Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011
UM MÊS DEPOIS DE FACEBOOK.POR UMA AMIZADE NÃO VICIANTE (ACTUALIZAÇÃO)

  

Quem se quer bem sempre se encontra, não importa os anos que passam.Neste mundo virtual é muito bom ter amigos que se conhecem.

SB

Eu tenho uma presença mais física.Sou de outra era.Ando por aí.

PC

Você tem razão. Isto do facebook está a tornar-se uma vício.Até a minha mulher já manda vir comigo.

AF

 

Um mês depois de ter aderido ao Facebook, após sucessivos apelos sempre negados, em nome, lembro-me bem, do tempo necessário para “navegar” e da falta dele, de uma pressentida impessoalidade na multiplicidade dos contactos, por que sinto necessidade desta reflexão?

 

De facto, o lado viciante deste constante saltitar de “ amigo em amigo”, de actualização em actualização, quase nenhum tempo deixa para a serena reflexão que agora tento.

Um parêntesis para dizer que, em regra, mesmo com os riscos de morrer na praia, ficar sem rede ou,,pura e simplesmente, perder-se por um qualquer outro acidente informático, prefiro escrever, editar, em directo, tal a força do “chamamento” das constantes solicitações dos “amigos”! Este texto está a ser escrito, assumidamente, à margem de todo esse constatado frenesi. É, digamos, uma primeira conquista, ou seja, não vivo para facebookar, facebooko porque vivo. E o viver, neste preciso instante, passa por, na serenidade da música de um Bach seleccionado, tentar arrumar algumas das ideias.

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Andam elas desarrumadas mais do que o desarranjo dos dias consente? É um facto que os novos desafios colocados pelas novas tecnologias e suas constantes inovações não pára de nos surpreender.Do ponto de vista histórico sinto-me mais confortado e preparado para o embate inicial o que não significa que me sinta completamente imune ao deslumbramento que sempre causam no seu aparecimento. Foi assim desde o estilete de cera com que aprendi a desenhar e policopiar os primeiros textos das revistinhas em que andei metido, passando pela novidade das “chapas impressionáveis e “cozidas” do pré-histórico offset ( a ânimo nasceu nessa esquina do avanço tecnológico dos meados dos anos 70 ) para continuar, em seguida, com as rádios livres, as televisões ditas regionais, os emails, a internet, os telemóveis, os blogs….

 

3

Quando PC diz que é “de outra era, que tem uma presença mais física” e SB, por seu lado, reconhece que “neste mundo virtual é bom ter amigos que se conhecem”, do que estamos a falar? De receio por uma amizade feita de bytes, sem carne, sem sentimentos e emoções palpáveis, sem um ombro amigo onde derramar lágrimas de sofrimento ou contentamento?

Acontece, porém, que ultrapassada a questão do “anónimo” – e a net, para o melhor e para o pior tem sido um imenso alfobre das mais hediondas práticas de tal safadeza humana – em regra, as novas tecnologias nesta sua nova fase, em que não podemos esquecer essa nova multiplicação dos pães, os sms, por assim dizer, têm contribuído e em muito para erguer novas causas sociais desde a simples solidariedade com o mundo dos sem-abrigo e desempregados, até às mais justas manifestações reivindicativas seja por libertação de povos, seja por afirmação de novos direitos de minorias.

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Que fazer, então, um mês depois? Deixar o facebook, anatemizar todos estes novos e desencarnados amigos que apenas se conhecem por um faz-de-conta-que-agora-sou-editor-do-meu-jornal- de-parede-onde-opino-sobre-tudo-e-sobre-nada-e-meto-música-qual-encartado-discojokey-de-mim?!Uff!

Recordo-me que, passados poucos dias de ter aderido, e face ao silêncio sobre as coisas que ia editando, escrevi uma pequena carta aberta ao Sr. Facebook, tipo “ó Mãe, aquele menino bateu-me”, dando conta que “os meninos não queriam brincar comigo”, recusando-se a comentar os meus “posts”. Logo de imediato, um amigo do peito (que, afortunadamente, fiz na net!) o Mário Filipe Pires, do velhinho Retorta, veio, pressuroso, alertar-me “Isto aqui não é o Muro das Lamentações!Tens de te habituar, acabaste de chegar!”

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O grande problema do facebook, e da net, em geral, de facto, está nas sábias palavras de PC:”eu ando por aí!”

Este, sim, se não conseguirmos ganhar alguma disciplina, é o grande problema: o tempo que nos faz tanta falta para andar por aí se passarmos grande parte dele…a andar por aqui! E eu, confesso, tenho deixado, neste último mês, de andar tanto “por aí!”, quanto desejo.

 

Dir-me-ão, mas na net, se não estamos atentos, com a velocidade de comunicação a que as coisas acontecem, perdemos o lugar por falta de comparência, por falta de …actualidade, o que faz supor que o lugar onde as coisas acontecem é lá( aqui!) e não no abandonado quotidiano.

Junto-me a PC para reafirmar, em conclusão, que não vivo para facebookar, facebooko porque vivo.

Prefiro perder a actualidade virtual que nasce nas esquinas dos tantos bytes à actualidade outra que me sai do cansado e calcorreante corpo e dos mil apertados abraços em que tropeço no reencontro  com os amigos que mereço, mesmo que descobertos num “pedido de confirmação” em tardias horas de webnavegação.

De facto, a amizade, mais do que um vício, virtual ou real, para mim é um verdadeiro ofício!

Algo que se constrói e alimenta todos os dias e em todas as circunstâncias da vida.

 

Devo, também, dizer, que a net, entendida como um meio e jamais um fim em si própria, já me possibilitou fazer, quer dizer, descobrir, novos AMIGOS e, através dela, alimentar a amizade assim gerada.

 

Por isso, FacebooK, sim, Víciobook, não! 

antónio colaço 

 

 



publicado por animo às 14:16
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