Domingo, 24 de Março de 2013
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

 

SEMANA DAS ALIANÇAS MALDITAS

Frei Bento Domingues

In Público

 

1. Páscoa ou férias da Páscoa? Para uma minoria cristã, a Semana Santa significa a celebração do processo de transformação espiritual da vida humana. Para os mais idosos, acorda recordações inesquecíveis de infância, diferentes, segundo as tradições de cada zona do país. Para os marcados pela secularização, o turismo ainda pode aconselhar a Semana Santa em Braga ou em Sevilha, mas as "fugas" dependem das modelizações da crise na vida de cada um e nas famílias. A fuga mais geral é ficar em casa.

Na Igreja Católica, embora sabendo que uma andorinha não faz a Primavera, vive-se um momento de esperança. A facilidade e a rapidez com que simples e breves sinais preanunciaram mudanças indispensáveis mostram até que ponto estávamos e estamos saturados de "Inverno". Dentro e fora da Igreja, a urgência de um outro rumo global só a não deseja quem cresce à custa do afundamento dos outros. A miopia financeira nunca perceberá que não é o império do dinheiro que salvará o mundo.

2. Os cristãos estão avisados, desde há dois mil anos: para evitar as mudanças de rumo na sociedade, no estado e na religião são possíveis as alianças mais contraditórias. S. Lucas, depois de apresentar, no seu Evangelho, o desfecho do currículo de Jesus, escreveu um segundo volume, os Actos dos Apóstolos, para que a Igreja e o mundo não esqueçam o esquema de uma história exemplar: Verdadeiramente, coligaram-se nesta cidade contra o teu santo servo Jesus, que ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com as nações pagãs e os povos de Israel (Act 4, 27).

Pedro, ao recolocar a verdade dos factos diante do Sinédrio de Jerusalém, não é um vencido, é um judeu atrevido: "Sabei, todos vós, assim como todo o povo de Israel, que é pelo nome de Jesus Cristo Nazareno, aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou de entre os mortos, é pelo seu nome e por nenhum outro que este homem está curado diante de vós. É ele a pedra que vós, os construtores, rejeitastes e que se tornou a pedra angular. Pois não há sob o céu outro nome pelo qual possamos ser salvos" (Act 4, 8-12).

O que terá levado S. Pedro a esta afirmação aparentemente tão exclusivista? Antes de Cristo, ao lado de Cristo e depois de Cristo não aconteceu nada para a salvação do sentido da vida dos seres humanos? A verdadeira história só tem 2000 anos?

Jesus é, de facto, uma particularidade histórica contingente, com data e lugar de nascimento e, como tal, não pode ser considerada uma realidade absoluta. O ser humano pode encontrar o caminho para Deus, sem passar por Jesus de Nazaré. Na história humana nasceram muitas religiões sem qualquer referência cristã. Deus é absoluto, mas nenhuma religião pode pretender ser absoluta. Todas têm fronteiras. Então, de onde viria o atrevimento de S. Pedro, sempre preocupado em dar razão da sua esperança?

É importante desfazer um equívoco grave, para não se cair numa interpretação que nega o próprio sentido das narrativas e das cristologias do Novo Testamento. Supõe-se que esses textos foram escritos para afirmar privilégios e fundar um povo, uma Igreja de privilegiados: Cristo é único e é só nosso; se o quiserem encontrar têm de passar por nós!

O que é particular à pessoa de Jesus, a sua absoluta característica, não tem nada a ver com esse equívoco: Jesus, na sua prática histórica, remete para um Deus que não é propriedade privada nem Dele nem de ninguém. É o Deus do livre amor por todos os seres humanos, sem restrição. O Deus de Jesus também não pode ser privatizado nem sequer pelos cristãos. Por outro lado, Jesus, na sua prática histórica, surge polarizado por todos os seres humanos, sejam ou não povo de Israel. É a partir da periferia que caminha para o centro. Tudo e em tudo, dentro e fora das religiões, só tem sentido se for para o bem de toda a humanidade.

O itinerário de Jesus, testemunhado pelas narrativas evangélicas, é o de alguém que está, continuamente, voltado para o Deus de todos. Em Jesus não há rivalidade entre a dedicação a Deus e a entrega à libertação humana. É um Deus humanado.

3. No século XX não foi possível superar, inteiramente, um cristianismo dolorista. A alternativa seria um cristianismo burguês ou hedonista. Perante judeus e gregos, S. Paulo não se cansou de repetir: Pois não quis saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado (1Cor 2, 2). Não haverá perguntas a fazer a esta declaração? Creio que sim.

Jesus não morreu nem de acidente, nem de doença nem de velho. Foi condenado à pena capital, à morte na cruz, que não desejava. A celebração da Semana Santa, as narrativas da Paixão tentam explicar por que é que o crime aconteceu. Se Jesus não amava o sofrimento, se detestava a cruz, por que é que Ele não fugiu, não renegou? A sua fidelidade à emancipação humana era maior que a sua dor.

O mais importante está, todavia, no que aconteceu na própria cruz. No momento em que é excluído da vida, Ele oferece futuro aos que lhe dão a morte. Ele morre com o mundo vivo no seu coração.

A aliança de Jesus é com todos os que são contra a morte.



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Sábado, 23 de Março de 2013
MONTIJOS.AMANHÃ TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR AO CINE JOAQUIM D'ALMEIDA

 

Nos 20 anos da EPM-Escola Profissional do Montijo, a actuação da Orquestra do CRAM-Conservatório Regional de Artes do Montijo, a mais recente criação da AFPDM-Associação para a Formação Profissional e Desenvolvimento do Montijo a que pertence, igualmente a EPM.

Imperdível.

Contaremos como foi sendo que a lotação, mais de 600 lugares, está esgotada!
Parabéns, EPM.

antónio colaço



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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

Pe Anselmo Borges

In DN

QUANDO O NOME PODE SER TODO UM PROGRAMA

Não foi para mim completa surpresa o cardeal argentino Bergoglio, jesuíta. O que constituiu surpresa foi a escolha do nome: Francisco, sugerido pelo colega, cardeal Hummes, de São Paulo, quando o abraçou e lhe disse: "não te esqueças dos pobres." O Papa Francisco explicou: "Essa palavra entrou aqui (apontou para a cabeça): os pobres. Pensei imediatamente em Francisco de Assis. Assim surgiu o nome no meu coração." E exclamou: "Ah, como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres", provocando a ovação dos jornalistas. E as suas palavras e gestos têm correspondido ao que o nome de Francisco de Assis representa. A simplicidade não teatral, até no vestir e calçar, inclinar-se perante a multidão, a fala cordial e descomplicada, uma cruz peitoral barata, o desejo de "bom descanso" e "bom almoço", ir pagar as despesas de hospedagem, o humor, palavras de ternura e compaixão: isso aproximou-o das pessoas, que agora se podem aproximar, pois é um homem entre homens e mulheres, como Cristo. "Cristo é o centro; o centro não é o sucessor de Pedro." Afinal, a Constituição da Igreja é mesmo o Evangelho e não o Código de Direito Canónico. Sublinhe-se o seu respeito pela liberdade de consciência. "Tinha-vos (aos jornalistas) dito que vos daria de todo o coração a minha bênção. Muitos de vós não pertencem à Igreja Católica, outros não são crentes. Dou-vos de coração esta bênção, em silêncio, a cada um de vós, respeitando a consciência de cada um, mas sabendo que cada um de vós é filho de Deus. Que Deus vos abençoe." No passado dia 12, frente àquela pompa toda dos 115 cardeais a entrar na Capela Sistina, para o conclave, perguntei-me pela simplicidade do Evangelho e sobretudo quem representava as mulheres, as famílias, os jovens, os católicos em geral. A Francisco de Assis pareceu--lhe uma vez, numa pequena ermida, ouvir dos lábios de Cristo crucificado: "Francisco, repara a minha Igreja, que ameaça ruína." Espera-se que o Papa Francisco refaça o rosto da Igreja tão desfigurado. No quadro de uma Igreja-instituição descredibilizada, que reforme a Cúria Romana, tornando-a ágil, transparente e colegial. Significativamente, Francisco tem-se referido a si mesmo como bispo de Roma e não como Papa, transmitindo a mensagem de que quer descentralizar, tornando eficaz a colegialidade dos bispos: ele exerce o ministério da unidade numa Igreja solidariamente co-responsável. Francisco tem força e determinação para acabar com os escândalos da pedofilia, do Vatileaks, do Banco do Vaticano. O peruano Vargas Llosa, prémio Nobel da literatura, agnóstico, pensa que Francisco "parece moderno" e espera que "inicie o processo de modernização da Igreja, libertando-a de anacronismos como não tratar temas como o sexo e a mulher". Francisco de Assis impôs-se também pela fraternidade. Como poderá então Francisco Papa esquecer mais de metade dos católicos, as mulheres, ainda discriminadas na Igreja, povo de Deus? Um pormenor: dirigiu-se ao povo como irmãos e "irmãs". E como pode não proceder a uma revisão da atitude da Igreja face ao corpo e à sexualidade? Aí está a questão dos anticonceptivos, do celibato obrigatório - neste do- mínio, talvez comece pela ordenação de homens casados. Neste contexto de fraternidade franciscana, pode contar-se com a sua luta pela justiça, pelos direitos dos pobres, dos mais débeis, para que todos possam realizar dignamente a sua humanidade. O meio ambiente, os problemas ecológicos, a preservação da natureza, criação de Deus e habitação da humanidade não serão esquecidos. Em tempo de cruzadas, Francisco de Assis pôs-se a caminho para ir dialogar com o sultão no Egipto. Francisco Papa não abandonará a urgência da continuação do diálogo ecuménico entre as Igrejas cristãs e do diálogo inter-religioso e intercultural. Francisco Papa, um sul-americano com raízes europeias e o responsável máximo pela Igreja católica, organização verdadeiramente global, ocupa um lugar privilegiado para estabelecer pontes entre nações e povos e culturas, a favor da justiça e da paz, num mundo cada vez mais policêntrico e multipolar. Há razões para uma esperança paciente.



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LISBOAS.INAUGURÁMOS A RIBEIRA DAS NAUS

 

 

 

 

 

antónio colaço

 

 



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Sexta-feira, 22 de Março de 2013
VÉSPERAS



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Quarta-feira, 20 de Março de 2013
GLICÍNIAS

 

Montijo.Praça da República.

Glicínias.

 

antónio colaço



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ADEUS, MADRINHA LURDES
Foto. Casamento dos meus saudosos Pais no Largo do Espírito Santo, em Gavião.(1949/50?).

ADEUS, MADRINHA LURDES
 
ACABO DE SABER QUE NOS DEIXASTE, querida Madrinha Lurdes.  
Lamentavelmente, ninguém lá de casa me disse nada.  
Tu que me disseste e fizeste tanto para que os meus adolescentes dias em Gavião fossem preenchidos.   Deix...o-te um beijo de GRATIDÂO.   Até sempre e agora toca a divertires-te com a Tia Maria José,a Ta Leopoldina,o Tio Jaime,o Tio Zé Padeiro,a Avó Remédios,o padrinho Fernando, a Tia Regina, o Tio Zdoro.... Tózé
Foto. Casamento dos meus saudosos Pais no Largo do Espírito Santo, em Gavião.(1949/50?).A minha Madrinha Lurdes é a primeira à esquerda, na primeira fila, na imagem mais pequena.


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Domingo, 17 de Março de 2013
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

Frei Bento Domingues

In PúblicoALTERNATIVO?

ECONOMIA DO BEM COMUM-MODELO ALTERNATIVO?

 

1. Quando, perante uma situação insuportável, na Igreja ou na sociedade, no âmbito teológico ou político, se diz que não há alternativa, é sinal de que a ditadura não anda longe. Se não for passagem para uma possível superação, o simples jogo dos "prós e contras" não passa de um entretém. O importante é uma arquitectura que supere e integre o que existe de fecundo entre posições que enlouquecem no isolamento ou no choque frontal.

Na Doutrina Social da Igreja (DSI) (1), o tema do bem comum é incontornável. Para João Paulo II, constituía mesmo o seu ponto-chave.

Para Friedrich A. Hayek, o bem comum é um conceito primitivo que remonta aos instintos ancestrais de tribos de caçadores, no tempo em que as pulsões colectivistas dominavam a consciência humana.

Ao contrário deste célebre autor, a noção de justiça social e de bem comum têm outras fontes, bíblicas e greco-romanas, alimentadas por alguns Padres da Igreja. Tomás de Aquino, na linha de Aristóteles, deu a este conceito a função de princípio da sua arquitectura ético-política.

Já Santo Agostinho (2) via que a questão social não se resolve com falsos elogios à caridade: "não devemos desejar que haja indigentes para poder exercitar as obras de caridade. Dás pão ao faminto, mas melhor seria que ninguém passasse fome e não fosse necessário socorrer ninguém. [...] Todas estas acções são motivadas pela misericórdia. Esquece, porém, os indigentes e logo cessarão as obras de misericórdia; mas acaso se extinguirá a caridade? Mais autenticamente amas o homem feliz a quem não há necessidade de socorrer; mais puro será este amor e muito mais sincero. Porque, se socorres o necessitado, desejas elevar-te acima dele e que ele te fique sujeito, porque recebe de ti um benefício. O necessitado, tu o ajudaste por isso te crês como superior aquele a quem socorreste".

No pensamento de Tomás de Aquino, recolhido na DSI, o princípio dos princípios é o destino universal dos bens, que não impede a propriedade privada, mas não faz dela um absoluto. É, precisamente, o conceito de bem comum que integra os direitos e os deveres das pessoas, num todo, sem excluir ninguém. Pertence à virtude da justiça garantir que os direitos e deveres de uns não neguem os direitos e deveres de outros.

2. Jacques Maritain (3) teve o mérito de, nos anos 40, obrigar a debater as relações entre a pessoa e o bem comum, não como excluindo-se, mas como exigindo-se mutuamente. O primado da pessoa é o primado de todas as pessoas, não é o privilégio de algumas. Pertence aos governantes o cuidado do bem comum, para que a política não sirva privilégios, mas a justiça.

Michael Novak (4), em pleno triunfo do liberalismo, lembrou que a democracia liberal tinha as suas raízes na tradição judaico-cristã e não na teoria racionalista do século XVIII. Pretende que a noção de bem comum é tão familiar aos antigos gregos, aos Padres da Igreja, como à democracia norte-americana. Matéria de discussão. De qualquer modo, estamos longe de fazer da noção de bem comum um primitivismo sobrevivendo mal na DSI.

3. Christian Felber (5) é uma personalidade singular. Professor de Economia na Universidade de Viena, escreve sobre Economia e Sociologia, sem deixar de ser bailarino de dança contemporânea. É membro fundador do movimento de justiça global Attac, na Áustria, e iniciador da denominada Banca Democrática. Com um grupo de empresários de sucesso, Felber desenvolveu um modelo conhecido como Economia do Bem Comum ou Economia do Bem-estar Público, como alternativa teórica ao capitalismo de mercado e à economia planificada.

Este tipo de economia deve reger-se por uma série de princípios básicos: confiança, honestidade, responsabilidade, cooperação, solidariedade, generosidade e compaixão, entre outros. Para os seus defensores, as empresas que se guiarem por estes valores deveriam obter vantagens legais que lhes permitissem sobreviver onde imperam as leis do lucro e da competição.

Hoje em dia, mede-se o êxito económico por indicadores monetários: produto interno bruto e lucros que excluem os seres humanos e o seu meio ambiente. Estes indicadores não dizem se há guerra, ditadura, destruição do meio ambiente, etc. De igual modo, uma empresa que obtém lucros - e deve-os obter - não diz em que condições vivem os seus trabalhadores, o que produzem, ou como o produzem.

Pelo contrário, o balanço do bem comum de uma empresa mede-se pelo modo como nela se vive: a dignidade humana, a solidariedade, a justiça social, a sustentabilidade ecológica, a democracia com todos os que nela participam e com os seus clientes.

Tudo isto poderia ser apenas o mundo de boas intenções. As suas realizações em vários países mostram que são possíveis alternativas ao capitalismo de mercado e à economia planificada.

O que Felber diz das abissais desigualdades de salário na Alemanha, onde os altos executivos ganham 5.000 vezes mais do que o salário mínimo legal, deveria ser proibido por lei. Não só na Alemanha (www.economia-del-bien-comun.org).

1) Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Principia, 2005; 2) Sobre a Epístola de S. João aos Partos, Tratado VIII, n.º 5; 3) La Personne et le Bien commun, 1946; 4) Free Persons and the Common Good, Madison Books, 1989; 5) La economía del bien común, Versão Kindle, 2012



publicado por animo às 13:44
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MATINAS

 

 

....sim, nos últimos dias tenho andado mais do lado do FAZER do que do DIZER.

Dito e feito, sirvam-se destas farófias acabadas de fazer.

 

Bom Domingo.

antónio colaço



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Sábado, 16 de Março de 2013
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

 

Pe Anselmo Borges

In DN 16 Março

O MAIOR AFRODISÍACO

Ainda Papa, J. Ratzinger disse o que é decisivo: "Nós somos a Igreja; a Igreja não é uma estrutura; nós, os próprios cristãos juntos, todos nós somos o Corpo vivo da Igreja. Naturalmente, isto é válido no sentido de que o 'nós', o verdadeiro 'nós' dos crentes, juntamente com o 'Eu' de Cristo, é a Igreja."

Mas, de facto e desgraçadamente, quando se pensa e fala e escreve sobre a Igreja, no que se pensa e fala e sobre que se escreve é, em primeiro lugar, a Igreja enquanto instituição e concretamente a organização central - em que se pensa, quando se diz o Vaticano? -, com o Papa, o cortejo de cardeais, arcebispos, bispos, monsenhores da Cúria e o Banco do Vaticano e regras e normas e escândalos e intrigas que se diz aninharem-se por lá e, evidentemente, também o espectáculo nem sempre edificante, e o folclore. Aliás, quem se não quiser enganar, mesmo dentro da Igreja, que se pergunte: o que juntou os mais de 5000 jornalistas estrangeiros em Roma para a eleição do novo Papa? Foi verdadeiramente a Igreja viva, constituída pelos discípulos de Jesus, que procuram real e verdadeiramente segui-lo no amor de Deus e do próximo?

Seja como for, acima de tudo e em primeiro lugar, é preciso voltar a Jesus Cristo, ao que ele foi, é, quis e quer. Realmente, em síntese, como escreveu o teólogo Hans Küng, a Igreja é a comunidade dos que acreditam em Jesus Cristo: "A comunidade dos que se entregaram e entregam a Jesus e à sua causa e a testemunham com energia como esperança para o mundo. A Igreja torna-se crível se disser a mensagem cristã, não em primeiro lugar aos outros, mas a si mesma, e, portanto, não pregar apenas, mas cumprir as exigências de Jesus."

A Igreja não pode entender-se como uma gigantesca empresa multinacional religiosa ou um aparelho de poder. Ela é povo de Deus espalhado pelos diferentes lugares do mundo. O Papa não pode ser visto como um "autocrata espiritual", mas como bispo que tem o primado pastoral, vinculado ao colégio dos bispos. E as funções nucleares da Igreja são oferecer aos homens e às mulheres de hoje a mensagem cristã, de modo compreensível, sem arcaísmos nem dogmatismos escolásticos, e celebrar os sacramentos, sem esquecer o dever de assumir as suas responsabilidades sociais, apresentando à sociedade, sem partidarismos, opções fundamentais, orientações para um futuro melhor para a Humanidade, na paz, no respeito pelos direitos humanos, na preservação da natureza.

O novo Papa tem pela frente missões gigantescas. A credibilidade da Igreja-instituição bateu no fundo. Impõe-se, pois, uma conversão de fundo. A pedofilia tem de acabar definitivamente. Tolerância zero igualmente para os escândalos intoleráveis do Banco do Vaticano. Os direitos humanos têm de valer também no seio da Igreja: liberdade de investigação, de opinião, de expressão. A quem tem medo da democracia e da participação lembra-se o que diz o Vaticano II: "É perfeitamente conforme com a natureza humana que se constituam estruturas jurídico-políticas que ofereçam a todos os cidadãos, sem discriminação alguma e com perfeição crescente, possibilidades de tomar parte livre e conscientemente na eleição dos governantes." As mulheres não podem ser discriminadas. A moral sexual pede revisão, bem como a lei obrigatória do celibato, que deve ser opcional. Decisiva é a reforma da Cúria, verdadeiro cancro da Igreja: "Impõe-se reformar a Cúria Romana", exige o cardeal W. Kasper. A Cúria só se compreende enquanto serviço da autoridade eclesiástica, que não reside na Cúria, mas no colégio dos bispos com o Papa à cabeça, como lembra o teólogo J. I. González Faus, que quer também que desapareçam do círculo do Papa "todos os símbolos de poder e de dignidade mundana": "príncipes da Igreja" é "título quase blasfemo".

Mas não haverá reforma sem conversão no que se refere àquela que foi a única tentação com que Jesus também foi confrontado: a tentação do poder, disso que é - disse-o quem sabe (Henry Kissinger) - o maior afrodisíaco. Jesus deixou a palavra decisiva: "Não vim para ser servido, mas para servir."

No próximo sábado escreverei sobre o Papa Francisco, que, estou convicto, veio para servir.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico



publicado por animo às 23:39
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Sexta-feira, 15 de Março de 2013
MATINAS

Foto.Montijo.Plátanos da Avª 25 de Abril.

 

Rumores de Primavera.

antónio colaço



publicado por animo às 09:06
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Quinta-feira, 14 de Março de 2013
MATINAS . PAPA,FRANCISCO,PAPA!!!

 

EXCLUSIVO MUNDIAL
 -Papa, Francisco!!! Papa, Francisco!!!
Mas....Francisco está mais preocupado com a sua nova coreografia matinal ao som de Mark Knopfler do album sailing to philadelphia.
Com o avô deslumbrado pela opção do novo papa em chamar-se Francisco, acabou de descobrir o seu novo fascínio: converter o carrinho das laranjas do Vale das Árvores, num moderno ....papa mobile!!!!!
-Come a papa, Francisco!!!!
antónio colaço


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Quarta-feira, 13 de Março de 2013
HABEMUS FRANCISCO PAPAM

Esta imagem foi colhida esta tarde em Alcochete, dois ou três minutos depois da hesitação inicial da minha querida amiga Helena Vieira, na TSF, quanto à natureza do fumo romano.

 Viajando com o meu pequeno Francisco no C1, comentei para ele e para a Avó que ainda iríamos ter um "Papa Francesco!!"

 Quando o fomos deixar à casa de seus Pais disse ao microfone do prédio "il papa Francesco e arrivato "(italianol!!!) e seguimos viagem.

 Vinte minutos depois, um homem vestido de branco, falando de fraternidade, fraternidade, assumia o nome de....FRANCISCO.

Será que o Espírito falou como ao outro Francisco para recuperar a sua Igreja de S.Damião?!

 

antónio colaço

 



publicado por animo às 22:03
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