Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Frei Bento Domingues

In Público, 19 Out

 

A culpa é de Cristo?

Será que ainda existem católicos que acham que Deus se enganou ao dizer que o ser humano é homem e mulher

 

  1. Encontrei, na escadaria da Igreja de Santo Ildefonso (Porto), um senhor que, de costas para o templo, aproveitou para descarregar sobre mim não só o habitual anticlericalismo nortenho, mas também o seu desprezo agressivo pelas religiões, frutos do medo, da ignorância e da sacralização da maldade humana.

O Islão é um ninho de criminosos, o Judaísmo, uma rede dos bancos norte americanos, o Cristianismo, um mundo caótico de divisões em cascata, piorando sempre a configuração anterior. O papa Francisco chegou demasiado tarde para salvar a face de um catolicismo que a própria Europa já rejeitou. Etc.! Se as instituições e os serviços sociais da Igreja ajudam muita gente a aguentar a pobreza e a miséria, não revelam nem combatem as suas causas reais. Pelo contrário, ajudam-nas a sobreviver.

Estranhei que não terminasse a sua diatribe com a fórmula habitual, em circunstâncias análogas: Cristo, sim; Igreja, não! No caso referido, foi Cristo que pagou todas as despesas à base de especulações teológicas e cristológicas.

Este senhor mostrou detestar as narrativas do Novo Testamento (NT). Aquelas propostas, parábolas, controvérsias, milagres e discursos são delírios absolutamente inaplicáveis. Se Jesus Cristo fosse, de facto, um enviado de Deus vinha com ideias claras e distintas acerca do passado, do presente e do futuro, da natureza e da história. Substituiria a Bíblia por um tratado divino e infalível de ciência, de sabedoria e de ética, com manual de correcta utilização para todas as circunstâncias.

  1. Aquilo que Jesus introduziu de mais perturbador no mundo religioso, económico, social e político do seu tempo, foi a insegurança: não oferecer respostas pré-fixadas para todas as situações e interrogações da vida. Pelo contrário, semeou dúvidas, inquietações e possíveis alternativas a um universo bem organizado e com respostas para sempre, “em nome de Deus”. As tentativas de reduzir os Evangelhos a dogmas e a tratados teológicos bem articulados, sem falhas, nunca poderão funcionar bem enquanto houver possibilidade de confrontar essas certezas com as narrativas da liberdade de Deus e da liberdade humana. A tentação que não nos abandona é a de procurar rapidamente a lição, moral ou dogmática, que encerram. O resto parece acidental. O inconveniente desse método é de perder precisamente o essencial. Dispor de uma resposta para uma pergunta que não se conhece, e sem olhar para o contexto de onde nasceu, é o caminho mais rápido para o dogmatismo insensato. É assim porque é assim e sempre assim foi, pelos séculos dos séculos, de outro modo, como iriamos saber que é a vontade de Deus?

O estilo de Jesus, pelo que podemos conhecer nos Evangelhos, não é o de um professor que ganhou uma cátedra, num concurso universitário, apresentado, para as suas intervenções, como Senhor Professor Doutor Jesus de Nazaré.

O Nazareno é constantemente surpreendido por interrogações e problemáticas de escribas e fariseus, com o propósito de o deixarem embaraçado perante os ouvintes e de recolherem argumentos para o liquidar. Acontece que Jesus não se atrapalha e, vendo as suas intenções perversas, manda-os bugiar.

Neste Domingo, temos os fariseus e herodianos a cogitar a forma de o tramarem numa questão melindrosa: é lícito ou não pagar o tributo a César? Conhecendo Jesus a malícia da pergunta, respondeu: porque me tentais, hipócritas? Devolveu-lhes a questão: de quem é esta imagem e inscrição? De César, responderam: então dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Os judeus não podiam cunhar imagens. A única imagem de Deus é o ser humano.

  1. Segundo os meios de comunicação, o porta-voz da Conferência Episcopal afirmou que os bispos portugueses estão em sintonia com a linha "inclusiva e de acolhimento" dos homossexuais e recasados, mas admite que o tema não é consensual.

Consensos absolutos não são de esperar em assunto nenhum e ainda bem. A clonagem dos cristãos não é aconselhável. O importante é que a assembleia cristã seja uma família de muitas famílias que respeite a diversidade, não como um favor, mas como um direito de todos e um dever de diálogo permanente. Não é a mesma coisa contentar-se com dizer: cada um que se arranje. Seria a negação da Igreja.

Finalmente, começam a cair alguns tabus. Muita água ainda vai passar debaixo das pontes até que o horizonte da Igreja esteja mais desanuviado. Cada grupo continuará a defender os seus pontos de vista. No entanto, a interrogação que todos se devem fazer, talvez se possa formular assim: para quê continuar com o sofrimento inútil dos casais cristãos? O que será preciso alterar nas mentalidades católicas para que a educação sexual se torne uma exigência inerente ao desenvolvimento da vida humana nas múltiplas dimensões do amor? Será que ainda existem católicos que acham que Deus se enganou ao dizer que o ser humano é homem e mulher? Homem e mulher será o pecado de Deus?

No NT não há nenhuma preocupação em mostrar se Jesus constituiu ou não uma família. Os textos insistem em algo mais abrangente: o seu projecto era congregar na unidade todos os filhos de Deus dispersos (Jo 11, 52).

Seria excessivo pedir-lhe um manual de moral sexual.

 



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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Pe Anselmo Borges
In DN 18 Out

 A VITÓRIA SUBTIL DE FRANCISCO

um, Jesus, mas morreu na cruz, e o Evangelho tornou-se um Disangelho. Evangelho é palavra grega que quer dizer notícia boa, feliz e felicitante. Essa foi a mensagem de Jesus, que arrastou multidões em busca de saúde, libertação, vida expandida, salvação. Depois, tornou-se, tantas vezes e para muitos, uma má notícia, uma notícia de desgraça, um Disangelho. Só quem anda distraído ou não pode ou não quer saber é que não sabe disso.

O Papa Francisco pugna pelo regresso ao Evangelho do Jesus da vida, como notícia felicitante, por palavras e obras. Também na família. Ele sabe que, no meio das transformações culturais profundas, a sociedade e a Igreja continuam a precisar de "famílias felizes". E o contributo da Igreja é fundamental.

Assim, quis que, no Sínodo, com bispos de todo o mundo, casais, peritos e observadores, se falasse com liberdade e sem tabus. No relatório-síntese da primeira semana, é já possível antever o essencial dos novos caminhos, que, apesar das oposições, estão na linha pastoral de Francisco, que é a do Evangelho da alegria, antepondo a pessoa e a misericórdia ao dogma e à lei.

Claro que o ideal de família enquanto "escola de humanidade" continua a ser a união de amor fiel entre um homem e uma mulher por toda a vida e aberta à procriação. Mas a vida é o que é. E a Igreja reconhece a "urgência de novas opções pastorais" para as "famílias feridas". Haverá, pois, uma nova atitude face aos divorciados que voltaram a casar-se civilmente. O cardeal W. Kasper acaba aliás de declarar que uma "maioria crescente" do Sínodo é favorável à sua proposta de poderem aceder à comunhão. Por outro lado, entre as consequências da separação e do divórcio, sublinha-se, com razão, a necessidade de pensar nos filhos, que devem crescer do modo mais humano possível, não podendo, portanto, ser transformados num "objeto de contenda".

Há a valorização do casamento civil e da coabitação: "Uma nova dimensão da pastoral familiar atual consiste em captar a realidade dos casamentos civis e, com as devidas diferenças, também da coabitação ou uniões de facto. Na realidade, quando a união alcança uma notável estabilidade através de um vínculo público, está marcada por um afeto profundo, pela responsabilidade em relação aos filhos, com a capacidade de resistir às provas, podem ser vistos como um gérmen para acompanhar o desenvolvimento para o sacramento do matrimónio." Aliás, numa das intervenções, o geral dos jesuítas, Adolfo Nicolás, afirmou que "pode haver mais amor cristão numa união canonicamente irregular do que num casal casado pela Igreja"; assim, "a nossa tarefa é aproximar as pessoas da graça e não rejeitá-las com preceitos". Já antes, o Papa Francisco, constatando que "a juventude não se casa; é uma cultura da época; muitíssimos jovens preferem coabitar sem se casar", tinha perguntado: "Que deve a Igreja fazer? Expulsá-los do seu seio?"

Põe-se, inevitavelmente, a questão da contraceção dita artificial. Afinal, o que é natural e o que é artificial? Não pode o ser humano intervir racional e razoavelmente na natureza, que não é estática nem fixa?

Também a linguagem em relação à homossexualidade muda. "As pessoas homossexuais têm dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã. Estamos em condições de receber estas pessoas, garantindo-lhes um espaço de fraternidade nas nossas comunidades?" E continua o documento: "A questão homossexual interpela-nos para uma reflexão séria sobre como elaborar caminhos realistas de crescimento afetivo e de maturidade humana e evangélica integrando a dimensão sexual: portanto, apresenta-se como um importante desafio educativo." Mas, por outro lado, "a Igreja afirma que as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimónio entre um homem e uma mulher". Faço notar que, na terminologia eclesiástica, não se fala em casamento, que vem de casa, mas matrimónio, cujo étimo é matris, que é o genitivo de mater, mãe, o que quer dizer que, para a Igreja, o casamento está intimamente vinculado à possibilidade da procriação. No entanto, o texto refere que "a Igreja tem atenção especial para com as crianças que vivem com casais do mesmo sexo, reiterando que se deve pôr sempre em primeiro lugar as exigências e direitos dos mais pequenos".

Há ainda um longo caminho até à Exortação do Papa, com as decisões finais, em princípios de 2016. Entretanto, hoje ser-lhe-á entregue um relatório de trabalho desta assembleia, para o debate que continuará nas dioceses do mundo inteiro - outra vez W. Kasper: "Vivemos num mundo globalizado e não se pode governar tudo a partir da Cúria" -, até à nova assembleia sinodal, de 4 a 25 de outubro de 2015.

 



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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2014
MATINAS

MATINAS
Nunca estamos sós, por mais que pareça, por mais que mais ninguém apareça.
Há sempre um instante em que nos descobrimos perante Aquele donde provimos.
Basta remar, basta acreditar.
Obrigado.

(Foto.Belém, 31.10.2010)

 

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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014
VÉSPERAS

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Alcochete, há instantes. 



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MEMÓRIAS DA MEMÓRIA . TOMAI, COMEI E BEBEI TODOS!

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Portugália, finais dos anos 80, foi a nossa última ceia no espaço onde, habitualmente, como na Jerusalém de outrora, o "Jóta Cristo" (como fazias questão de frisar) se reunia com os seus discípulos.
Para nós, querido Zé Mário, estávamos contigo de corpo e alma.
Para nós, tu nem precisaste de morrer e, muito menos, de ressuscitar....
Foste e continuas a ser o nosso Mestre.
Ninguém como tu fez da Amizade a constante partilha que em ti sabíamos e esta evocação não é por causa de ti, que continuas bem vivo no mais íntimo de cada um de nós, e sim por nós, empedernidos e incrédulos discípulos, hesitantes quais S.Tomés dos nossos dias.
"A quem iremos Senhor", não deixa de ser, no entanto, a confessada impotência com que nos defrontamos ao final de cada dia, Almirante Reis abaixo, Diário de Lisboa debaixo do braço, paragem para o cafezinho no Império dos nossos tantos rituais.
Zé, alcança-nos o milagre do Espírito Santo e faz-nos descer, outra vez, ao cenáculo do nosso contentamento.
Sim por muito que nos manifestemos, assim, fortes, precisamos de um sinal teu, de uma "língua" de fogo tua e que nos volte a incendiar as desesperadas almas nesta Lisboa onde nos sentimos sem norte.
Zé, Avé, Mário!
tózé lourinho



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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014
MATINAS

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MATINAS
Finalmente, o nosso neto Vicente, olhos nos olhos, nos seus quase três meses de vida.

Olhem como o Vicente já ergue a cabeça, como que a dizer-nos, "contem comigo!PRESENTE"!!!

 



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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014
VÉSPERAS

 

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 Ontem como hoje e sempre, a certeza de um Farol e de sua Luz.
Guincho, 5.8.2009

 

 

 

 

 



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TRICOTAR A ESPERANÇA NA ACADEMIA DO ALTO ESTANQUEIRO (MONTIJO)

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ACADEMIA SENIOR DO ALTO ESTANQUEIRO
Quase me convenceram a não vir à aula de hoje, dado que "apenas uma aluna estaria presente!"
Ainda bem que fiz questão de vir mesmo já que mais não fosse pelo respeito que me merecem todos aqueles que não desistem de alcançar os seus objectivos.
Foi o que aconteceu com Elisa que voltou a surpreender-me com o seu trabalho de casa, praticamente pronto e que aqui está exibido com legítimo orgulho!
Ou de como Elisa se sente à vontade a tricotar... os dias por estes caminhos, quiçá,mais tortuosos, não tão cheio dos rodriguinhos do "outro tricot" mas que representa para ela um desafio acrescido!
Não é ponto cruz, não, antes, uma outra maneira de levar a sua cruz com redobrada alegria.
Sei do que falo e por isso mesmo, mesmo que sem mais gente, valeu a pena para sublinhar e exaltar a sua criatividade.

antónio colaço
colaborador afpdm
projecto junto de si
CMMontijo/ JF Alto Estanqueiro

 

 

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ALUNOS DE ATALAIA BRINCAM COM ESCRITA FAZ DE CONTA

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ALUNOS DO CAF DA ATALAIA
BRINCAM COM UM ESCRITA FAZ DE CONTA

Decorrem, desde há cerca de três semanas, uma vez por semana, aulas com os alunos de Atalaia de diversos escalões integradas no projecto CAF- apoio à família e que conta com o apoio da AFPDM.
É um tempo que medeia entre o fim da aulas e a vinda dos Pais para levarem os seus filhos de regresso a casa.

...

Hoje concluiu-se a aprendizagem desta espécie de escrita, uma escrita "faz de conta", que, para além dos objectivos estéticos, em muito ajuda a melhorar a própria caligrafia.
A juntar a isso, o facto de se optar pela reciclagem de frascos de vidro do quotidiano que viram, assim, de frascos de salsichas ou grão e feijão, em económicas e artísticas ofertas de aniversário ou mesmo do Natal que se aproxima!
Para a semana um novo desafio, mas....é segredo!!!!
antónio colaço



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OUTRAS ANIMAÇÕES . A Abrantes de Manuel Aparício

Olá Bom dia...

Envio-lhe fotos de algumas pinceladas coloridas.

"Abrantes cores... E flores."

Um abraço

Manuel Aparício

........................
O meu vizinho Manuel Aparício acha que  os seus dias não podem ficar-se pelo seu trabalho de atendimento ao público no Hospital de Abrantes.
Recentemente, ei-lo a lançar mão de outros "bisturis", "tesouras" e....bisnagas de acrílico e vai de olhar Abrantes com os olhos da Arte.
Ficamos à espera de mais.
Parabéns, Manuel!

antónio colaço

 

 

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MATINAS

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O Sol, sempre.

Foto,Jardim Vieira Portuense, Restelo,7.07.2009



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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Frei Bento Domingues

In Público, 12 Outubro

RELIGIÃO REFLEXIVA
 

  1. As sociedades modernas foram fundadas sobre a excomunhão política de qualquer referência religiosa. Embora com vários desenhos, o cenário está identificado.

A institucionalização da autonomia da esfera secular fez-se para suspender a intolerância e a violência associadas às guerras de religião e ao poder absoluto em nome de Deus. A intervenção política ficaria, em princípio, entregue à responsabilidade de todos os cidadãos. Pertencia-lhes escolher as instituições em que desejavam viver. Os indivíduos poderiam ter convicções religiosas, mas estas deveriam cingir-se ao domínio privado e não poderiam ser invocadas na configuração das instituições próprias do agir político ou militar. Era urgente mandar para a reforma o “Deus dos Exércitos” do Antigo Testamento, do regime de Cristandade e do Islão.

Nesse terreno brotaram várias expressões de crenças ateístas, invocando a desalienação religiosa. Diz-se que o patrocínio de alguns conhecidos “mestres da suspeita” lhes emprestou credibilidade. Deus morria para se poder assistir ao nascimento de uma humanidade confiante nas suas próprias capacidades, sem muletas. A investigação da natureza e das suas leis não precisava da hipótese Deus.

O resultado não foi, em tudo, glorioso. Em nome de um futuro sem heranças obscurantistas, desatenderam-se dimensões essenciais da vida humana.

As consequências dessa miopia foi a perda de muita memória cultural criadora e o esquecimento da origem cristã de muitos conceitos e valores fulcrais da modernidade. Precisavam, certamente, de ser libertados da dominação das Igrejas e de se tornarem parte de uma saudável laicidade do espaço público livre. Mas um espaço público que recusa a participação no debate democrático, das diferentes correntes culturais, filosóficas, éticas e religiosas, esquece a complexidade da condição humana e arrisca-se a cair nas piores armadilhas fundamentalistas político-religiosas, como está à vista.

A recente e presente debilidade cultural de muitos dirigentes e decisores europeus favorece o que deveria evitar e não fez nem faz o que é da sua responsabilidade. A falta de sabedoria e de ética política e social mata a vocação europeia.         

  1. J.-M. Ferry, depois de um longo percurso filosófico, marcado pela tradução para francês da obra do filósofo alemão, Jürgen Habermas e de contributos essenciais para configurar e repensar o projecto europeu, desenhou o tripé ético e espiritual para a respiração cultural da política numa sociedade contemporânea: recuperou a noção de civilidade, como princípio de socialização mediatizado pelo reconhecimento das diferentes sensibilidades; conjugou-a com a de legalidade, isto é, com a limitação da violência social ou política pela mediação do direito e pela publicidade, concebida como comunicação de experiências sociais e das decisões na discussão argumentada.

As noções deste tripé precisavam de ser esmiuçadas para testar o seu alcance prático. Neste momento, interessa-me sobretudo a sua última proposta, a religião reflexiva [1].

A preocupação de J.-M-Ferry é uma ética para as relações internacionais. É alarmante a situação política do mundo actual e do estado primitivo das relações diplomáticas. Trabalha na construção de uma ética reconstrutiva da reconciliação que complete a ética argumentativa do entendimento mútuo que tem desenvolvido, pois é urgente abrir uma nova época na história dos povos e das suas recíprocas relações.

A religião reflexiva procura reformular os imperativos mais universais da moral kantiana, à luz do que lhe é mais íntimo, mas ainda pouco explicitado: a proposta de uma filosofia da actualidade histórica. Para o conseguir desenvolve uma questão decisiva para o judeo-cristianismo e para a modernidade europeia: o laço da filosofia, da teologia e da história. Filosofia e teologia não são objectos de conhecimento só para eruditos. São instrumentos de conhecimento para todos. A ética reconstrutiva é uma ética da responsabilidade que lança os fundamentos de uma filosofia da história.

Temos de procurar apreender e reconstruir o sentido na história universal, sem procurar nem postular um sentido da história universal.

  1. Se, neste momento, a voz de um papa se libertou, de forma clara e explícita, do espírito de dominação eclesiástica e assume a causa dos oprimidos, deve haver liberdade para, no espaço público, escutar e debater esta voz, para que ninguém a tente anexar ou manipular. Os temas não são apenas de interesse mundial e local. O que Bergoglio anda a fazer é uma convocatória de todos os seres humanos de boa vontade, sejam ateus, laicos ou religiosos, para o que a todos diz respeito: um futuro de paz e cooperação de onde ninguém seja excluído. Não havendo, nesta convocatória, nada que seja para proveito próprio ou de grupo, talvez mereça mais atenção do que uma assembleia de negócios.

O prémio Nobel da Paz perdeu-se na guerra. Se quiser reencontrar a sua missão, talvez tenha, com o Papa Francisco, uma bela oportunidade de se reabilitar.

[1] J. – M. Ferry, La religion réflexive, Paris, Cerf, 2010

 



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Sábado, 11 de Outubro de 2014
PORQUE HOJE É SÁBADO

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PORQUE HOJE É SABADO E AMANHÃ DOMINGO

São dias de forte, intensa, e LUMINOSA espiritualidade, graças aos EVANGELISTAS, perdão, WEBANGELISTAS dos nossos dias, Pe Anselmo, hoje, e Frei Bento Domingues, amanhã.

Este trabalho que fiz, dedicado ao apóstolo Paulo, foi oferecido ao meu querido amigo Frei Bento Domingues, que, tal como Anselmo, muito têm contribuído para limpar da minha condicionada cabecinha - creio que de muitas cabecinhas - ideias e práticas de uma igreja do temor, privilegiando a IGREJA inicial, a da conversão, da Misericórdia, numa palavra a do DEUS AMOR.
Obrigado.
 



publicado por animo às 15:25
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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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O QUE SE DECIDE NO SÍNODO

Pe Anselmo Borges
In DN<input ... >

 

A palavra sínodo vem do grego e significa caminho comum. Bispos de todo o mundo encontram-se em Roma desde o passado dia 5 e até ao próximo dia 19, para, em sínodo, debaterem questões relacionadas com a família, célula fundamental da sociedade e da Igreja. Como disse o Papa Francisco, "a comunhão de vida entre os esposos, a sua abertura ao dom da vida, o cuidado recíproco, o acompanhamento educativo e a transmissão da fé contribuem para uma sociedade mais justa e solidária".

Mas não há dúvida de que a família atravessa uma crise profunda. Por isso, Francisco quer "disponibilidade para um diálogo sincero, aberto e fraterno, que leve com responsabilidade pastoral a dar respostas às interrogações desta mudança de época". Pede ao Sínodo que escute "o clamor do povo, as tristezas e esperanças dos homens do nosso tempo". As portas estão abertas e ele quer que os bispos falem com a coragem e a audácia da liberdade cristã e escutem com humildade. "Falai claro. Que ninguém diga: "Isto não se pode dizer."" Não há tabus: uniões de facto, casamento à experiência, divorciados que voltam a casar e o acesso aos sacramentos, contraceção, homossexualidade, relações pré-matrimoniais, aborto, violência doméstica, abusos de menores no seio da família, poligamia, casais inter-religiosos, a emigração e a imigração e as suas consequências familiares, procriação medicamente assistida, famílias monoparentais, manipulação genética, o celibato obrigatório, a injustiça social global e as diferentes formas de pobreza na sua incidência sobre a família - tudo questões para debater.

Mas há uma pergunta fundamental: será este verdadeiramente um Sínodo, um caminhar em conjunto no mesmo sentido, mesmo que em passo mais rápido ou em passo mais lento?

Há quem tema que não. Este Sínodo, como refere M. A. Velásquez Uribe, poderia ser o lugar da expressão de grandes tensões e até oposição a Francisco, ao seu estilo e visão da Igreja. A sua simplicidade e humildade, um carro utilitário, não habitar no palácio apostólico, avisos aos bispos contra o carreirismo, o seu acento na misericórdia, lavar os pés a uma muçulmana, mandar prender um arcebispo diplomata por pedofilia, transparência no banco do Vaticano, excomunhão da Máfia: tudo coisas que incomodam os interesses, o poder, a carreira.

Não será por acaso que, a seguir à abertura do cardeal Walter Kasper à possibilidade do acesso à comunhão por parte dos divorciados recasados, que despertou o apoio público de Francisco, e pouco antes da inauguração do Sínodo, cinco cardeais, com Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé à cabeça, e quatro teólogos tenham publicado o livro Permanecendo na Verdade de Cristo: Matrimónio e Comunhão na Igreja, manifestando oposição frontal. Como não é por acaso que o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação dos Bispos, tenha vindo declarar, também nas vésperas do Sínodo, que não é própria da Igreja uma visão dos bispos "divididos em partidos". O cardeal esloveno Franc Rodé, numa entrevista à agência eslovena STA, acusou Francisco de ser "excessivamente de esquerda", colocando-o entre "essa gente que fala muito mas resolve poucos problemas". A poucos dias da abertura do Sínodo, um grupo de 48 intelectuais católicos, entre eles Mary Ann Glendon, professora de Direito em Harvard e ex-embaixadora dos Estados Unidos na Santa Sé, escreveu uma carta aberta a Francisco, pedindo que seja "intransigente" na defesa do casamento tradicional. Num livro acabado de publicar, Non è Francesco - La Chiesa nella grande tempesta ("Não É Francisco - A Igreja na Grande Tempestade", Antonio Socci, um conhecido jornalista italiano, membro do movimento Comunhão e Libertação, põe inclusivamente em questão a legitimidade da eleição de Francisco, que crítica acidamente, sobretudo por causa do seu "laxismo" em questões de ética sexual.

O que se decide no Sínodo está, portanto, para lá da problemática da família. Uma das palavras mais revolucionárias de Jesus é esta: "O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado", o que significa que mesmo as leis consideradas divinas têm de estar ao serviço do ser humano. Assim, o que está em questão é se se quer uma Igreja que dá o primado ao Evangelho ou ao direito canónico, ao ser humano ou ao sábado, uma Igreja da doutrina e do dogma ou uma Igreja da misericórdia, uma Igreja do poder ou uma Igreja do serviço, uma Igreja "alfândega da fé" ou uma Igreja "hospital de campanha" para curar as feridas, utilizando a expressão do Papa Francisco.

 



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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014
MONTIJOS

MONTIJOS
Ontem, tentei, em vão, ter acesso a este pequeno Paraíso.
Desde que conheci o eng José Carlos, a alma destas pérolas disseminadas pelo montado de sobro das terras da Canha, Montijo, era enorme a vontade de conhecer aquilo de que se é capaz quando se torna URGENTE os SONHOS fazer ACONTECER!
Hoje, graças à dedicada amizade da Dra.Maria Amélia Antunes, agora Presidente da Assembleia Municipal do Montijo, eis-nos ao caminho, libertos do enorme temporal que ontem se abateu na estrada entre Pegões a Canha.
Mal nos reencontramos, cumpri a prometida e amigável descasca (ou não estivéssemos entre sobreiros a perder no horizonte e suas descascas de cortiça!) no nosso jovem agricultor - o tal que nada sabia do campo, a não ser a grande paixão que trazia adormecida dentro de si - e logo ali zurzi na malvada placa que falta no meio da vila de Canha a indicar-nos o caminho (atravessando o meio da vila, quase a sair, na estrada real para Vendas Novas, corta-se à esquerda!!!) para este pedacinho de céu na terra!!!
Qual o quê, logo ali me disse de rompante que "quem tem de vir à herdade sabe o caminho porque nós o indicamos", que o mesmo é dizer, nada de curiosos, sim aos fervorosos amantes da
 Herdade do Moinho Novo!!!

E pronto, hoje olhei com outros olhos, graças a Amélia (ela que deu todo o apoio enquanto anterior Presidente de Câmara) para as tão encharcadas quanto desesperadas tentativas de ontem descobrir o caminho.

Acho que para aperitivo não está nada mau.
Esta imagem regista apenas o momento da descoberta, mas, a visita ao site pode ser a chave para a descida ao Convento da Herdade do Moinho Novo, onde o reencontro consigo mesmo (não há tv nos quartos!porque sim!) e com o silêncio habitado por cavalos, patos, ovelhas, potros, um pequeno lago com canoas dentro, uma fabulosa piscina, mesmo rente ao chão.....tudo motivos de sobra para uma deslocação.
Falei de "Convento" pois o despojado José Carlos mais não é que o frade superior desta autêntico hino fransciscano num Ribatejo a escancarar as portas para o meu querido Alentejo.

 

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