Segunda-feira, 11 de Julho de 2016
PARIS . O ESPLENDOR DE PORTUGAL! CAMPEÕES DE UMA NOVA EUROPA!

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AS COISAS SÃO O QUE SÃO MAIS A EXPECTATIVA DELAS.

Vivemos horas de grande expectativa.
Todos tentamos apanhar o comboio de um punhado de rapazes que conseguiram colocar o nome de PORTUGAL à escala da possivel e planetária globalização.
2
Pode não passar disto mas este agora, que é apenas expectativa, a eles se deve.
Devolvemos-lhe em frenética loucura os momentos de sonho que alimentamos.
Sim, partem para o campo de batalha alimentados pelo que vêem e ouvem no Portugal imenso que não se esgota no rectângulo "à beira-mar plantado!"

A uns e outros só nos é pedido que tudo isto possa continuar a fazer sentido qual seja o resultado final.
Sim, como diria o poeta, e a partir dele, saberemos alguma vez como e quando se "cumprirá Portugal"?!

(Texto escrito às 8horas de ontem, dia 10 de julho, e editado na ânimo/Facebook.)

Mais palavras para quê?!



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Sábado, 9 de Julho de 2016
WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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AS DEZ HERESIAS DO CATOLICISMO (3)
Pe Anselmo Borges
In DN

 

Concluo a apresentação das dez heresias do catolicismo actual, segundo J. I. González Faus. 7. "Apresentar a Igreja como objecto de fé". Que se entende por Igreja? É decisivo responder adequadamente a esta pergunta, para afastar o perigo em que caiu o Papa Pio IX, que se negava a renunciar aos Estados Pontifícios, alegando que "aqueles territórios não eram seus, mas de Cristo". A Igreja não é Deus, é comunidade de comunidades formadas por homens e mulheres que acreditam em Jesus e no Deus que Jesus revelou. Homens e mulheres que acreditam no Deus de Jesus formam a Igreja e é em Igreja que acreditam em Deus. Temos, pois, um erro quando "a Igreja se apresenta como objecto de fé, equiparando-se ao Deus trino e esquecendo que só em Deus, e em mais ninguém, é possível crer, no sentido pleno da palavra". Percebe-se também que a autoridade na Igreja só como serviço se pode compreender.
8. "A divinização do Papa". "Confessamos que o Papa romano tem poder para mudar a Escritura e aumentá-la ou diminuí-la de acordo com a sua vontade. Confessamos que o santíssimo Papa deve ser honrado por todos com a honra devida a Deus e com a genuflexão maior devida a Cristo." Estas "palavras incríveis" provêm da profissão de fé que os jesuítas propunham aos protestantes húngaros para passarem à Igreja Católica nos finais do século XVII. O Papa Bento XVI, quando era professor, denunciou esta profissão como "monstruosa", reconhecendo depois que o magistério nunca a condenou.
As citações nesta linha são quase infindáveis. Atribuíram-se ao Papa títulos como "Vice-Deus da humanidade", "o Verbo encarnado que se prolonga". Num livro de meditações atribuído a São João Bosco, lê-se: "O Papa é Deus na Terra. Jesus colocou o Papa no mesmo nível de Deus." Chama-se a isto culto da personalidade e idolatria. Leia-se o "incrível" texto chamado Dictatus Papae, do Papa Gregório VII, século XI: "A Igreja romana foi fundada só por Jesus Cristo. Por isso, só o Romano Pontífice é digno de ser chamado universal. Só ele é digno de usar insígnias imperiais; ele é o único homem cujos pés todos os príncipes beijam. Não existe texto jurídico algum fora da sua autoridade; a sua sentença não pode ser reformada por ninguém e ele pode reformar as de todos. Ele não pode ser julgado por ninguém. A Igreja romana nunca se equivocou e nunca poderá equivocar-se. O Romano Pontífice canonicamente ordenado é sem dúvida santo pelos méritos de São Pedro." Na famosa bula Unam sanctam, o Papa Bonifácio VIII define que "submeter-se ao Romano Pontífice é necessário para a salvação de todos os homens". O Papa Gregório XVI opôs-se à tradição que fala de uma "Igreja com necessidade constante de reforma", acusando-a de "absurda e injuriosa", porque não se pode "nem sequer pensar que a Igreja esteja sujeita a defeito ou ignorância ou a quaisquer outras imperfeições".
A Igreja acabou por ser confundida com o Papa, como consta no programa do grupo La Sapinière, que o Papa São Pio X apoiou tacitamente: "Pode-se dizer que o Papa e a Igreja são uma só coisa." E, embora a palavra hierarquia (poder sagrado) nunca apareça no Novo Testamento, e, na linguagem eclesiástica, só no século V, de facto o cristianismo foi sendo reduzido a um eclesiocentrismo e este a um hierarcocentrismo: "A Igreja reduzida ao poder sagrado e o resto dos fiéis é apenas objecto deste poder, cuja única missão é "aceitar ser governado e obedecer" (e pagar), como disse o Papa Pio X. E, por fim, este hierarcocentrismo é reduzido à figura do Papa, separado do colégio episcopal pela forma como a cúria romana costuma governar."
E aí está como o Papa, cuja missão é de unidade, foi fonte de ruptura: lembrar o cisma do Oriente (1054) e a Reforma protestante (1517), e como se percebe o fascínio do Papa Francisco, porque é um papa cristão.
9. "Clericalismo". Tudo se concentra nesta pergunta: Deus pode ser concebido como Poder, quando Jesus o revelou como "Amor que capacita para amar"?
No Novo Testamento, "a comunidade toda de crentes é "clerical", porque foi chamada a compartilhar a herança (klêros) dos santos na luz", como se lê na Carta aos Colossenses. "Não existem, portanto, clero e laicado, mas uma comunidade, um povo afortunado que, como qualquer grupo humano, precisará de diversos serviços": ensino, direcção, coordenação. E "os responsáveis das Igrejas são chamados presbíteros, supervisores, servidores, "os que trabalham por vós"..., mas nunca sacerdotes." Só mais tarde os ministérios eclesiais se revestiram de dignidade mundana, passando-se então do "povo afortunado" para "os afortunados do povo". E aí está o clericalismo para dentro e para fora da Igreja.
10. "Esquecimento do Espírito Santo". A raiz de todas estas heresias: o esquecimento do Espírito do Deus de Jesus, Espírito criador, que une na diferença e renova todas as coisas.
COMENTÁRIO

QUE GRANDE TRABALHO DE CASA ESTÁ A FAZER POR NÓS!!!
OBRIGADO, PE ANSELMO!!!
Quase me atreveria a dizer que os meus queridos amigos Pe Anselmo e Frei Bento Domingues são o Ronaldo e o Renato Sanches da NOVA EVANGELIZAÇÃO.
UMA....SELECÇÃO DE LUXO!!!!
Como tal, ganhadora!!!
antonio colaço





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Sexta-feira, 8 de Julho de 2016
DOMINGO 10 DE JULHO PORTUGAL VAI ABANAR A EUROPA!!

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10 DE JULHO
VAMOS ABANAR A EUROPA

Este leque, que transformei numa despretensiosa obra de Arte, permanecerá aqui até Domingo como bandeira que empunhamos para um jogo que queremos seja muito mais do que um simples jogo de futebol.

Afastem-se as tiradas cómicas, tipo "Até os comemos!", "Vamos vingar-nos dos franceses que nos exploram!", "Os alemães já foram, Schaubel, pumba, vai buscar!!", etc, etc!

O pequeno país que somos, demonstrou, através de um punhado de rapazes, que souberam, de empate em empate, atingir o estado de EMPATIA FINAL que os levou a fintar o destino e a romper as redes de um quotidiano tecido por "invisiveis mas poderosas mãozinhas"!

No domingo, por cada golo que marcarmos, será um murro no estômago dos senhores que trazem a Europa agrilhoada em torno de troikas iluminadas que tudo decidem a seu belo prazer.

No domingo, se formos a penalties, por cada chuto vencedor todos saberão que nos nossos corações não há lugar para inventadas sanções.

No domingo, quando um simples jogo de futebol tiver terminado todos ficarão a saber que as europas dos pequeninos vão fazer parte do passado.

PORTUGAL, tal como os navegantes de quinhentos, RESGATA-NOS DESTA EUROPA PEQUENINA, MOSTRA-NOS QUE AS SANÇÕES QUE CONTRA NÓS INTENTARAM NÃO PASSARAM DOS INVENTADOS ADAMASTORES QUE NUNCA TEMEMOS.

PORTUGAL, não é contra a França nem contra nenhum dos 27 que no Domingo te vais defrontar.
No Domingo, PORTUGAL, faz da bola que vai rolar a grande Mãe Terra em que todos, por igual, queremos HABITAR.

 

 

 

 



publicado por animo às 02:17
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Terça-feira, 5 de Julho de 2016
IN MEMORIAM MARIA GUIOMAR LIMA

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IN MEMORIAM MARIA GUIOMAR

Tu e o meu querido Medeiros Ferreira, aqui, juntos, lado a lado, sorridentes
(conta, Maria, de que se fazem os sorrisos aí na Terra que acabaste de pisar pois que o nosso amigo nada me diz, nem ele nem ninguém.Tu que tanto furaste para deslindares os tantos novelos das notícias de S.Bento, não tenho dúvida vais descobrir).

Esta foto é de uma montanha, creio que na muralha da China.
(Nunca te disse quanto me alegrou ter contribuído para o teu fascínio por uma das minhas montanhas sagradas lá para as bandas de Mação, o meu querido Chão de Brejo que calcorreaste por tua conta e risco!).

O Facebook, de facto, é a grande esquina global das boas e más notícias.
(Ainda há dias tropecei num vídeo, ou fotografia, já não recordo,na qual te descobri, em plena Galeria Municipal de Abrantes, participando numa das minhas exposições que lá realizei.Nunca te disse o quanto me fascinou perceber que o meu trabalho plástico, alguns nacos de prosa, conseguiam fascinar-te e eu a pensar com os meus botões quanto me sentia pequenino perante ti,uma mulher pequenina, redondinha, mas tão grande ( e temida, sim, sei do que falo!) no respeito pelo teu profissionalismo que te fazia nunca deixar nada a meio!).

A morte, Maria, e agora tu já sabes do que falo, com esta fala de vivo-chico-esperto-a-rondar-filosofia-barata,é muito mal educada.
Nem sei como é que o Francisco de Assis foi capaz de lhe chamar "Irmã Morte", o caraças.
Pudesse, ao menos, avisar-nos para nos podermos despedir.

Esta coisa de a sabermos aos tropeções de post atrás de post não se faz.

Maria, deixo-te este ramo das minhas hortênsias colhidas, ontem, no meu Vale das Árvores. Desejei, e quase consegui, construir um corredor de entrada no Vale, ladeado das mil hortênsias cujo amor e fascínio intensifiquei nos teus, nossos, Açores!

A vista que se tem da Serra do Bando e seu Chão do Brejo a partir do meu Vale das Árvores é fabulosa.Vai ficar mais fabulosa, ainda, sabendo que por lá andaste.
Na próxima vez que lá vá vê se dás um sinal da tua Presença.
Ali, como no Tabor que sei apreciavas, as nuvens são solidárias entre si.
Pode ser que me deixem espreitar por um pedacinho do Céu em que agora QWERTAS a Eternidade.
Um beijo, Maria.

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Segunda-feira, 4 de Julho de 2016
XÓIBEL, PÁ!!!XÓ AÍ!!!!

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XÓIBEL, PÁ, XÓ AÍ!!!!

Parece que andamos todos distraídos com as sardinhadas, as touradas, as manjericadas, mas não!!!
Sem querer caír nalguns exageros que já para aí li, apetece-me, todavia, vir a terreiro e juntar a minha voz àqueles que, de uma vez por todas, têm que pôr na ordem as tantas vozes do senhor XÓIBEL.
Sim, o senhor parece que fala por meio mundo e não é bem assim!...
2
A minha última exposição "PODERES- o que fazemos com o PODER que temos", executei uma peça a que chamei a TTD-Trituradora de Toda a Dívida!!!
Uma velha máquina de triturar sopa, vulgo "batedeira", creio, avariou-se-nos lá em casa.
Lixo com ela?
Não, a Arte também entra aqui.
Na sua lâmina aumentada ela consegue DESTRUIR toda a dívida!!!(Uma espécie do por mim muito apreciado conceito de pôr os contadores a zero!!!).
3
Onde é que eu quero chegar?
Xóibelzinho, pá!!!!Eu não te quero fazer mal.
Acho que já te fizeram em tempos, adiante. Não vem para o caso.
Mas....lá que me apetece triturar, perdão, fazer umas cócegazitas com a minha TTD na tua lingua de palmo e meio, ai isso apetece!!!!

Cala-te, pá!!!!
Olha para as dívidas antigas da tua Alemanha com a Grécia, etc, etc....

Olha que levas com a TTD, rapaz!!!!
XÓIBEL, PÁ!!! XÓ AÍ!!!!

 

 

 

 



publicado por animo às 19:47
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SONHOS COM FOGO DENTRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESTREIA ABSOLUTA

SONHOS COM FOGO DENTRO

Ontem, dividido entre a noite de Mação e Montijo, cheguei mesmo a tempo de procurar a berma da estrada que me permitiu assistir, deslumbrado, ao fogo de artifício final das Festas de S.Pedro do Montijo (acho que ainda não foi desta que "conseguimos" impô-las na rota nacional obrigatória dos santos populares...)....
Nem sequer deu para ir para o Cais do Seixalinho onde, por certo, beneficiaríamos do espelho de água que torna este fogo um must.
Foi então que me demorei e percebi a beleza outra de vê-lo por entre o restolho do feno ali para as bandas da Universidade Senior.
Ponto.
2
Graças ao desafio que lancei ao meu querido amigo António Ribeiro Ferraz, producer do Meg's Project, um dos jovens criadores de música que está a dar cartas em Portugal, tentei com o seu fabuloso tema "Dreamer" do seu último álbum "ENIGMATIC ENCOUNTERS" ( e que me acompanha no C5 a toda a hora!) encontrar uma roupagem musical para parte substancial dos 16 minutos do Fogo de Artifício de ontem.
Espero que o António e os leitores da ânimo gostem tanto como eu sendo que estamos a falar de telemóveis de bolso e de mesas de mistura que não existem!!!!Pim!
Os bolsos cheios de sonhos!!!

Obrigado, António!!!
Ficamos à espera do próximo álbum.



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WEBANGELHOS SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES

NR-PUBLICAM-SE EM CONJUNTO AS TRÊS ÚLTIMAS CRÓNICAS (WEBANGELHOS) DE FREI BENTO DOMINGUES.
As nossas desculpas pela involuntária ausência.

antónio colaço

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Gostar de sofrer: mística ou doença

Os avanços científicos e técnicos não são promessas de vida eterna


1.
Só acreditas em Deus porque te dá jeito. Recebo muito bem esta velha censura de amigos agnósticos e ateus. Só me faltava acreditar porque via nisso uma desgraça.

O que torna a ideia de Deus inacreditável ou inaceitável para muitas pessoas, já foi expressa de mil maneiras. Em alguns meios, a mais corrente é esta: Deus não pode ser simultaneamente omnisciente, omnipotente e bom. Diante do sofrimento do mundo não sabe, não pode, ou não é tão infinitamente bom como se diz. Há outras razões mais sofisticadas de ateísmo. Não pretendo refutar nenhuma. Haverá sempre razões para dizer sim e razões para dizer não. Quando perguntaram a Einstein se acreditava em Deus, respondeu: primeiro gostaria de saber em que Deus está a pensar ao fazer essa pergunta.

Conheço confissões de fé em Deus que, para mim, são tão perversas que gostaria que não existissem. A Divindade foi e é invocada para fazer guerras e extermínio de populações. Na própria Bíblia há passagens, Livros e Salmos, absolutamente insuportáveis, mas não aconselharia a sua eliminação. Ao dizerem o que não se deveria nunca dizer de nenhum deus, revelam aquilo de que somos capazes: de colocar na boca de Deus os nossos interesses, mesquinhos ou detestáveis.

Por outro lado, quando, perante uma desgraça, natural ou provocada, se diz que é a vontade de Deus, sei que não acredito nessa peça do determinismo. Espero que Deus não tenha tão má vontade.

2. Gostar de sofrer, seja por que motivo for, não me parece uma virtude, mas uma doença. A glorificação do sofrimento tornou-se a marca de certo cristianismo que julga encontrar na cruz de Cristo a sua justificação. A espiritualidade dolorista não tem nada a ver com o Espírito do Evangelho. Não consta que Jesus gostasse de sofrer e muito menos de ser crucificado. Pelo contrário, gostava da vida e apenas queria que ela fosse abundante para todos. Sentou-se à mesa de santos e pecadores sem nunca exaltar o jejum. Por alguma razão, os seus adversários o acusaram de glutão e beberrão [1].

Ao fazer uma cruz na fronte de quem pede o Baptismo, já tenho ouvido esta observação: porque marcam a criança ou o adulto com o sinal da suprema crueldade? Sinto sempre necessidade de esclarecer: Jesus Cristo nunca desejou a cruz. A sua proposta era e é um caminho de alegria, o Evangelho da libertação. Foi assim que se apresentou na sua própria terra natal [2]. Se gostasse de ver as pessoas a sofrer, não se teria comovido com a doença, física e psíquica, com a morte. Não teria exaltado a ética samaritana e denunciado a situação dos oprimidos. A cruz foi-lhe imposta pelos donos da dominação religiosa e política. Preferiu ser crucificado a renegar o seu projecto de libertação divina e humana.

3. Quando me dizem que acredito em Deus porque isso me dá jeito, tenho de dizer que sim. Jesus Cristo não trouxe uma explicação de Deus, do ser humano, do sofrimento ou da morte, mas não se rendeu ao fatalismo. Nada tem de ser sempre assim, pelos séculos dos séculos. Sem ver o resultado final da sua intervenção, Jesus anunciou uma lógica muito original: quem perde, ganha e quem ganha, perde. Gastar a vida a dar alegria aos que precisam, mesmo que seja de um copo de água, é tocar o Reino dos Céus, transformando as relações humanas no que têm de mais exaltantes ou de mais banal.

Os avanços científicos e técnicos não são promessas de vida eterna. Que Deus os abençoe pela vida, pelo alívio e pela esperança que trazem à nossa viagem. Ajudam-nos a vencer a falsa mística do sofrimento.

Escrevo este texto depois do funeral do Frei Luís França. Sofreu muito, sem nunca se render. Cantámos, numa música muito bela, este poema de Frei José Augusto Mourão:

Não pode a morte reter-me na cruz. /Não pode o mundo arrancar-me à raíz./ Ao pé de Deus hei-de sempre viver./ Com Deus cheguei e com Ele vou partir.//Não pode a morte apagar o desejo/ de ver a Deus face a face e viver./ A Deus busquei toda a vida/ vivi de acreditar no infinito da vida.// Não nos reduz o escuro da noite./ Não pode o amor esquecer o que o altera./ Já ouço a voz do Senhor, Deus dos vivos/ já ouço a voz do amigo que vem.// A Ti a vida me toma e transporta./ Teu sangue inunda meu corpo de paz./ Eu vejo as mãos do Senhor glorioso/ nas minhas mãos a memória de Deus.// A Ti Senhor, meus desejos regressam./ Findo o andar, disponíveis as mãos./ Abre meu corpo ao devir que não sei/ eu chamo a esperança pelo nome de Deus.

Ilumina meus olhos da luz do teu Dia, e que um canto de paz me acorde da morte.

[1] Lc 7, 33-35

[2] Lc 4, 14-44



Diálogo inter-religioso e conversão das religiões

O diálogo inter-religioso, para ter sentido, deve ajudar a conversão das religiões a partir daquilo que é essencial em cada uma delas.

1. Nunca vivi em países que invocassem explicitamente a religião para fazer a guerra. No próprio coração da civilização moderna, os totalitarismos do século XX – soviético, fascista, nazi, maoista – com mais de cem milhões de vítimas inocentes, não eram movidos por qualquer religião. A guerra foi muitas vezes encarada como o motor da história. Com o desenvolvimento sempre crescente das ciências e das técnicas poderá tornar-se a sua destruição.

Foi em épocas de muita violência que trabalhei em alguns países de Africa ou da América Latina. Nenhum deus era invocado para abençoar a crueldade. Em alguns casos, o ateísmo era a regra. Essas guerras não precisavam da bênção de nenhuma divindade. Ainda hoje, o comércio de armas, o tráfico de pessoas e de órgãos, o trabalho escravo, a prostituição, o narcotráfico, a criminalidade organizada nem sempre pertencem a organizações religiosas! A idolatria do dinheiro tem pessoas e serviços bem organizados, a nível local e à escala global, que dispensam o recurso a qualquer outra divindade.

No plano religioso, a pergunta mais importante talvez seja esta: ainda haverá religiões que se alimentam de sacrifícios humanos? Se isto for verdade, o dever da memória não pode substituir a coragem de olhar para o presente.

2. Ao longo dos anos, tenho sido convidado para participar em colóquios de e sobre o diálogo inter-religioso. Sempre que posso, aceito com fervor. Como diz o Papa Francisco, com diálogo verdadeiro, seja em que campo for, todos ganham.

Desde os finais do séc. XIX que existem fóruns permanentes de diálogo religioso, como o Parlamento Mundial de Religiões, fundado em 1893. No âmbito da Igreja católica, foi, sobretudo, a partir do Vaticano II que várias iniciativas confluíram para a criação do actual Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso. Estas actividades tornaram-se frequentes, bem aceites e já marcantes no campo da teologia [1].

Esta normalidade corre sempre o risco de se tornar um ritual que se cumpre e do qual pouco se espera, mas seria injusto desvalorizá-lo. A passagem das hostilidades para o conhecimento e acolhimento mútuos das religiões é um acontecimento que já não nos espanta. Tornou normal o que deveria ter sido sempre a norma.

Deve tornar-se um caminho para a universalização da prática da liberdade religiosa. Antes do Vaticano II, para muitos católicos, era absurdo defender esta liberdade. A tese ortodoxa era simples: só a verdade tem direitos; a depositária da verdade e da sua defesa era a Igreja católica, fora da qual não havia salvação.

A declaração sobre a liberdade religiosa foi discutida, desde o início deste admirável Concílio, mas teve de vencer tantos obstáculos, que só a 7-12-1965 é que foi aprovada. Hoje, é uma bandeira e, sem ela, estaríamos como as religiões que exigem liberdade para si no estrangeiro, mas que a negam onde são elas próprias a impor a lei. É a velha táctica: em nome das vossas leis, exigimos liberdade e auxílios especiais; em nome dos nossos princípios e do nosso regime religioso e político, temos de vos negar essa liberdade.

3. Nenhuma religião tem o direito de impor os seus dogmas, ritos e normas às outras confissões. Seria continuar uma violência execrável, mas se cada uma só pensar em manter-se, defender-se e expandir-se, o chamado diálogo torna-se uma simples capa para o proselitismo das mais aguerridas. Todas têm de procurar descobrir de que reformas precisam.

 Não será o dever de todas as religiões, no mundo actual, para além daquilo que as possa individualizar, aplicar a Declaração Universal dos Direitos Humanos? Poderá discutir-se a universalidade desta declaração, no entanto, o primeiro dever é o reconhecimento de que todos têm direito a ter direito. Os cristãos dispõem de um princípio fundamental para avaliar o alcance ético de todas as instituições, religiosas ou não: o Sábado é para o ser humano e não o ser humano para o Sábado. A instituição, tida por mais sagrada, está submetida a algo de ainda mais sagrado: o bem do ser humano.

Do ponto de vista católico, o Vaticano II representa uma grande revolução a respeito de muitos comportamentos e instituições que se desenvolveram dentro da história da Igreja. Aplicou-se um velho princípio: ecclesia semper reformanda. Isto significa que a Igreja não se pode contentar com o que foi realizado nesse concílio. Os desafios, que os sinais dos tempos vão identificando, precisam sempre de novas respostas. Sabemos que, infelizmente, as contra-reformas não desarmam. O Papa Francisco já está a ver que não pode contar com nenhuma auto-estrada. Um processo de reforma nunca pode ser um acto voluntarista. Precisa de criar um clima que possa atrair mesmo aqueles que andam a criar obstáculos e denunciar aqueles fariseus que, como dizia Jesus de Nazaré, não entram nem deixam entrar. O diálogo inter-religioso, para ter sentido, deve ajudar a conversão das religiões a partir daquilo que é essencial em cada uma delas.

[1]  Andrés Torres Queiruga, O diálogo das religiões, Paulus, 2005

 

Apóstola dos apóstolos

A restauração das diaconisas não me parece que vá ser difícil. O Papa deseja ir mais longe.

 

1. Uma senhora inglesa confessava a uma amiga teóloga: Quando vou à Igreja sinto que tenho de deixar lá fora o meu cérebro. Não é caso único.

Em vários documentos do Vaticano II, nomeadamente na Constituição sobre a Igreja [1], a participação na Eucaristia é fonte e cume de toda a vida cristã. No documento da V Conferência do episcopado latino-americano [2], afirma-se que “todas as comunidades e grupos eclesiais darão fruto na medida em que a eucaristia for o centro da sua vida e a Palavra de Deus for o farol de seu caminho e da sua actuação na única Igreja de Cristo [3]”.

Por falta de presbíteros, só no Brasil, 70% dos católicos estão privados da Eucaristia. Mas se na América Latina, a situação é difícil, que dizer de Africa? Na Europa, a situação é caricata. Os padres são cada vez menos e correm de um lado para o outro, não só aos Domingos, mas também nos dias de semana, dados os constantes pedidos de Missas. Decidiu-se, no pontificado de João Paulo II, que as mulheres, por não serem homens, não podem ser chamadas ao presbiterado. Por outro lado, confessa-se que não existe nenhuma objecção à ordenação de homens casados, mas o resultado é igual ao das mulheres: a seara é grande, mas os feitores recusam ao Senhor da messe a hipótese de chamar e diversificar mais operários.

Por razões de teologia incompetente, de miopia pastoral, de confiança cega em grupos e movimentos pseudo-salvadores, a situação eclesial agrava-se de dia para dia.

2. Até agora, tem havido bastante má vontade do comando masculino das instituições romanas e episcopais em reconhecer o papel das mulheres na Igreja. Não foi difícil designar uma mulher como mãe da Igreja, a mãe de Jesus. Nada de espantar, a ladainha dos atributos de Maria dá para isso e muito mais. Há mulheres canonizadas e está reconhecido que algumas têm muito a ensinar ao conjunto das comunidades cristãs. Foram declaradas Doutoras da Igreja. Excepções…

Os textos do Novo Testamento foram, provavelmente, escritos por homens. Apesar do seu normal machismo cultural e religioso, não puderam evitar a presença actuante das mulheres que tiveram um comportamento muito superior ao dos discípulos. Estes manifestaram sempre a sua vontade de poder e, quando viram o Mestre crucificado, abandonaram-no. Pelo contrário, tanto os Evangelhos sinópticos como o de João manifestam que elas, do começo ao fim, seguiram Jesus com dedicação extrema – financiaram o projecto - sem nunca pedirem nada em troca [4]. Tanto a Samaritana como Marta, irmã de Lázaro, fizeram declarações de fé muito mais profundas e abrangentes do que a de Pedro. As mulheres foram as primeiras testemunhas da ressurreição e Maria Madalena foi constituída por Jesus como a apóstola dos apóstolos, como dirá S. Tomás de Aquino.

3. O Papa Francisco, como já revelou em várias circunstâncias e textos, anda empenhado em reconhecer a urgência e o alcance do papel cristão das mulheres na Igreja. Não o faz para entrar na onda importante dos movimentos feministas. Para ele, isso é pouco. Bergoglio tem uma razão mais simples e fundamental: não há dois baptismos, um para homens e outro para mulheres. Não há uma identidade cristã própria dos homens e uma, secundária, de mulheres. Não existe apartheid sacramental, mas dão-nos a ideia do contrário. Como dizia uma criança de 12 anos: parece-me a mim que, de facto, Deus gosta de mulheres, mas dizem-me que Deus prefere os homens. É o resultado da triste imagem oferecida pelos ministérios ordenados!

O terreno está armadilhado contra as mulheres [5]. A restauração das diaconisas não me parece que vá ser difícil. O Papa deseja ir mais longe. Acaba de abrir uma grande janela, ao ver tantas portas fechadas. Pela sua expressa vontade, a celebração litúrgica de Santa Maria Madalena, a 22 de Julho, passou a figurar, no Calendário Romano Geral, ao mesmo título que as festas dos apóstolos, uma forma de evidenciar a missão e exemplo desta mulher na Igreja. Isto pode parecer um bocado ridículo: quase dois mil anos, para reconhecer que, afinal, Jesus não estava assim muito errado: fazer de uma mulher a evangelizadora dos evangelizadores, a apóstola dos apóstolos. Quem pode o mais, como não há-de poder o menos, ser chamada a presidir a uma celebração da Eucaristia?

[1] Lumen Gentium nº 11

[2] Aparecida, Brasil, 2007

[3] Cf. Conclusão do referido documento, nº 180

[4] Lc 8, 2s, financiam o projecto de Jesus; Mc 15, 40s e Mt 27, 56, seguiram Jesus até à cruz. Se nos Sinópticos o Ressuscitado aparece primeiro às mulheres, que devem anunciar aos discípulos o ocorrido, em João, 20, 11-18, é M. Madalena – não Pedro! – que recebe a missão de ser a apóstola dos apóstolos.

[5] Cf. A. Cunha de Oliveira, Jesus de Nazaré e as mulheres. A propósito de Maria Madalena, Angra do Heroísmo, 2011

 



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WEBANGELHO SEGUNDO ANSELMO BORGES

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NR- PUBICAMOS AS DUAS ÚLTIMAS  CRÓNICAS DO PE ANSELMO BORGES (WEBANGELHOS!).
As desculpas pela involuntária ausência.

antónio colaço

AS DEZ HERESIAS DO CATOLICISMO (1)
In Dn 25 Junho

Heresia vem do grego háiresis, com o significado de parcialidade. Ora, pode acontecer que uma parcialidade se absolutize de tal modo que já não deixa espaço para elementos imprescindíveis da identidade cristã. É neste sentido que o jesuíta J.I. González Faus, um dos teólogos vivos mais sólidos e cristãos, escreveu um livro intenso com o título em epígrafe, para desmontar as dez heresias que inconscientemente foram tomando conta da teologia e da vida, arruinando a identidade cristã. Será o nosso guia também nas duas próximas semanas.

1. Primeira heresia: "Negação da verdadeira humanidade de Jesus." Como reconhecer em Jesus "uma psicologia humana como a nossa: sujeita ao erro e à ignorância ou à fraqueza, à angústia, ao medo ou à sensação de fracasso"? O problema está em que já se tem uma ideia prévia de Deus e estas características parecem incompatíveis com a dignidade divina. Mas qual é a consequência? Ao exigir que, em Jesus, Deus corresponda à imagem que temos dele, acabamos por impedir que Jesus revele efectivamente Deus. São Paulo, esse, percebeu, ao escrever que o Deus que anunciamos é "loucura para os sábios e escândalo para as pessoas religiosas". Afinal, a noção de dignidade divina deve ser concebida em consonância com a ideia humana ou a partir do exemplo de Jesus? "Eu, Senhor e Mestre, dei-vos o exemplo, lavando-vos os pés.".Jesus, de condição divina, escreve São Paulo, "apresentou-se como um entre outros", "sendo rico, fez-se pobre por nós, a fim de enriquecer-nos com a sua pobreza", mostrando que a verdade de Deus é o seu amor na autenticidade e fidelidade.

2. Vinculada à primeira, a segunda heresia: "Negação da eminente dignidade dos pobres na Igreja.".De facto, a negação da verdadeira humanidade e humilhação do Messias leva a não preocupar-se com os humilhados, os pobres, atribulados, famintos, refugiados ou presos, embora seja com eles que Jesus em primeiro lugar se identificou. O Papa Francisco tem razão, voltando a uma Igreja pobre para os pobres.

O que lemos no capítulo 25 do Evangelho segundo São Mateus, referente ao Juízo Final? Todos são julgados pela maneira como reagiram diante do Deus presente no necessitado, no faminto, no nu, embora o não soubessem: "O que fizestes a um destes mais pequeninos foi a mim que o fizestes." Este passo do Evangelho é abissal, pois nele não temos um ensinamento em primeiro lugar ético mas teológico, um ensinamento sobre Deus, como ele se comporta e é: não é possível falar sobre Deus sem a sua relação com os seres humanos, a começar pelos mais desamparados. "É falso todo o Deus cuja glória não seja a vida do homem." Também está na Primeira Carta de São João: "Se alguém possui bens deste mundo e, vendo o seu irmão passar necessidade, não o socorre, não pode estar nele o amor de Deus."

3. Terceira heresia: "Falsificação da cruz de Cristo." "O que foi que condenou Jesus a uma morte tão atroz? Foi Pilatos? Foram os escribas e fariseus? Não, meus irmãos, não. Foi a Justiça divina que nunca quis dizer "basta" até que o viu expirar sob este suplício. O Salvador bondoso agonizava suspenso no ar por três cravos, derramava lágrimas de sangue, sangrava por todos os lados. Mas a Justiça divina, inexorável, dizia: "Ainda não." A sua doce mãe chorava ao pé da cruz, soluçavam as piedosas mulheres, gemiam todos os anjos e espíritos bem-aventurados diante de tão cruel espectáculo. Mas a Justiça, sem se deixar comover, repetia: "Ainda não." E não disse "já basta" enquanto o não viu exalar o último suspiro. O que dizeis então, meus irmãos? "Se a Justiça divina tratou tão severamente o Unigénito do Pai só porque havia tomado sobre si os nossos pecados, como nos tratará a nós que somos os verdadeiros pecadores?"

Muitos terão ouvido sermões semelhantes a este, de São Leonardo de Porto Maurício. Jesus tinha de morrer para pagar uma dívida infinita contraída com Deus pela humanidade e assim reconciliá-lo. Foi esta concepção que levou muitos ao abandono da fé. Aí está um Deus bárbaro, inexorável, que se não deixa comover, e uma teologia da satisfação expiatória que santifica a justiça próxima da vingança. O contrário do Deus que Jesus revelou como Abbá e Misericórdia, na parábola do filho pródigo. "O dolorismo heterodoxo que a Cruz produziu no nosso catolicismo vem, em boa parte, daqui: estamos a um passo de uma redenção "sadomasoquista", com a perversão de uma grande verdade: "Tudo o que vale custa" transformou-se num falso princípio: "Tudo o que custa vale." "A Cruz transformou-se assim em factor de resignação, quando na realidade é o resultado de Jesus não se ter resignado perante a injustiça estabelecida."A morte de Jesus é "uma consequência da sua vida e não uma exigência metafísica da justiça de Deus". Não morreu vítima de um Deus irado, que precisa de ser aplacado, mas vítima da maldade do mundo; morreu para ser consequente com a sua mensagem, dando testemunho até à morte do Deus que é Amor.

 

 

 

 

 

AS DEZ HERESIAS DO CATOLICISMO (2)
In DN 2Julho

 

Continuo, com J.I. González Faus, a apresentar as dezheresias do catolicismo actual.

4. "Desfiguração da Ceia do Senhor." Imaginemos uma conversa entre um cristão piedoso de hoje e um cristão do século I. Aquele dirá que o centro da sua vida cristã é a "adoração eucarística" e este só lentamente entenderá que se está a referir à "fracção do pão" e também que a Missa quer dizer "a Ceia do Senhor". O que se passou?

Os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia em casas particulares, com todos à volta da mesma mesa; ali, pela primeira vez na história, escravos e senhores sentaram-se uns ao lado dos outros. De acordo com o Novo Testamento, "nem sequer era o presbítero que presidia à celebração, embora pouco a pouco se tenha imposto que o presidente da Eucaristia fosse aquele que presidia à comunidade, talvez para aprender que devia exercer a autoridade não impositivamente, mas igualitariamente, e procurando o máximo de comunhão possível".

Quando os cristãos se tornaram multidão, foram necessários locais amplos, o latim deixou de ser entendido pelo povo, os assistentes já não participavam, com o celebrante de costas e à distância e as pessoas a fazerem "outra coisa" (rezar o terço...) enquanto "estão na Missa", atentos ao momento da "consagração" e, depois, alguns vão receber a hóstia. Tudo se centrou no culto da hóstia, "totalmente separado do gesto do partir, partilhar o pão". Da refeição passou-se a um acto de culto, com uma deturpação fundamental da Eucaristia: "Separar completamente a matéria (pão e vinho) do gesto (partilhá-los)", quando "partir o pão significa compartilhar a necessidade humana (da qual o pão é símbolo primário) e passar a taça é comunicar a alegria, da qual o vinho é outro símbolo humano ancestral". O corpo e o sangue são a pessoa e a vida de Jesus vivo.

5. "Transformar o cristianismo numa doutrina teórica." Heresia fundamental, que consiste em desfigurar a fé cristã, "transformada numa doutrina teórica ou numa religião centrada no culto, em vez de ser uma vida e um caminho crente para a transformação do mundo". À maneira dos gnósticos, põe-se o acento no conhecimento, que pode ser passivo, em vez de no amor, que é essencialmente activo: o decisivo do cristianismo não é dizer "Senhor, Senhor", mas "fazer a vontade do Pai", que consiste em que "todos tenham vida e vida em abundância". "A glória de Deus é a vida do homem", dizia Santo Ireneu.

O que então fica resume-se, infelizmente, em duas teses: a) "Deixadas à sua própria inércia, as sociedades estruturam-se de modo anticristão, não porque se estruturem de maneira laica ou reconheçam as uniões homossexuais, mas porque se estruturam na desigualdade, que é o valor mais contrário à paternidade do único Deus e o mais característico da divindade do Dinheiro"; b) "O Dinheiro é o único Deus verdadeiro das nossas sociedades que se consideram modernas, mas também o verdadeiro "senhor" de todos nós, que ameaça levar-nos à nossa própria destruição e à destruição do planeta." E "o nosso catolicismo foi cúmplice deste processo degenerador tão contrário à sua essência".

6. "Negação da absoluta incompatibilidade entre Deus e o Dinheiro." Afinal, a inscrição do dólar não é "In God we trust", mas "In Gold we trust", como parodiou E. Dussel. O problema dos imensamente ricos frente aos pobres que morrem a cada dia de fome aos milhares, mais do que um escândalo moral monstruoso, é a idolatria do deus Dinheiro, sendo essa a razão de se contar no número das heresias: "Uma visão teológica que pode desfigurar nada menos que a identidade do Deus bíblico. Deus é o Deus dos pobres, conhecê-lo não é especular muito nem sequer rezar muito, mas "praticar a justiça", como disse o profeta Jeremias."

Quando se olha para a linguagem oficial da Igreja, "dá a sensação de que toda a moral se reduz ao sexo e que é aqui que é preciso levantar a voz, ao passo que se deixa o dinheiro correr pecaminosamente sem o molestar". Ao contrário de Jesus, que foi parco no tema sexual, exigente na teoria e compreensivo com as pessoas concretas, mas duro quanto à riqueza opressora. "Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro." Significativamente, os Evangelhos, escritos em grego, mantiveram a palavra aramaica Mamôn (e além disso, sem artigo, como se fosse um nome próprio) para designar a riqueza: porque vem da mesma raiz (mn) do verbo crer, acreditar. "É uma maneira de dizer, mais uma vez, que God e Gold são muito aparentados: não se pode adorar ao mesmo tempo Deus e o Dinheiro." Quando se pensa na força crescente do Dinheiro, cada vez com mais possibilidades, pois já não se trata de meros poderes pessoais, mas estruturais e anónimos, é preciso rever a sociologia da religião: afinal, ela está em aumento, o que diminui é a fé no Deus de Jesus, o Deus que criou o mundo para todos e não apenas para os ricos. "O deus dos senhores é diferente." (J.M. Arguedas).

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.



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Domingo, 3 de Julho de 2016
MATINAS ou A IMAGINAÇÃO DE DEUS

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MATINAS . PERTO DO PRINCÍPIO ou A IMAGINAÇÃO DE DEUS

Consegui, finalmente, voar até ao meu querido Vale das Árvores depois de quase quatro meses de uma envergonhada ausência. O meu querido e sempre vigilante amigo Júlio Pires já me tinha avisado "olha que aquilo não se entra lá!".
2
Por pudor nada publicarei  que me envergonhe e, pior, envergonhe o Vale.Na próxima semana espero que os técnicos da Aflomação dêem cabo, com sabedoria, do matagal que ali andou este tempo todo à vara larga!
3
Quando consegui libertar a mangueira que se escondia nas profundezas das garras da tanta erva daninha e finalmente pude acudir às minhas queridas hortênsias - verdadeiro milagre de sobrevivência por entre os escombros desta ausência - deu-me para rezar e do facto dar conhecimento ao meu querido Pe Anselmo, um dos meus "directores espirituias" no dizer desse outro amigo de seu nome Jaime Gama.
E enviei-lhe a mensagem que segue, que pelos vistos apreciou como pudemos depois conferir:

4

"Estou na minha horta em Mação!
Um inferno de erva daninha ardendo à solta!
Quatro meses de abandono!
Consegui resgatar uma mangueira depois de porfiada luta
Estou, finalmente, a regar as minhas queridas hortênsias que com tanto amor e carinho há uns anos plantei.
Sobreviveram a tanto involuntário esquecimento (os meus queridos netos) e, Pe Anselmo, estão violáceamente esplendorosas!!!!
Dei por mim a rezar a Alguém que me habituei a chamar Deus mas que não sei Quem é.
Só pode ser tão Belo como as hortênsias que criou.
Por isso agradeço-Lhe.
Talvez Ele tenha querido que assim fosse: criou-nos a imaginação para que cada um de nós à sua maneira O imagine.
Obrigado pela sua presença aqui, Pe Anselmo.
Gostava de lhe pôr no altar de logo um raminho das mais exuberantes.
Um abraço amigo.

 



publicado por animo às 17:13
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