Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
MAÇÃO

 

MAÇÃO,


Tinha tanto para te dizer e, de repente, como que fico com todas as palavras engasgadas, atropeladas lá nesse lugar da mente onde todos os discursos encontram o seu momento de ser.

Sim, sei - é um conhecimento recente - que não somos a nossa mente por muito que ela continue a tomar conta da gente, desde sempre, num processo de condicionamento de dificil desmontagem mas, uma vez conseguido, tudo muda e ganhamos nova coragem.

 Tu sabes que imaginei para ti, como para a tua vizinha Abrantes, como por estes dias aqui desabafei, novos dias para gentes sem esperança, guardando, no entanrto, dentro dos seus muros ,todas as respostas para as necessárias mudanças.

O tempo, aquilo a que convencionámos chamar de tempo psicológico, cavalgou , porém, mais rápido e parece ter-me conduzido, como o Demónio das escrituras a Cristo, a este alto donde te avisto num desafio de humilhante provocação:

 

-Olha-me este Mação, hein, querias desafiar-me a mudar as condicionadas mentalidades, seu atrevido. Não vês que é em mim que o acomodado povo tem o seu sentido?
Que querias tu, hein? Gente mais convivencial? Gente mais livre interrogando tudo e todos? Gente mais criativa gerando novos modos de olhar a vida? Gente menos temente apesar de muito mais crente? Como vês, aqui não mexes!!!Centro histórico quase todo à venda ou em silencioso desmoronamento. Construção desenquadrada, pequeno comércio às moscas...queres que te relembre  mais coisas toscas?
Não vês que me alimento de gente com a cabeça cheia de complexos de culpa, de invejarias, de bufarias, de prebendarias, de alforrias?
Vais ter de continuar por aqui debaixo das minhas regras ou eu nunca mais de darei tréguas.

 

O que me faz continuar por aqui, Mação, eu que nunca quis meter-me em alhadas partidárias e que, sem o saber, ajudei a fazer tremer o poder que nos domina há mais de um século?! Meu Deus, por duas centenas de votos quase conseguimos inundar a Câmara com um socialista maremoto?
O que me faz continuar por aqui, Mação, que quase consegui convencer meio mundo a apostar na Serra do Bando como a grande sala de visitas desta terra onde mais que em qualquer lugar um ar puro e Eterno ali se respira e  onde um céu tão azul parece ser a única fronteira?

 

O que me faz continuar aqui, Mação, onde em cada esquina das tantas freguesias por onde passo recebo palavras de saudação, abraço a abraço pela meia dúzia de palavras que todos os meses faço chegar às desanimadas casas, através de um jornal a que muitos se agarram como porto de abrigo para vidas sem sentido, sem desafios, apenas inconfessados perigos?

 

Sim, Mação, não tenho alternativa senão continuar por aqui.

Mação, é aqui que está o meu chão e tu sabes quantos suores, nestes últimos dias, para reerguer no Vale os imaginados e rurais valores.

É aqui que ficará o meu coração.

Não há outra volta a dar.

Obrigado, Mário Pissarra, pelas palavras que acabam de chegar:

 

"Parece que o trabalho de desmatação «mata» o corpo, mas repousa e enriquece o espírito.

O teu Vale das Árvores está para ti como a família está para alguns sociólogos americanos: um nicho afectivo para recarregar baterias. Perante as múltiplas incompreensões e agressões do hostil mundo exterior, o refúgio no trabalhoso e refrescante vale supera tudo."


(continua

antónio colaço

 



publicado por animo às 15:22
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