Adoro prateleiras e as candeias que, nelas, indo à frente, alumiam duas vezes.
Nunca uma candeia às avessas poderá ter lugar em prateleira minha que se preze.
Mil vezes o brilho e o fulgor das velhas caldeiras areadas, lado a lado com as artísticas cerâmicas dos avós herdadas.
Na minha prateleira, afago o vigoroso tronco do ancestral castanheiro que não pára de sussurar às chitas e seus bordados, às elegantes almotolias e aos almofarizes cansados, "agradeçamos aos nossos donos devolvendo-lhes, garbosos,a nossa alegria de permancermos de pé, recuperados!"
A minha prateleira é um poço de sabedoria, guardo nas cinzas das tantas memórias da minha chaminé, noites infindas de serões polvilhados de histórias sofridas mas sempre, sempre, carregadas de Fé.
Obrigado
antónio colaço
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