Domingo, 10 de Maio de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Um prefeito nem sempre é perfeito

Quem se julga o centro da Igreja, perde-se do Espírito de Cristo e pensa que só ele tem a chave da salvação.

 

1. A vontade de fixar certas interpretações, declarações, doutrinas e instituições religiosas como sendo absolutas, irreformáveis e definitivas — marcadas por tradições, contextos históricos e culturais muito circunscritos — roça a idolatria. Substitui o Absoluto transcendente pelo que há de mais relativo e banal, numa linguagem inacessível. Os textos do Novo Testamento (NT) mostram um constante empenhamento de Jesus em dessacralizar tempos, lugares e instituições divinizadas, pois tornavam o acesso a Deus privilégio de alguns e a condenação de quase todos.

O próprio Jesus, ao andar em más companhias, ao comer com os classificados como pecadores, não só se desautorizava como homem de Deus, como se expunha a ser considerado um agente do diabo[1]: Ele não expulsa demónios, a não ser por Beelezebu, príncipe dos demónios.

Jesus não era da tribo sacerdotal, não andou em nenhuma escola rabínica, não era um teólogo profissional e, no entanto, pôs tudo em causa[2].

Segundo os textos disponíveis, Jesus foi educado na religião da sua família, mas levou muito tempo a encontrar o seu próprio caminho e, quando o encontrou, os antigos companheiros não o entenderam, a família julgava que ele estava doido[3] e os Doze que escolheu nunca conseguiram compreender o seu desígnio.[4]

Como não deixou nada escrito, e muito menos um catecismo bem arrumado, surgiram várias teologias cristãs. Os escritos do NT são irredutíveis a uma só teologia ou a uma só cristologia. Ler esses textos de estilos, épocas, lugares e propósitos tão diferentes, pelo olhar formatado de um Catecismo, é uma cegueira provocada pelo instinto de segurança e necessidade de controlar. São textos simbólicos, alusivos ao mistério inabarcável de Deus, que só com recurso à teologia negativa, apofática, é possível não cair na idolatria teológica. De Deus, tanto mais sabemos quanto mais nos dermos conta de que ele excede todo o conhecimento. Nunca será prisioneiro dos nossos conceitos.

2. A falta de profissionalismo teológico está a agitar o Vaticano. Numa entrevista concedida ao jornal francês La Croix, o próprio Cardeal Müller Prefeito da Congregação para Doutrina da Fé (CDF), ex-Santo Ofício, Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e Presidente da Comissão Teológica Internacional declarou algo de muito inédito: “A chegada à Cátedra de Pedro de um teólogo como Bento XVI foi, provavelmente, uma excepção. João XXIII não era um teólogo de ofício. O Papa Francisco também é mais pastor e a Congregação para a Doutrina da Fé tem uma missão de estruturação teológica do Pontificado”. Assim, pois, segundo a declaração deste cardeal, a CDF deve “estruturar teologicamente” o Pontificado do Papa Francisco. É provável que este seja um dos motivos pelos quais o Prefeito intervém tão frequentemente em público, algo sem precedentes na história.

Até agora, ninguém havia teorizado, a partir do próprio centro da Cúria Romana, uma exigência de normalização do pontificado, como se depreende das palavras citadas por Müller. Acredito que aqui se deva constatar, com preocupação, que esse parece ser, até agora, o mal-entendido mais substancial dos pontificados de João XXIII e de Francisco, curiosamente unificados pela característica de terem “pouca estrutura teológica”.

3. Estamos numa situação delicada. Como vimos, Jesus não tinha nada de teólogo profissional, a sua profissão era outra. S. Francisco, ainda menos. João XXIII, convocando o Concílio e neutralizando a vigilância do cardeal Octaviani, do Santo Ofício, deixou o debate teológico à solta, decisão que nunca mais lhe será perdoada pelos vigilantes da ortodoxia. O pós-Concílio foi de uma grande efervescência e criatividade teológicas, tanto na Europa como na América latina, na África e na Ásia. Com o cardeal Ratzinger procurou-se a normalização pela condenação de tudo que não reproduzisse a teologia deste Prefeito da CDF.

Chegou o Papa Francisco e soltou, de novo, a palavra na Igreja e manifestou, numa carta à Faculdade de Teologia de Buenos Aires, a vontade de que os teólogos profissionais cheirassem a povo, não ficassem isolados numa redoma. Há atrevimentos que se pagam caro.

A ambição do poder de dominar também há poder de servir é presunçosa e ridícula. Quem se julga o centro da Igreja, perde-se do Espírito de Cristo e pensa que só ele tem a chave da salvação.

[1] Mt 12, 1-37:Mc 2-3;

[2] Mc  6, 1-5;

[3] Mc 3,20-21.31-35;

[4] Mc 10,35-45.

 



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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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Problemas de e com Francisco

por ANSELMO BORGES

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In DN 9 maio

 

Hoje, ninguém duvida de que o Papa Francisco é uma autoridade moral global, talvez a figura mais popular do mundo e uma das mais influentes, servindo de exemplo a todos quantos exercem o poder. Trouxe a alegria, a ternura, a esperança, a compaixão, a simplicidade, a solidariedade, a sinceridade e a verdade, a justiça, a misericórdia, para a praça pública. E não quer fazer prosélitos, apenas que as pessoas vivam bem, com ânimo, no horizonte de uma vida feliz. E vai escrevendo as suas principais encíclicas: "as encíclicas dos gestos", diz o cardeal Maradiaga. Um destes dias recebeu a arcebispa de Upsala, Suécia, Antje Jackelén: "Querida irmã!" "Não somos adversários nem competimos, somos irmãos na fé." E haverá a comemoração conjunta luterano-católica da Reforma em 2017. E eu penso que seria então um acontecimento histórico o levantamento da excomunhão a Lutero.

Mas Francisco também sabe chamar as coisas pelos nomes. Assim, recordou o "atroz extermínio" do povo arménio, há 100 anos, considerando-o "o primeiro genocídio do século XX". Em face da reacção violenta do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, classificando as palavras papais como "estupidezes", mandou dizer que a linguagem da Igreja deve ser a da "franqueza". Três dias depois, o Parlamento Europeu instou a Turquia a "reconhecer o genocídio arménio e, assim, abrir caminho a uma verdadeira reconciliação entre os povos turco e arménio".

Outro exemplo. Obama alertou para os perigos das alterações climáticas: elas "não podem ser negadas". O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, louvou a liderança de Francisco na luta pelo meio ambiente. Mas muitos republicanos opõem-se aos esforços para reduzir os combustíveis fósseis e outras causas do aquecimento global. Francisco, porém, publicará a sua encíclica sobre o tema antes da visita aos Estados Unidos.

Não é obrigatório estar sempre de acordo com Francisco. Por exemplo, condenou o machismo, está a fazer esforços para que as mulheres ocupem lugares cimeiros de decisão na Igreja. Mas condenou igualmente "a teoria de género". Penso que, neste domínio, se impõe reflectir. De facto, se são de criticar as teorias de género que chegam a ponto de negar o lado biológico da identidade sexual, também se não pode ficar no naturalismo essencialista, que diz: as mulheres são inferiores por natureza e devem ficar confinadas a papéis de passividade e de reprodução. É preciso desmascarar as discriminações educacionais, sociais, profissionais a que as mulheres têm estado sujeitas. De qualquer modo, Francisco, também antes da visita aos Estados Unidos, pôs termo à desastrada investigação a que fora submetida a Conferência de Religiosas americanas por alegadamente promover "temas feministas radicais".

Francisco não tem opositores apenas fora da Igreja. Talvez os de dentro sejam até mais aguerridos.

Evidentemente, em Outubro próximo, com o Sínodo sobre a Família, Francisco fica debaixo de fogo, embora, como já afirmou, seja ele que, depois de ouvir a todos, terá a última palavra. Mas, por exemplo, o cardeal da Cúria, Robert Sarah, acaba de publicar o livro Dieu ou rien. Nele, pode ler-se: "Dar acesso à comunhão eucarística aos divorciados que voltaram a casar-se significa claramente, passando por cima da Palavra de Deus, a negação da indissolubilidade do matrimónio sacramental." "Como pode entender-se que pastores católicos submetam a voto a doutrina, a lei de Deus e o ensinamento da Igreja sobre a homossexualidade, o divórcio e o segundo casamento, como se a Palavra de Deus e o magistério tivessem de ser autenticados, aprovados pelo voto da maioria?" Agora, é revelado que mais de 225 mil pessoas, entre elas quatro cardeais, com Raymond Leo Burke à frente, e 22 bispos, assinaram uma petição contra a possibilidade de a Igreja integrar melhor os divorciados recasados e os homossexuais.

"A chegada à Sé de Pedro de um teólogo como Bento XVI é sem dúvida uma excepção. João XXIII não era teólogo de profissão. O Papa Francisco é também mais pastoral e a Congregação para a Doutrina da Fé tem como uma das suas missões promover a estruturação teológica de um pontificado". Estas palavras, que não poderão deixar de ser consideradas ofensivas para Francisco, são do cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito dessa Congregação, que, numa conferência, disse que quer "precisar", "explicitar" textos de Francisco, para serem "compreendidos correctamente".

Há pouco, Francisco pediu numa paróquia: "Rezai por mim, que estou já um pouco velho e doente, embora não demasiado." Neste cenário, o cardeal Walter Kasper mostra-se inquieto e pergunta: "Será o pontificado de Francisco apenas um breve interlúdio na história da Igreja?" Felizmente, o papa emérito continua indefectível com Francisco, disse o irmão, Georg Ratzinger. E o cardeal Maradiaga, que preside ao grupo dos nove cardeais assessores, afirmou: "Quem diz que estamos num barco à deriva sabe pouco de navegação e de Francisco."



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Quinta-feira, 7 de Maio de 2015
EPM POR UMA EUROPA MAIS SABOROSA CONVIVER É PRECISO

 

Como nos vai dizer o professor João Martins, director da EPM-Escola Profissional do Montijo,"se nos conhecermos melhor, melhor conviveremos no futuro"....
A Europa dos sabores, no caso, sabores da Croácia, subiu à mesa da EPM levada pelos formandos do 2º ano do Curso Técnico de Restauração (confessava-nos um deles "se já fazemos pratos destes no 2º ano o que não será a seguir!").
Ora veja e....."sirva-se"!!!
antónio colaço

In página do Facebook da EPM

 



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Quarta-feira, 6 de Maio de 2015
EPM - E A EUROPA AQUI TÃO PERTO

IV SEMANA DA EUROPA NA EPM
 E A EUROPA AQUI TÃO PERTO

Nada deixámos passar do que se passou durante todo o dia de hoje.
 A reportagem completa aí está.
 Desde a inauguração com as intervenções da professora Susana Gaiato, coordenadora do Clube Europeu da EPM, do professor João Martins, director da EPM, passando pelo formando José Simões, um dos participantes no concurso que visou transformar bicicletas, no caso um exemplar metade bicicleta e metade mota. O José dirá no seu depoimento que "ao investirmos nos nossos trabalhos escolares estamos também a investir no futuro dos nossos trabalhos profissionais".
 Mais tarde assistimos a uma interessante sessão de divulgação de Projectos Internacionais que levaria a que alguns dos formandos presentes no Auditório tivessem manifestado vontade em partir à descoberta de outras europas nesta nossa EUROPA.
 Quisemos saber o porquê do seu interesse.
 Outra curiosidade, entre os visitantes da manhã um grupo de vinte alunos e dois professores a chegarem do Liceul Teoretic Traian Vuia de Faget, na Roménia, que hoje mesmo iniciaram mais um Programa Erasmus+.
 Nem mais.


Amanhã, entre outras novidades, fala-se de....gastronomia com sabor a Croácia!!!
A não perder!
 antónio colaço

(In colaboração com a EPM-Escola Profissional do Montijo na sua página de Facebook)

 

 



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OUTRAS ANIMAÇÕES

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Terça-feira, 5 de Maio de 2015
OUTRAS ANIMAÇÕES . PALHA DE ABRANTES LEVA À CENA IX MOSTRA DE TEATRO

O Grupo de Teatro Palha de Abrantes tem o prazer de convidar V. Exa. para a sessão de abertura da IX Mostra de Teatro de Abrantes, que acontecerá no Cineteatro S. Pedro no próximo sábado, dia 9 de maio, às 21h15.

Imediatamente a seguir à sessão de abertura acontecerá a representação da peça "Sangue Jovem", de Peter Asmussen, com encenação e Helena Bandos e Rita Nazaré.
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TODOS AO TEATRO, dizemos nós aqui na ânimo!!!
Parabéns, Helena e Rita pela persistência!
antónio colaço

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SANGUE JOVEM

DE

PETER ASMUSSEN

 

Sigrid, uma mulher só, na casa dos sessenta, sem vida pessoal, sente-se envelhecer e decide libertar-se de fantasmas do passado. A sua relação com duas amigas de escola impediram-na de ser mulher e é hoje vivida como uma prisão. A reunião anual entre as três mulheres tornou-se num ritual insuportável para Sigrid, a cada reencontro retoma-se a dinâmica infantil e cruel, e o confronto entre as feridas antigas e as dores do presente é cada vez mais violento. Este ano, Bet e Lily são postas à prova quando Sigrid, farta de ser a Sigge, a amiguinha que não tinha coragem de ser diferente, desafia o filho dos vizinhos, um jovem actor chamado Allan, para se fazer passar por seu amante. Allan deixa-se envolver pelo mistério que envolve Sigrid e aceita a proposta. Perante a notícia da doença de Bet, Sigrid hesita em levar o plano a avante e é Allan quem assume o papel de vingador.

 

Uma Nota pessoal de Peter Asmussen

Ungt blod (“sangue jovem”) foi a minha primeira peça encenada mas não a minha primeira peça de teatro escrita. Sou um dramaturgo de peças não encenadas. Invisível. Pensei na forma de quebrar a invisibilidade, e, então, escrevi uma peça sobre três mulheres com mais de 60 anos. Mulheres com mais de 60 anos são invisíveis (os homens também – mas eles não dão por isso). Tornam-se invisíveis não só na vida mas no teatro também. É tão simples quanto isso: Usei três mulheres invisíveis para me tornar visível. Ungt blod (“sangue jovem”) foi um grande sucesso, e os mesmos teatros que rejeitaram as minhas peças pediram-me mais. Enviei-lhes as mesmas peças que tinham rejeitado – só abri a minha gaveta e enviei os mesmos manuscritos – e agora acham-nos brilhantes. Sic transit gloria mundi. Estou muito agradecido às senhoras de ungt blod – e também ao jovem rapaz –, que as amou – e ainda as ama.

 

 

 

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Segunda-feira, 4 de Maio de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

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Não vos conformeis com este mundo

Por Frei Bento Domingues O.P.

O recurso à entronização de uma criança-imperador é uma subversão política, económica e social.

1. Nada mais irritante, no plano religioso, do que a invocação da vontade de Deus para justificar situações, acontecimentos trágicos, doenças, injustiças e misérias. Essa invocação é um insulto à inteligência humana e ao mistério insondável da divindade e da natureza.

A laicização dessa mentalidade justificou a imoralidade de medidas de ordem económica, financeira e política, repetindo, anos a fio, que não havia alternativa à austeridade. Austeridade que, segundo outros, colocou milhares de pessoas na zona do insuportável e paralisou as energias criadoras de vastos sectores da sociedade.

Seja como for, Thomas Piketty, o celebrado autor de O Capital no século XXI, veio agora dizer ao Público [1] que há sempre alternativas:O que é realmente dramático é que transformámos uma crise que nasceu no sector financeiro privado americano numa crise de dívida pública, apesar de, inicialmente, a zona euro não ter mais dívida pública do que os EUA, o Reino Unido ou o Japão. Conseguimos, apenas por causa das nossas más instituições e más decisões macroeconómicas, criar uma crise a partir de nada”.

Este investigador mostra-se interessado em transformar a opinião pública, acabando com a sacralização da economia como conhecimento de um pequeno grupo de iluminados, que difunde a ideia de um universo “demasiado complicado”.

Vem isto a propósito de uma conferência, realizada em Tomar. Estava inscrita numa série destinada à preparação das festas do Espírito Santo que, nesta cidade, se exprime no exuberante “cortejo dos tabuleiros”. O tema que me foi atribuído - a dimensão social dessas celebrações – obrigou-me ao cruzamento do religioso, do económico, do social e do político, procurando não diluir nem separar esses diversos planos.

2. Na origem de tudo – para lá da festa agrária das colheitas - está a narrativa dos Actos dos Apóstolos [2], sobre uma comunidade de partilha integral dos bens, consequência do Pentecostes cristão: tinham tudo em comum, entre os seus membros não havia indigentes e cada um recebia conforme a sua necessidade.

O Abade Joaquim de Flora [3], da Calábria, viu nessa experiência do passado, em pequena escala, o futuro, a última era do mundo. Mediante uma original teologia da história, distribuiu o tempo por cada uma das pessoas da Santíssima Trindade. A era do reinado do Divino Espírito Santo superava e tornava caduca a época do Pai e a do Filho. Inaugurava o reinado do puro amor, da liberdade e da alegria, cume insuperável da história humana, sem contradições nem mediações [4].

Este visionarismo teve uma posteridade, sempre renascente, desde a Idade Média, passando pela modernidade até aos nossos dias, em diversas versões, de modo original, na cultura portuguesa [5].

3. O percurso inaugurado pela Rainha Santa Isabel, dentro de uma espiritualidade franciscana, desde Alenquer, Sintra e outras localidades teve, nos Açores, um lugar privilegiado e, através da sua imigração, alcançou uma difusão imparável para o Brasil, EUA, Canadá, etc.

Já no século XVI esta festa era celebrada a bordo das Naus do Brasil e das Armadas da India. Em carta enviada para Itália, desde Goa, o missionário jesuíta, Fúlvio de Gregori, comunica o seguinte: Costumam os portugueses eleger um imperador pela festa de Pentecostes e assim aconteceu também nesta nau S. Francisco. Com efeito, elegeram um menino para imperador, na vigília de Pentecostes, no meio de grande aparato. Vestiram-no depois muito ricamente e puseram-lhe na cabeça a coroa imperial. Escolheram também fidalgos para seus criados e oficiais às ordens, de modo que o capitão foi nomeado mordomo da sua casa, outro fidalgo foi nomeado copeiro, enfim, cada um com o seu ofício, à disposição do imperador. Até entraram nisto os oficiais da nau, o mestre, o piloto, etc. Depois, no dia de Pentecostes (ou Páscoa do Espírito Santo), trajando todos a primor, fez-se um altar na proa da nau, por ali haver mais espaço, com belos panos e prataria. Levaram, então, o imperador à missa, ao som de música, tambores e festa e ali ficou sentado numa cadeira de veludo com almofadas, de coroa na cabeça e ceptro na mão, cercado pela respectiva corte, ouvindo-se entretanto as salvas de artilharia. Comeram depois os cortesãos do imperador e, por fim, serviram toda a gente ali embarcada, à volta de trezentas pessoas [6].

 



publicado por animo às 11:15
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Sábado, 2 de Maio de 2015
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

 

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NÃO AO MACHISMO, diz Francisco

Celebra-se amanhã o Dia da Mãe. O que aí fica quereria ser uma homenagem às mulheres, mães ou não.

Pe Anselmo Borges
In DN

1 Discute-se sobre as razões do facto, mas o facto é que em quase toda a parte as mulheres foram inferiorizadas ao longo da história. Os homens ficaram hierarquicamente com o primeiro lugar.

As razões são muitas. Os homens dominaram por causa da força física, o que não significa que as mulheres não sejam mais resistentes. Por causa da maternidade e dos cuidados com as crianças, as mulheres ficaram mais dependentes. A menstruação e a impureza ritual acabaram por marginalizá-las. Paradoxalmente, a marginalização provinha também de algum ciúme da parte dos homens: afinal, da vida percebem elas, que a vivem no seu interior; como compensação, os homens foram para a exterioridade da guerra e dos grandes "feitos", de que fala a história, ignorando as mulheres. Até há línguas que subordinam as mulheres; no caso da língua portuguesa, o seu funcionamento sexista é claro: para acederem à sua identidade humana, as mulheres fazem-no pelo uso do genérico "homem"; a mulher é ser humano pela mediação do masculino. A socialização religiosa, com todas as suas consequências, faz-se no masculino: uma menina é baptizada em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e será confrontada com uma hierarquia masculina: o padre, o bispo, o cardeal, o papa. Também o desconhecimento científico contribuiu: a descoberta do óvulo feminino deu-se apenas em 1827, o que significou que a mulher era considerada passiva na geração, levando, por exemplo, São Tomás de Aquino a afirmar que a mulher não pode ter poder na Igreja nem pregar. Uma das razões da misogenia é, segundo F. Lenoir, o prazer feminino, "essa grande intriga para o homem": o homem tem "ciúme do gozo feminino, pois é infinito, enquanto que o do homem é finito. Há uma espécie de abismo do gozo sexual da mulher que mete medo ao homem e o contraria".

 

2 No século passado, deu-se uma revolução em ordem à emancipação e igualdade da mulher. Para isso, foram decisivas as duas guerras mundiais, pois fizeram que as mulheres ocupassem lugares profissionais até então reservados aos homens, que partiam para a guerra e, lentamente, conduziram ao acesso a todos os níveis de estudos e à autonomia económica. Igualmente importante foi a autonomia sexual proporcionada pelo que normalmente se chama "a pílula", um meio mais eficaz para a separação entre actividade sexual e gravidez. A emancipação feminina constituiu, no meu entender, uma das maiores transformações sociais dos finais do século passado, cujos efeitos nos vários domínios - compreensão da sexualidade, família, trabalho... - estão ainda em curso.

 

3 Foi neste contexto que começaram as justas reivindicações das mulheres também no domínio religioso, contra o modelo patriarcal discriminatório. A Igreja católica, contra a vontade de Jesus, não constituiu excepção e é actualmente uma das últimas grandes instituições machistas do Ocidente. Com o Papa Francisco, abrem-se algumas portas. Acaba de denunciar o machismo: "Pensemos nos excessos negativos da cultura patriarcal e nas múltiplas formas de machismo, onde a mulher é considerada de segunda classe." E: "Temos de fazer muito mais para que a voz da mulher tenha um peso real na sociedade e na Igreja." Tem-se desdobrado em discursos e actos a favor das mulheres, denunciando "a sua condição subalterna na Igreja". Com escândalo de muitos, lavou os pés a duas mulheres numa prisão, colocou uma mulher na presidência da Academia Pontifícia de Ciência Sociais, nomeou cinco para a Comissão Teológica Internacional, quer que se reflicta "sobre o possível papel da mulher nos lugares onde se tomam as decisões importantes", o que permite pensar na nomeação de mulheres para a presidência de alguns ministérios na Cúria Romana. Acaba de denunciar o "escândalo" de as mulheres ganharem menos: "Para trabalho igual salário igual."

Falta a abertura ao sacerdócio ordenado, a que nem a Bíblia nem o dogma se opõem. Karl Rahner, talvez o maior teólogo católico do século XX, escreveu: "A prática da Igreja católica de não ordenar mulheres para o sacerdócio não tem nenhum conteúdo teológico obrigatório. A prática actual não é um dogma." Foi seguido pelo cardeal Karl Lehmann, durante muito tempo presidente da Conferência Episcopal Alemã, e pelo cardeal José Policarpo, entre outros. O cardeal Carlo Martini visitou em 1990 o então arcebispo de Cantuária, George Carey, dizendo-lhe que a sua abertura ao sacerdócio feminino poderia ajudar os católicos a serem "mais justos com as mulheres"; por esse motivo e outros, "os homens da Igreja têm DE pedir perdão às mulheres". Uma questão de direitos humanos.

P. S.: No passado dia 19, Ana Vicente, uma católica assumida, partiu para a plenitude da vida em Deus. Foi um exemplo do combate consequente pelos direitos e igualdade das mulheres.

 



publicado por animo às 16:23
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