas, e o agora, o do seu abandono, que ele não consegue compreender.

- Pois é, isto tudo era palavreado dos antigos, que agora tanto dá terrear como verdejar, que tudo vai dar ao mesmo. Fique-se com esta porque você, de certeza, não conhecia o dito. Ou conhecia?

Não, não conhecia. Que não conhecia, respondo.

- Até à próxima! E sacode as rédeas moles apenas o suficiente para que o animal retoma a marcha, compassada, lenta, hipnótica e cansada.

Fico a vê-los afastar-se. Agora a carroça vai levando o feno seco, mas logo, quando a primavera regressar, virá atulhada de pasto verde salpicado de flores de todas as cores: malmequeres amarelos, papoilas escarlates, esporas roxas e pequeninas flores de macela branca que o ti’Alves há-de segar nos prados ondejantes. Mas isso há-de acontecer um dia.

Na tarde fria do dia de hoje, apenas o chiar do eixo da carroça, os passos abafados da besta, o perfume do feno, e o anunciado esquecimento de tudo isto. Sem o saberem, homem e animal cruzam o universo com a sua carga preciosa, feita de ervas e de memórias.

Nada, nem ninguém, os poderá verdadeiramente compreender.

 

 

Rogério Carvalho



NR

Assinalamos este regresso em força de Rogério Carvalho, ilustre arqueólogo da nossa praça e a viver, algures, para as bandas de Castelo Branco.

Lá conseguimos convencer o Rogério a que, finalmente, os nossos leitores pudessem descobrir-lhe o rosto.

Bem acompanhado, por sinal, por um cãozinho cujo nome um destes dias descobriremos também.

antónio colaço

::::::::::::::::::::::::::::::::::::

COMENTÁRIOS

Virgílio Moreira,Proença-a-Nova

 

Amigo Colaço, um texto pungente que nos leva a meditar.

 



publicado por animo às 14:01
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MATINAS

 

Hoje, o sol nasceu no sono do Francisco!
Obrigado.

antónio colaço

 



publicado por animo às 12:59
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