Segunda-feira, 28 de Março de 2011
MATINAS


            Estimado Tozé / Eterno Jairzinho
 
            Não, não sou o rei/ lavrador/trovador, o nosso D.Dinis. No entanto, pergunto às "flores do verde pino" (...pinheiro, não o que tu pensas...) "se sabêdes novas do meu amigo", e o nosso Alegre, Manuel de seu nome, poeta e eterno candidato a presidente, responde-me,..."E o vento cala a desgraça/ E o vento nada me diz ".
          "Ai, Deus, e u é?". Sei bem onde estás e o que o vento me diz, pois vou acompanhando o blog e as notícias dos teus convidados. Parabéns, não só pelo teu espírito de iniciativa, com o pelo sucesso que vais tendo, pois a convidados de tal peso não é fácil fazer disponibilizar tempo. É preciso é olhar também um pouco para os "matarroanos" cá de "xima", mas provincianos de gema, tal como tu, meu estimado alentejano/beirão. Penso que este país está um pouco(muito) "Lisboodependente" e que existe uma colonização política, ideológica, linguística (basta ver os "xabores"; "xidadãos"; "xelente"; "Xampaio"; "Gé Xócrates"; "xaberes"; "xantos" e outros que tais...), cultural, económica (a pouco mais de duzentos quilómetros da capital, zona com um dos melhores níveis de vida da CEE, a par da Madeira,  existe... e é o mesmo país, uma das zonas mais pobres da mesma Comunidade e que vai empobrecendo a um ritmo bem superior). Como eu gosto de desenterrar a lupa irónica do nosso inimitável Eça e pela voz  inesquecível do seu conselheiro Acácio, continuar a repetir como há 130 anos atrás..."Caro amigo, a país são as arcadas de S.Bento e do Terreiro do Paço... O resto é paisagem!". Sim, ele próprio, o político/embaixador Eça, Poveiro de têmpera e de nascimento, longos tempos esquecido das suas raízes, mas que, em "A cidade e as serras" , volta ao Douro (que paisagem espectacular!), hospeda-se no  solar da família da sua mulher, cujo mirante se espelha nas águas licorosas do rio que cheira a mosto e a rabelo, e na cozinha rústica, desconfortável,mas aconchegada de calor humano, come uma boa cabidela ao lado do amigo Jacinto, bebe um velho e decantado maduro duriense de sonho, prova os sabores de uma terra dura, socalcada, agreste, esquecida, e.assim  se reconcilia com a "pátria", não a que ele critica nos seus mordazes "Os Maias", da oitocentina Lisboa, romântica e terrivelmente lasciva, enjoativa, "Jetessetada" do Carlos da Maia, do João da Ega, do Alencar, dos Gouvarinhos... e tantos outros...todos eles bem actuais,  mas a que enterroa  as mãos até ao mais fétido estrume que envolve o humus que dá vida à terra e às gentes e as tempera de rugas e socalcos, misturados com a rudeza empedernida das rochas e das giestas que enovelam o forno do povo, escancarado à pobreza  do fumo e odor da última cozedura do pão Torguiano que o "diabo amassou". Como era bom que as arcadas de S.Bento, Belém e Terreiro do Paço deixassem de ser o país! Se um dia assim for, cumpriremos o que diz o genial  e visionário Pessoa na poesia da sua Mensagem: " Ó Portugal, hoje és nevoeiro..." ; " É hora!..." "Senhor, falta cumprir-se Portugal !"
            Meu bom Tozé, isto não é para ti, pois sei como tu sentes as tuas raízes, como as amas, como gostas de ir para lá, como ainda cheiras o pão saído do forno acolhedor dos que, com tanto sacrifício e pobreza, te deram vida e te amaram profundamente, um amor que nasce da mais radical simplicidade que a terra nos dá. Sei que és um citadino/emigrante saudoso da terra natal! É apenas uma reflexão de um como tu, mas que sonha com algo melhor para todos e em que estejam todos. Eu sei que o meu sonho é o teu!
            Meu bom Tozé, desculpa estas palavras. O que eu quero, afinal, é saber se estás bem, tu e todos os teus, se estás feliz. Palavras leva-as o "vento" e as "flores do verde pino". A amizade, essa fica para sempre enraizada em nós e, mesmo que às vezes pareçamos mais distantes porque a agitação da vida a isso nos leva, isso não é verdade, pois a presença dos amigos verdadeiros como tu, meu estimado, essa é inapagável e vai para além das estrelas, para outro lado da vida. Obrigado pela tua amizade, meu irmão. Força, para a frente com os teus sonhos e projectos. É de gente como tu que precisamos. Tenho a certeza que o mundo seria mais justo, fraterno ... e franciscano. 
 
Paz e Bem e até breve...

O meu amigo João Teixeira, o primeiro a contar da direita, com esse outro amigo, Mário Pissarra, ao centro.Imagem colhida na Exposição "EM ÉVORA, SÊ ROMANO, PERDÃO,ALENTEJANO!", em Maio do ano passado.

 

João Teixeira

____________________________

 

 

Meu querido amigo, João Teixeira,saúde!

Paz e Bem, sim, como costumamos dizer, nós os que nos reclamamos de Francisco de Assis.

O do povorello, claro!

Apanhaste-me completamente de surpresa mas nada melhor do que fazer das tuas palavras as minhas/nossas MATINAS de hoje. As Matinas que tantos anos nos fizeram caminhar para os coros dos Conventos de Barcelos e Ameal,Porto, sim, e que, agora, vê lá tu, continuo a fazer minhas neste conventinho outro, virtual.

2

O frenesi em que por aqui ando só tem como objectivo abrir algumas portas para, com mais propriedade, poder dizer em voz alta algumas das realidades que, com tanta sapiência, convocas.

De facto, repara que até convoquei para aqui uma das fotos de que mais gosto, a da cerca do meu Vale das Árvores, em Mação (que tanto suor me custou uma vez que a ergui s-o-z-i-n-h-o!ah, pois!!!) como sinal dessa atenção que o campo, a ligação às nossas origens nunca deveria abandonar-nos.

Tal como tu, penso que grande parte da crise de identidade porque passamos tem a ver, exactamente, com este deslumbramento a que nos demos, cada um à sua medida, claro, de nos instalarmos nas prebendas do dinheiro fácil que veio da Europa e nada mais fizemos para multiplicá-lo.Um pouco como na parábola dos talentos, creio que me entendes!

3

Foi por isso que no passado sábado, quase me comovi ao ler a crónica do Joel Neto, que não conheço, na revista NS do Diário de Notícias.Porquê?! Porque está lá tudo!

Deixo-te com duas ou três pérolas das palavras do Joel:

 

(...)

Não pode haver nada mais triste do que não ter uma terra.Dois mil e quinhentos anos depois, o mundo não é já o de Sócrates, feito de meia dúzia de cidades e dúzia e meia de aldeias piscatórias alinhadas ao sol do Mediterrâneo. Pelo contrário: dois mil e quinhentos anos depois de Sócrates,a mundividência é, antes de tudo o mais, a capacidade de cultivar raízes.De ser de algum lado, se possível até do lado de onde verdadeiramente se é.

E, pelo menos enquanto um só velho da Terra Chã (Açores, Terceira, Angra do Heroísmo) se lembrar de mim, eu serei da Terra Chã.

Quando, enfim,tiverem todos morrido, e com eles a memória desses gloriosos tempos de bicicletas e bichos-da-seda, então talvez eu passe a ser do mundo inteiro.Mas, em todo o caso, tentarei evitá-lo."

 

Tudo, porque Joel partia desta outra grande conclusão:

 

"A grande tirada que eu mais deploro é a do "cidadão do mundo", com que gostamos de encher a boca até que, enfim,nos reconheçam representantes dessa nova burguesia de resort de qutro estrelas."

4

Aqui está, meu caro João, o Cântico do Irmão Sol em linguagem do sec XXI.

Obrigado, por teres feito com que eu não me esqueça e, muito menos, me deslumbre!

No próximo fim-de-semana, lá encaminharei os meus passos para o Senhor dos Passos, momento maior dos maçanicos que fizeram o favor de me adoptar e a quem, com amor, fiz acrescentar dois maçanicos para ajudar a que...não se perca a memória de nós!

antónio colaço 



publicado por animo às 14:46
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