Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012
MEMÓRIAS DA MEMÓRIA

Um salto até à Matriz de Mação!

Porque sim!

Obrigado.

antónio colaço



publicado por animo às 01:00
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A RUA É UM PARLAMENTO!!!uma reportagem de Rita Colaço/Antena1

Uma reportagem da minha filhota plena de atualidade. Para ouvir aqui .

 

Obrigado.

antónio colaço



publicado por animo às 00:10
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012
TERRITÓRIOS

Acabo de retirar da parede da GALERIA do ATELIRR DE ARTES/CRAM dois dos meus trabalhos.
Em seu lugar coloquei os dois trabalhos que o meu aluno mais velho,até agora, 69 anos,pintou!

Duas cópias em óleo, de Monet, muito bem esgalhadas.
Pediu o mail à mulher.

Daqui a pouco vai partilhar com ela a alegria de ter sido fotografado ao lado dos seus trabalhos:
-Não me faça isso,por favor.Isto não merece essa atenção, disse-me com  uma incontida alegria estampada no rosto.

Quer vir aprender mais, confessou.

Começou a minha aprendizagem com a vontade de gente como D.

Afinal, é bom merecermo-nos.

Obrigado, pelo pedacinho de alegria que me deixou fazer-lhe despontar nos cansados olhos de uma vida que, afinal,merecem repousar, agora, no trabalho outro das cores.

Um trabalho, finalmente, sem dores.

antónio colaço



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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012
VÉSPERAS



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MONTIJOS



publicado por animo às 21:02
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CONFISSÃO

 

 Era, de facto uma grande imagem não fora o caso de entre mim e este bando de garças existir um dnso canavial com regato escondido no meio!!!   Adivinhei-as, acoitadas por entre o canavial e não me restou outra alternativa senão recorrer ao intifado gesto das revoltadas gentes de S.Bento!!!   Numa fracção de segundos levantaram voo mas....se estivesse a jeito...imaginam o contra luz com aquela chaminé por referência?!  

 Ai estimado, Jorge, Jc Duarte ou distinto prof Luiz Carvalho, outro galo, perdão, outras garças cantariam.  
É, portanto, o retrato falhado de hoje!
antónio colaço

 

 



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Terça-feira, 20 de Novembro de 2012
JOÃO LOPES CONSIDERA A OBRA "A MINHA GUERNICA" UMA DAS PÁGINAS MAIS BELAS DA HISTÓRIA DE ARTE CONTEMPORÂNEA

NR

Desde Maio que retenho este texto enviado pelo meu querido amigo João Lopes, ensaista e professor assistente da Univesidade de Coimbra, da área da Semiótica e Literaturas Modernas, aposentado.
Um incomodado pudor fez com que o guardasse na gaveta até hoje, mas o impacto que os trabalhos que expus na Mãe d'Água na exposição LISBOAS, com que iniciei a comemoração dos meus 40 anos de pintura - alguns deles em exposição no ATELIER DE ARTES do CRAM-Conservatório Regional de Artes do Montijo - o impacto, dizia, que provocaram no meu amigo, faz com que hoje me decida a publicá-lo agradecendo, assim, também, a João Lopes a sua generosa criatividade.
Obrigado, João.

PS

1.A imagem publicada é um arranjo gráfico a partir do original propriedade de um coleccionador particular.Espero poder cumprir o sonho de  ampliar um dia este pequeno desenho em dimensões quase tão próximas da Guernica de Picasso que o inspirou!

2.Este desenho constitui, nos dias de hoje, uma sentida homenagem às sucessivas imagens que estão a ser publicadas das inocentes crianças, de um lado e outro, vítimas da insensibilidade de uma estúpida guerra israelita/palestiniana.

antónio colaço 

 

 

"Este “pé” guerreiro da mulher, símbolo supremo da resistência ao totalitarismo fascista, que, em orgias de sangue, celebrava a morte em vez da vida, é, quanto a mim, uma das páginas mais belas da história de arte contemporânea. No gesto pictórico de António Colaço, de uma grandeza épica incomparável, vibra, em notas sonoras, a mensagem daquele humanismo combativo que não se resigna a ver o ser humano contrabandeado no conflito de interesses das ditaduras com ou sem rosto."

 

 

ANTÓNIO COLAÇO

Pintura LISBOAS

                 “ A criação pura é um graffiti, um pequeno  gesto numa parede” Picasso

                                                      

Nada entendo de tintas, pincéis, desenho e técnicas de pintura, mas seja-me permitido, à guisa de homenagem, exprimir as impressões, só isto, impressões sobre os quadros que, numa tarde de Abril, me foi dado ver na companhia do Colaço, que, generosamente, me dispensou as explicações possíveis sobre uma realidade que, no limite, transcende o âmbito da mera racionalidade, incapaz de apreender o dinamismo das imagens e dos símbolos que se libertam no processo da criação artística.

Antes de mais, o título” pintura Lisboas.”

No plural! Na verdade, desde a Lisboa oriental, um pouco ainda rural e telúrica, com um cheirinho a palha das eiras e a lagares de azeite, à Lisboa ocidental, encantada pelo azul das ondas, eterno apelo à viagem, quantas Lisboas? E quantos olhares cruzados  o artista  lança sobre  a cidade, una e diversa, que se desvenda e esconde entre pátios e sombras  sob um manto de luz doce e amena , de maresia cortada, que  tanto prende os visitantes e  não menos  Ulisses que aqui aportou.

Dotado de visualidade acutilante e do sentimento expressivo e plástico da divina presença das coisas, de olhar aberto sobre o mundo, António Colaço apresenta-se inteiro na sua paixão de pintar a vida, pintor dentro e fora desta grande tela que é a sua e nossa Lisboa, na vibração dos 40 anos que leva  de a ver e imaginar. “ Imaginar, primeiro, é ver. Imaginar é conhecer, portanto agir” Alexandre O’Neill.

Depois, o espaço escolhido: a Mãe d’Água das Amoreiras. A consonância ( musical)  entre o lugar e a obra parece-me um  evidência espelhada no azul denso da Arca de Água. Com a cascata em frente,  rochedo bíblico que lhe é sobranceiro, está criada a atmosfera propícia à comunicação do “eu” do artista com os visitantes, destinatários da sua “obra”,  objecto artístico,  naturalmente  oferecido à leitura que a faz renascer na consciência de cada um. Mãe d’Água lembra-me ( com leve adaptação) “aquele  reino de sombras e água lisa, reino de silêncio luz e pedra Habitação de formas espantosas”, de que nos fala Sophia.

Formas espantosas! A “Oliveira Queimada”! As árvores ardem de pé. Um símbolo e um remorso. Veio de Mação, vítima de um incêndio recente. O tronco multissecular, retorcido e fulminado, levanta os braços mutilados, um grito de protesto contra a incúria dos homens que os campos em desertos transformaram. Grau zero da humanidade! Ao lado, a “Motorizada” das andanças do artista pelas estradas do mundo, esclarecendo pessoas esquecidas e sofridas. Carinhosamente, revestida com uma camada de cinza prateada, com salpicos de ouro.

Os olhos do visitante poisam sobre estes “objectos”, deslocados do seu ambiente natural para um contexto em que, por efeito da sublimação do real, se tornam artefactos, indutores de um significado intemporal: a natureza e a palavra, dádiva de Deus e dívida do homem.

Como não pensar nos famosos ready-made dos movimentos de vanguarda?

 

 Faço o circuito e deparo com o “ cante” alentejano, um grupo de cantadores, de rostos alongados e magros, olhos quase inexpressivos, perfilados diante de umas colunas coríntias do Templo de Diana; ao lado, uma colagem de grãos de trigo de Messejana, homenagem ao pai do pintor.. Mas o que surpreende é a armadura romana de um cantador, com um elmo-barrete. Tento interpretar: talvez haja aqui um sinal distintivo, um emblema da civilização romana, que, no Alentejo, deixou um lastro de valores imperecíveis: sentimento da honra e dignidade, amor ao trabalho. Apesar das fúrias dos ventos da história. No canto colectivo, raivas sufocadas, melodias plangentes, camaradas de aço contra os abusos dos terra-tenentes. Homens da cor da terra, envoltos na luz matizada das madrugadas por abrir!...

 

Passo agora para a série mais intrigante e misteriosa. “ Desamores” se chama. Julgo resvalar para o terreno, instável e movediço, do surrealismo, com laivos expressionistas. Um convite, pois, a explorar a linguagem desarticulada das imagens oníricas do inconsciente. De um fundo vermelho, destaca-se o desenho de uma figura de homem estatelado no chão, em posição invertida. O contorno curvilíneo em azul delimita uma imagem deformada, resultado possivelmente de uma desconstrução e sobreposição de planos e ângulos diversos. No rosto, oval e magro, brilham uns olhos vivos, carregados de espanto e decepção. Na brancura deste “nu”, abandonado à sua sorte, pode adivinhar-se o desmoronar de um belo sonho de amor,  o vazio de uma  (in)felicidade amarga.  No outro “nu”, a mesma técnica. Porém, é mais rica a informação sugerida. A deformação do rosto e o torcido da boca contrastam com a correcção do penteado. O contorno curvilíneo, a negro, a sugestão de uma outra massa corporal, subentendida, as algemas que lhe prendem a mão que em pé se desdobra e a tristeza doce e conformada dos olhos- tudo parece insinuar o drama da queda e das grandes desilusões primordiais. A janela amarela da parede do quarto deixa entrar um raio de luz que sobre o corpo se espalha em tonalidades suaves. Num outro quadro desta série, surge-nos a imagem explícita de uma figura feminina de ancas largas e seios pujantes, a qual pode fazer parte da mesma narrativa de amores desencontrados. A flor vermelha que, num plano superior, ilumina um campo verde, parece remeter para o processo de maturação em que aprender a desaprender, a amar e desamar, faz simplesmente parte da vida. Sem conotações moralistas ou outras!

Volto-me agora para mais duas mulheres. A mulher nua, na sanita, expõe-se na crueza da sua intimidade. Nem encanta nem desencanta. É assim na força expressionista da sua realidade. 

 

A outra mulher é o motivo central de “ Guernica: Maternidade” , um quadro, de cariz expressionista, de emocionante e pungente dramatismo.  Por trás dele, um acontecimento. Lembramo-nos do episódio trágico do bombardeamento desta vila, berço da raça basca, no fatídico 27 de Abril de 1937, e que o pincel de Picasso imortalizou. A aviação italiana e alemã resolveu dar uma lição de medo e horror a quem o acaso não pusera do lado de Franco, bombardeando, gratuita e exactamente, durante três quartos de hora, esta localidade, perto de Bilbau. Depois, vieram os soldados do generalíssimo destruir o que restara. É neste contexto que António Colaço teve a ideia genial de nos pintar a cena do encontro de uma mulher, escondida num palheiro, em trabalho de parto, e um oficial façanhudo que, mal a vê, lhe aponta a espingarda à barriga. A mulher, de olhos esbugalhados de raiva, tenta resistir, protegendo o filho, e, sem medo, atira um valente pontapé à cara do criminoso que se aproxima.

Este “pé” guerreiro da mulher, símbolo supremo da resistência ao totalitarismo fascista, que, em orgias de sangue, celebrava a morte em vez da vida, é, quanto a mim, uma das páginas mais belas da história de arte contemporânea. No gesto pictórico de António Colaço, de uma grandeza épica incomparável, vibra, em notas sonoras, a mensagem daquele humanismo combativo que não se resigna a ver o ser humano contrabandeado no conflito de interesses das ditaduras com ou sem rosto.

O quadro da “ apanha da azeitona”, todo de verde, em tonalidades que vão do escuro ao prateado; a colagem do “pão” e as garrafinhas de vidro, mais um ready-made;  o azeite, o pão e o vinho, na sua concretude imagética e  presentificação artística, remetem-nos para a cultura mediterrânica, docemente solar (“ Mediterrâneo, doce” da Ode Marítima de A. de Campos), telúrica e prazerosa, que nos moldou o gosto e o cheiro, o saber e os sabores.

Detenho-me diante do «cravo vermelho» e divago em doces digressões. Na linha da técnica mista, um relicário com duas portinhas, objecto de estimação, vindo não se sabe donde, é colocado na parte superior de uma superfície esteticamente trabalhada. Em baixo, em posição de relevo, o desenho de um cravo, de um vermelho em brasa, estridente, carregado de simbolismo. O cravo reveste-se de um significado histórico irrecusável. Reenvia-nos para as esperanças seminais de Abril, religiosamente guardadas no relicário.   O conjunto, relicário e cravo, está emoldurado por duas colunas salomónicas, espiraladas e barrocas, sugerindo a ideia de santuário da Pátria/Mátria, per se inviolável e sagrado--marco de um «tempo novo, sem mancha nem vício, como a voz do mar, interior de um povo» Sophia

«Veredas», colagem de tiras de xisto e o «Par de Sapatos», tirados do caixote do lixo , «assemblage» de coisas triviais , valem  pelo que significam no novo contexto para o qual foram transferidos, (metáfora= transposição de sentido): falam-nos aqui de viagem/mensagem, no espaço deste eterno peregrinar, que é a vida do homem sobre a terra, sempre nas margens da inquietação e do sonho. E o importante não é chegar. É partir! E triste de quem fica em casa contente com o seu lar…( Torga e Pessoa, mestres de cultura e de formas de existir)

Por fim, na mesma linha temática da «viagem/mensagem», as velas enfunadas, singrando o mar azul, seladas com a Cruz da Ordem de Cristo, apontam um destino e vocação atlânticas. Não já o da conquista de povos e o comércio sujo de especiarias e escravos, que na vã cobiça nos perderam, mas no  abrir os sulcos de novas índias a haver, e que se pode traduzir pela cultura humanista e ecuménica que faz parte do húmus do imaginário português. É preciso uma política de humanização de uma economia desumanizada- dizia-nos Edgar Morin, em entrevista recente. Esquecidos na periferia do continente, quem sabe se, ouvindo a voz do mar –o mar eterno, mar fraterno, o livre mar( João de Barros) não daremos à Europa embrutecida o suplemento de alma que lhe falta?

«Lisboas», varanda soalheira sobre o Tejo, sedento das brisas do mar, o coração deambulando em permanente errância entre o tojo e a carqueja, revela-nos um pintor talentoso, original e criativo na infinidade de recursos e de temas muito nossos, que referenciados a um labor de 40 anos, não deixam de traçar o rumo do nosso futuro colectivo.  «Meiga Lisboa, mística cidade! ( Ao longe o sonho desse mar sem fim)-A. Nobre, Despedidas. Voltarmo-nos para ele,  lavrar o mar que é nosso, com realismo e utopia, será a grande e suprema mensagem da obra de António Colaço.

 Maio de 2012

 João Lopes

 

ADENDA

Uma breve explicação sobre a obra "A MINHA GUERNICA". Em 1973 eu quis ser objector de consciência recusando integrar o serviço militar. Em boa hora amigos do coração fizeram-me ver a importância de ir engrossar as fileiras dos milicianos que já então questionavam o regime. Afortunadamente, entrei em Mafra em Janeiro de 1974 tendo participado na gloriosa madrugada libertadora do 25 de Abril.

A Mãe que agarrada à Mãe Natureza, simbolizada na árvore, encontra força para espezinhar o general que tenta roubar-lhe o filho, o qual, por sua vez, vê na perna da Mãe a que se agarra, a derradeira tentativa de fugir à força militar que observa, ao longe, solidária, o que ali acontece.Junta-se a solidariedade dos pássaros em redor.

É um hino à vida, sim, contra todas as guerras!

antónio colaço



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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012
MEMÓRIAS DA MEMÓRIA

 

Tropecei, agora mesmo, nestes dois trabalhos integrados num ciclo com que pretendi celebrar o Azeite, o Pão e o Vinho.

Integraram a exposição LISBOAS graças ao seu proprietário que gentilmente os cedeu.

 

Por estes dias, animados ranchos de apanhadores de azeitona do meu Gavião natal subiam, cansados, ao Largo do Espírito Santo, já as Trindades tinham ecoado da Matriz, carregando panais de serapilheira e longas escadas de madeira e mesmo enormes varas com que varejavam as tantas oliveiras das escarpadas terras do Balcovo debruçadas sobre o longínquo Tejo.

Mas o que permanece bem vivo em mim, de tão fascinante e encantatório, é o som que saía de um encorpado búzio que convocava ou celebrava o fim da extenuante jornada daquela gente toda.

Quase me sinto sob a maternal protecção da minha querida Avó Remédios a assistir, deslumbrado, ao lento arrastar dos cansados magotes dos meus conterrâneos gavionenses.

antónio colaço



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EXPOSIÇÃO A ARTE NÃO EXISTE A ARTE SOMOS NÓS, A CAMINHO DO FORUM MONTIJO

Em Janeiro,  A ARTE NÃO EXISTE. A ARTE SOMOS NÓS sobe até ao Forum Montijo onde permanecerá um mês.

Uma antecipada  prenda no sapatinho.

Obrigado, Dra Carla Ferreira, directora Comercial do Forum.

Obrigado, igualmente, aos meus amigos do CRAM-Conservatório Regional de Arte do Montijo e da Associação para a Formação Profissional e Desenvolvimento do Montijo que tornam possível tudo quanto de bom acontece neste artístico momento!

antónio colaço



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WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

TUDO EM ABERTO 2

FREI BENTO DOMINGUES

in Público

 

1. Com a chamada "morte de Deus", anunciada por Nietzsche, preparada e acompanhada por outras correntes que encaravam Deus e o ser humano como rivais, eclipsou-se a poesia da criação divina e da criação humana, que brilhavam da mesma surpresa e da mesma alegria. Na generalizada era da suspeita, vai entrar em crise a nova e eterna aliança-alma da "idade cristológica", celebrada na Eucaristia.
Jesus Cristo deixava de ser o Emmanuel, Deus connosco, o rosto humano do maior acontecimento divino. Ruíam as suas definições dogmáticas do séc. IV e V, comentadas, durante séculos e séculos, nas Igrejas cristãs e sucediam-se fortes abalos nos próprios fundamentos da identidade cristã e da essência do cristianismo. Os próprios textos do Novo Testamento, submetidos ao método histórico-crítico, passaram a habitar as incertezas das ciências humanas.
É verdade que, desde os séculos XVIII-XIX até à actualidade, já muita água passou por baixo e por cima das pontes, dentro e fora das Igrejas, na investigação dos textos e dos contextos que narram as origens das expressões da fé cristã. Xavier Pikaza, um conceituado biblista espanhol, no seu contributo para a obra coordenada por Anselmo Borges, fruto de um colóquio substancial, subordinado à pergunta Quem foi, quem é Jesus Cristo? (Gradiva), fez uma resenha exemplar desse longo percurso.
A reedição da obra-mestra de Hans Küng, O Cristianismo, Essência e História (Círculo de Leitores), em Portugal, é o acontecimento editorial mais importante do mundo cristão em 2012. Precisamos dela para não cairmos em desdobradas ilusões.
A Essência do Cristianismo já tinha sido o título que, em 1841, Ludwig Feuerbach dera a uma obra cujo objectivo confessado era transformar os teólogos em filósofos; os teófilos (amantes de Deus) em filantropos; os candidatos ao além em estudiosos deste mundo; os lacaios religiosos e políticos da monarquia e da aristocracia celeste e terrestre em cidadãos livres e conscientes da terra. Era a transformação da teologia e da cristologia em pura antropologia.
2. Esta redução não exaltou a condição humana, como se pretendia. Freud (1855-1939) destacou as três humilhações, as três doenças narcísicas: primeiro, Copérnico demonstrou que a Terra girava à volta do sol, privando-nos do lugar central no universo; depois, Darwin mostrou a nossa origem, fruto da cega evolução, privando-nos do lugar privilegiado entre os seres vivos; finalmente, quando o próprio Freud tornou visível o papel predominante do inconsciente nos processos psíquicos, esclareceu que o nosso ego não manda em sua própria casa. Hoje, surgem humilhações adicionais: a nossa mente, em si mesma, é apenas uma máquina de computação para o processamento de dados. O nosso sentido de liberdade e autonomia seria ilusão do usuário dessa máquina. As neurociências estão cheias de promessas, até acerca do que ainda não podem saber. Também não sabemos o futuro da biotecnologia, mas já estamos tão desiludidos e aborrecidos com a nossa condição humana - a solução de um problema é sempre a origem de outro - que é normal que se deseje um pós-humano, tão cientificamente arrumado que nos liberte de todas as preocupações, mesmo se a troco da nossa liberdade. Talvez não seja muito fácil um referendo mundial que possa decidir do presente e do futuro da humanidade.
Não será possível continuar o nosso trabalho humilde, nunca acabado, de nos libertarmos de ideias rasteiras, sempre renascentes, tanto acerca de Deus, como do ser humano? A rivalidade existencial - ao contrário da competição lúdica - é infantil e mortal para ambos. Daí a importância de percorrer caminhos, dentro e fora das religiões, que tenham gosto nas diferenças e que não matem as próprias diferenças.
3. Para o Novo Testamento, a grande rivalidade não é entre Deus e o ser humano, mas entre o Deus libertador e a divinização escravizante do Dinheiro, do máximo lucro a qualquer preço. Seria ridícula uma divindade que dissesse: eu quero os seres humanos ao meu serviço, ao serviço dos meus caprichos e voltados para mim. O lugar do encontro transcendente com Deus são as pessoas que precisam de ajuda. Daí que a incómoda e constante pergunta que Ele nos faz, do começo (Gn 4, 9) ao fim do mundo (Mt 25), seja esta: que fizeste do teu irmão?
Quando Jesus diz: não podeis servir a dois senhores, a Deus e ao Dinheiro (Mt 6, 24), os discípulos espantam-se. A riqueza era um sinal de gente bem sucedida, divinamente abençoada. Para mal, já bastavam os pobres, imagens do abandono de Deus.
Eles não tinham percebido nada e nós também não. Precisavam e precisamos de silêncio, de oração e de meditação para fazermos a pergunta essencial: quem manda em nós? Se for o amor ao dinheiro, já temos dono: seremos escravos e precisaremos de tornar os outros escravos do nosso desejo.
Se quisermos ser livres e ajudar na libertação dos oprimidos, vamos continuar a precisar de dinheiro e de bens deste mundo. É evidente, mas surgirá outra pergunta: o dinheiro é dono ou instrumento? A nossa civilização teima numa solução que sempre perdeu os seres humanos e as sociedades: criar sistemas para dominar. Ao fazê-lo devora-se a si mesma. Arranja lenha para se queimar. Uma civilização comandada pelo amor do serviço caminharia para a liberdade



publicado por animo às 00:33
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Domingo, 18 de Novembro de 2012
VÉSPERAS

 

Montijo.Frente Ribeirinha, ao cair da noite.

 

Se pudesse entardecia por ali todos os dias....

Obrigado.

antónio colaço

 

 



publicado por animo às 23:22
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ADEUS, ILUMINAÇÕES DE NATAL

Ontem, ao sair do São Carlos, a realidade nua e crua deste Novembro outrora cheio de luz.

De facto, há mais Natal para além das "iluminações".

Talvez que este ano nos iluminemos um pouco mais uns aos outros com a Luz que trazemos adormecida no mais íntimo de nós.
antónio colaço



publicado por animo às 23:16
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NO SÃO CARLOS, PELA PRIMEIRA VEZ!

Pela PRIMEIRA VEZ no S.Carlos (ONTEM).

Alguma vez tinha de ser.

Com redobrada atenção nos gestos dos violinistas.

Como se estivesse a fixá-los nas minhas telas.

Com encontro marcado nelas.

Desde já!

Ofereço em sua memoria, Antoine Sibertin, esta privilegiada noite!

A "Sinfonia Fantástica" de Berlioz,creio.

antónio colaço

 



publicado por animo às 23:11
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IN MEMORIAM, ANTOINE SIBERTIN-BLANC

 

Tive o privilégio da visita,esta manhã (Sábado), ao ATELIER/CRAM do meu querido amigo António Esteireiro,organista titular do Mosteiro dos Jerónimos,acompanhado de um amigo músico alemão.

Mas com  a sua vinda, o  António trouxe uma notícia menos boa, qual seja a morte de um outro Antoine, Sibertin Blanc,o grande organista titular da Sé de Lisboa e de quem tive o privilégio de ser aluno de canto coral no saudoso Conservatório Regional de Tomar no início dos longínquos anos 80. Sibertin aceitou o meu convite para participar nos AAA-Animados Almoços ânimo/Assoc 25 Abril/Restaurante Res publica.

 Recebeu-me,então,na sua casa ali para as bandas da Av da República. O almoço acabou por não se realizar devido a um problema de saúde de sua mulher.

 Até sempre,Antoine e obrigado pela sua alegria de viver!

(Escrito ontem no Facebook)

 

2

 

 "Considerado um especialista no improviso, Sibertin-Blanc não conseguia definir de onde vinha a inspiração. À "Voz da Verdade" diria:
"Por vezes há pouca inspiração, outras sai tudo naturalmente. O melhor é não pensar antes. Tudo tem de vir automaticamente, segundo o sentimento do momento.Temos de estar muito calmos e serenos para acompanhar momentos especiais da liturgia"
In Expresso
 
Quando passados todos estes anos nos reencontramos em sua casa, para além de encontros esporádicos no final de algumas actuações, nomeadamente, nos Jerónimos, ao convidá-lo para um dos AAA-Animados Almoços ânimo/Associação 25 de Abril (o saudoso RES PUBLICA, restaurante) dei-lhe conta da minha enorme vontade em avançar para a consagração de um dia dedicado à improvisação no Festival Internacional de Órgão de Lisboa, ou, em iniciativa à parte promovida pela ânimo.
Esforços que, igualmente, desenvolvi junto de João Vaz e, numa outra fase, junto do meu agora amigo António Esteireiro. Não foi fora da ideia, tendo-lhe dado conta das minhas limitações "académicas" no que à execução do órgão diz respeito, mas mostrou total abertura.
Foi uma conversa agradabilíssima e só um rendido pudor me inibiu de sugerir que a gravássemos dado que o almoço iria ter lugar alguns dias a seguir. Infelizmente um problema de saúde da sua mulher impediu que tivesse lugar.
Ao destacar estas suas palavras sobre o estado de espírito de quem improvisa - e que, com assumida modéstia, partilho na íntegra- no momento em que nos despedimos de si, Antoine, a reiterada promessa de tudo fazer para que  a difícil arte do improviso, em órgão, ou na Música em geral, continue gravada nos nossos corações!
Até sempre, querido Professor!
antónio colaço

 

 

 



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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2012
ÚLTIMA HORA. AMANHÃ, SÁBADO, ENTRE AS 11.30 E AS 13H VISITAS GUIADAS AO ATELIER DE ARTES DO CRAM

Chegou ao fim a primeira semana de funcionamento do ATELIER DE ARTES do CRAM-Conservatório Regional d Artes do Montijo, a funcionar nas instalações do Museu Municipal, e com entrada pelo Jardim da Casa Mora, na Avenida 25 de Abril, mesmo defronte do edifício dos CTT e da Biblioteca Municipal, no Montijo.

Amanhã, Sábado, entre as 11.30 e as 13 horas, e na sequência de informação que lançámos na ânimo/Facebook, estaremos disponíveis para assegurar VISITAS GUIADAS à  nossa exposição  A ARTE NÃO EXISTE. A ARTE SOMOS NÓS.

Para os amigos que venham de fora do Montijo, basta seguirem as placas que indicam FRENTE RIBEIRINHA e, uma vez lá, têm ao dispor vários e "enoooormes" parques gratuitos para estacionarem, nomeadamente, em frente ao Mercado Diário. Dali ao Museu são dois passos.

 

No ATELIER, para além das aulas, cujas inscrições se encontram abertas, decorrem, agora, preparativos para o Natal com a criação das nossas prendas natalícias imaginadas para fazer face à crise!
Assim, dos frascos de grão, feijão e salsichas, estão a nascer estes frascos pintados, laváveis,assinados (uau!!!) e que, cheios com alguns pequenos chocolates (sugerimos uns pequeninos do Ikea, baratos e saborosos de tão crocantes, passe a publicidade!!!) constituem uma adequada resposta aos troikianos intentos de nos roubarem o Natal que nos resta!!!
Esta garrafa escura - também preparamos brancas - servirá para o tinto que acompanha as couves com o bacalhau da Consoada.

Mais novidades em preparação.

Pelo mail

animo.semper@gmail.com

 

estamos em condições de satisfazer os vossos pedidos (uau!!).

 

Um bom fim-de-semana a todos ou, até amanhã, para aqueles que quiserem juntar-se a nós na VISITA GUIADA!

antónio colaço

coordenador do CRAM/ATELIER



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