Domingo, 14 de Abril de 2013
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

Frei Bento Domingues

In Público

O SER HUMANO NÃO TEM CURA

 

1. Hoje, na Europa, já não temos religião cristã suficiente para a culpar de todos os nossos males. A repetida e gasta retórica da "morte de Deus" também já não assusta nem seduz. Decretou-se, em nome da autonomia da razão, que o ser humano, ser de relações múltiplas, deve viajar sozinho e por sua conta e risco.

Acentuou-se, desde o humanismo dos séculos XV e XVI, a viragem antropológica que atingiu na modernidade, com o proclamado acesso do ser humano à idade adulta (I. Kant), uma confiança muito celebrada e algo exagerada na ideologia do imparável "progresso", entretanto sob acusação. Foram as próprias ciências humanas que acabaram por humilhar o "narcisismo do homem", na expressão de S. Freud. A cosmologia mostrou a sua condição periférica e a biologia fez dele apenas o resultado da evolução da vida; para a sociologia, não vai além do resultado das condições sociais e para a psicologia, são as pulsões inconscientes que o comandam. É, afinal, a vaidade de pouca coisa.

Além do mais, o ser humano, embora tenha chegado muito tarde ao palco do mundo, pelos crimes que junta às suas grandes realizações, não pode esperar ser o último a desaparecer. Ao mostrar-se mais apressado em criar problemas a si mesmo e à natureza do que em curar a sua persistente vontade de dominação destruidora, sobretudo pela sua falta de sabedoria, parece uma espécie sem remédio. Ao consentir na transmutação de todos os valores, afunda-se no niilismo, na "morte do homem" e pensa numa saída pela porta do "pós-humano". O recurso da falta de sentido da boa medida é o delírio, às vezes, perigoso.

2. Vivemos hoje, a muitos níveis, num clima paradoxal. Crescem, por um lado, universidades, centros de investigação científica partilhada e redes culturais que, todos os dias, nos revelam imagens maravilhosas dos êxitos das tecnociências. Por outro, guerras e ameaças de guerra multiplicam as tragédias e misérias. As ameaças nucleares, reais ou fictícias, ajudam a encobrir a vergonhosa expansão de negócios das armas.

Quando se pensava que a Europa tinha optado definitivamente pela rota da cooperação e da paz, deparamos com o regresso da desconfiança, de velhos ressentimentos, com o retorno aos nacionalismos fatais, à desagregação que anunciam o caos, se nada de substancial for feito a tempo. A propaganda, os caminhos e os processos que levaram à União Europeia fizeram sonhar com o paraíso.

Imaginar, pensar e construir um projecto de integração tão espantoso e tão difícil exigia lucidez e sabedoria política para integrar, sem esmagar povos de histórias e culturas tão diferentes, e não apenas saídas de burocracias míopes. A moeda única não pode, só por si, gerar automaticamente o "espírito europeu".

Sem a criação contínua da Europa, como empreendimento de sabedoria, de ética e beleza, todos passarão a colocar na balança apenas o que cada país tem a ganhar ou perder em euros. Ao esquecer no sótão da sua construção o horizonte e a alma da paz que a suscitou, a Europa perde-se na hegemonia dos interesses de uma Alemanha com pouco respeito pela memória das vítimas da sua loucura colectiva. Não muito longínqua.

Tive a consolação de ler, na semana passada, um texto luminoso de Maria João Rodrigues, Que mensagem para a Europa? (PÚBLICO, 10.04). Não é, apenas, um contributo para a unidade dos europeus. É também uma serena e integradora mensagem para que a nossa política governamental não dispense os portugueses. Por outro lado, o poder europeu e a troika podem exigir de nós rigor, mas sem nos esmagar. No artigo referido, competência é irmã da sabedoria.

3. É velha, revelha e mítica, a alternância entre projectos megalómanos e a depressão. A divina exaltação do ser humano (Gn 1, 1-31) acabou num desastre de tais dimensões que o próprio Deus já não sabia o que fazer. "O Senhor reconheceu que a maldade dos homens era grande na Terra, que todos os seus pensamentos e desejos pendiam sempre para o mal. O Senhor arrependeu-se de ter criado o Homem sobre a Terra, e o seu coração sofreu amargamente. O Senhor disse: eliminarei da face da Terra o Homem que Eu criei e, juntamente com o Homem, os animais domésticos, os répteis e as aves dos céus, pois estou arrependido de os ter feito" (Gn 6, 5-8). Arrependido, mas não desesperado. Tinha uma estratégia alternativa, pois Noé era agradável aos olhos do Senhor (Gn 6, 9). Com a arca começou outra história e renovou-se a Aliança.

A Bíblia tem duas narrativas da criação. São narrativas poéticas que não pretendem explicar o mundo, mas sugerir, de forma muito bela, o seu sentido. A ciência, pelo contrário, fala de processos naturais. Apresenta a evolução como fruto de adaptações e mutações, não sendo fruto do azar, mas da selecção natural.

Só quem não consegue distinguir poesia e ciência pode ver contradições onde, de facto, não existem.

O grande conflito que atravessa todo o AT é teológico. O ser humano não é Deus nem seu rival, é criatura. Precisa de sabedoria, do sentido da boa medida, na relação com a natureza e com os outros, para não cair na loucura. A ordem para não comer da "Árvore da Vida" é para não comer da árvore do veneno. É dizer que não vale tudo. O ser humano tem cura, se tiver juízo.

 

COMENTÁRIO

Frei Bento no seu melhor.

Que esta Palavra pudesse chegar a S.Bento, ao Rato, ao Largo do Caldas e, de passagem, por Roma, servisse para CONFIRMAR Francisco na apenas ainda adivinhada VONTADE em MUDAR.
Obrigado.
antónio colaço

 



publicado por animo às 15:15
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Sábado, 13 de Abril de 2013
UM ESPANTO

 UM CONTINUADO ESPANTO.

Grande Sérgio Godinho, quem diria, agora, só agora, que descobri a fonte de tamanho encanto.

Obrigado.

antónio colaço

 



publicado por animo às 23:54
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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

Pe Anselmo Borges

ÓSCAR LOPES E O TRANSCENDENTE

In DN

Figura cimeira da cultura portuguesa do século XX, Óscar Lopes deu contributos fundamentais para a linguística, a crítica literária, a história da literatura. Falámos várias vezes. Em 1970, convidei-o para uma "mesa redonda" sobre "a crise da fé hoje", na qual também participou o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. O que aí fica é uma homenagem ao pensador e professor, a partir dessa "mesa redonda".

D. António Ferreira Gomes, que tinha chegado havia pouco tempo do exílio, revelou que tinha "uma cartinha muito breve do Sr. Dr. Óscar Lopes (não combinámos nada), em que diz que a sua participação seria "um depoimento na primeira pessoa do singular acerca daquilo que durante 50 anos julgo ter crido a partir de um fervoroso catolicismo de infância. Apenas desejaria descobrir o melhor de mim mesmo no melhor catolicismo de hoje, e contribuir para tudo aquilo que deveras nos transcende"." E o bispo do Porto acrescentou: "Nós sabemos que a maior parte da nossa boa gente não transcende. Muitas vezes para o povo a religião no geral não significa nada de transcendente." E, depois de denunciar a religião das promessas, a religião utilitária, afirmou: "A religião cristã, entretanto, o limiar diferencial da religião cristã começa quando alguém se debruça sobre o outro, quando alguém se volta para aquilo que o transcende, seja o outro neste mundo, seja o outro absoluto (a relação ao outro absoluto é exactamente também a relação ao irmão). Por conseguinte, eu tenho para mim que quem procura pôr-se deveras em relação com aquilo que nos transcende está numa atitude religiosa. Desculpe, Senhor Doutor, se o ofendo." E Óscar Lopes: "De modo algum."

Para Óscar Lopes, que deixou de ser cristão por causa da afirmação do inferno, a virtude da fé bem como a da esperança são "inseparáveis do simples facto de se ser vivo e consciente". Citou o amigo Mário Sacramento: "Sim, é com Fé que todos somos homens, quando o somos."

Mas, para ele, a fé e a esperança não implicavam a fé em Deus e na sua Promessa. Confessava-se ateu, no quadro do materialismo dialéctico: "chamo "matéria" àquilo que corresponde ao conceito-limite daquilo donde provenho e daquilo para que tende o objecto do meu conhecimento e das minhas aspirações, quando esse conhecimento e essas aspirações se tornam mais adequadas." Numa linha comparável ao pensamento de Ernst Bloch, o materialismo significava progressismo e disponibilidade potencial de avanço sem fim no sentido da libertação plena: há uma esperança contínua, que está sempre para lá das nossas realizações à vista na História.

Marxista filiado no Partido Comunista, repudiava absolutamente "toda a forma de ateísmo de Estado e toda a forma de perseguição". O que nos une é o resgate de todos os males. O diálogo entre crentes e descrentes é necessário e fecundo para os dois lados: "Não é a mim que compete a apologética da Igreja, mas desejo com a maior sinceridade que ela vença a sua crise institucional de hoje, que ela leve a cabo o seu já hoje tão sensível esforço de desmitificação, de purificação e de dignificação. Se os teólogos mais avisados hoje vêem o ateísmo como uma teologia negativa que aumenta o grau de exigência quanto a qualquer concepção ou representação, sempre necessariamente inadequada, de Deus, os ateus como eu vêem qualquer religião que progrida como uma antítese indispensável para que o nosso materialismo se não converta, ele próprio, numa religião degradada, com o seu ritual, as suas fórmulas estereotipadas, a sua fúria catequística e uma grande suficiência incrítica."

Não acreditava na promessa cristã da ressurreição dos mortos, à sua espera. Mas, perguntado sobre a morte, concluiu: "Eu acredito numa sobrevivência. Há simplesmente esta pergunta: o que é que de mim desejo eu que sobreviva? E a esta pergunta eu não sou capaz de responder. Para mim existe apenas uma esperança para essas aspirações, de que a religião dá aproximações em mitos. Para mim, fica sempre a esperança, mas uma esperança que, em sinceridade, não sou capaz de tematizar, quer dizer, de reduzir a um símbolo, a uma imagem."



publicado por animo às 23:54
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A EXCELÊNCIA DA PROGRAMAÇÃO DO JOAQUIM D'ALMEIDA

 

Obrigado, Sofia Silva e que continues a encantar-nos com os teus companheiros de dança.

Dancemos todos, AQUI:

 http://www.cdanca-almada.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=82%3Alalignedeviei&catid=14%3Aarticle

 



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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013
MONTIJOS . HABEMUS SOL

 

 



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Terça-feira, 9 de Abril de 2013
FASCINANTE!


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UM CHÁ A MEIO DA TARDE COM BACH

 



publicado por animo às 15:48
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SOLTA O ANJO QUE MORA EM TI
NR-TEXTO PUBLICADO NA PAG DA EPM/AFPDM-MONTIJO,UM SIGNIFICATIVO MOMENTO PEDAGÓGICO QUE DEMONSTRA QUE É POSSÍVEL ACRESCENTAR MAIS VIDA À VIDA DE UMA AULA.

 

No final do lançamento de Anjos de Cristal, de Beatriz Lima, quisemos descobrir os anjos à solta no mais íntimo de alguns alunos, nomeadamente, daqueles que colocaram as mais diversas questões a Beatriz.  

A disponibilidade da prof Paula Rachão para interrompermos a sua aula de comunicação foi total e vejam só no que deu esta espécie de FALA DAS GAVETAS.  

Ou seja, de como muitos destes alunos estão a escrever, pintar, fotografar, para as gavetas.  


E É ESTE O DESAFIO QUE DAQUI LANÇAMOS:

-Enviem-nos para o nosso mail pessoal  


 os textos, as fotografias e/ou os desenhos que, tal como Beatriz, queiram, finalmente partilhar aqui nesta nossa página da AFPDM.

PS 

 

Agora mesmo, na sequência da intervenção do Vitor Santos no nosso vídeo, fomos "espreitar" a sua página pessoal do Facebook e percebemos que anda ali veia de artista à espera de maior reconhecimento!!!!  

Voltaremos ao assunto!  

Obrigado.  

antónio colaço





publicado por animo às 15:30
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Á CONVERSA COM BEATRIZ LIMA
Depois da sessão de lançamento da segunda edição do seu ANJO DE CRISTAL (Edições Alphabetum), dois dedos de conversa com uma escritora que ainda um destes dias, a julgar pela impressionante capacidade comunicativa, mesmo se um pouco excessiva, poderá subir ao palco do Joaquim d'Almeida para encenar alguma obra sua que retrate o quotidiano montijense.  

antónio colaço

 (In Afpdm-Associação Formação Profissional e Desenvolvimento do Montijo)

 





publicado por animo às 15:25
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OS ANJOS DE BEATRIZ LIMA



Decorreu na tarde  de ontem, no lotadíssimo Auditório da EPM-Escola Prfissional do Montijo a sessão de lançamento da 2ª edição do livro Anjo de Cristal de uma das mais jovens escritoras nacionais, por sinal, a montijense de 16 anos, Beatriz Lima.

Mais do que falarmos sobre a obra em si - fica para leitura obrigatória de cada um - a sessão revestiu-se de um enorme entusiasmo por parte de todos os que acorreram ao Auditório tal a capacidade comunicativa de Beatriz.

Para muitos, nos quais nos incluímos, a expressividade que emprestou à descrição quer dos motivos que a levaram a escrever esta sua primeira obra, quer a constatação do ritmo vertiginoso em que se têm sucedido todos os rituais de edição, normalmente associados a escritores de nome já firmado marcaram definitivamente esta tarde.

Ninguém arredou pé e muitos foram os alunos que colocaram as mais variadas questões a Beatriz e a todas elas respondeu, mesmo se colocaram questões mais melindrosas como a de quererem saber se....já tinha namorado ou como vai a sua conta bancária!!!

O prof João Martins quis sublinhar a tónica da escola como um lugar por excelência  para criar outros momentos e para se fazer coisas bem específicas desta idade.Se estudar dá muito trabalho, disse, ninguém deve, por outro lado, deixar de explorar as muitas competências que em si traz adormecidas. Beatriz ali estava para confirmar tudo isso e muito mais.




Mais à frente veremos porquê nos dois dedos de conversa que com ela travámos e, bem assim, já em plena sala 20 do Curso de Comunicação, algumas  reacções que colhemos.

 antónio colaço

(Texto publicado na página Facebook, da AFPDM-Associação para a Formação de Desenvolvimento Profissional do Montijo)


publicado por animo às 15:14
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MONTIJOS

 

 

Morrer na praia.

antónio colaço



publicado por animo às 15:12
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PRIMAVERAS

 

 

 

A Primavera tarda.O amor nunca tarda.

 

antónio colaço



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Domingo, 7 de Abril de 2013
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

A RESSURREIÇÃO CONTINUA

Frei Bento Domingues

In Publico

 

1. Desde a sua eleição, a 13 de Março de 2013, o Papa Francisco alterou as expectativas sobre a renovação da Igreja. Do Vaticano, nos últimos anos, só chegavam más notícias. Bento XVI, em vez de varrer a Cúria, trabalhava na sua obra teológica, depois de ter silenciado a dos outros.

Se não for travado e não for uma táctica, o caminho do Papa Francisco pode trazer boas surpresas. A começar pelo próprio nome. Não passa pela cabeça a ninguém que a figura de S. Francisco de Assis possa abençoar aquela Cúria, as suas intrigas palacianas e as supostas lavagens de dinheiro. O nome de um poeta anarquista e maltrapilho para nome de Papa romano roça o surrealismo.

Não foi apenas a displicência em relação a vestes, sapatos e cerimoniais consagrados que ressuscitou a intuição de João XXIII e João Paulo I. Foram iniciativas concretas, a partir da periferia, que indicaram que não se estava apenas a procurar uma Igreja pobre para os pobres, mas que a Igreja não existe para si mesma. O seu lugar é fora de portas.

A Quinta-Feira Santa, consagrada a exaltar a instituição da Eucaristia e a ordenação sacerdotal, excluía a presença de mulheres. O próprio lava-pés, reproduzindo, de forma fundamentalista, a referência aos 12 apóstolos, canonizava uma interpretação clerical e não exprimia a radicalidade do gesto de Jesus. A transferência desta celebração da Basílica para o centro de correcção juvenil Casal del Marmo, a norte de Roma, onde se encontram detidos 46 jovens, estrangeiros, muçulmanos e ateus, é verdadeiramente pascal: no simbólico número doze há duas mulheres entre os apóstolos. É a destruição de um mito.

2. Goste-se ou não, as celebrações da Páscoa obrigam os cristãos a confrontarem-se com um fenómeno insólito, que sempre procuraram disfarçar. As narrativas da Ressurreição foram todas escritas por homens, atribuídas a Mateus, Marcos, Lucas e João. Era de supor que o maior destaque fosse dado aos apóstolos, mas não é. São as mulheres que recebem o encargo de os evangelizar, de lhes anunciar o que há de mais importante no Evangelho, a ressurreição.

Este é o facto. Não basta dizer que Cristo assim quis e pronto. Seria o elogio da arbitrariedade. Ele devia ter as suas razões para agir deste modo. Quais poderiam ser?

Foi Jesus que escolheu e chamou os seus discípulos. Acabou por descobrir que eles não O entendiam, nem estavam interessados no seu projecto. No Evangelho de S. Marcos, a grande discussão que os animava, no âmbito da tomada do poder, centrava-se na distribuição de lugares. (Mc 4, 34 par.). Dois deles encheram-se de coragem e colocaram ao Mestre as suas exigências: quando triunfares, como rei messiânico, nós queremos os dois primeiros lugares. Esta pressa produziu uma grande indignação nos outros. Depois de uma reunião, receberam todos a mesma resposta: aquele que quiser ser o primeiro, de entre vós, seja o servo de todos (Mc 10, 35-45).

Alimentaram sempre a esperança de que Jesus acabaria por perceber que esse rumo só o podia levar ao desastre. Pedro tentou, até à última, mostrar-lhe que tinha mesmo de mudar.

Os apóstolos, quando viram o Mestre derrotado na cruz, aperceberam-se de que tinham andado enganados. Acabara-se o tempo das ilusões e cada um voltou à sua vida. Já tinham perdido muito tempo.

3. Segundo os quatro Evangelhos, as mulheres nunca foram chamadas para o discipulado. Seguiram Jesus, por sua própria iniciativa, descobrindo que por ali corria a vida verdadeira e liberta. Nunca pediram nada em troca do muito que fizeram a Jesus e ao seu movimento. Andavam e serviam por puro amor (Lc 7-8).

A mulher, por ser mulher, na sociedade em que Jesus nasceu e foi educado, não contava - "não contando mulheres e crianças" - e, no casamento, estava dependente da vontade do marido. O estatuto da mulher dependia do homem (Mt 19).

Seria anacrónico dizer que Jesus era um feminista e inscrevê-lO num movimento nascido nos finais do século XIX. A questão não é essa. Apesar da missão que lhes foi confiada nas narrativas da ressurreição, teima-se em negar às mulheres, por serem mulheres, qualquer papel na Igreja, privilegiando sempre os homens. Não é muito difícil perceber porquê.

Aquilo que Jesus exigia aos discípulos, a disponibilidade para o serviço, não o conseguiu, como vimos. Com aquelas mulheres Jesus nunca teve esse problema. As que O seguiram nunca Lhe faltaram. Nunca pediram nem esperaram nada em troca. Não foram, apenas, testemunhas do seu percurso até ao Calvário. Não O largaram mesmo no sepulcro, quando tudo parecia perdido. Deixaram-se seduzir e isso lhes bastou. Jesus e o seu projecto passaram a fazer parte das suas vidas, para sempre.

É fácil de perceber que era com mulheres desta têmpera que o Ressuscitado poderia contar para converter os discípulos ao caminho do serviço gratuito. Mesmo depois da ressurreição, o que continuava a interessar os Apóstolos era o poder. Foram directos ao assunto. Jesus não se deixou impressionar, colocou este caso nas mãos do Pai e do Espírito Santo e uma nuvem o ocultou (Act 1, 6).

Escreve ao domingo



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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

Pe Anselmo Borges

In DN

OS DESAFIOS PARA O SEC XXI

São muitos os desafios que se nos apresentam neste século XXI, ao mesmo tempo com imensas vantagens e imensos riscos.

A sua ordem é um pouco arbitrária, mas começaria pela globalização. Pela primeira vez, somos verdadeiramente uma "pequena aldeia". Devido às redes de transportes e comunicações, fluxos de bens, serviços, capitais, conhecimentos e pessoas, os países e os povos do mundo estão cada vez mais integrados numa sociedade global. O que vai então significar a globalização: simples liberalização económica? Que nova configuração vai ter o mundo, com a emergência dos BRICS e, concretamente, das potências asiáticas, nomeadamente da China e da Índia? E o que será da Europa, se não caminhar para estruturas federativas?

A globalização contemporânea, a partir de 1945, tem características próprias e coloca problemas gigantescos, como escreveu A. Sasot Mateus: as tendências monopolistas do capital, a ausência de mecanismos para a fiscalização da especulação financeira à escala planetária, o terrorismo global, a falta de mecanismos efectivos para a resolução dos conflitos internacionais, os problemas ligados à sustentabilidade mundial, a desintegração da coesão social, o desemprego, os défices democráticos nas instituições estatais e supra-estatais e as ameaças à própria democracia devido à subordinação à ditadura financeira, tráficos ilegais de todo o tipo: armas, pessoas, drogas, órgãos, com máfias poderosíssimas à mistura, paraísos financeiros que fomentam a falta de solidariedade e branqueiam capitais de origem duvidosa... No quadro da globalização, com os problemas globais, é evidente que é necessário pensar numa governança global.

Este mundo globalizado, é, também por força dos fluxos migratórios, um mundo multicultural e a questão que se coloca é se vamos entrar num choque de culturas e civilizações ou se, pelo contrário, seremos capazes de abrir portas para uma aliança de culturas, mediante o diálogo intercultural e inter-religioso. Como impedir a homogeneização cultural? Por outro lado, como proteger a diversidade cultural, sem permitir a lesão dos direitos humanos?

E aí está uma nova cultura: a cibercultura, que o sociólogo M. Castells estudou, analisando a estrutura da "era da informação" como "sociedade da rede". As novas gerações nascem sob o impacto das novas tecnologias electrónicas, que modelam a sua visão da existência e do mundo. Navegando por infindos ecrãs de textos e imagens, ligando-se em fóruns de discussão e intervenção, trocando mensagens de simultaneidade generalizada, perdendo a noção do tempo e da realidade mediante a entrada no virtual, marcando encontros cibersexuais, experimentam uma nova revolução em curso. Então, que novo tipo de homem, que nova imagem do corpo, que nova relação com a memória e o tempo? Na relação universal virtual, não se perde a relação com o outro face a face, mergulhando na insuportável solidão? E não cresce o perigo de novas formas de exclusão, com o novo analfabetismo: o cibernético? E no meio de tsunamis de informação, como analisá-la criticamente e distinguir? E não se ergue um risco maior: o de, esquecendo a dimensão vertical, sem referências, a Rede transformar-se, na expressão feliz de João Maria André, num Labirinto?

Outras revoluções estão em curso: a genética e as neurociências - o cérebro é o infindável novo continente em exploração. Poderemos, com as novas tecnologias, vir a vencer a dor, o envelhecimento e a própria morte? Assistir-se-á à transformação da natureza do humano? Caminharemos para o pós--humano e um transhumanismo, que fazem inclusivamente alguns pensarem na possibilidade de uma bifurcação da Humanidade? Os novos desafios: manipulação genética, manipulação da actividade cerebral, investigação em embriões, clonagem, híbridos, criação do super-homem...

Não se pode deixar de apontar o desafio ecológico, quando o planeta está em risco e a Humanidade pode deixar de ter futuro.

Poderá esquecer-se o Transcendente, ao menos enquanto questão? E abandonar a afirmação de Cícero: "res sacra homo" ( o ser humano é realidade sagrada)?



publicado por animo às 00:02
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Terça-feira, 2 de Abril de 2013
PAZCOAS!!!!

 

Daqui por uma horita a tradição cumpre-se!

Atravessarei o rio para no coração da Grande Cidade celebrarmos o esplendor de Trás-os-Montes.

Acabadinha de chegar de Macedo de Cavaleiros uma encorpada Bôla, ou Folar, espera por nós.

Segue deste lado da margem um encorpado PEGÕES que dará as mãos a estas beiroas "Migas de Cardigos", migas doces, com que, assim, celebro o amor por estas minhas duas pátrias, eu, altoalentejano de um alto alentejo a espreitar a Beira mas também o Ribatejo.

Porém, uma única é a Pátria da Amizade!!!!

2

O quê, querem a receita?!

Uma chávena de açucar branco.Um fiozinho de água e deixa caramelizar....

Não desanime.Pareece que virou sal, mas é assim mesmo.....

Lentamente volta a derreter.Tem de ter muita paciência e, aos poucos, mexendo, ele volta a ficar líquido e com a cor desejada!

Desfaça todos os carocinhos!!!!

O leite deve estar sensivelmente à mesma temperatura do açúcar.Vai fazer algumas bolhas, deite lentamente para não arrufar!A seguir, ele volta a solidificar nalgumas zonas.Não desanime, toca a mexer até derreter e ficar a calda onde.....

...vamos deitando e mexendo sempre, as claras em castelo!!!

Junte depois as gemas batidas em fio.

E...pronto!!!!
Filipa Vacondeus de mim, acabei!!!!

 

 

A coisa mais simples de fazer uma vez conseguido caramelizar o açúcar, sem deixar queimar, a que se junta algum leite a ferver, devagar, para não arrufar, dado o desencontro de temperaturas (o leite deve estar a ferver!!!) e onde se deitam, depois, as claras em castelo, algumas cascas de limão e se deixam enovelar, como fios, as gemas dos ovos entretanto bem batidas!

Bom apetite!!!

 

antónio colaço



publicado por animo às 18:35
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